Em Americana, um guarda municipal foi afastado após ser filmado confraternizando com motociclistas que realizavam manobras ilegais e perigosas, enquanto fingia não os ver. O episódio, registrado pelos próprios infratores e amplamente compartilhado nas redes sociais, não revela apenas uma falha individual, mas a escolha deliberada de um agente público de tornar a lei invisível diante de quem escolheu ignorá-la. A cumplicidade performática — celebrada publicamente por quem dela se beneficiou — coloca em questão o que significa fiscalizar quando a autoridade decide que certas regras não se aplica
Guarda afastado após ser filmado comendo churrasco e ignorando infrações de motociclistas
Nem vi vocês aqui, diz o guarda, enquanto observa motos sendo empinadas
Por que um guarda municipal decidiria simplesmente ignorar infrações graves de trânsito e ainda ironizar a situação?
Não sabemos a resposta completa, mas o vídeo sugere algo além de negligência — há uma relação social sendo cultivada. Ele está comendo churrasco com essas pessoas, apertando suas mãos. Há uma cumplicidade que parece estabelecida.
Mas ele reconheceu ter visto as manobras. Por que admitir isso e depois fingir que não viu?
Exatamente. Isso é o que torna o vídeo tão incriminador. Ele diz "o bicho virou um sebo", reconhecendo o que está acontecendo, e depois responde com ironia quando questionado. É quase como se estivesse testando os limites, sabendo que estava sendo filmado.
Qual é o risco real aqui, além da corrupção óbvia?
Empinar moto sem capacete em via pública é crime de trânsito se gerar perigo. Essas manobras matam pessoas — o motociclista, pedestres, outros motoristas. Um guarda que não fiscaliza está permitindo que atos potencialmente fatais continuem acontecendo.
E o vídeo foi publicado em uma rede com 245 mil seguidores. Qual é o efeito disso?
Normalização. Quando centenas de milhares de pessoas veem um guarda recusando-se a agir, a mensagem é que essas manobras são aceitáveis. Um dos comentários dizia "minha inspiração". Isso não é apenas um problema de um agente — é um problema de sinal público.
Como a Guarda Municipal responde a algo assim?
Afastando os agentes e abrindo investigação. Mas o dano já está feito. O vídeo está lá, circulando, mostrando que houve um momento em que as regras não se aplicavam em um lugar específico.
The Pulse
- Um guarda municipal comeu churrasco e apertou a mão de motociclistas que empinavam motos sem capacete a poucos metros, sem autuar ninguém.
- Quando questionado, respondeu com ironia — 'Nem vi vocês aqui' — apesar de ter comentado as manobras momentos antes, documentando sua própria contradição em vídeo.
- O vídeo foi publicado em um perfil com 245 mil seguidores dedicado a manobras perigosas, e os infratores comemoraram abertamente a impunidade, elogiando o guarda publicamente.
- A Prefeitura de Americana afastou Evangelista e seu colega; a Corregedoria abriu investigação, mas o guarda se recusou a comentar até o procedimento administrativo.
- O caso expõe uma vulnerabilidade sistêmica: quando a autoridade escolhe a conivência, a mensagem que circula é que há lugares onde as regras simplesmente não valem.
Em Americana, um guarda municipal foi afastado após ser filmado confraternizando com motociclistas que realizavam manobras ilegais e perigosas, enquanto fingia não os ver. O episódio, registrado pelos próprios infratores e amplamente compartilhado nas redes sociais, não revela apenas uma falha individual, mas a escolha deliberada de um agente público de tornar a lei invisível diante de quem escolheu ignorá-la. A cumplicidade performática — celebrada publicamente por quem dela se beneficiou — coloca em questão o que significa fiscalizar quando a autoridade decide que certas regras não se aplicam.
Na tarde de 14 de julho, no bairro Parque da Liberdade em Americana, o guarda municipal Sergio Evangelista Souza — o Patrulheiro Evangelista — estava comendo churrasco enquanto motociclistas empinavam motos sem capacete a poucos metros. Nenhum foi abordado. Nenhum foi autuado. Os próprios motociclistas filmaram a cena, e o vídeo logo chegou à administração municipal.
O que tornou o episódio grave não foi apenas a inação, mas a cumplicidade explícita. Quando um motociclista perguntou se estava tudo bem ficar ali, Evangelista respondeu com ironia deliberada: 'Nem vi vocês aqui'. Nas imagens, porém, ele havia comentado as manobras momentos antes, dizendo que 'o bicho virou um sebo'. A contradição foi documentada em tempo real. Um segundo agente também permaneceu inerte enquanto as manobras continuavam.
O vídeo foi publicado em um perfil com 245 mil seguidores dedicado a registrar manobras perigosas. Os infratores comemoraram abertamente. Um deles elogiou: 'Serviço top, hein. Precisamos de mais policiais como você'. Outro usuário comentou: 'Minha inspiração, não tem jeito'. A mensagem era inequívoca — havia um guarda que não fiscalizava.
Empinar motocicleta é infração gravíssima pelo Código de Trânsito Brasileiro e, quando gera perigo concreto, pode configurar crime. Após a repercussão, a Prefeitura de Americana afastou Evangelista e seu colega. A Corregedoria abriu investigação. Procurado pela EPTV, o guarda informou que se posicionaria apenas durante o procedimento administrativo.
O caso deixa uma marca difícil de apagar: em uma plataforma com centenas de milhares de seguidores, ficou registrado que havia um lugar onde as regras não se aplicavam — e que isso foi celebrado por quem mais se beneficiou da omissão.
Na tarde do dia 14 de julho, em uma rua do bairro Parque da Liberdade em Americana, um guarda municipal chamado Sergio Evangelista Souza — conhecido entre colegas como Patrulheiro Evangelista — estava comendo churrasco e apertando a mão de motociclistas que realizavam manobras perigosas a poucos metros de distância. As motos eram empinadas sem capacete. Ninguém foi autuado. Ninguém foi abordado. O vídeo que registrou a cena, capturado pelos próprios motociclistas, logo circulou em redes sociais e chegou aos olhos da administração municipal.
O que torna o episódio particularmente grave não é apenas a inação, mas a cumplicidade performática. Quando um dos motociclistas perguntou ao guarda se "está tudo bem ficar ali", Evangelista respondeu com ironia deliberada: "Nem vi vocês aqui". Nas imagens, porém, vê-se claramente que ele havia reconhecido as manobras momentos antes, comentando que "o bicho virou um sebo". A contradição entre o que ele viu e o que fingiu não ver foi documentada em tempo real.
O segundo agente que acompanhava a ocorrência também permaneceu inerte enquanto os motociclistas continuavam suas manobras. Nos últimos minutos do vídeo, é possível ver um homem empinando uma moto na Rua Alferes Lowchinovscy enquanto o guarda observa sem intervir. Outros motociclistas fazem o mesmo, todos sem equipamento de proteção. A indiferença é sistemática.
O vídeo foi publicado em um perfil de redes sociais com 245 mil seguidores dedicado a registrar manobras perigosas. Os motociclistas, ao perceberem que não seriam multados, comemoraram abertamente. Um deles agradeceu e elogiou: "Serviço top, hein. Precisamos de mais policiais como você". O comentário de outro usuário na rede social capturou a consequência: "Minha inspiração, não tem jeito". A mensagem era clara — havia um guarda que não fiscalizava.
Segundo o Código de Trânsito Brasileiro, empinar motocicleta é considerado infração gravíssima. Se a manobra gerar perigo concreto a terceiros — e empinar sem capacete em via pública certamente o faz — pode ser enquadrada como crime de trânsito. Os motociclistas estavam cometendo atos que poderiam resultar em morte ou lesão grave, tanto para eles mesmos quanto para pedestres e outros motoristas.
Após a divulgação do vídeo, a Prefeitura de Americana afastou Evangelista e seu colega da Guarda Municipal. A Corregedoria da Gama abriu investigação. Quando procurado pela EPTV, afiliada da Globo, Evangelista não respondeu, informando apenas que se posicionaria durante o procedimento administrativo.
O caso levanta questões incômodas sobre como a fiscalização de trânsito funciona em cidades pequenas e médias, e sobre o que acontece quando agentes públicos decidem que certas infrações não merecem atenção. Não se trata de um lapso isolado — as imagens mostram uma escolha deliberada de não agir, acompanhada de ironia e convivência social com os infratores. A investigação segue em andamento, mas o vídeo já deixou sua marca: em uma plataforma com centenas de milhares de seguidores, ficou registrado que havia um lugar onde as regras não se aplicavam.
Notable Quotes
Nem vi vocês aqui— Patrulheiro Evangelista, respondendo ironicamente quando questionado sobre as infrações
Serviço top, hein. Precisamos de mais policiais como você— Um dos motociclistas, agradecendo ao guarda por não autuá-los