Nos Açores, o tempo de trabalho tornou-se terreno de experiência: durante seis meses, 380 funcionários públicos viveram a semana de quatro dias, trocando 35 horas por 32, numa tentativa de reconciliar produtividade e bem-estar humano. A adesão foi quase total — apenas três desistências — e o projeto encerrou com a serenidade de quem testou algo novo sem perder o equilíbrio. Agora, a ciência e o diálogo institucional dirão, em setembro, se este ritmo mais lento pode tornar-se permanente.
Governo dos Açores diz que projeto da semana de quatro dias decorreu com tranquilidade
Apenas três desistiram de 380 voluntários ao longo de seis meses
Porque é que o governo decidiu testar especificamente a semana de quatro dias? Havia pressão dos trabalhadores ou foi uma iniciativa própria?
A iniciativa veio do topo — o presidente Bolieiro anunciou-a em outubro. Mas a ideia era responder a uma questão real: será que trabalhando menos horas, os serviços públicos funcionam melhor e os funcionários têm vidas melhores? Era uma aposta em flexibilidade.
Mas repara — nós só temos o que o governo diz. Não há aqui voz de sindicatos, de trabalhadores que participaram, ou de críticos. "Decorreu com tranquilidade" é uma afirmação do governo sobre o seu próprio projeto.
E quanto aos resultados? Já sabemos se funcionou?
Ainda não. O relatório sai em setembro. Mas o que é interessante é que apenas três pessoas desistiram de 380. Isso sugere que, pelo menos, as pessoas não fugiram da experiência.
Verdade, mas desistência baixa não é o mesmo que satisfação alta. Alguém pode ter ficado porque era voluntário e não queria parecer descomprometido. Precisamos do relatório para saber o que realmente mudou.
Qual é a métrica que vão usar para avaliar?
Duas coisas: qualidade do serviço aos cidadãos e equilíbrio profissional-familiar. Vão comparar com o mesmo período de 2025. E têm apoio científico da Universidade de Reading, o que dá credibilidade.
Mas "qualidade do serviço" é vago. Como é que se mede isso? Número de atendimentos? Satisfação dos utentes? Tempo de resposta? O governo não especificou.
Isto é importante a nível europeu?
Sim. É o quarto projeto assim na Europa e o sexto no mundo. Portanto, se funcionar, pode influenciar políticas noutros lugares.
Mas a maioria desses projetos internacionais — quantos deles se tornaram permanentes? Quantos falharam? Não sabemos. Isto é um ponto de dados, não uma tendência confirmada.
Le Pouls
- A redução de três horas semanais pode parecer modesta, mas representa uma mudança estrutural na forma como o Estado açoriano concebe o tempo dos seus trabalhadores.
- Com apenas três desistências em 380 voluntários, o projeto desafiou o ceticismo habitual sobre reformas laborais na função pública.
- A comparação rigorosa com o período homólogo de 2025 — apoiada pela Universidade de Reading — determinará se a eficiência do serviço ao cidadão foi preservada ou melhorada.
- O relatório de setembro será o momento de verdade: governo, Conselho Consultivo e Conselho do Governo decidirão se a experiência-piloto se transforma em política pública.
- Os Açores posicionam-se como o quarto caso europeu e o sexto mundial deste tipo, conferindo dimensão global a uma decisão tomada num arquipélago atlântico.
Nos Açores, o tempo de trabalho tornou-se terreno de experiência: durante seis meses, 380 funcionários públicos viveram a semana de quatro dias, trocando 35 horas por 32, numa tentativa de reconciliar produtividade e bem-estar humano. A adesão foi quase total — apenas três desistências — e o projeto encerrou com a serenidade de quem testou algo novo sem perder o equilíbrio. Agora, a ciência e o diálogo institucional dirão, em setembro, se este ritmo mais lento pode tornar-se permanente.
O Governo dos Açores encerrou em junho um projeto-piloto que testou a semana de trabalho de quatro dias na administração pública regional. Desde 2 de janeiro, 380 funcionários de 13 serviços diferentes passaram a trabalhar 32 horas semanais em vez das habituais 35. O secretário regional das Finanças, Duarte Freitas, descreveu o processo como tendo decorrido com "toda a normalidade e tranquilidade".
O dado mais revelador da experiência é a taxa de retenção: dos 380 voluntários, apenas três desistiram ao longo dos seis meses. A participação foi inteiramente voluntária — tanto dos serviços como dos funcionários — o que pode explicar o elevado comprometimento com a iniciativa.
A avaliação seguirá critérios rigorosos, comparando os dados deste período com o equivalente de 2025 em dois eixos: a qualidade do serviço prestado aos cidadãos e o impacto na conciliação entre vida profissional e familiar. O projeto contou com apoio científico da Universidade de Reading, em Inglaterra, garantindo robustez metodológica à análise.
Um relatório completo será apresentado em setembro e servirá de base para decisões sobre a possível expansão da medida, a discutir no Conselho Consultivo da Administração Pública Regional e no Conselho do Governo. A iniciativa açoriana é o quarto projeto deste tipo na Europa e o sexto no mundo, conferindo relevância internacional a uma experiência nascida num arquipélago atlântico.
O Governo dos Açores encerrou no final de junho um projeto-piloto que testou a semana de trabalho de quatro dias na administração pública regional. A experiência, que começou em 2 de janeiro, envolveu 380 funcionários públicos distribuídos por 13 serviços diferentes e reduziu o horário semanal de 35 para 32 horas. Duarte Freitas, secretário regional das Finanças, Planeamento e Administração Pública, afirmou aos jornalistas que o projeto decorreu com "toda a normalidade e tranquilidade".
O que torna a experiência açoriana particularmente notável é a adesão quase total dos participantes. Dos 380 trabalhadores que se voluntariaram para integrar o projeto, apenas três desistiram ao longo dos seis meses. Freitas sublinhou que a participação foi inteiramente voluntária, tanto por parte dos serviços quanto dos funcionários individuais, o que pode explicar o elevado grau de comprometimento com a iniciativa.
A avaliação do projeto seguirá critérios rigorosos. O governo comparará os dados recolhidos durante estes seis meses com o período equivalente de 2025, analisando dois eixos principais: a qualidade e eficiência do serviço prestado aos cidadãos e o impacto na compatibilidade entre a vida profissional e familiar dos funcionários públicos. Freitas explicou que a métrica será fundamental para determinar se a redução de horas melhorou efetivamente o atendimento aos utentes e se contribuiu para uma melhor qualidade de vida dos trabalhadores.
O projeto contou com apoio científico da Universidade de Reading, em Inglaterra, que forneceu o aporte técnico necessário para garantir a robustez da análise. Um relatório completo com as conclusões será apresentado em setembro, momento em que o governo terá dados suficientes para tomar decisões informadas sobre a possível expansão da medida. Essas decisões serão discutidas tanto no Conselho Consultivo da Administração Pública Regional quanto no Conselho do Governo, garantindo um processo dialogado e sustentado.
A iniciativa açoriana insere-se num contexto internacional mais amplo. Segundo Freitas, trata-se do quarto projeto deste tipo a nível europeu e do sexto a nível mundial, o que confere relevância global à experiência regional. Os serviços que participaram incluem as direções regionais de Ciência, Inovação e Desenvolvimento, Desporto, Desenvolvimento Rural e Pescas, além de várias inspeções administrativas, o Laboratório Regional de Engenharia Civil, a Rede Integrada de Apoio ao Cidadão e gabinetes das secretarias regionais de Saúde, Segurança Social, Assuntos Parlamentares e Comunidades.
O projeto foi anunciado originalmente pelo presidente do Governo Regional, José Manuel Bolieiro, em outubro do ano anterior, com objetivos claros: melhorar a conciliação entre vida profissional, pessoal e familiar, potenciar ganhos de produtividade e bem-estar, e contribuir para a competitividade dos serviços públicos. A conclusão bem-sucedida desta fase piloto, com taxa de retenção de 99%, sugere que a experiência gerou confiança suficiente para que o governo considere seriamente a expansão da medida, dependendo dos resultados que o relatório de setembro venha a revelar.
Citations marquantes
O projeto decorreu com toda a normalidade e tranquilidade— Duarte Freitas, secretário regional das Finanças, Planeamento e Administração Pública
Queremos saber se esta semana de quatro dias melhora o serviço prestado aos cidadãos e a qualidade de vida dos funcionários públicos— Duarte Freitas