Ibovespa encerrou em 175.664,62 pontos com acréscimo modesto, mas consolidou série de oito altas seguidas com suporte da Petrobras. Declarações de Kevin Warsh sobre inflação e possível aumento de juros nos EUA pressionaram o índice após ultrapassar 176 mil pontos.
Ibovespa amplia série de altas com Petrobras, mas cede ante sinais de juros nos EUA
Oito altas seguidas, mas os juros americanos não deixam respirar
Por que o Warsh conseguiu derrubar o índice se ele só falou sobre inflação e juros? Não era algo que o mercado já esperava?
O mercado esperava, mas há uma diferença entre expectativa abstrata e confirmação de um dirigente do Fed. Warsh foi específico: disse que o BC tem "trabalho a fazer" se a inflação subjacente não estiver caminhando com "velocidade suficiente" para a meta. Isso elevou a probabilidade de aumento em setembro.
Mas ele não disse que vai aumentar. Disse que tem trabalho a fazer se a inflação não convergir. É uma condicional, não uma promessa.
Verdade, mas operadores ampliaram as apostas em aumento. O rendimento do Tesouro de 10 anos subiu, o S&P 500 caiu. O mercado interpretou como sinal de aperto.
E a Petrobras? Como ela sobe 1,99% em um dia em que o petróleo cai?
Porque os analistas do Bradesco viram uma oportunidade. A queda recente das ações foi impulsionada pela queda do petróleo, mas a produção da companhia está crescendo acima do esperado. Combinação favorável.
Mas isso é análise de um banco. Não sabemos se outros concordam ou se é apenas uma recomendação isolada.
Certo, é uma recomendação específica. Mas ela reflete uma lógica: quando o preço cai mas os fundamentos melhoram, há margem para recuperação.
E o emprego? 58 mil vagas é ruim?
É o pior resultado para julho desde 2020. Mostra que o mercado de trabalho está desacelerando.
Mas julho é um mês específico. Seria importante saber como está a tendência geral do ano, não só esse mês.
O Banco Central está preocupado com endividamento?
Sim. Fontes disseram à Reuters que o BC estuda medidas, mas quer primeiro limitar os bancos antes de pensar em teto para comprometimento de renda das famílias.
Isso é planejamento, não ação. Ainda não sabemos se essas medidas vão sair ou quando.
Le Pouls
- Ibovespa fechou a 175.664,62 pontos com ganho de 0,3%, oitava alta consecutiva
- Kevin Warsh sinalizou possível aumento de juros em setembro se inflação não convergir
- Brasil abriu 58.568 vagas formais em julho, pior resultado para o mês desde 2020
- Petrobras PN e ON subiram 1,99% cada; Magazine Luiza ON caiu 4,55%
Ibovespa encerrou em 175.664,62 pontos com acréscimo modesto, mas consolidou série de oito altas seguidas com suporte da Petrobras. Declarações de Kevin Warsh sobre inflação e possível aumento de juros nos EUA pressionaram o índice após ultrapassar 176 mil pontos.
O Ibovespa fechou com ganho de 0,3%, marcando a oitava alta consecutiva, sustentado pela Petrobras, mas perdeu força após declarações do Federal Reserve sobre possível aumento de juros.
A bolsa brasileira terminou a sexta-feira com um ganho discreto, mas consolidou um marco importante: oito pregões seguidos de alta. O Ibovespa fechou a 175.664,62 pontos, uma elevação de apenas 0,3%, porém o que importa é a sequência. Durante a manhã, o índice havia tocado 176.420,61 pontos — um pico que não se sustentou. A queda veio com força quando Kevin Warsh, presidente do Federal Reserve, subiu ao palco do simpósio econômico anual em Jackson Hole, Wyoming, e sinalizou que o banco central americano tem "trabalho a fazer" se a inflação subjacente não convergir com confiança para a meta de 2%. Operadores imediatamente reposicionaram suas apostas: aumentou a probabilidade de um novo aumento de juros em setembro nos Estados Unidos. O S&P 500 caiu 0,25%, e o rendimento do título de 10 anos do Tesouro americano subiu para 4,724%, ante 4,672% no dia anterior.
No Brasil, a Petrobras foi o amortecedor do dia. As ações preferenciais e ordinárias da estatal subiram 1,99% cada, resistindo à fraqueza dos preços do petróleo no mercado internacional. Analistas do Bradesco BBI elevaram a recomendação dos papéis para "outperform", argumentando que a queda recente das ações — impulsionada justamente pela baixa do petróleo — combinada com um crescimento de produção acima do esperado, criava uma relação risco-retorno favorável. Entre os bancos, o movimento foi misto mas predominantemente positivo: Itaú Unibanco PN subiu 0,23%, Bradesco PN avançou 0,89%, Banco do Brasil ON cresceu 1%, e Santander Brasil Unit valorizou-se 1,83%. Esses ganhos ocorreram em um contexto de piora na inadimplência do país em julho, conforme dados do Banco Central. Fontes informaram à Reuters que o BC estuda medidas para conter o endividamento das famílias, planejando primeiro implementar limites para os bancos antes de considerar um eventual teto para o comprometimento de renda.
A semana foi positiva para o índice: acumulou alta de 2,71%, reduzindo a perda de agosto para 1,31%. No ano, o Ibovespa sobe 9,02%. O volume financeiro do pregão somou R$ 21,8 bilhões. Dados de emprego divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego mostraram que o Brasil abriu 58.568 vagas formais em julho — o pior resultado para o mês desde o início da série em 2020. A entrada de estrangeiros na bolsa paulista continuou positiva: o saldo do dia 26 foi de R$ 1,3 bilhão, o quarto pregão seguido com fluxo positivo, embora o mês acumule saldo negativo de R$ 18,7 bilhões.
Entre as ações individuais, Vale ON recuou 0,67% apesar da alta dos futuros do minério de ferro na China. O presidente-executivo da mineradora, Gustavo Pimenta, declarou-se "otimista" com a possibilidade de um decreto que acelerasse o licenciamento ambiental para cavidades no setor de mineração. Paralelamente, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, pediu destaque e suspendeu o julgamento virtual sobre a cobrança de IRPJ e CSLL sobre lucros de controladas da companhia no exterior. B3 ON subiu 1,97%, retomando tendência positiva após uma pausa na véspera que havia interrompido uma série de quatro altas. Analistas do UBS BB reiteraram recomendação de compra, observando que a atividade de negociação pode continuar se recuperando no curto prazo conforme o ciclo eleitoral se aproxima, com números de agosto já mais encorajadores.
O lado fraco do pregão ficou com o varejo e a construção. Magazine Luiza ON caiu 4,55%, perdendo fôlego após cinco altas seguidas que haviam acumulado valorização de quase 25%. No mês, o papel perde 8,15%, com preocupações sobre a situação financeira do setor de varejo em um ambiente de juros elevados. MRV&CO ON perdeu 5,12% e Cyrela ON recuou 3,28%, ambas pressionadas pela alta nas taxas dos contratos de DI. A notícia de que Cyrela assinou memorando para vender cerca de R$ 2,14 bilhões em ativos para a TRX também pesou. O índice do setor imobiliário na B3 recuou 0,89%. O pregão deixou claro que, enquanto a sequência de altas do Ibovespa persiste, a pressão dos juros americanos e os desafios domésticos — emprego fraco, inadimplência em alta, endividamento das famílias — continuam a fragmentar o mercado entre setores defensivos e cíclicos.
Citations marquantes
Devemos estar confiantes de que a inflação subjacente está caminhando em direção à nossa meta, de forma clara e com velocidade suficiente. Caso contrário, temos trabalho a fazer.— Kevin Warsh, presidente do Federal Reserve
A recente queda das ações, impulsionada pela baixa dos preços do petróleo, combinada com o desempenho acima do esperado no crescimento da produção da companhia, resulta em uma relação risco versus retorno bastante favorável.— Analistas do Bradesco BBI sobre Petrobras