Ibovespa amplia série de altas com Petrobras, mas cede ante sinais de juros nos EUA

Oito altas seguidas, mas os juros americanos não deixam respirar
O Ibovespa consolidou sequência de ganhos, mas sinais de aperto monetário nos EUA fragmentaram o mercado entre setores.
Mark

Por que o Warsh conseguiu derrubar o índice se ele só falou sobre inflação e juros? Não era algo que o mercado já esperava?

Mimi

O mercado esperava, mas há uma diferença entre expectativa abstrata e confirmação de um dirigente do Fed. Warsh foi específico: disse que o BC tem "trabalho a fazer" se a inflação subjacente não estiver caminhando com "velocidade suficiente" para a meta. Isso elevou a probabilidade de aumento em setembro.

Luke

Mas ele não disse que vai aumentar. Disse que tem trabalho a fazer se a inflação não convergir. É uma condicional, não uma promessa.

Mimi

Verdade, mas operadores ampliaram as apostas em aumento. O rendimento do Tesouro de 10 anos subiu, o S&P 500 caiu. O mercado interpretou como sinal de aperto.

Mark

E a Petrobras? Como ela sobe 1,99% em um dia em que o petróleo cai?

Mimi

Porque os analistas do Bradesco viram uma oportunidade. A queda recente das ações foi impulsionada pela queda do petróleo, mas a produção da companhia está crescendo acima do esperado. Combinação favorável.

Luke

Mas isso é análise de um banco. Não sabemos se outros concordam ou se é apenas uma recomendação isolada.

Mimi

Certo, é uma recomendação específica. Mas ela reflete uma lógica: quando o preço cai mas os fundamentos melhoram, há margem para recuperação.

Mark

E o emprego? 58 mil vagas é ruim?

Mimi

É o pior resultado para julho desde 2020. Mostra que o mercado de trabalho está desacelerando.

Luke

Mas julho é um mês específico. Seria importante saber como está a tendência geral do ano, não só esse mês.

Mark

O Banco Central está preocupado com endividamento?

Mimi

Sim. Fontes disseram à Reuters que o BC estuda medidas, mas quer primeiro limitar os bancos antes de pensar em teto para comprometimento de renda das famílias.

Luke

Isso é planejamento, não ação. Ainda não sabemos se essas medidas vão sair ou quando.

  • Ibovespa fechou a 175.664,62 pontos com ganho de 0,3%, oitava alta consecutiva
  • Kevin Warsh sinalizou possível aumento de juros em setembro se inflação não convergir
  • Brasil abriu 58.568 vagas formais em julho, pior resultado para o mês desde 2020
  • Petrobras PN e ON subiram 1,99% cada; Magazine Luiza ON caiu 4,55%

Ibovespa encerrou em 175.664,62 pontos com acréscimo modesto, mas consolidou série de oito altas seguidas com suporte da Petrobras. Declarações de Kevin Warsh sobre inflação e possível aumento de juros nos EUA pressionaram o índice após ultrapassar 176 mil pontos.

O Ibovespa fechou com ganho de 0,3%, marcando a oitava alta consecutiva, sustentado pela Petrobras, mas perdeu força após declarações do Federal Reserve sobre possível aumento de juros.

A bolsa brasileira terminou a sexta-feira com um ganho discreto, mas consolidou um marco importante: oito pregões seguidos de alta. O Ibovespa fechou a 175.664,62 pontos, uma elevação de apenas 0,3%, porém o que importa é a sequência. Durante a manhã, o índice havia tocado 176.420,61 pontos — um pico que não se sustentou. A queda veio com força quando Kevin Warsh, presidente do Federal Reserve, subiu ao palco do simpósio econômico anual em Jackson Hole, Wyoming, e sinalizou que o banco central americano tem "trabalho a fazer" se a inflação subjacente não convergir com confiança para a meta de 2%. Operadores imediatamente reposicionaram suas apostas: aumentou a probabilidade de um novo aumento de juros em setembro nos Estados Unidos. O S&P 500 caiu 0,25%, e o rendimento do título de 10 anos do Tesouro americano subiu para 4,724%, ante 4,672% no dia anterior.

No Brasil, a Petrobras foi o amortecedor do dia. As ações preferenciais e ordinárias da estatal subiram 1,99% cada, resistindo à fraqueza dos preços do petróleo no mercado internacional. Analistas do Bradesco BBI elevaram a recomendação dos papéis para "outperform", argumentando que a queda recente das ações — impulsionada justamente pela baixa do petróleo — combinada com um crescimento de produção acima do esperado, criava uma relação risco-retorno favorável. Entre os bancos, o movimento foi misto mas predominantemente positivo: Itaú Unibanco PN subiu 0,23%, Bradesco PN avançou 0,89%, Banco do Brasil ON cresceu 1%, e Santander Brasil Unit valorizou-se 1,83%. Esses ganhos ocorreram em um contexto de piora na inadimplência do país em julho, conforme dados do Banco Central. Fontes informaram à Reuters que o BC estuda medidas para conter o endividamento das famílias, planejando primeiro implementar limites para os bancos antes de considerar um eventual teto para o comprometimento de renda.

A semana foi positiva para o índice: acumulou alta de 2,71%, reduzindo a perda de agosto para 1,31%. No ano, o Ibovespa sobe 9,02%. O volume financeiro do pregão somou R$ 21,8 bilhões. Dados de emprego divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego mostraram que o Brasil abriu 58.568 vagas formais em julho — o pior resultado para o mês desde o início da série em 2020. A entrada de estrangeiros na bolsa paulista continuou positiva: o saldo do dia 26 foi de R$ 1,3 bilhão, o quarto pregão seguido com fluxo positivo, embora o mês acumule saldo negativo de R$ 18,7 bilhões.

Entre as ações individuais, Vale ON recuou 0,67% apesar da alta dos futuros do minério de ferro na China. O presidente-executivo da mineradora, Gustavo Pimenta, declarou-se "otimista" com a possibilidade de um decreto que acelerasse o licenciamento ambiental para cavidades no setor de mineração. Paralelamente, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, pediu destaque e suspendeu o julgamento virtual sobre a cobrança de IRPJ e CSLL sobre lucros de controladas da companhia no exterior. B3 ON subiu 1,97%, retomando tendência positiva após uma pausa na véspera que havia interrompido uma série de quatro altas. Analistas do UBS BB reiteraram recomendação de compra, observando que a atividade de negociação pode continuar se recuperando no curto prazo conforme o ciclo eleitoral se aproxima, com números de agosto já mais encorajadores.

O lado fraco do pregão ficou com o varejo e a construção. Magazine Luiza ON caiu 4,55%, perdendo fôlego após cinco altas seguidas que haviam acumulado valorização de quase 25%. No mês, o papel perde 8,15%, com preocupações sobre a situação financeira do setor de varejo em um ambiente de juros elevados. MRV&CO ON perdeu 5,12% e Cyrela ON recuou 3,28%, ambas pressionadas pela alta nas taxas dos contratos de DI. A notícia de que Cyrela assinou memorando para vender cerca de R$ 2,14 bilhões em ativos para a TRX também pesou. O índice do setor imobiliário na B3 recuou 0,89%. O pregão deixou claro que, enquanto a sequência de altas do Ibovespa persiste, a pressão dos juros americanos e os desafios domésticos — emprego fraco, inadimplência em alta, endividamento das famílias — continuam a fragmentar o mercado entre setores defensivos e cíclicos.

Devemos estar confiantes de que a inflação subjacente está caminhando em direção à nossa meta, de forma clara e com velocidade suficiente. Caso contrário, temos trabalho a fazer.
— Kevin Warsh, presidente do Federal Reserve
A recente queda das ações, impulsionada pela baixa dos preços do petróleo, combinada com o desempenho acima do esperado no crescimento da produção da companhia, resulta em uma relação risco versus retorno bastante favorável.
— Analistas do Bradesco BBI sobre Petrobras
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