Ibaneis e Reag investigados por articulação em Conselho Fiscal do BRB

Os advogados indicados por Ibaneis terminaram sendo efetivos através do fundo da Reag
A reconfiguração das cadeiras do Conselho Fiscal do BRB revelou uma mudança estratégica nas indicações durante período de operações suspeitas.
Mark

Como exatamente essa "dobradinha" funcionou? Ibaneis indicou pessoas diretamente ou foi mais indireto?

Mimi

Ibaneis indicou sua chefe de gabinete e dois advogados. Mas o que é curioso é que os advogados começaram como indicação do governo e depois apareceram como indicação do fundo Reag. Houve uma mudança de quem estava formalmente indicando.

Luke

Espera — a gente sabe se Ibaneis e a Reag combinaram isso de antemão, ou estamos vendo uma sequência de eventos que parece coordenada?

Mimi

O Estado de S. Paulo diz que houve articulação, mas a reportagem mostra os fatos: as datas, as mudanças nas atas, o timing. A PF está investigando.

Mark

E qual era o interesse em ter essas pessoas no conselho?

Mimi

O Conselho Fiscal não decide sobre negócios, mas fiscaliza. E durante esse período, o BRB estava comprando carteiras do Master — operações que depois foram investigadas como fraudulentas. O conselho não questionou nada.

Luke

Mas aí a gente está inferindo intenção. A reportagem diz que os negócios foram aprovados pela diretoria e não foram questionados. Não sabemos se foi porque o conselho estava alinhado ou porque simplesmente não viu problema.

Mimi

Verdade. O que sabemos é que R$ 12,2 bilhões em créditos inexistentes foram adquiridos. Isso é fato.

Mark

E a Reag, como entrou nessa história?

Mimi

A Reag se tornou acionista do BRB e depois indicou dois dos advogados para o conselho. Ela também é investigada por operações fraudulentas com o Master.

Luke

Então a Reag estava investigada por fraude com o Master e ao mesmo tempo indicava pessoas para fiscalizar o BRB que estava comprando do Master? Isso é o que a reportagem diz?

Mimi

Exatamente. E o timing é apertado — as indicações em março, a oferta de compra do Master em 28 de março.

Mark

Quanto tempo levou até o Banco Central barrar a operação?

Mimi

Seis meses. Setembro de 2025. Mas a PF já estava investigando fraudes nesse meio tempo.

  • A PF investiga R$ 12,2 bilhões em créditos inexistentes adquiridos pelo BRB entre janeiro e junho de 2025, em operações que o Banco Central acabou por barrar.
  • Ibaneis indicou sua chefe de gabinete e dois advogados para o Conselho Fiscal do BRB em novembro de 2024, exatamente quando as transações suspeitas com o Master ganhavam volume.
  • Uma reconfiguração silenciosa das cadeiras ocorreu em março de 2025: a chefe de gabinete migrou para representar o controlador, e os dois advogados foram reposicionados pelo fundo Borneo da Reag como representantes dos acionistas preferencialistas.
  • Duas semanas após essas manobras no conselho, o BRB formalizou a oferta de R$ 2 bilhões para adquirir parte do Master — operação que nenhum membro do conselho questionou.
  • A investigação agora busca estabelecer se a articulação entre o governador e o fundo de investimentos foi uma estratégia para garantir um conselho fiscal dócil diante de negócios que não resistiriam ao escrutínio regulatório.

No cruzamento entre poder político e capital financeiro, o governador Ibaneis Rocha e o fundo Reag são investigados por terem articulado, de forma coordenada, a composição do Conselho Fiscal do Banco de Brasília justamente no período em que a instituição realizava operações bilionárias suspeitas com o Banco Master. A questão que a Polícia Federal agora persegue é se a ocupação estratégica dessas cadeiras de fiscalização serviu, deliberada ou silenciosamente, para deixar passar o que deveria ter sido questionado.

O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, e o fundo Borneo FIP Multiestratégia, ligado à Reag, são apontados por uma articulação coordenada para ocupar cadeiras no Conselho Fiscal do Banco de Brasília durante o período em que a instituição conduzia operações investigadas como fraudulentas com o Banco Master, segundo reportagem do Estadão.

Em novembro de 2024, Ibaneis indicou sua chefe de gabinete, Juliana Monici Souza Pinheiro, para uma vaga no conselho — inicialmente como representante dos acionistas preferencialistas. O banco depois alegou erro material e corrigiu a ata, tornando-a representante do controlador. Na mesma ocasião, o governador indicou os advogados Leonardo Roberto Oliveira de Vasconcelos e Celivaldo Elói de Sousa, mas pediu a suspensão da votação deles até que o Comitê de Elegibilidade se pronunciasse.

A peça seguinte do tabuleiro se moveu em março de 2025. Com a assembleia retomada, a indicação de Juliana foi consolidada como representante do controlador — e foi então que o fundo Borneo, que havia se tornado acionista do BRB, assumiu a indicação dos dois advogados para as vagas dos preferencialistas. A reconfiguração foi completa: os nomes de Ibaneis chegaram ao conselho, mas pela porta do fundo da Reag.

Duas semanas depois, em 28 de março de 2025, o BRB formalizou uma oferta de R$ 2 bilhões para adquirir parte do Banco Master. A operação seria barrada pelo Banco Central em setembro. A Polícia Federal investiga R$ 12,2 bilhões em créditos inexistentes adquiridos pelo banco entre janeiro e junho de 2025. Embora o Conselho Fiscal não tenha poder decisório, cabe a ele fiscalizar a gestão e questionar os resultados contábeis — função que, durante todo esse período, permaneceu em silêncio diante dos negócios com o Master.

A investigação agora tenta responder se a ocupação estratégica dessas cadeiras foi uma forma de garantir que o conselho não perturbasse operações que, mais tarde, não resistiriam ao escrutínio regulatório.

O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, e um fundo de investimentos ligado à Reag articularam-se para indicar membros ao Conselho Fiscal do Banco de Brasília durante o período em que a instituição realizava operações investigadas como fraudulentas com o Banco Master, segundo reportagem do jornal O Estado de S. Paulo.

Em 14 de novembro de 2024, Ibaneis indicou Juliana Monici Souza Pinheiro, sua chefe de gabinete, para uma vaga no conselho. A indicação foi feita originalmente como representante dos acionistas preferencialistas — aqueles que não integram o grupo controlador, formado pelo governo distrital. Juliana foi eleita naquela data. Posteriormente, o banco alegou erro material na ata e corrigiu a indicação, transformando-a em representação do controlador. Na mesma data, o governador indicou os advogados Leonardo Roberto Oliveira de Vasconcelos e Celivaldo Elói de Sousa para as posições de membro efetivo e suplente, respectivamente. Dessa vez, porém, o próprio governo do DF solicitou a suspensão da votação de seus nomes até que o Comitê de Elegibilidade do banco emitisse parecer favorável.

O quadro se reorganizou em 12 de março de 2025, quando a assembleia foi retomada. A indicação de Juliana foi oficialmente corrigida, consolidando-a como representante do controlador. Foi nesse momento que o fundo Borneo FIP Multiestratégia, administrado pela Reag e que havia se tornado acionista do BRB, indicou Leonardo e Celivaldo para as vagas destinadas aos acionistas preferencialistas. Os dois advogados concorreram contra uma chapa alternativa composta por Leonardo Peixoto Estevão, candidato à vaga efetiva, e Cristiane Estevão, concorrente à suplência.

A sequência de eventos revela uma reconfiguração estratégica das cadeiras do conselho. Enquanto Juliana transitou de representante dos preferencialistas para representante do controlador, os dois advogados indicados por Ibaneis terminaram sendo efetivos através do fundo da Reag. Duas semanas após essas indicações, em 28 de março de 2025, o BRB formalizou uma oferta para adquirir parte do Banco Master por R$ 2 bilhões — operação que seria posteriormente barrada pelo Banco Central em setembro. A Polícia Federal investiga uma série de fraudes relacionadas a essa transação.

O BRB começou a comprar carteiras do Master em meados de 2024. Segundo investigações da PF, R$ 12,2 bilhões em créditos inexistentes foram adquiridos entre janeiro e junho de 2025. Embora o Conselho Fiscal não possua poder decisório sobre os negócios do banco, sua função é fiscalizar os atos da gestão, solicitar informações e questionar os resultados contábeis da instituição. Os negócios com o Master foram aprovados pela diretoria e não foram questionados pelo conselho durante esse período.

A investigação agora examina se a articulação entre Ibaneis e o fundo Reag para ocupar posições no conselho estava relacionada à aprovação das operações com o Master. O caso integra um conjunto mais amplo de suspeitas de fraude envolvendo o banco, com a PF investigando créditos que teriam sido criados sem lastro e operações bilionárias que não resistiram ao escrutínio regulatório.

O Conselho Fiscal não tem o poder de decidir sobre os negócios do BRB, mas tem o dever de fiscalizar os atos da gestão do banco
— Reportagem do Estado de S. Paulo
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