Governo Lula ouvirá Congresso antes de enviar PEC da Segurança

Vários líderes têm cobrado posicionamentos sobre segurança pública
Gleisi Hoffmann observa que há demanda no Congresso para debater o tema, sinalizando clima favorável para a PEC.

Em um momento em que a segurança pública ocupa o centro do debate nacional, o governo Lula escolhe o diálogo antes da formalidade: a PEC que redesenha o arcabouço constitucional das forças de segurança está pronta, mas aguarda uma conversa com os líderes parlamentares antes de ser oficialmente enviada ao Congresso. A proposta, amadurecida ao longo de meses de negociação e ajustes, reflete a tensão permanente entre autoridade federal e autonomia dos estados — e agora incorpora as guardas municipais como atores legítimos da segurança urbana. É o movimento de um governo que aprendeu, a custo, que legislar exige tanto articulação quanto texto.

  • A PEC da Segurança está tecnicamente pronta, mas o governo Lula segura o envio formal para não tropeçar na largada política com o Congresso.
  • Governadores já haviam barrado uma versão anterior da proposta, forçando recuos significativos sobre quem define as regras da segurança pública no país.
  • A inclusão das guardas municipais no artigo 144 da Constituição representa uma virada histórica, respaldada por decisão recente do STF.
  • Gleisi Hoffmann, recém-empossada no ministério, aposta no diálogo com Hugo Motta e Davi Alcolumbre para criar um ambiente favorável à tramitação.
  • O governo já admite que o texto será alterado no Congresso — e trata isso não como derrota, mas como parte natural do processo legislativo.

O governo Lula decidiu que a PEC da Segurança Pública está madura o suficiente para ir ao Congresso — mas não sem antes sentar com os líderes parlamentares da base. Os ministros Ricardo Lewandowski e Gleisi Hoffmann anunciaram a decisão após reunião no Palácio do Planalto, e uma conversa com os presidentes da Câmara e do Senado está marcada para a semana seguinte.

A cautela tem razão de ser. Uma versão anterior da proposta, enviada em maio do ano passado, enfrentou resistência dos governadores, que rejeitaram a ideia de a União ditar as normas gerais de segurança e defesa social. O texto foi reescrito para ampliar a autonomia dos estados — uma concessão que abriu caminho para o avanço da proposta.

Outras mudanças foram incorporadas ao longo do processo. A Polícia Rodoviária Federal ganhará novo nome — Polícia Viária Federal — e poderá atuar em situações de calamidade pública, desde que autorizada pelo Ministério da Justiça, mantendo a proibição de exercer funções de polícia judiciária. Em fevereiro, Lewandowski decidiu incluir as guardas municipais na PEC, após o STF autorizar essas forças a realizar policiamento ostensivo, comunitário e prisões em flagrante.

Com a inclusão, as guardas municipais passam a figurar no artigo 144 da Constituição, com atuação voltada à segurança urbana e sem sobreposição às polícias Civil e Militar. Gleisi reconheceu abertamente que o Congresso fará mudanças no texto — e enxerga nisso não um obstáculo, mas a dinâmica natural de um processo legislativo que o governo, desta vez, quer conduzir com mais diálogo e menos atrito.

O governo Lula está prestes a enviar ao Congresso Nacional uma proposta de emenda constitucional sobre segurança pública, mas antes quer conversar com os líderes parlamentares que o apoiam. Os ministros Ricardo Lewandowski, da Justiça, e Gleisi Hoffmann, de Relações Institucionais, anunciaram a decisão na quinta-feira após discutirem o texto com o presidente no Palácio do Planalto. A reunião com os líderes da Câmara e do Senado está marcada para a próxima semana.

Lewandowski afirmou que houve consenso entre todos os presentes de que a PEC já estava pronta para ser enviada. Mas Hoffmann deixou claro que o governo quer primeiro apresentar a proposta aos presidentes das duas casas e aos líderes da base para avaliar o melhor momento de formalizar o envio. Ela observou que vários líderes têm cobrado do governo uma posição sobre segurança pública e querem debater o tema, o que sugere um clima favorável no Congresso para essa discussão.

A movimentação faz parte de um esforço maior do governo para melhorar sua articulação com o Legislativo. Gleisi, que tomou posse na segunda-feira, já sinalizou em seu discurso uma postura de diálogo com Hugo Motta, presidente da Câmara, e Davi Alcolumbre, presidente do Senado. Ela também reconheceu que é natural o Congresso fazer mudanças no texto e que a tendência é a proposta ser alterada durante a tramitação.

A PEC sobre segurança vem sendo analisada pela Casa Civil desde o ano passado. Uma primeira versão foi enviada em maio, mas sofreu várias alterações ao longo do tempo. A mudança mais significativa foi o reforço à autonomia dos estados nas medidas de segurança pública. Isso aconteceu depois que governadores reagiram negativamente à ideia de a União estabelecer as normas gerais sobre política de segurança e defesa social. O texto foi ajustado para dar mais poder aos estados nessa área.

Outras mudanças também foram incorporadas. A Polícia Rodoviária Federal passará a ser chamada de Polícia Viária Federal e poderá atuar em situações de calamidades públicas quando autorizada pelo Ministério da Justiça. O texto mantém a proibição de a PRF exercer atividades de polícia judiciária. Em fevereiro deste ano, Lewandowski decidiu incluir as guardas municipais na PEC, uma decisão tomada após o Supremo Tribunal Federal autorizar essas forças a atuar no policiamento ostensivo e comunitário, além de realizar prisões em flagrante.

Com essa inclusão, as guardas municipais passarão a integrar o rol de órgãos de segurança pública previstos no artigo 144 da Constituição. A proposta estabelece que sua atuação seja voltada para a segurança urbana, sem sobreposição às atribuições das polícias Civil e Militar, garantindo cooperação com os demais órgãos do Sistema Único de Segurança Pública. O governo espera que essa estrutura, após aprovação do Congresso, crie um marco regulatório mais claro para as forças de segurança no país.

Houve consenso entre todos os presentes de que a PEC estaria madura para ser enviada ao Congresso Nacional
— Ricardo Lewandowski, ministro da Justiça
Antes de enviarmos a proposta, nós vamos fazer uma reunião com os líderes da base para apresentá-la e avaliar o melhor momento de enviar a PEC formalmente
— Gleisi Hoffmann, ministra de Relações Institucionais
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Por que o governo quer conversar com os líderes antes de enviar a PEC se já considera o texto maduro?

Model

Porque aprovar uma emenda constitucional exige apoio político real. Conversar antes é medir o terreno, entender as objeções, ajustar o que for necessário para ter votos quando chegar na votação.

Inventor

Os governadores foram um problema no passado com essa proposta?

Model

Foram. Eles não queriam que a União ditasse as regras de segurança pública. O governo ouviu e recuou, dando mais autonomia aos estados. Agora a proposta é diferente.

Inventor

E as guardas municipais? Por que incluir agora?

Model

O Supremo já tinha decidido que elas podem fazer policiamento ostensivo e prender em flagrante. Colocar na Constituição é apenas formalizar o que já está acontecendo na prática e criar regras claras para isso.

Inventor

Gleisi acha que o Congresso vai aceitar?

Model

Ela acha que sim, mas também é realista: sabe que o texto vai ser mudado. Líderes já estão pedindo debate sobre segurança, o que é um bom sinal.

Inventor

Qual é o risco real aqui?

Model

Que a PEC fique presa no Congresso indefinidamente, ou que saia tão alterada que não resolva o que o governo queria. Por isso a conversa prévia importa.

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