Em Berlim, trinta e cinco especialistas de diversas áreas reuniram o seu conhecimento para cartografar os perigos que podem moldar — ou encerrar — o destino humano até ao final deste século. Publicado na The Lancet, o estudo identifica dezassete riscos globais significativos, dos quais apenas dois carregam o peso da extinção: a guerra nuclear e o uso malicioso da inteligência artificial. A mensagem não é de fatalismo, mas de clareza — porque nomear o perigo é o primeiro passo para o evitar.
Guerra nuclear e IA maliciosa podem extinguir humanidade até 2100, alerta The Lancet
Todas as ameaças podem ser evitadas — nenhuma é inevitável
Então o estudo diz que a guerra nuclear pode extinguir a humanidade. Mas qual é exatamente o mecanismo? Como é que uma guerra nuclear leva à extinção?
Não é apenas a explosão. É o que vem depois — a fome nuclear. As partículas lançadas para a atmosfera bloqueiam a radiação solar, impedindo que as colheitas cresçam globalmente. Sem alimento, colapsa tudo.
Mas o estudo diz que o risco é baixo. Baixo comparado com quê? Com a probabilidade histórica? Com modelos climáticos? Porque "baixo" é vago.
E a inteligência artificial maliciosa? Como é que isso se torna uma ameaça de extinção?
Através do desenvolvimento de armas biológicas. Se alguém usar IA para desenhar um agente patogénico letal e o libertar, as consequências poderiam ser catastróficas.
Novamente, o estudo não quantifica a probabilidade. Diz que é possível, mas não diz com que frequência os especialistas acham que isto poderia acontecer nos próximos 75 anos.
Há outras ameaças na lista além destas duas?
Dezassete no total. Alterações climáticas, pandemias, obesidade, degradação da saúde mental. Todas classificadas como catastróficas, mas sem potencial de extinção.
E as métricas variam enormemente — de 1,02 mil milhões a 23,1 mil milhões de DALYs. Isso significa que alguns riscos são medidos com muito mais incerteza do que outros.
O que é que os governos devem fazer?
Investir em sistemas de saúde resilientes, tecnologias de remoção de carbono, fusão nuclear. E monitorizar regularmente estes riscos.
Mas quem paga? E quem decide o que é prioridade? Porque um país pobre não pode investir em fusão nuclear e remoção de carbono ao mesmo tempo que trata da desnutrição.
Le Pouls
- Apenas dois dos dezassete riscos avaliados têm potencial de extinção humana: uma guerra nuclear e a IA usada para desenvolver armas biológicas.
- A fome nuclear — o bloqueio da radiação solar por partículas lançadas na atmosfera — é descrita como consequência tão devastadora quanto as próprias explosões.
- Ameaças como alterações climáticas, pandemias, obesidade e colapso da saúde mental são classificadas como catastróficas, podendo custar até 23,1 mil milhões de anos de vida saudável.
- As desigualdades globais agravam o quadro: enquanto países ricos enfrentam crises de saúde mental e obesidade, os mais pobres continuam vulneráveis à desnutrição e à falta de educação.
- A comissão propõe sistemas de saúde resilientes, tecnologias de remoção de carbono e monitorização regular dos riscos junto das Nações Unidas e do G20 como caminhos concretos de resposta.
Em Berlim, trinta e cinco especialistas de diversas áreas reuniram o seu conhecimento para cartografar os perigos que podem moldar — ou encerrar — o destino humano até ao final deste século. Publicado na The Lancet, o estudo identifica dezassete riscos globais significativos, dos quais apenas dois carregam o peso da extinção: a guerra nuclear e o uso malicioso da inteligência artificial. A mensagem não é de fatalismo, mas de clareza — porque nomear o perigo é o primeiro passo para o evitar.
Numa cimeira de saúde realizada em Berlim, investigadores apresentaram um estudo publicado na The Lancet que mapeia dezassete riscos globais com capacidade de alterar profundamente o futuro da humanidade. Trinta e cinco especialistas em saúde, tecnologia, economia e segurança concluíram que apenas dois desses riscos têm potencial de extinção: a guerra nuclear e o uso malicioso da inteligência artificial.
No caso da guerra nuclear, o perigo mais temido não são apenas as explosões, mas a fome nuclear — o cenário em que partículas lançadas na atmosfera bloqueiam a radiação solar e tornam impossível cultivar alimentos à escala global. Quanto à IA maliciosa, o risco central reside no desenvolvimento de armas biológicas dirigidas contra populações. Os autores são claros: a probabilidade destes cenários é baixa, mas a sua possibilidade não pode ser ignorada.
Outras ameaças — alterações climáticas, pandemias, obesidade e degradação da saúde mental — foram classificadas como catastróficas. Para medir o impacto potencial de cada uma, a comissão recorreu aos DALYs, uma métrica que traduz anos de vida saudável perdidos. Os valores variam entre 1,02 mil milhões e 23,1 mil milhões, dependendo do cenário. O estudo revela também que estas ameaças não afetam o mundo de forma uniforme: nas regiões mais ricas preocupam a saúde mental e a obesidade; nas mais pobres, a desnutrição e a falta de educação.
Ibrahim Abubakar, professor de epidemiologia na University College London e membro da comissão, sublinhou que o objetivo não é assustar os decisores, mas fornecer-lhes um mapa claro das ameaças e da sua magnitude. As recomendações são concretas: investir em sistemas de saúde resilientes, apoiar tecnologias de remoção de carbono e vacinas de nova geração, e monitorizar regularmente os riscos junto de organizações como as Nações Unidas e o G20. A conclusão é simultaneamente sóbria e esperançosa — estas ameaças são reais, mas nenhuma delas é inevitável.
Numa cimeira de saúde em Berlim no domingo passado, investigadores apresentaram um mapa dos perigos que podem redefinir o futuro da humanidade. O estudo, publicado na revista The Lancet, identificou dezassete riscos globais significativos — mas apenas dois deles carregam o peso de uma possível extinção: uma guerra nuclear e o uso malicioso de inteligência artificial.
Trinta e cinco especialistas em saúde, tecnologia, economia e segurança trabalharam juntos para construir esta avaliação. Quando falam de guerra nuclear, não se referem apenas às explosões. Referem-se à fome nuclear — aquele cenário em que as partículas lançadas para a atmosfera bloqueiam a radiação solar, tornando impossível cultivar alimentos em escala global. No caso da inteligência artificial maliciosa, o risco reside no desenvolvimento de armas biológicas dirigidas contra populações humanas. Os autores são claros num ponto: embora estes cenários sejam possíveis, a probabilidade de ocorrerem é baixa.
Mas a lista não termina aí. As alterações climáticas, o risco de pandemias futuras, a obesidade generalizada e a degradação acelerada da saúde mental foram todas classificadas como ameaças catastróficas. Para medir o impacto potencial de cada uma, a comissão utilizou uma métrica chamada anos de vida ajustados pela incapacidade — DALYs, na sigla inglesa. Basicamente, isto traduz quantos anos de vida saudável podem ser perdidos se uma ameaça se concretizar. Os números variam dramaticamente: desde 1,02 mil milhões de DALYs até 23,1 mil milhões, dependendo do cenário e da ameaça.
O que é particularmente revelador é como estas ameaças não afetam o mundo de forma uniforme. Nas regiões mais ricas, as maiores preocupações são a saúde mental e a obesidade. Nas regiões mais pobres, é a desnutrição e a falta de educação que dominam. Um exemplo concreto: se os Estados Unidos continuarem a desinvestir em ajuda internacional para o desenvolvimento, isso pode custar 1,5 mil milhões de DALYs globalmente, com impacto desproporcionalmente grave na África Subsariana. Por outro lado, se o mundo conseguisse limitar o aumento da temperatura média do planeta a 1,8 graus Celsius, poderia evitar a perda de cerca de 1,89 mil milhões de DALYs.
Ibrahim Abubakar, membro da comissão e professor de epidemiologia de doenças infecciosas na University College London, explicou a intenção por trás do trabalho ao Guardian: não se trata de assustar os decisores políticos, mas de lhes fornecer um mapa claro das ameaças potenciais e da magnitude do impacto que poderiam ter. A comissão sublinha que todas estas ameaças podem ser evitadas — e que estão interligadas, o que significa que as soluções também devem estar conectadas.
As recomendações são específicas. Os governos devem investir em sistemas de saúde preparados para ameaças como a COVID-19 demonstrou ser necessário. Devem também apoiar o que a comissão chama de "soluções de rutura" — tecnologias de remoção de carbono, fusão nuclear, vacinas de nova geração. Além disso, pede-se monitorização e avaliação regular destes riscos, com resultados apresentados a organizações internacionais como as Nações Unidas e o G20. A mensagem final é uma que combina urgência com esperança: estas ameaças são reais, mas nenhuma delas é inevitável.
Citations marquantes
Não estamos a partir de um ponto de vista de 'Olhem, queremos assustar-vos'. Estamos a partir da premissa de que estas são as ameaças potenciais que podem ser enfrentadas, e esta é a magnitude pela qual um decisor político pode realmente fazer a diferença.— Ibrahim Abubakar, membro da comissão e professor de epidemiologia da University College London