Em Marília, um homem de 75 anos que havia perdido a batalha cotidiana contra o próprio corpo encontrou, numa sala de cirurgia do Hospital Beneficente Unimar, algo que antes só existia longe de casa. A Estimulação Cerebral Profunda — procedimento que implanta eletrodos para reconfigurar os sinais nervosos descontrolados pelo Parkinson — foi realizada pela primeira vez na região, encerrando anos em que pacientes precisavam percorrer longas distâncias para acessar o que a medicina moderna já oferecia. Não é uma cura, mas é uma fronteira que se move: a de que excelência médica pode existir onde as
HBU realiza primeira cirurgia de estimulação cerebral profunda para Parkinson em Marília
O paciente acordou sem complicações e recebeu alta em menos de 24 horas
Por que essa cirurgia é tão diferente de apenas aumentar a dose de medicação?
Porque o Parkinson não é apenas uma deficiência de dopamina. Com o tempo, os medicamentos perdem eficácia e começam a causar efeitos colaterais piores do que os sintomas que tratam. A estimulação cerebral profunda funciona de forma diferente — ela regula os sinais elétricos do cérebro, como se ajustasse a frequência de uma onda de rádio desafinada.
E por que o paciente precisa estar acordado durante a cirurgia?
Porque o cirurgião precisa de feedback em tempo real. Quando os eletrodos estão no lugar certo, o paciente sente a diferença imediatamente — a rigidez diminui, o tremor para. Se estivesse dormindo, seria como tentar acertar um alvo no escuro.
Qual é o risco de fazer isso em um hospital regional em vez de um grande centro?
Tecnicamente, o risco é o mesmo se a equipe tiver o treinamento e a estrutura adequados. O que mudou aqui é que essa equipe investiu em se preparar. Não é sobre tamanho do hospital, é sobre dedicação e competência.
E depois que a cirurgia termina? O paciente está curado?
Não. O Parkinson continua ali. Mas agora há um diálogo entre o corpo e a máquina. Nos meses seguintes, o estimulador é programado e reprogramado, as medicações são ajustadas. É um processo contínuo, mas o paciente ganha autonomia que havia perdido.
Por que a família é tão importante nesse tratamento?
Porque o Parkinson não é apenas uma doença do indivíduo — é uma doença que afeta todos ao seu redor. A família vê as pequenas vitórias: o paciente consegue se vestir sozinho novamente, consegue caminhar com segurança. Esse apoio emocional é tão real quanto o eletrodo no cérebro.
O que muda para os próximos pacientes em Marília?
Muda tudo. Agora eles sabem que não precisam partir. Sabem que existe uma alternativa quando os medicamentos não são mais suficientes. E sabem que essa alternativa está aqui, ao lado de casa.
Le Pouls
- Um paciente com dez anos de Parkinson avançado havia chegado ao limite das medicações, que passaram a provocar movimentos involuntários em vez de aliviá-los.
- A cirurgia exigiu que o paciente permanecesse acordado nas duas primeiras etapas, permitindo ajustes milimétricos dos eletrodos em tempo real — uma aposta técnica de alta precisão.
- Ainda na mesa de operação, os testes revelaram melhora expressiva: a rigidez cedeu, os movimentos se tornaram mais fluidos, e o paciente recebeu alta em menos de 24 horas.
- Pacientes de Marília e da região deixam de depender de viagens a São Paulo para acessar um dos tratamentos mais avançados para distúrbios do movimento.
- O processo não termina com a cirurgia — a programação do estimulador e o ajuste das medicações continuam por semanas e meses, buscando o equilíbrio ideal para cada indivíduo.
Em Marília, um homem de 75 anos que havia perdido a batalha cotidiana contra o próprio corpo encontrou, numa sala de cirurgia do Hospital Beneficente Unimar, algo que antes só existia longe de casa. A Estimulação Cerebral Profunda — procedimento que implanta eletrodos para reconfigurar os sinais nervosos descontrolados pelo Parkinson — foi realizada pela primeira vez na região, encerrando anos em que pacientes precisavam percorrer longas distâncias para acessar o que a medicina moderna já oferecia. Não é uma cura, mas é uma fronteira que se move: a de que excelência médica pode existir onde as pessoas já vivem.
Na manhã da cirurgia, uma equipe multidisciplinar do Hospital Beneficente Unimar se posicionou ao redor de um paciente de 75 anos que convivera com o Parkinson por uma década. Seu corpo havia se tornado uma prisão: músculos rígidos, movimentos lentos, medicações que já não ajudavam e passaram a provocar movimentos involuntários. Ele seria o primeiro paciente de Marília a receber a Estimulação Cerebral Profunda — o DBS.
A técnica consiste na implantação de eletrodos em regiões específicas do cérebro, conectados a um gerador de impulsos elétricos colocado sob a pele do tórax. Esses impulsos regulam os sinais cerebrais descontrolados responsáveis pelos tremores, pela rigidez e pela lentidão. Não é uma cura, mas uma reconfiguração — uma negociação entre tecnologia e biologia.
O neurocirurgião Vinicius Herbert conduziu a operação em três etapas, mantendo o paciente acordado nas duas primeiras para avaliar em tempo real o funcionamento dos eletrodos. Durante os próprios testes, a melhora foi visível: a rigidez diminuiu, os movimentos se tornaram mais fluidos. O paciente passou a noite ao lado da família e recebeu alta em menos de 24 horas.
Para além do caso individual, o especialista Edson Zucoloto ressalta que o trabalho continua após a cirurgia, com a programação cuidadosa do estimulador e o ajuste das medicações nas semanas e meses seguintes. A superintendente Márcia Mesquita Serva Reis vê no procedimento algo que transcende a técnica: um compromisso com a humanização do cuidado e a prova de que medicina de alta complexidade pode ser oferecida com segurança fora dos grandes centros.
Durante anos, pacientes de Marília precisavam viajar a São Paulo para acessar esse tipo de tratamento — uma jornada física, emocional e financeira. Com esta cirurgia, essa barreira desapareceu. Para o homem de 75 anos que acordou sem complicações, não é uma cura, mas é o começo de uma vida recuperada.
O Hospital Beneficente Unimar abriu uma porta que antes estava fechada para a região. Na manhã de uma cirurgia que duraria horas, uma equipe de neurocirurgiões, neurologistas e anestesiologistas se posicionou ao redor de um paciente de 75 anos, um homem que havia convivido com o Parkinson por uma década. Seu corpo havia se tornado uma prisão — os músculos rígidos, os movimentos lentos demais, o caminhar incerto, as medicações que antes ajudavam agora provocavam movimentos involuntários que roubavam sua independência. Naquela sala de cirurgia, ele se tornaria o primeiro paciente de Marília a receber um procedimento que até então só existia nos grandes centros do país: a Estimulação Cerebral Profunda, conhecida pela sigla DBS.
A técnica é elegante em sua concepção, ainda que complexa em sua execução. Eletrodos microscópicos são implantados em regiões específicas do cérebro, conectados a um pequeno gerador de impulsos elétricos colocado sob a pele do tórax. Esses impulsos funcionam como um maestro invisível, regulando os sinais cerebrais descontrolados que causam os tremores, a rigidez e a lentidão característica da doença. Não é uma cura — o Parkinson permanece — mas é uma reconfiguração do sistema nervoso, uma negociação entre a tecnologia e a biologia do corpo.
O que tornou este procedimento notável não foi apenas sua realização, mas como foi realizado. O neurocirurgião Vinicius Herbert conduziu a operação em três etapas, mantendo o paciente acordado durante as duas primeiras. Isso não é um detalhe menor. Com o paciente consciente, a equipe pôde avaliar em tempo real como os eletrodos estavam funcionando, ajustando sua posição milímetro a milímetro para alcançar a máxima precisão. Durante a própria cirurgia, os testes mostraram uma melhora expressiva — a rigidez diminuiu, os movimentos se tornaram mais fluidos. O paciente acordou do procedimento sem complicações, passou a noite ao lado da família e recebeu alta hospitalar em menos de 24 horas.
Para um homem que havia perdido a capacidade de caminhar com segurança, de se vestir sem dificuldade, de escrever ou comer sem luta contra seu próprio corpo, isso representa mais do que um sucesso técnico. Representa a possibilidade de recuperar fragmentos de autonomia que o Parkinson havia roubado. O especialista em cirurgias para distúrbios do movimento, Edson Zucoloto, enfatiza que o que vem depois é igualmente importante: a programação cuidadosa do estimulador e o ajuste das medicações, um processo que continua semanas e meses após a cirurgia, buscando o equilíbrio ideal para cada paciente.
Mas há algo maior acontecendo aqui além do caso individual. Durante anos, pacientes de Marília e da região precisavam viajar para São Paulo ou outros grandes centros para acessar este tipo de procedimento — uma jornada que não era apenas física, mas também emocional e financeira. Agora, essa barreira desapareceu. O Hospital Beneficente Unimar demonstrou que possui não apenas a tecnologia, mas a expertise, a estrutura e a equipe multidisciplinar necessária para oferecer medicina de alta complexidade com segurança. Neurocirurgiões, neurologistas, anestesiologistas, enfermeiros, especialistas em neurofisiologia — todos trabalhando em conjunto, cada um em seu lugar.
A superintendente do hospital, Márcia Mesquita Serva Reis, vê nesta cirurgia algo que transcende o procedimento em si. Cada novo tratamento de alta complexidade realizado no HBU, ela afirma, representa a possibilidade de transformar vidas. É um investimento em tecnologia, sim, mas também em qualificação profissional contínua e em um compromisso com a humanização do cuidado. Para os pacientes e suas famílias, significa esperança — a esperança de que não precisam mais abandonar suas cidades em busca de tratamento.
O que aconteceu naquela sala de cirurgia em Marília é um marco institucional, mas também é um marco regional. Marca o momento em que uma comunidade deixou de ser periférica em relação à medicina de ponta. Marca o reconhecimento de que excelência não precisa estar concentrada apenas nos grandes centros urbanos. E para o paciente de 75 anos que acordou sem complicações, marca o começo de uma nova fase — não uma cura, mas uma vida recuperada.
Citations marquantes
A cirurgia é altamente especializada e realizada em três etapas, sendo as duas primeiras com o paciente acordado, o que nos permite realizar avaliações neurológicas em tempo real durante o posicionamento dos eletrodos— Dr. Vinicius Herbert, neurocirurgião responsável pela equipe
O apoio familiar faz toda a diferença antes, durante e depois da cirurgia. O tratamento do Parkinson é um trabalho conjunto entre paciente, familiares e equipe de saúde— Dr. Edson Zucoloto, especialista em cirurgias para distúrbios do movimento