Após a euforia que tomou os mercados com o resultado do primeiro turno eleitoral, a bolsa brasileira reencontrou a sobriedade nesta quarta-feira: o Ibovespa recuou 0,72%, fechando em 204.348,39 pontos, enquanto o dólar voltou a superar os R$ 5,00. É o momento em que os mercados, após o impulso emocional das urnas, retornam ao trabalho paciente de avaliar fundamentos — balanços, juros e geopolítica — lembrando que euforia e realidade sempre precisam, cedo ou tarde, se reconciliar.
Ibovespa cede 0,72% após euforia eleitoral; dólar sobe a R$ 5,01
A bolsa paulista entrou em compasso de espera
Por que o mercado subiu tanto depois do primeiro turno se agora está caindo?
Porque o primeiro turno eliminou incerteza. Os investidores reprificaram tudo de uma vez — resultado eleitoral, cenário fiscal, tudo. Mas depois que a poeira baixa, eles voltam a olhar para o que realmente importa: balanços, juros, fluxo de caixa.
Mas quanto dessa queda é realmente sobre o Brasil e quanto é só o mercado global ficando mais avesso ao risco?
Boa pergunta. A ata do Fed saiu naquele dia, e o petróleo subiu por tensões no Oriente Médio. Então não é só Brasil.
E o dólar? Por que subiu se o risco global diminuiu?
Porque o dólar tinha caído muito rápido depois do primeiro turno. Isso foi uma acomodação — o mercado ajustando posições após um movimento extremo.
Mas a estrategista disse que ainda há fluxo de capital estrangeiro entrando. Então por que o dólar sobe?
Porque fluxo de capital e movimento do dólar são coisas diferentes. O fluxo pode ser positivo e o dólar ainda assim se aprecia se houver realização de lucros ou ajuste técnico.
E as ações? Vale caiu, Itaú caiu, mas Petrobras subiu. Há alguma lógica?
Vale caiu porque não havia cotação do minério na China. Itaú caiu com os juros futuros subindo. Petrobras subiu porque o leilão do pré-sal foi bem recebido.
Então cada ação tem sua própria história naquele dia?
Exatamente. O índice caiu 0,72%, mas isso é a média. Alguns setores estavam comprando, outros vendendo.
O que vem agora? O mercado vai continuar caindo?
Ninguém sabe. Mas o segundo turno ainda vem. Isso pode trazer mais volatilidade.
Der Puls
- O rali pós-eleitoral perdeu fôlego rapidamente: investidores passaram da celebração para a cautela em menos de 48 horas, reposicionando carteiras com mais critério.
- O dólar rompeu novamente a barreira dos R$ 5,00, avançando 0,83% após dois dias de recuo, sinalizando que a acomodação cambial ainda não está consolidada.
- A ata do Federal Reserve trouxe ruído externo: membros divergiram sobre a necessidade de novos aumentos de juros nos EUA, elevando a aversão ao risco global.
- O petróleo WTI ultrapassou US$ 100 por barril em meio a tensões no Oriente Médio e ataques houthis contra a Arábia Saudita, adicionando pressão às commodities.
- Petrobras e GPA nadaram contra a maré — a estatal subiu com o leilão do pré-sal e o varejista avançou 4,15% após homologação de seu plano de recuperação extrajudicial.
- Vale e Itaú puxaram o índice para baixo, com a mineradora pressionada pela ausência de cotação do minério na China e o banco afetado pela alta dos juros futuros longos.
Após a euforia que tomou os mercados com o resultado do primeiro turno eleitoral, a bolsa brasileira reencontrou a sobriedade nesta quarta-feira: o Ibovespa recuou 0,72%, fechando em 204.348,39 pontos, enquanto o dólar voltou a superar os R$ 5,00. É o momento em que os mercados, após o impulso emocional das urnas, retornam ao trabalho paciente de avaliar fundamentos — balanços, juros e geopolítica — lembrando que euforia e realidade sempre precisam, cedo ou tarde, se reconciliar.
A bolsa brasileira devolveu parte dos ganhos acumulados na onda de otimismo eleitoral. O Ibovespa fechou a quarta-feira, 7 de outubro, em queda de 0,72%, aos 204.348,39 pontos, num movimento que refletiu uma mudança de humor tanto no mercado doméstico quanto no cenário internacional.
Segundo Rebecca Nossig, estrategista da Nomad, o que se observou foi uma reposição de posições mais cuidadosa. Após o rali inicial que acompanhou o resultado do primeiro turno, os investidores voltaram a atenção para os balanços corporativos e para a agenda fiscal, ainda sustentados pelo fluxo de capital estrangeiro. O dólar acompanhou o movimento de acomodação e fechou a R$ 5,0156, alta de 0,83% no dia.
No exterior, a ata do Federal Reserve revelou divisão entre seus membros: parte defendia novos aumentos de juros para conter choques de energia e commodities; outra parte via a medida como prevenção contra inflação de demanda. O petróleo WTI superou US$ 100 por barril em meio a tensões no Oriente Médio e ataques houthis contra a Arábia Saudita, enquanto o Brent recuou levemente pressionado por outros fatores de oferta.
Entre os destaques negativos, Vale caiu mais de 2% — sem referência do minério de ferro, com a China em feriado — e o Itaú recuou 2,66%, pressionado pela alta dos juros futuros longos. Na contramão, a Petrobras avançou impulsionada pelo leilão do pré-sal, com previsão de R$ 778,4 milhões em investimentos. O GPA subiu 4,15% após a homologação judicial de seu plano de recuperação extrajudicial. No campo político, movimentações nos dois campos — Flávio Bolsonaro reuniu apoios partidários, enquanto Lula se encontrou com novos deputados eleitos — indicam que a disputa do segundo turno já está em curso.
A bolsa brasileira devolveu parte dos ganhos que havia acumulado na euforia do primeiro turno eleitoral. O Ibovespa encerrou a quarta-feira, 7 de outubro, com queda de 0,72%, fechando em 204.348,39 pontos. O movimento refletiu uma mudança de humor nos mercados globais, onde a aversão ao risco voltou a ganhar espaço após dias de otimismo com o resultado das urnas.
Segundo Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad, o que se viu foi uma reposição de posições mais cuidadosa por parte dos investidores. Após o rali inicial de reprecificação que acompanhou o cenário eleitoral, a bolsa paulista entrou em um compasso de espera. Os investidores começaram a calibrar suas apostas e voltaram a atenção para os balanços das empresas e para a agenda fiscal do país, ainda amparados pelo fluxo contínuo de capital estrangeiro entrando no Brasil.
O ambiente internacional também pesou. Investidores acompanharam a ata da última reunião do Federal Reserve, o banco central norte-americano. O documento revelou que alguns membros do Fed consideravam necessário aumentar os juros para conter os efeitos de choques nos preços de energia e outras commodities, enquanto outros viam a medida como forma de prevenir uma inflação puxada pela demanda. Na reunião de 15 e 16 de setembro, o Fed havia elevado a taxa básica em 0,25 ponto percentual, por unanimidade.
O dólar, por sua vez, fechou em alta. A moeda norte-americana avançou 0,83%, terminando o dia a R$ 5,0156 na venda, após ter caído 0,55% no dia anterior, quando havia fechado a R$ 4,9745. O movimento representou uma acomodação após o forte rali de queda que havia acompanhado o primeiro turno eleitoral. No exterior, a moeda americana também avançou de forma firme contra outras divisas de países emergentes. Nossig interpretou essa acomodação como sinal de menor volatilidade no ambiente doméstico e manutenção do apetite de estrangeiros por ativos locais.
No mercado de commodities, o petróleo WTI superou a marca de 100 dólares por barril em meio a novas tensões no Oriente Médio. Investidores avaliavam os riscos geopolíticos e seus possíveis impactos sobre a oferta global. O petróleo Brent, porém, fechou em queda de 0,38%, pressionado por preocupações com restrições de oferta causadas por uma tempestade que se dirigia a regiões produtoras nos Estados Unidos e pelos ataques dos houthis, do Iêmen, apoiados pelo Irã, contra a Arábia Saudita.
Entre as ações de maior peso no índice, Vale e Itaú Unibanco registraram quedas. A mineradora recuou mais de 2%, em um dia sem cotação do minério de ferro na China devido ao feriado nacional. O Itaú caiu 2,66%, acompanhando o movimento negativo dos demais bancos, pressionado pela alta dos juros futuros de longo prazo. A Petrobras, porém, seguiu na contramão. As ações preferenciais subiram 0,95% e as ordinárias avançaram 1,25%, impulsionadas pela repercussão do leilão do pré-sal realizado naquele dia, que prevê R$ 778,4 milhões em investimentos.
No setor varejista, as ações do GPA avançaram 4,15% após a 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo homologar o plano de recuperação extrajudicial da companhia. As taxas dos DIs de longo prazo, que haviam despencado nos dois pregões anteriores na esteira do resultado eleitoral, fecharam com altas modestas, enquanto as taxas de curto prazo ficaram próximas da estabilidade.
No cenário político, o senador Flávio Bolsonaro recebeu apoio dos partidos Novo, União e PP para o restante da disputa presidencial e participou de reunião da bancada do Partido Liberal. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por sua vez, teve reunião com jovens deputados eleitos e poderia participar de encontro do diretório do Partido dos Trabalhadores.
Bemerkenswerte Zitate
Após o rali inicial de reprecificação com o cenário eleitoral, a bolsa paulista ficou de lado, refletindo uma postura mais seletiva dos investidores que calibraram posições e voltaram atenções para balanços corporativos e pauta fiscal— Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad
Essa acomodação demonstra a menor volatilidade no ambiente doméstico e a manutenção do apetite de estrangeiros por ativos locais— Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad