Uma harpia chamada Katrina cruzou o Brasil em agosto para pousar no Zoológico de Brasília, carregando no sangue a história do próprio programa que a gerou: sua mãe, Caixa, foi a primeira ave a entrar no esforço de conservação de Itaipu, em 2000. Agora, aos dez anos, Katrina vai formar um casal reprodutivo com Jorge, um macho de 36 anos, numa parceria entre instituições que revela como a sobrevivência de uma espécie depende tanto de redes humanas quanto de habitats selvagens. O gavião-real, maior ave de rapina das Américas, encontra no cativeiro estratégico não um fim, mas uma ponte para o futu
Harpia chega ao Zoo de Brasília para programa de conservação da espécie
A continuidade que mostra que o programa funciona
Por que transferir uma harpia que já estava segura em Itaipu para Brasília? Qual é o ganho real?
A diversificação geográfica é crucial. Se algo acontecer em um local, a população não desaparece. Além disso, Jorge tem 36 anos — está na idade reprodutiva ideal, e Katrina é jovem o suficiente. Juntos, podem gerar filhotes que fortalecem a linhagem genética.
Katrina é filha de Caixa. Isso significa que há uma história familiar sendo reconstruída aqui?
Exatamente. Caixa foi a primeira ave do programa em 2000. Sua linhagem se expandiu, e agora sua filha está formando seu próprio casal. É uma continuidade que mostra que o programa funciona — não é apenas manter aves vivas, é criar populações viáveis.
Itaipu tem 31 harpias. Isso é muito ou pouco?
Para uma espécie ameaçada, é um número significativo. Mas note: apenas seis casais reproduzem ativamente. Os outros servem como reserva genética ou estão sendo preparados para futuros projetos. É um equilíbrio cuidadoso.
E se o programa não conseguisse reproduzir harpias em cativeiro? Qual seria o cenário?
A espécie dependeria inteiramente da proteção em habitat natural, que é cada vez mais frágil. Esses programas ex situ são uma apólice de seguro — enquanto protegemos as florestas, mantemos a população viva aqui.
A LATAM doando o avião parece um detalhe menor, mas muda algo?
Muda tudo. Sem isso, o transporte seria caro, longo, estressante para a ave. A rapidez reduz riscos. Mostra também que conservação não é responsabilidade apenas de biólogos — é uma rede que inclui empresas, instituições públicas, refúgios.
O Pulso
- A harpia enfrenta pressão crescente sobre seu habitat natural, tornando urgente a manutenção de populações geneticamente viáveis fora da floresta.
- A transferência de Katrina do Paraná a Brasília exigiu logística delicada — resolvida com o Avião Solidário da LATAM, que encurtou uma jornada potencialmente estressante para a ave.
- O Zoológico de Brasília já mantinha Jorge, um macho de 36 anos, aguardando uma parceira, e a chegada de Katrina completa o novo casal reprodutivo.
- Itaipu coordena 31 harpias no programa, com seis casais já reprodutores e sete indivíduos disponíveis para transferência — uma rede de segurança genética em escala nacional.
- O Zoo de Brasília vive um momento de renovação, tendo reaberto seu Museu de Ciências Naturais após quatro anos, e recebe Katrina como símbolo de continuidade e nova geração.
Uma harpia chamada Katrina cruzou o Brasil em agosto para pousar no Zoológico de Brasília, carregando no sangue a história do próprio programa que a gerou: sua mãe, Caixa, foi a primeira ave a entrar no esforço de conservação de Itaipu, em 2000. Agora, aos dez anos, Katrina vai formar um casal reprodutivo com Jorge, um macho de 36 anos, numa parceria entre instituições que revela como a sobrevivência de uma espécie depende tanto de redes humanas quanto de habitats selvagens. O gavião-real, maior ave de rapina das Américas, encontra no cativeiro estratégico não um fim, mas uma ponte para o futuro.
Katrina chegou ao Zoológico de Brasília em agosto com dez anos de idade e uma genealogia que atravessa a história da conservação brasileira. Vinda do Refúgio Biológico Bela Vista, mantido por Itaipu no Paraná, a harpia foi transferida para integrar um programa de reprodução em cativeiro e formar um novo casal com Jorge, um macho de 36 anos que já a aguardava no recinto.
A ligação entre as duas instituições é antiga. Katrina é filha de Caixa, a primeira harpia a entrar no Programa de Reprodução de Harpias de Itaipu, em 2000. Logo depois daquele início, o próprio Zoológico de Brasília cedeu uma fêmea para formar o primeiro casal reprodutivo do programa. Agora, mais de duas décadas depois, a linhagem se renova pela mesma parceria.
O gavião-real é uma das maiores aves de rapina do planeta, e sua presença em programas de conservação ex situ reflete a pressão que a espécie enfrenta no ambiente natural. Itaipu mantém hoje 31 harpias no programa — seis casais reprodutores, sete indivíduos disponíveis para transferência e seis casais destinados a projetos futuros —, gerenciando uma população com propósitos estratégicos claros.
A viagem de Katrina contou com um aliado inesperado: a LATAM Airlines disponibilizou seu Avião Solidário para transportar a ave, transformando um trajeto longo em um deslocamento rápido e seguro. Para a companhia, a iniciativa representa colocar sua conectividade a serviço de objetivos maiores. No mesmo mês, uma oncinha de quatro meses resgatada no Pará chegou ao Centro de Triagem de Animais Silvestres do Ibama em Brasília, reforçando a imagem de uma rede nacional de proteção à fauna.
A chegada de Katrina coincide com um momento de renovação no zoológico, que reabriu recentemente seu Museu de Ciências Naturais após quatro anos fechado. Mais do que um novo animal no recinto, a harpia representa a continuação de um trabalho iniciado 26 anos atrás — e a promessa de novas gerações por vir.
Katrina chegou ao Zoológico de Brasília em agosto carregando consigo uma história de duas décadas de trabalho em conservação. A harpia, com dez anos de idade, veio do Refúgio Biológico Bela Vista, mantido por Itaipu no Paraná, para participar de um programa que busca garantir a sobrevivência da espécie através da reprodução controlada em cativeiro. Ela não viajou sozinha em seus objetivos: o zoológico já tinha Jorge, um macho de 36 anos, esperando para formar um novo casal reprodutivo.
A transferência de Katrina marca um capítulo importante na história de colaboração entre duas instituições brasileiras. Ela é filha de Caixa, a primeira harpia a entrar no Programa de Reprodução de Harpias de Itaipu, lá em 2000. Pouco depois daquele início, o Zoológico de Brasília cedeu uma fêmea da mesma espécie, criando o primeiro casal reprodutivo do recinto. Agora, mais de duas décadas depois, a linhagem continua se expandindo através dessa mesma parceria.
A harpia, conhecida também como gavião-real, é uma das maiores aves de rapina do planeta. Sua presença em programas de conservação ex situ reflete a urgência de proteger uma espécie que enfrenta pressões no habitat natural. O Programa de Conservação Ex Situ do Projeto Harpia funciona como uma rede de segurança genética e populacional, mantendo populações viáveis enquanto trabalha para restaurar e proteger os ambientes selvagens.
Itaipu, que coordena esse esforço, mantém atualmente 31 harpias em seu programa. Entre elas estão seis casais que já se reproduzem, sete indivíduos que podem ser transferidos para outros refúgios e seis casais adicionais destinados a projetos futuros. Esses números revelam a escala do trabalho: não se trata apenas de manter alguns pássaros em cativeiro, mas de gerenciar uma população com propósitos reprodutivos claros e estratégicos.
A jornada de Katrina até Brasília contou com um aliado inusitado. A LATAM Airlines disponibilizou seu Avião Solidário para transportar a ave, transformando um trajeto que seria longo e potencialmente estressante em um deslocamento rápido e seguro. Raquel Argentino, gerente de Sustentabilidade e Impacto Social da companhia aérea, descreveu a iniciativa como uma forma de colocar a conectividade da empresa a serviço de objetivos maiores, destacando como a cooperação entre instituições fortalece o manejo responsável da fauna brasileira.
O mês de agosto trouxe outro animal para o zoológico através de programas similares. Uma oncinha com apenas quatro meses chegou ao Centro de Triagem de Animais Silvestres do Ibama, vinda do Pará onde havia sido resgatada. O filhote passa agora por um programa de reabilitação, parte de uma rede mais ampla de proteção animal que se estende por todo o país.
O Zoológico de Brasília, que reabriu seu Museu de Ciências Naturais após quatro anos fechado, agora recebe Katrina em um momento de renovação institucional. A chegada da harpia representa mais do que um novo animal no recinto: é a continuação de um trabalho que começou há 26 anos, quando Caixa entrou no programa em Itaipu, e que agora se desdobra em novas gerações e novas possibilidades de reprodução.
Citações Notáveis
Buscamos sempre colocar nossa conectividade a serviço de iniciativas como essa, que mostram a importância da cooperação entre instituições para a conservação da fauna brasileira— Raquel Argentino, gerente de Sustentabilidade e Impacto Social da LATAM Airlines Brasil