Ibovespa cai pelo 3º dia seguido após BC retirar compromisso de juros

O BC sinalizou que está aberto à possibilidade de aumentar juros
A retirada do forward guidance muda o cálculo de risco para investidores em um ambiente já repleto de incertezas.
Mark

Por que o mercado reagiu tão mal à retirada do forward guidance? Não era só uma mudança técnica?

Mimi

Não, foi um sinal. Enquanto o BC mantinha aquele compromisso, os investidores sabiam que havia um teto para os juros. Remover isso é dizer: tudo está aberto agora. Em um ambiente já cheio de incertezas, isso muda o cálculo de risco.

Mark

Mas a Selic continuou em 2%. O que mudou na prática?

Mimi

A taxa em si não mudou, mas a expectativa mudou. Os investidores começam a precificar aumentos futuros. Ações de setores sensíveis a juros — construção, bancos — sofrem porque seus lucros ficam menos atraentes quando a taxa sobe.

Mark

E por que a vacinação importa tanto para a bolsa?

Mimi

Porque enquanto não há vacina em escala, a economia não retoma de verdade. Isso significa mais pressão para estender o auxílio emergencial, o que piora as contas do governo. O mercado fica preso entre dois medos: juros mais altos e déficit fiscal maior.

Mark

Pacheco mencionando auxílio emergencial foi coincidência ou estratégia?

Mimi

Provavelmente ambas. Ele está disputando a presidência do Senado e precisa mostrar sensibilidade social. Mas para o mercado, cada sinal de que o governo pode gastar mais é um sinal de que a inflação pode subir, o que justifica juros mais altos.

Mark

A Copel subiu enquanto o resto do setor caía. Por quê?

Mimi

Porque ela ofereceu algo concreto: uma política de dividendos mais previsível. Em tempos de incerteza, previsibilidade vale ouro. Os investidores sabem exatamente o que vão receber.

Mark

Isso vai melhorar na próxima semana?

Mimi

Improvável. O feriado prolongado em São Paulo só aumenta a cautela. Quando há feriado, investidores tendem a vender antes para não ficar expostos durante o fim de semana. E as questões de fundo — vacina, fiscal, política — não se resolvem em um dia.

  • O Banco Central surpreendeu ao abandonar o forward guidance, abrindo a porta para uma alta de juros que o mercado ainda não havia precificado completamente.
  • O Ibovespa acumula queda de 5,4% desde a máxima histórica de 8 de janeiro, com recuos em seis dos últimos nove pregões — um sinal de que a pressão vendedora não é passageira.
  • Setores sensíveis a juros, como construção civil e financeiro, lideraram as perdas, com Eztec e Cyrela caindo mais de 5% e bancos como Bradesco e Itaú recuando mais de 1%.
  • A falta de um calendário claro de vacinação e a especulação sobre a retomada do auxílio emergencial amplificam o nervosismo fiscal entre os investidores.
  • A proximidade de um feriado prolongado em São Paulo acelerou a realização de lucros, com investidores preferindo reduzir exposição a risco antes do fim de semana estendido.
  • Analistas alertam que ruídos políticos, incertezas fiscais e o ritmo lento da vacinação devem manter o mercado sob pressão nos próximos pregões.

Pela terceira vez consecutiva, a bolsa brasileira encerrou o pregão em queda, sinalizando que a euforia do início de janeiro cedeu lugar a uma sobriedade mais cautelosa. O Banco Central, ao retirar sua promessa de manter os juros estáveis, lembrou ao mercado que nenhum compromisso é eterno — e que a inflação, a disciplina fiscal e a pandemia ainda não foram domadas. O Ibovespa, que chegou perto dos 125 mil pontos, recua agora como quem reconhece que o caminho entre a esperança e a realidade é sempre mais longo do que parece.

A bolsa brasileira encerrou esta quinta-feira em queda pela terceira sessão seguida, com o Ibovespa recuando 1,1% para 118.328,99 pontos — distante agora da máxima histórica de 125 mil pontos alcançada no início do mês. O volume financeiro do dia somou 31,1 bilhões de reais.

O principal gatilho foi a decisão do Comitê de Política Monetária: embora tenha mantido a Selic em 2% ao ano, o BC retirou o forward guidance adotado em agosto, que prometia não elevar juros enquanto a inflação se mantivesse comportada e o governo preservasse sua disciplina fiscal. Ao abandonar esse compromisso, o BC sinalizou abertura para altas futuras, levando investidores a realizarem lucros e adotarem postura mais defensiva.

O movimento não foi isolado. A ausência de um calendário claro de vacinação, com atrasos já anunciados na entrega de doses, mantém a economia em compasso de espera. A possível retomada do auxílio emergencial — reforçada por declarações do senador Rodrigo Pacheco, candidato à presidência do Senado — acendeu alertas fiscais. Analistas da Mirae Asset e da BlueTrade apontaram ainda que o feriado em São Paulo na segunda-feira contribuiu para acelerar as vendas.

Entre os destaques negativos, o setor de construção foi o mais afetado pela mudança de sinalização do BC: Eztec caiu 5,64% e Cyrela, 5,35%. O setor financeiro também sofreu, com Bradesco e Itaú recuando mais de 1%. As ações da Eletrobras despencaram entre 5% e 6% após Pacheco não incluir a privatização da elétrica entre as prioridades do Senado.

No campo positivo, a Copel avançou 1,77% após aprovar nova política de dividendos, e a Vale subiu 1,13% impulsionada por movimentos estratégicos em ativos de carvão em Moçambique. Desde a máxima de 8 de janeiro, o Ibovespa acumula perda de 5,4%, e o cenário para os próximos pregões segue desafiador enquanto as incertezas fiscais, políticas e sanitárias permanecerem no horizonte.

A bolsa brasileira fechou em queda pela terceira sessão consecutiva nesta quinta-feira, estendendo uma sequência de perdas que reflete a crescente incerteza sobre o rumo da economia. O Ibovespa recuou 1,1%, encerrando o dia aos 118.328,99 pontos, distante agora da máxima histórica de 125 mil pontos que havia sido alcançada no início de janeiro. O volume financeiro movimentado foi de 31,1 bilhões de reais.

O gatilho imediato para a queda veio de uma decisão do Banco Central. O Comitê de Política Monetária manteve a taxa Selic em 2% ao ano, conforme esperado pelos analistas, mas fez uma mudança crucial em seu comunicado: retirou o chamado forward guidance, uma orientação futura que havia sido adotada em agosto. Esse compromisso prometia não elevar os juros enquanto as expectativas de inflação não se aproximassem das metas até 2022, desde que o governo mantivesse sua disciplina fiscal. Ao remover essa promessa, o BC sinalizou que está aberto à possibilidade de aumentar juros no futuro próximo, abrindo espaço para que investidores realizassem lucros e se posicionassem defensivamente.

Mas a decisão monetária não foi o único fator a pesar sobre o mercado. O país enfrenta uma combinação de pressões que amplificam a apreensão dos investidores. A pandemia de Covid-19 segue causando estragos, e a falta de um calendário claro de vacinação, com atrasos já anunciados na entrega de doses, mantém a economia em suspenso. Paralelamente, há crescente especulação sobre a possibilidade de prorrogação do auxílio emergencial criado durante a crise sanitária, o que preocupa o mercado do ponto de vista fiscal. O senador Rodrigo Pacheco, que disputa a presidência do Senado, reforçou essa preocupação ao dizer que será necessário retomar discussões sobre um auxílio aos mais necessitados diante da crise do coronavírus.

Os analistas da Mirae Asset, Fernando Bresciani e Pedro Galdi, avaliam que o Ibovespa pode continuar sob pressão enquanto esses ruídos políticos, a falta de vacina e as preocupações fiscais persistirem. Patrick Johnston, sócio e líder de renda variável da BlueTrade, acrescentou que a proximidade de um fim de semana prolongado — com feriado em São Paulo na segunda-feira que fechará a B3 — funcionou como mais um componente para estimular vendas de ações nesta sessão.

Desde a máxima de fechamento de 125.076,63 pontos registrada em 8 de janeiro, o Ibovespa acumula queda de 5,4%, com recuos em seis de nove pregões. Entre os destaques negativos, o setor financeiro sofreu pressão, com Itaú Unibanco PN caindo 1,35% e Bradesco PN recuando 1,43%. A B3 ON fechou em queda de 3,17%. O setor de construção também foi bastante afetado pela mudança de sinalização do BC: Eztec ON caiu 5,64%, Cyrela ON cedeu 5,35%, e o índice do setor recuou 2,97%. As ações da Eletrobras também sofreram, com PNB e ON caindo 5,15% e 6,15% respectivamente, após Pacheco não incluir a privatização da elétrica entre os projetos prioritários do Senado.

Nem tudo foi negativo. A Copel PNA avançou 1,77% após a estatal paranaense aprovar uma nova política de dividendos destinada a aumentar a remuneração aos acionistas e tornar a distribuição de proventos mais previsível. A Vale ON subiu 1,13%, impulsionada por um acordo para comprar a fatia da Mitsui em Moatize e pela contratação de bancos para vender ativos de carvão em Moçambique, embora não tenha chegado a um acordo com Minas Gerais sobre Brumadinho. A Petrobras PN recuou 2,34%, em sessão na qual os preços do petróleo fecharam praticamente estáveis no exterior.

O cenário que se desenha para os próximos pregões permanece desafiador. A combinação de incertezas fiscais, atrasos na vacinação e ruídos políticos deve manter a pressão sobre o mercado, enquanto investidores avaliam as implicações de uma possível trajetória de alta de juros em um ambiente econômico ainda frágil.

O Ibovespa ainda pode seguir pressionado com ruídos políticos e falta de vacina e preocupação do lado fiscal
— Fernando Bresciani e Pedro Galdi, analistas da Mirae Asset
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