Os grandes gestores de fundos chineses que lucraram com a corrida da inteligência artificial começam, com discrição e precisão, a reduzir suas apostas — não por pânico, mas por uma sabedoria que reconhece quando um ciclo começa a dobrar a curva. Em Shanghai e Shenzhen, o mesmo instinto que os levou ao topo agora os move em direção à cautela, enquanto monitoram sinais sutis de que a euforia pode estar se distanciando dos fundamentos. É o momento clássico em que os mais atentos saem da festa antes que as luzes se apaguem.
Hedge funds chineses com ganhos em IA começam a reduzir exposição ao setor
Você pode aproveitar a euforia, mas nunca se tornar parte dela
Por que gestores que ganharam tanto com IA estão vendendo agora, se acreditam que o setor ainda tem potencial?
Porque ganhar muito cria um problema diferente: você fica visível demais. Quando seu fundo sobe 164%, você não pode ignorar o risco de que todos os outros também estão vendo o que você viu. O consenso de mercado fica excessivamente elevado, como disseram. Nesse ponto, a relação risco-retorno muda.
Mas eles não estão saindo completamente. Por quê?
Porque ninguém quer ser o que saiu cedo demais. Se você vende tudo agora e a IA continua subindo por mais um ano, você vira o gestor que não entendeu o próprio setor. Então você reduz, você monitora, você fica atento aos gatilhos que você mesmo definiu.
Quais são esses gatilhos? Parecem muito específicos.
São. Uma reação social contra IA, uma estagnação nos modelos, queda de preços de capacidade computacional. Mas o mais importante é que eles estão observando a receita da Anthropic. Se uma das empresas mais promissoras começa a desacelerar, é um sinal de que o mercado pode estar saturado.
2027 é mencionado várias vezes. Por que esse ano é especial?
Porque é quando os gastos de capital em IA podem finalmente desacelerar. Depois de anos de crescimento acelerado, o ciclo de investimento pode mudar. Não é o fim da IA. É o fim do crescimento exponencial que alimentou essas ações.
Então eles acham que é uma bolha?
Não exatamente. Alguns dizem que é sustentado por fundamentos reais, diferente de 2000. Mas reconhecem que uma coisa é crescimento real, outra é crescimento que já foi precificado completamente no preço das ações. Nesse ponto, você não está comprando o futuro. Você está pagando pelo futuro que todos já sabem que vem.
E se estiverem errados? Se a IA continuar subindo?
Então eles terão deixado dinheiro na mesa. Mas para um gestor que já ganhou 164%, deixar dinheiro na mesa é preferível a perder o que já ganhou.
The Pulse
- Fundos que acumularam retornos de até 164% apostando em IA já vendem posições em comunicação óptica e empacotamento avançado, sinalizando uma virada silenciosa no mercado.
- O índice Philadelphia Semiconductor subiu quase 80% só em 2026, criando uma tensão crescente entre o otimismo do mercado e a cautela dos gestores mais experientes.
- Gestores identificam três gatilhos de risco concretos: rejeição social à IA, estagnação nos modelos e afrouxamento na cadeia de suprimentos de chips.
- A Hunjin Capital elevou seu indicador interno de maturidade do ciclo de IA de 30 para 60 em poucos meses — e avisou que não esperará chegar a 90 para vender.
- Os pessimistas já apontam a Anthropic como prova de estresse: receitas abaixo do esperado sugerem que grandes empresas podem recuar diante do custo crescente dos tokens.
- O horizonte aponta para 2027 como possível ponto de inflexão, quando os gastos de capital em IA devem desacelerar após anos de crescimento acelerado.
Os grandes gestores de fundos chineses que lucraram com a corrida da inteligência artificial começam, com discrição e precisão, a reduzir suas apostas — não por pânico, mas por uma sabedoria que reconhece quando um ciclo começa a dobrar a curva. Em Shanghai e Shenzhen, o mesmo instinto que os levou ao topo agora os move em direção à cautela, enquanto monitoram sinais sutis de que a euforia pode estar se distanciando dos fundamentos. É o momento clássico em que os mais atentos saem da festa antes que as luzes se apaguem.
Os gestores de fundos que fizeram fortuna apostando em inteligência artificial na China estão começando a reposicionar suas carteiras — não com alarme, mas com a cautela calculada de quem acertou em cheio e sabe reconhecer quando o ciclo muda de fase.
A Shanghai Everlead Capital, cujo fundo acumulou 164% de retorno até maio, já desfez posições em comunicação óptica e empacotamento avançado. A Hunjin Capital, gestora de mais de 5 bilhões de yuans, também começou a cortar apostas em IA, priorizando ações onde o consenso de mercado está excessivamente elevado e a relação risco-retorno se deteriora. Em paralelo, aumenta gradualmente a exposição a setores tradicionais.
Dan Bin, da Shenzhen Oriental Harbor, resumiu o espírito do momento em uma frase enviada aos seus investidores: é possível aproveitar a euforia, mas nunca se tornar parte dela. Ele projeta 2027 como o ano em que os gastos de capital em IA finalmente desacelerem — não um colapso, mas uma inflexão.
Os sinais monitorados pelos gestores são precisos: desaceleração no crescimento de receita dos modelos de IA, queda nos preços de aluguel de capacidade computacional e redução dos gastos de capital em nuvem. A Shanghai Banxia vai além e aponta a Anthropic como evidência de estresse real, com receitas anualizadas abaixo das expectativas diante do custo crescente dos tokens e da concorrência crescente.
Ainda assim, os otimistas resistem. A Everlead mantém que o potencial das líderes globais de armazenamento é vasto. A Hunjin afirma que a alta é sustentada por lucros reais, não especulação. Mas o próprio indicador interno da Hunjin — que mede o avanço do ciclo de investimento em hardware de IA — saltou de 30 para 60 em poucos meses. E a mensagem aos investidores é clara: a saída começa antes de chegar ao topo.
Os gestores de fundos que fizeram fortuna apostando em inteligência artificial na China estão começando a sair da festa. Não dramaticamente — ninguém está gritando que a bolha vai estourar — mas com uma cautela que não existia alguns meses atrás, quando as ações de IA subiam sem parar.
A Shanghai Everlead Capital, cujo fundo Growth Strategy No. 3 acumulou retorno de 164% até maio, já vendeu posições em empresas de comunicação óptica e empacotamento avançado. O fundo Yueyang G1, da Hunjin Capital, que ganhou cerca de um terço em cinco meses, também começou a desfazer suas apostas em IA. A Hunjin administra mais de 5 bilhões de yuans, o equivalente a 739 milhões de dólares. Essas não são pequenas operações. São gestoras que acertaram em cheio e agora estão reposicionando suas carteiras com a mesma precisão que as levou ao sucesso.
O que mudou é a temperatura da sala. Dan Bin, gestor da Shenzhen Oriental Harbor Investment Management, que controla mais de 10 bilhões de yuans, escreveu aos seus investidores em maio uma frase que resume o momento: você pode aproveitar a euforia, mas nunca se tornar parte dela. Ele acredita que 2027 pode ser o ano em que os gastos de capital em IA finalmente desacelerem, depois de anos de crescimento acelerado. Não é uma previsão de colapso. É um aviso de que o ciclo está mudando.
Os fundos chineses não estão sozinhos nessa preocupação. Investidores em todo o mundo começam a questionar se a disparada das ações ligadas a IA — semicondutores, chips de memória, empresas de tecnologia — não foi longe demais, rápido demais. O índice Philadelphia Semiconductor subiu quase 80% só neste ano, puxado por nomes como Micron Technology e Intel. Em 2026, a alta de IA virou a linha divisória entre fundos que ganharam muito e fundos que ficaram para trás.
Mas há sinais específicos que os gestores estão monitorando. A Hunjin Capital alertou seus investidores para três gatilhos potenciais: uma reação social contrária à IA, uma estagnação na evolução dos modelos de inteligência artificial, e um afrouxamento na cadeia de suprimentos. O fundador da Hunjin, Li Yue, explicou que começou a cortar posições onde o consenso de mercado está excessivamente elevado e a relação risco-retorno está piorando. Ao mesmo tempo, está aumentando gradualmente a exposição a ações tradicionais.
Zhang Xiuqi, da Shanghai Chaser Asset Management, acompanha métricas diferentes: a desaceleração do crescimento de receita dos modelos de IA, a queda dos preços de aluguel de capacidade computacional, e a redução dos gastos de capital de empresas de nuvem. Esses números, para ele, são indicadores de que o boom pode estar chegando ao fim. A Chaser administra mais de 5 bilhões de yuans.
Os mais pessimistas já veem sinais de estresse. A Shanghai Banxia Investment Management Center apontou a pressão sobre o crescimento de receita da Anthropic como prova de que o gatilho para o estouro da bolha já apareceu. A taxa anualizada de receita da Anthropic ficará abaixo das expectativas, escreveu o fundo, porque grandes empresas de tecnologia podem recuar diante do custo crescente dos tokens e concorrentes podem corroer sua popularidade entre programadores.
Ainda assim, os otimistas não têm pressa para sair completamente. A Everlead Capital mantém que o potencial de crescimento das líderes globais de armazenamento continua vasto. A Hunjin afirma que a alta é impulsionada por lucros reais, não por especulação. A Chaser destaca que o boom é sustentado por fundamentos sólidos da indústria, diferentemente da bolha da internet em 2000. Mas a Hunjin elevou seu indicador de progresso para hardware de IA — uma medida de quanto o ciclo de investimento já avançou — para 60 em uma escala de 100. Em fevereiro, estava em apenas 30. E deixou claro aos investidores: não vamos esperar chegar a 90 ou 100 para começar a vender.
Notable Quotes
Você pode aproveitar a euforia, mas nunca se tornar parte da euforia— Dan Bin, gestor da Shenzhen Oriental Harbor Investment Management
É claro que não vamos esperar chegar a 90 ou 100 para começar a vender— Hunjin Capital, aos investidores