Ibovespa cai 2,52% com queda de Petrobras em meio a tensões Rússia-Ucrânia

Petróleo subiu 35% em semanas, e o mercado teme interferência governamental
A combinação de preços altos de combustíveis e incerteza regulatória derrubou a Petrobras e arrastou a bolsa.
Mark

Por que a queda foi tão severa hoje? Parece desproporcional ao que vemos em outros dias.

Mimi

Não é desproporcional quando você entende o que está acontecendo. A Petrobras é um pilar do Ibovespa, e quando cai 7%, arrasta tudo com ela. Mas o real problema é o petróleo — subiu 35% em semanas.

Mark

E isso afeta o Brasil como, exatamente?

Mimi

De duas formas. Primeira: inflação. Combustível mais caro significa tudo mais caro — transporte, produção, vida. Segunda: a Petrobras é estatal, então há pressão política para não repassar os preços. Isso cria incerteza sobre os lucros da empresa.

Mark

Então o mercado está apostando que o governo vai interferir nos preços?

Mimi

Exatamente. E está certo. O Congresso já está discutindo isso. O mercado odeia incerteza regulatória — prefere saber o pior a não saber nada.

Mark

Mas nem tudo caiu. Vale subiu. Por quê?

Mimi

Porque o minério de ferro subiu junto com o petróleo. Conflito geopolítico assusta, mas também cria demanda por commodities. A Vale se beneficia disso. É o lado oposto da mesma moeda.

Mark

E o Brasil pode ganhar algo com a Rússia sendo excluída dos índices?

Mimi

Teoricamente, sim. Fundos que rastreavam índices russos precisam realocar esse dinheiro. O Brasil tem um perfil parecido — muita energia, muitos materiais. Pode atrair capital que antes ia para a Rússia.

  • O Ibovespa despencou 2,52% e fechou em 111.593,46 pontos, a maior queda diária em três meses, com o mercado tomado pelo pânico geopolítico.
  • O petróleo Brent saltou para US$ 123,61, acumulando alta de cerca de 35% desde o fim de fevereiro, após sinais de que os EUA e aliados cogitavam embargar o petróleo russo.
  • A Petrobras foi o epicentro da turbulência doméstica: suas ações caíram mais de 7%, pressionadas pelo risco de interferência governamental nos preços dos combustíveis.
  • Companhias aéreas e de turismo sofreram perdas ainda mais severas, com Azul e Gol recuando mais de 17%, enquanto a Vale nadou contra a maré ao subir 3% com a valorização do minério de ferro.
  • Em Brasília, governo e Congresso corriam para encontrar saídas — o Senado pautou para quarta-feira a discussão sobre o ICMS e a política de preços da Petrobras, buscando conter o avanço da inflação.

Em um dia marcado pelo peso da guerra e pela incerteza energética global, o Ibovespa registrou sua maior queda diária em três meses, arrastado pela disparada do petróleo e pelo temor de intervenção nos preços da Petrobras. O conflito entre Rússia e Ucrânia, ao ameaçar o fornecimento mundial de energia, revelou como as tensões geopolíticas distantes reverberam com força nos mercados emergentes — e nas bombas de gasolina brasileiras. O Brasil, ao mesmo tempo vulnerável e potencialmente favorecido pela reconfiguração dos fluxos globais de capital, navega entre o risco imediato e uma oportunidade ainda incerta.

A bolsa brasileira abriu a semana sob o peso da guerra. O Ibovespa recuou 2,52% na segunda-feira, encerrando em 111.593,46 pontos — a maior retração diária em três meses —, com giro financeiro de R$ 30,5 bilhões. O índice chegou a tocar a mínima de 111.140 pontos, bem abaixo das máximas registradas na sessão anterior.

O principal motor da queda foi o petróleo. Com a escalada das sanções contra a Rússia e declarações do secretário de Estado americano Antony Blinken sugerindo um possível embargo total ao petróleo russo, o Brent para maio avançou 4,64%, chegando a US$ 123,61 — um salto de 35% desde o fim de fevereiro. A perspectiva de um acordo nuclear com o Irã travada agravou ainda mais o cenário de oferta restrita.

No Brasil, o impacto foi amplificado pelo temor de intervenção governamental nos preços da Petrobras. As ações ordinárias da estatal caíram 7,65% e as preferenciais recuaram 7,10%. O setor aéreo foi ainda mais castigado: Azul PN despencou 18% e Gol PN cedeu 17,36%. No exterior, o S&P 500 tombou 2,95% e o Stoxx 600 perdeu 1,10%.

Nem tudo foi perdas. A Vale avançou 3,04%, beneficiada pela alta de 5,7% no minério de ferro, que alcançou US$ 161,65 a tonelada em Qingdao — o maior patamar desde agosto. A Rumo ON subiu 1,97% após o Fundo Soberano de Cingapura ampliar sua participação na empresa.

Em Brasília, o governo e o Congresso intensificavam a busca por soluções para conter a inflação dos combustíveis. O Senado pautou para quarta-feira a análise de dois projetos relatados por Jean Paul Prates (PT-RN): um sobre a cobrança do ICMS pelos estados e outro que altera a política de preços da Petrobras e cria uma conta de estabilização tarifária. Analistas do J.P.Morgan, por sua vez, apontaram que o Brasil poderia se beneficiar da exclusão da Rússia dos índices de emergentes da MSCI e da FTSE, dado que os dois mercados compartilham estrutura semelhante — com Energia, Materiais e Financeiro representando mais de 60% do peso em ambos.

A bolsa brasileira fechou segunda-feira em queda acentuada, refletindo o pânico que tomou conta dos mercados globais diante da escalada do conflito entre Rússia e Ucrânia. O Ibovespa recuou 2,52%, encerrando em 111.593,46 pontos — a maior retração diária em três meses. O índice flertou com a mínima de 111.140 pontos, distante das máximas de 114.529 registradas no dia anterior. O giro financeiro somou R$ 30,5 bilhões.

O culpado principal foi o petróleo. Conforme as tensões geopolíticas se intensificavam e as sanções contra a Rússia se aprofundavam, os preços do barril dispararam. O Brent para maio avançava 4,64%, sendo negociado a US$ 123,61 — um salto de cerca de 35% desde o final de fevereiro, quando estava em torno de US$ 92. Um ano antes, custava apenas US$ 60. O gatilho imediato veio de declarações do secretário de Estado americano Antony Blinken no fim de semana, sugerindo que Washington e seus aliados consideravam impor um embargo total ao petróleo russo, o que reduziria drasticamente a oferta global. Até então, as sanções econômicas e financeiras à Rússia haviam sido severas, mas um bloqueio ao fornecimento de energia havia sido evitado. Também pesou a notícia de que as negociações sobre o acordo nuclear iraniano estavam travadas, adiando a possibilidade de liberar o petróleo iraniano aos mercados.

No Brasil, o impacto foi amplificado por preocupações específicas com a Petrobras. As ações ordinárias da estatal caíram 7,65% e as preferenciais recuaram 7,10%, pressionadas pela possibilidade de interferência governamental nos preços. Empresas dependentes de combustíveis sofreram ainda mais: a Azul PN desabou 18%, a Gol PN cedeu 17,36% e a CVC Brasil ON recuou 10,49%. Globalmente, o S&P 500 tombou 2,95% e o Stoxx 600 perdeu 1,10%.

Nem tudo foi negativo. A Vale avançou 3,04% após o minério de ferro encerrar o dia com valorização de 5,7% no porto de Qingdao, alcançando US$ 161,65 a tonelada — o maior preço desde meados de agosto. Sua acionista Bradespar PN liderou os ganhos com alta de 3,6%. A Rumo ON recuperou 1,97% depois de anunciar que o Fundo Soberano de Cingapura aumentou sua posição na companhia para 5,06% do total de ações ordinárias.

Em Brasília, o governo federal e o Congresso intensificavam estudos para frear o avanço dos preços dos combustíveis e, por consequência, a inflação. Vitor Martello, economista-chefe da Parcitas Investimentos, apontava a alteração na cobrança do ICMS pelos Estados como a melhor solução. O tema voltaria à pauta do Senado na quarta-feira, quando os senadores analisariam o PLP 11/2020, que promove mudanças na cobrança do ICMS, e o PL 1472/2021, que altera a política de preços da Petrobras e cria uma conta de estabilização para as tarifas. Ambos eram relatados por Jean Paul Prates (PT-RN).

Analistas do J.P.Morgan, refletindo sobre a exclusão da Rússia dos índices de países emergentes da MSCI e da FTSE, sugeriram que o Brasil poderia se beneficiar com possíveis realocações de fundos ativos que buscassem substituir as companhias russas. O índice local, segundo o banco americano, era significativamente mais parecido com o russo em relação a outros emergentes, compartilhando os mesmos pilares — Energia, Materiais e Financeiro — que representavam mais de 60% do peso em ambos os índices.

O índice local é significativamente mais parecido com o russo em relação a outros emergentes, tendo os setores de Energia, Materiais e Financeiro como suas principais referências
— Analistas do J.P.Morgan
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