Em meio a pesquisas que sinalizam desgaste político, o governo Lula avalia rever o imposto de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50 — a chamada 'taxa das blusinhas' — como gesto de alívio ao orçamento das famílias de menor renda. A medida, criada em 2024 para equalizar a concorrência entre plataformas estrangeiras e o varejo doméstico, tornou-se símbolo de uma tensão mais ampla: a difícil equação entre proteger quem vende e aliviar quem compra. O anúncio deve vir nas próximas semanas, mas o caminho entre a intenção política e a decisão final ainda passa por resistências organizadas e
Governo Lula avalia eliminar taxa das blusinhas para recuperar popularidade
Um dos elementos mais fortes de desgaste do governo
Por que o governo está considerando eliminar essa taxa agora, depois de aprová-la há apenas dois anos?
Porque ela virou um símbolo de desgaste político. Pesquisas internas mostram que é um dos principais pontos negativos do governo, junto com segurança e corrupção. Com Flavio Bolsonaro ganhando força nas pesquisas, o Planalto quer recuperar popularidade.
Mas quanto dessa queda de popularidade é realmente culpa da taxa? Ela arrecada menos de R$ 2 bilhões — é um imposto pequeno. Pode ser que o desgaste seja mais sobre a percepção de que o governo está contra o consumidor do que sobre o impacto real.
E o varejo doméstico? Por que eles defendem tanto a taxa?
Porque a taxa protege eles da concorrência com plataformas estrangeiras. Antes de 2024, compras internacionais pequenas chegavam sem imposto. A taxa equilibra o jogo. Eles conseguiram apoio de deputados de toda a ala política quando foi votada.
Certo, mas qual é o tamanho real dessa concorrência? A taxa arrecada menos de R$ 2 bilhões — isso significa que o volume de compras internacionais pequenas não é tão grande assim. Os varejistas podem estar exagerando o risco.
O governo tem uma solução do meio?
Sim, várias. Pode reduzir parcialmente a taxa em vez de eliminá-la, ou escalonar mais a alíquota para compras acima de US$ 50. Mas a ala política quer eliminação total para ter impacto real na população de renda baixa.
E quando isso vai ser anunciado?
Lula disse que será nas próximas semanas, mas não deu detalhes. Ele mencionou que precisa de tempo para implementação — disse que leva 40 dias para entrar em vigor depois do anúncio.
Isso significa que o governo ainda está dividido?
Claramente. A ala política quer eliminar, a equipe econômica está segurando, e o varejo está pressionando. É uma negociação em tempo real.
A questão que ninguém está respondendo é: se a taxa é tão impopular, por que o Congresso votou por ela com apoio de toda a ala política? Algo mudou, ou o governo está apenas cedendo à pressão?
O Pulso
- Pesquisas internas apontam a 'taxa das blusinhas' como um dos maiores pontos de desgaste do governo Lula, ao lado de segurança pública e combate à corrupção.
- A ala política do Planalto pressiona pela revogação total, enquanto a equipe econômica freia o debate diante das pressões do varejo nacional.
- Varejistas lançaram manifesto contra a revogação logo após o tema voltar à tona, mostrando que qualquer recuo do governo enfrentará resistência organizada e com respaldo no Congresso.
- O próprio presidente Lula admitiu publicamente o desejo de mudar a taxa, mas evitou detalhar a decisão, citando a necessidade de tempo para implementação.
- O governo estuda três saídas: eliminar o imposto por completo, reduzi-lo parcialmente ou escalonar de forma mais agressiva a alíquota para compras acima de US$ 50.
- A decisão final deve ser anunciada nos próximos dias, num contexto de pressão crescente sobre o custo de vida e de olho na candidatura de Flavio Bolsonaro nas pesquisas.
Em meio a pesquisas que sinalizam desgaste político, o governo Lula avalia rever o imposto de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50 — a chamada 'taxa das blusinhas' — como gesto de alívio ao orçamento das famílias de menor renda. A medida, criada em 2024 para equalizar a concorrência entre plataformas estrangeiras e o varejo doméstico, tornou-se símbolo de uma tensão mais ampla: a difícil equação entre proteger quem vende e aliviar quem compra. O anúncio deve vir nas próximas semanas, mas o caminho entre a intenção política e a decisão final ainda passa por resistências organizadas e dilemas fiscais.
O governo Lula estuda revogar ou reduzir a 'taxa das blusinhas', o imposto de 20% criado em 2024 sobre compras internacionais de até US$ 50. A discussão ganhou força dentro do Palácio do Planalto nas últimas semanas, impulsionada por um diagnóstico político claro: a taxa figura entre os principais fatores de desgaste do governo em levantamentos internos, num momento em que a candidatura de Flavio Bolsonaro aparece em ascensão nas pesquisas.
A ala política defende a eliminação total da cobrança, argumentando que o benefício seria sentido especialmente pela população de menor renda. A equipe econômica, porém, tem resistido à pressa, pressionada pelo varejo doméstico, que enxerga o imposto como escudo contra a concorrência de plataformas estrangeiras. Após O GLOBO noticiar o retorno do debate, varejistas publicaram manifesto contra a revogação — lembrando que, em 2024, a taxa foi aprovada no Congresso com votos que iam da direita à esquerda.
O ministro José Guimarães classificou o imposto como um dos 'elementos mais fortes de desgaste do governo' e sinalizou apoio à revogação. A Casa Civil e o ministro Sidônio Palmeira também defendem a mudança. Ainda assim, há preocupação com o sinal que uma revogação enviaria sobre a disciplina fiscal do governo — mesmo que a taxa arrecade menos de R$ 2 bilhões por ano.
Entre as opções em estudo estão a eliminação total, um corte parcial ou um escalonamento mais agressivo da alíquota para compras acima de US$ 50. A taxa nasceu para corrigir uma distorção real: encomendas internacionais chegavam ao Brasil sem tributação, disfarçadas de presentes pessoais. A solução foi o programa 'Remessa Conforme', que reduziu o imposto de importação de 60% para 20% em plataformas cadastradas, além do ICMS de 17%. Agora, o governo precisa decidir se o remédio ficou mais caro do que a doença — e o anúncio deve vir nos próximos dias.
O governo Lula está considerando eliminar ou reduzir a chamada "taxa das blusinhas", o imposto de 20% que incide sobre compras internacionais de até US$ 50 desde 2024. A discussão intensificou-se nas últimas semanas dentro do Palácio do Planalto, movida por um objetivo político claro: recuperar popularidade do presidente em um momento em que pesquisas mostram força crescente da candidatura de Flavio Bolsonaro. Segundo levantamentos internos do governo, a taxa figura entre os principais pontos negativos da administração, ao lado de segurança pública e combate à corrupção.
A ala política do governo defende a revogação total da medida, argumentando que a eliminação completa teria impacto efetivo nas compras de menor valor e beneficiaria especialmente a população de renda mais baixa. Mas a equipe econômica tem freado essa discussão diante das pressões vindas do varejo doméstico. O próprio presidente Lula admitiu o desejo de mexer na taxa, afirmando em entrevista que o governo anunciará mudanças nas próximas semanas, embora tenha se recusado a detalhar o que será feito, citando o tempo necessário para implementação.
O principal obstáculo para qualquer redução é a reação do comércio varejista nacional, que passou a defender a tributação como mecanismo essencial para equilibrar a concorrência com plataformas estrangeiras. Esse discurso foi tão eficaz que conseguiu apoio do Congresso quando a taxa foi aprovada em 2024, com votos que atravessavam o espectro político da direita à esquerda. Após O GLOBO noticiar a volta do debate sobre a taxa, varejistas divulgaram manifesto contra sua revogação, sinalizando que qualquer movimento do governo enfrentará resistência organizada.
O ministro de Relações Institucionais, José Guimarães, classificou o imposto como um dos "elementos mais fortes de desgaste do governo" e afirmou que apoiaria a revogação caso o Planalto decidisse por ela. A Casa Civil e o ministro da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira, também apoiam a mudança. Mas há preocupações além da reação varejista: existe inquietação com o sinal que uma revogação enviaria sobre a política fiscal do governo, ainda que o impacto direto na arrecadação seja limitado — a taxa arrecada menos de R$ 2 bilhões anualmente.
O governo estuda diferentes caminhos. Além da eliminação total, há discussão sobre um corte parcial da cobrança ou um escalonamento mais agressivo da alíquota para compras acima de US$ 50, que hoje é de 60% com desconto fixo de US$ 20. A taxa foi criada em 2024 para resolver um problema concreto: compras internacionais abaixo de US$ 50 chegavam ao Brasil sem cobrança de imposto, disfarçadas de encomendas pessoais. A solução foi o programa "Remessa Conforme", que reduz o Imposto de Importação de 60% para 20% em compras de até US$ 50 em sites cadastrados, além de cobrar ICMS de 17%.
O contexto em que essa discussão ganha tração é de pressão sobre o custo de vida. O Planalto trabalha simultaneamente em medidas para reduzir o custo do crédito e o comprometimento de renda das famílias com dívidas. A taxa das blusinhas, portanto, não é apenas um símbolo de desgaste político — é um ponto de fricção entre a promessa de aliviar o orçamento das pessoas mais pobres e a defesa do comércio doméstico contra concorrência internacional. Nos próximos dias, o governo deverá anunciar qual caminho escolheu.
Citações Notáveis
Quando essa matéria foi votada, eu achava que não deveria ser aprovada. Para mim foi um dos elementos mais fortes de desgaste do governo. Se governo decidirem revogar, acho uma boa.— José Guimarães, ministro de Relações Institucionais
Eu só não posso anunciar o que vamos fazer sobre taxa das blusinhas, porque temos um plano de trabalho, e ainda vamos fazer o anúncio, e só vamos fazer isso quando estiver tudo pronto, porque ao anunciar vai demorar 40 dias para entrar em vigor.— Presidente Luiz Inácio Lula da Silva