Enquanto a guerra entre Washington e Teerã continua a consumir recursos a um ritmo acelerado, o secretário de Defesa americano Pete Hegseth apresentou ao Senado uma conta de US$ 37,5 bilhões já gastos e um pedido de US$ 70 bilhões adicionais para modernizar o arsenal militar. O debate que se seguiu revela uma tensão mais profunda sobre como as democracias financiam a força — e quem decide quando a urgência justifica contornar o processo ordinário. No horizonte, um orçamento militar de US$ 1,5 trilhão para 2027 coloca os Estados Unidos em uma escala de poder sem paralelo histórico recente.
Hegseth diz que guerra no Irã custou US$ 37,5 bi e pede mais recursos ao Congresso
A verdade é que seu pedido não faz muito sentido
Por que Hegseth apresentou esse número específico de US$ 37,5 bilhões agora, em vez de deixar para depois?
Porque ele estava pedindo mais dinheiro. Quando você quer convencer o Congresso a aprovar US$ 70 bilhões em gastos emergenciais, você precisa mostrar que o problema já é real e está crescendo. O aumento de US$ 12 bilhões desde abril é a prova de que a situação está piorando.
Mas a senadora Murray disse que isso não é realmente emergencial. Qual é a diferença entre um gasto emergencial e um gasto normal?
Emergencial significa que você não planejou para isso e precisa agora. Normal significa que você deveria ter incluído no orçamento anual. Murray está dizendo que o Pentágono deveria ter previsto a necessidade de modernização — drones baratos, novos mísseis — e pedido o dinheiro da forma correta.
Hegseth culpou Biden. Isso é justo?
Depende de quem você pergunta. Hegseth diz que Biden deixou o departamento negligenciado. Murray diz que Trump está usando a guerra como desculpa para pedir dinheiro que ele queria de qualquer forma. Ambos podem estar certos em parte.
E se o Congresso aprovar os US$ 1,5 trilhão para 2027? O que muda?
Muda tudo. Os EUA gastariam mais em defesa do que dezoito países juntos. Seria quase 5% do PIB americano. Para colocar em perspectiva: o Brasil gasta 1,1%. É uma reordenação fundamental de prioridades.
Isso é sustentável?
Ninguém sabe. Mas a história sugere que quando uma potência começa a gastar assim em armas, geralmente é porque acredita que uma guerra maior está vindo.
The Pulse
- A guerra no Irã já consumiu US$ 37,5 bilhões americanos — US$ 12 bilhões a mais do que o governo admitia em abril, revelando que os custos crescem mais rápido do que as estimativas oficiais.
- O Pentágono pede US$ 70 bilhões emergenciais ao Congresso, argumentando que drones baratos e mísseis hipersônicos exigem uma reinvenção urgente da capacidade de combate americana.
- Senadores democratas, como Patty Murray, rejeitam a lógica do pedido: para eles, classificar modernizações estruturais como 'emergência' é uma manobra para driblar o processo orçamentário normal.
- Hegseth contra-atacou culpando o governo Biden pelo atraso na modernização, enquanto a maioria republicana no Congresso pode abrir caminho para a aprovação mesmo sem consenso.
- O plano de longo prazo é ainda mais ambicioso: um orçamento militar de US$ 1,5 trilhão em 2027 tornaria as Forças Armadas americanas mais caras do que os exércitos combinados de dezoito nações.
Enquanto a guerra entre Washington e Teerã continua a consumir recursos a um ritmo acelerado, o secretário de Defesa americano Pete Hegseth apresentou ao Senado uma conta de US$ 37,5 bilhões já gastos e um pedido de US$ 70 bilhões adicionais para modernizar o arsenal militar. O debate que se seguiu revela uma tensão mais profunda sobre como as democracias financiam a força — e quem decide quando a urgência justifica contornar o processo ordinário. No horizonte, um orçamento militar de US$ 1,5 trilhão para 2027 coloca os Estados Unidos em uma escala de poder sem paralelo histórico recente.
Pete Hegseth, secretário de Defesa dos Estados Unidos, compareceu ao Senado na terça-feira com um número revelador: US$ 37,5 bilhões já gastos na guerra contra o Irã — um salto de US$ 12 bilhões desde abril, quando um cessar-fogo parecia iminente. Desde então, os dois países voltaram a trocar ataques, e a conta continua crescendo.
O número não foi apresentado de forma isolada. Hegseth o usou como argumento central para um pedido de US$ 70 bilhões em gastos militares emergenciais, dos quais US$ 46 bilhões seriam destinados a expandir a produção de munições sofisticadas — bombas de precisão, mísseis hipersônicos e sistemas antidrones. 'Este é um novo pedido com base nas novas realidades do mundo que enfrentamos', declarou o secretário aos senadores.
A resistência foi imediata. A senadora democrata Patty Murray argumentou que o governo Trump estava contornando o processo orçamentário normal ao rotular como emergência o que seria, na prática, uma modernização estrutural planejável. 'O problema não é falta de dinheiro, mas planejamento inadequado', afirmou. Hegseth respondeu atribuindo a urgência à 'negligência grosseira do governo Biden'.
O debate acontece em um contexto de escala impressionante. O orçamento do Pentágono em 2026 já beira US$ 1 trilhão, mas a administração Trump pretende pedir um aumento de 50% para 2027, chegando a US$ 1,5 trilhão — valor superior ao gasto militar combinado de dezoito países, incluindo China, Rússia, Alemanha e Reino Unido. Em proporção do PIB, isso representaria quase 5% da economia americana. Para comparação, o Brasil investiu cerca de 1,1% do seu PIB em defesa em 2025, totalizando US$ 24 bilhões — o maior da América Latina, mas em uma escala radicalmente diferente.
Se o Congresso aprovará os pedidos emergenciais ainda é incerto. A maioria republicana pode facilitar o caminho, mas a resistência democrata garante que o debate não será silencioso. A guerra no Irã, que já custou dezenas de bilhões, pode se tornar ainda mais cara antes de qualquer desfecho.
Pete Hegseth, secretário de Defesa dos Estados Unidos, apresentou ao Senado na terça-feira um número que ilustra o peso crescente da guerra no Irã sobre as finanças americanas: US$ 37,5 bilhões já gastos. O valor representa um salto de US$ 12 bilhões em relação à estimativa que o próprio Hegseth havia fornecido em abril, pouco antes de um cessar-fogo anunciado entre Washington e Teerã. Desde então, os dois países voltaram a trocar ataques, e os custos continuam subindo.
Esse número não apareceu por acaso. Hegseth o apresentou como parte de um pedido muito maior ao Congresso: US$ 70 bilhões em gastos militares emergenciais. O Pentágono argumenta que precisa de US$ 46 bilhões especificamente para expandir linhas de produção e acelerar a entrega de munições sofisticadas — bombas de precisão, mísseis hipersônicos, sistemas antidrones. "Este é um novo pedido com base nas novas realidades do mundo que enfrentamos, à altura desse momento", disse Hegseth aos senadores, enquanto justificava a urgência da solicitação.
Mas o pedido encontrou resistência imediata. A senadora democrata Patty Murray, de Washington, questionou a própria premissa da solicitação. Ela argumentou que o governo Trump estava tentando contornar o processo orçamentário normal ao classificar esses gastos como emergenciais. "O problema não é falta de dinheiro, mas planejamento inadequado", afirmou Murray. "A verdade é que seu pedido não faz muito sentido." Para ela, modernizações militares dessa magnitude deveriam ser financiadas através do orçamento regular, não de pedidos suplementares.
Hegseth respondeu culpando a administração anterior. Ele atribuiu a necessidade desses gastos emergenciais à "negligência grosseira e do descaso do governo Biden" dentro do departamento. Ao mesmo tempo, defendeu que a modernização das Forças Armadas é urgente porque a natureza da guerra está mudando rapidamente, com o surgimento de drones baratos e abundantes que exigem novas estratégias de defesa.
O contexto mais amplo torna o debate ainda mais significativo. O orçamento completo do Pentágono em 2026 já é de quase US$ 1 trilhão. Mas a administração Trump tem planos ainda maiores: pretende pedir um aumento de 50% para 2027, elevando os gastos militares a US$ 1,5 trilhão. Se aprovado pelo Congresso, esse valor tornaria as Forças Armadas americanas mais caras do que os exércitos combinados de dezoito países — China, Rússia, Alemanha, Índia, Reino Unido, Ucrânia, Arábia Saudita, França, Japão, Israel, Itália, Coreia do Sul, Polônia, Espanha, Canadá, Austrália, Turquia e Holanda, segundo estimativas do Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo.
Em termos de proporção da economia nacional, esse gasto representaria quase 5% do PIB americano — um nível considerado elevado e que só seria menor do que o de países como Ucrânia, Rússia, Israel e Arábia Saudita. Para efeito de comparação, o Brasil, que ocupa o vigésimo primeiro lugar em gastos militares brutos globais, investiu cerca de 1,1% do seu PIB em Defesa em 2025, totalizando US$ 24 bilhões — o maior valor da América Latina. A diferença de escala e prioridade entre os dois países é abismal.
O que está em jogo agora é se o Congresso aprovará esses pedidos extraordinários. A resistência democrata sugere que a aprovação não será automática, mas a maioria republicana no Congresso pode facilitar o caminho. A guerra no Irã, que já custou dezenas de bilhões, pode se tornar ainda mais cara antes de terminar.
Notable Quotes
Este é um novo pedido com base nas novas realidades do mundo que enfrentamos, à altura desse momento— Pete Hegseth, secretário de Defesa dos EUA
O problema não é falta de dinheiro, mas planejamento inadequado. A verdade é que seu pedido não faz muito sentido— Senadora Patty Murray, democrata de Washington