Homem que atacou PMs com facão em Arapiraca morre no HEA

Ivanildo Santos Rocha, 55 anos, morreu após ser baleado no abdômen durante confronto com policiais militares.
Nós não estávamos confiantes desse trabalho dele
A irmã de Ivanildo expressava preocupação com a recusa dele em tomar medicamentos psiquiátricos.
Mark

Por que a família não sabia que ele tinha a faca?

Mimi

Ninguém sabia. A irmã disse que nunca o havia visto com uma faca, e a mãe também não. Talvez ele tivesse comprado naquele momento, ou estava dentro da carroça. Ele morava sozinho, alugava um quartinho, então não havia supervisão.

Luke

Mas isso é só o que a família diz. Nós não sabemos realmente de onde veio a faca ou quando ele a pegou.

Mark

A família estava preocupada com a saúde mental dele?

Mimi

Muito. Ele era paciente psiquiátrico e se recusava a tomar os medicamentos. A irmã havia pedido à mãe que procurasse conseguir que ele se internasse novamente. Ela disse que tinham medo de que se alguém o desafiasse, ele entraria em confronto.

Luke

E é exatamente o que aconteceu. Mas a pergunta é: por que um homem com essas vulnerabilidades estava sozinho na rua sem supervisão ou acesso a cuidados?

Mark

O que a polícia disse sobre o que aconteceu?

Mimi

Eles disseram que seguiram o protocolo de uso progressivo da força. Primeiro mantiveram distância, depois usaram bala de borracha, e só depois dispararam a arma de fogo quando ele continuou tentando ferir os policiais com a faca.

Luke

Isso é o que a polícia afirma. Mas nós só temos o vídeo e o comunicado deles. Não temos uma investigação independente sobre se o disparo era necessário ou se havia outras opções.

  • Um homem em crise psiquiátrica correu atrás de policiais com um facão em pleno mercado público, aterrorizando populares e forçando uma resposta de força.
  • A família sabia do risco — a irmã havia pedido à mãe que tentasse uma nova internação, pois Ivanildo se recusava a tomar os medicamentos e vivia sozinho.
  • A polícia afirma ter seguido o protocolo de uso progressivo da força, disparando primeiro munição de elastômero antes de recorrer à arma de fogo, mas o tiro no abdômen provou ser fatal.
  • Ivanildo morreu na UTI no dia seguinte; sua irmã soube da gravidade por um funcionário do hospital e chegou ao IML para confirmar o óbito.
  • O caso permanece sem respostas institucionais claras: o hospital não confirmou o óbito à imprensa, e a morte de um paciente psiquiátrico sem suporte adequado levanta questões que nenhuma nota policial consegue encerrar.

Na última sexta-feira de outubro, Ivanildo Santos Rocha, carroceiro de 55 anos com histórico psiquiátrico, avançou com um facão contra policiais militares no Mercado Público de Arapiraca e foi baleado no abdômen. No dia seguinte, morreu no Hospital de Emergência do Agreste — sozinho, sem medicação, longe da família que já temia que algo assim pudesse acontecer. A tragédia coloca em relevo uma pergunta que transcende o episódio: o que acontece quando o sistema de saúde mental falha antes que a polícia precise agir?

Ivanildo Santos Rocha tinha 55 anos, vivia sozinho num quartinho alugado e ganhava a vida como carroceiro. Na última sexta-feira de outubro, ele avançou com um facão contra policiais militares no Mercado Público de Arapiraca. No sábado, sua irmã Márcia confirmou que ele havia morrido no Hospital de Emergência do Agreste, vítima de um tiro no abdômen.

Márcia soube da gravidade por um funcionário do hospital antes de receber a notícia oficial. Ela sabia que o irmão era paciente psiquiátrico e que se recusava a tomar os medicamentos. Havia pedido à mãe que tentasse uma nova internação. "Nós não estávamos confiantes desse trabalho dele, porque se chegasse um e desafiasse, ele entrava", disse. Ninguém na família sabia que ele andava com uma faca — a mãe jurou nunca tê-lo visto com uma.

Um vídeo do confronto circulou na sexta-feira. As imagens mostram Ivanildo correndo em direção aos policiais do Canil, do 3º Batalhão de Polícia Militar, na Rua Teodorico Costa. Segundo nota da PM, os militares seguiram o protocolo de Uso Progressivo da Força: mantiveram distância, usaram munição de elastômero sem sucesso e, diante da continuidade da ameaça, recorreram à arma de fogo, atingindo-o em região descrita como de menor potencial letal. Na época, a polícia informou que ele não correria risco de vida.

O corpo chegou ao Instituto Médico Legal de Arapiraca no domingo para necropsia. O hospital não confirmou o óbito à imprensa. A morte de Ivanildo — paciente psiquiátrico, sem medicação, sem rede de apoio próxima — deixa em aberto perguntas sobre o acesso a cuidados de saúde mental em comunidades vulneráveis e sobre o que acontece quando esse acesso falha antes que qualquer protocolo policial precise ser acionado.

Ivanildo Santos Rocha tinha 55 anos e ganhava a vida como carroceiro, alugando um quartinho onde morava sozinho. Na última sexta-feira de outubro, ele correu atrás de policiais militares com um facão no Mercado Público de Arapiraca. No sábado seguinte, sua irmã Márcia confirmou que ele havia morrido no Hospital de Emergência do Agreste, vítima de um tiro no abdômen que não conseguiu resistir.

Marcia procurou o Instituto Médico Legal para receber a notícia e contou ao portal 7 Segundos o que havia descoberto horas antes: que o caso era grave. Um funcionário do hospital lhe havia dito que Ivanildo estava sedado na UTI, e quando ela perguntou por que ninguém havia mencionado a gravidade, o rapaz confirmou que era, de fato, grave. A irmã sabia que Ivanildo era paciente psiquiátrico. Ela e a mãe estavam preocupadas porque ele se recusava a tomar os medicamentos prescritos. Ela havia pedido à mãe que procurasse conseguir que ele se internasse novamente. "Nós não estávamos confiantes desse trabalho dele, porque se chegasse um e desafiasse, ele entrava, igual a esse problema que ele entrou agora", disse Márcia.

Ninguém na família sabia que Ivanildo andava com aquela faca. Márcia morava em Maribondo e só soube da morte quando já estava longe. A mãe ficou sabendo depois dela. A irmã não conseguia explicar de onde havia vindo a arma branca — talvez ele tivesse comprado naquele momento, ou talvez estivesse dentro da carroça. A mãe jurou que nunca o havia visto com uma faca.

O vídeo do ataque circulou na sexta-feira. As imagens mostram Ivanildo correndo na direção dos policiais, a faca em mãos, na Rua Teodorico Costa. Os militares eram do Canil, do 3º Batalhão de Polícia Militar. Ele só parou depois de ser atingido por tiros de bala de borracha e um disparo de arma de fogo. Caiu perto do meio-fio e largou a faca na calçada.

A Polícia Militar divulgou uma nota no dia dos fatos. Segundo o comunicado, os militares seguiram o protocolo do Uso Progressivo da Força. Mantiveram distância inicialmente, tentaram conter o homem que ameaçava populares no mercado. Quando Ivanildo tentou ferir os policiais, eles usaram munição de elastômero para contê-lo, mas sem sucesso. Como o homem continuava tentando desferir golpes de faca nos militares e o armamento não letal não havia funcionado, os policiais usaram a arma de fogo para conter o agressor, atingindo-o em uma região de menor potencial letal, conforme afirmou o comunicado. Na época, a polícia informou que ele havia sido socorrido e encaminhado ao Hospital de Emergência do Agreste, onde passaria por cuidados médicos e não correria risco de vida.

O Hospital de Emergência do Agreste não confirmou o óbito ao TNH1, citando protocolos de segurança pública. O Instituto Médico Legal de Arapiraca confirmou que o corpo de Ivanildo chegou ao órgão no domingo e passaria por exame de necropsia. A morte de um homem com histórico de transtorno mental, que vivia sozinho e sem acesso consistente a medicação, durante um confronto com a polícia, deixa questões em aberto sobre como comunidades vulneráveis acessam cuidados psiquiátricos e como os protocolos policiais funcionam quando a saúde mental está envolvida.

De repente, ele me disse que meu irmão estava sedado e na UTI, mas eu perguntei, porque o caso não teria sido grave.
— Márcia, irmã de Ivanildo
Nós não estávamos confiantes desse trabalho dele, porque se chegasse um e desafiasse, ele entrava, igual a esse problema que ele entrou agora
— Márcia, irmã de Ivanildo
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