Governo cria regra nacional para pesquisa de mineração sem licença ambiental

Falta de padrão cria insegurança jurídica e deixa empresas sujeitas a exigências diferentes
O governo justifica a mudança apontando variações entre estados que prejudicam investidores em mineração.
Mark

Por que o governo está fazendo isso agora? Parece uma mudança significativa nas regras ambientais.

Mimi

O governo vê os minerais críticos como essenciais para a transição energética do país. Terras raras, níquel, nióbio — esses minerais são necessários para baterias, painéis solares, tecnologia verde. Mas a pesquisa inicial está travada em burocracia diferente em cada estado.

Luke

Espera. A resolução dispensa a licença ambiental para a pesquisa, mas não para a extração. Isso é importante. Não é um cheque em branco para mineradoras.

Mimi

Exato. A pesquisa é só investigação — sondagens, perfurações, análise. Quando a empresa quer de fato extrair e vender, precisa de licenciamento completo. Há restrições: não pode derrubar Mata Atlântica, não pode danificar cavernas.

Mark

Mas 18 estados não têm nem classificação de risco para isso. Como é possível?

Mimi

Não há padrão nacional. Alguns estados exigem licença antes de qualquer sondagem, outros não têm critério nenhum. Cria insegurança jurídica — uma empresa não sabe o que esperar conforme muda de estado.

Luke

O MMA diz que participou da elaboração. Mas a Agência Nacional de Mineração não teve acesso à proposta. Como isso é possível?

Mimi

A agência disse que não poderia avaliar sem ver o texto. Mas reconheceu que parâmetros claros para pesquisa de baixo impacto podem ampliar segurança jurídica.

Mark

Isso vai acelerar a descoberta de novos depósitos?

Luke

A agência foi cuidadosa aqui. Disse que não é possível afirmar, sem análise da proposta, que a medida acelerará projetos específicos. Há muitas variáveis.

Mimi

Mas reduzir tempo de tramitação é real. Se uma empresa gasta meses esperando licença ambiental para fazer sondagens, e agora pode começar em semanas, isso muda o cálculo econômico.

Mark

E se descobrir um depósito importante? Aí precisa de licença completa?

Mimi

Sim. Aí entra o licenciamento ambiental de verdade. Esta resolução só libera a fase de investigação.

  • A corrida global por minerais críticos pressiona o Brasil a destravar sua cadeia de pesquisa mineral, hoje paralisada por exigências ambientais que diferem radicalmente de estado para estado.
  • Dezoito dos 27 entes federativos sequer possuem critérios definidos para autorizar pesquisas iniciais no subsolo, criando um labirinto jurídico que afasta investimentos.
  • A nova resolução classifica a pesquisa mineral como atividade de risco nível 1 — a mais baixa da Lei da Liberdade Econômica —, dispensando o licenciamento ambiental prévio para prospecção, sondagem e perfuração.
  • A liberação tem limites explícitos: proíbe desmate de Mata Atlântica, impactos a cavernas e qualquer extração comercial, que continuará exigindo licenciamento completo.
  • A medida chega como complemento regulatório ao marco legal de minerais críticos aprovado pelo Senado em setembro, que prevê R$ 5 bilhões em incentivos fiscais e um novo fundo garantidor para o setor.

Em um momento em que o mundo reorienta sua economia em torno de minerais estratégicos, o governo brasileiro escolhe remover uma barreira administrativa histórica: a exigência de licença ambiental para a fase inicial de pesquisa mineral. A medida, que padroniza em nível nacional o que antes variava caoticamente entre estados, reflete a tensão permanente entre a urgência do desenvolvimento e a cautela ecológica — e tenta, ao menos formalmente, honrar ambas.

O governo Lula está prestes a publicar uma resolução nacional que dispensa o licenciamento ambiental prévio para a fase inicial de pesquisa mineral — aquela em que empresas investigam o subsolo por meio de levantamentos, sondagens e perfurações, sem ainda extrair ou comercializar nada. O alvo são minerais considerados estratégicos para a transição energética e a segurança alimentar do país: terras raras, níquel, nióbio, potássio e fosfato.

O problema que a medida tenta resolver é concreto: hoje, as exigências ambientais para pesquisar uma jazida variam de forma drástica entre os estados. Dezoito deles não possuem sequer uma classificação de risco específica para essa etapa. Em alguns, o licenciamento é obrigatório antes mesmo de qualquer atividade de campo; em outros, não existe critério algum. Essa fragmentação gera insegurança jurídica e expõe as empresas a exigências distintas conforme o estado em que operam.

A resolução, já em fase final de aprovação após análise jurídica, estabelece um padrão único: a pesquisa mineral passa a ser classificada como atividade de risco nível 1, a categoria mais baixa prevista na Lei da Liberdade Econômica. A liberação, porém, não é irrestrita. O texto proíbe desmate de Mata Atlântica em estágio médio ou avançado de regeneração, impactos a patrimônio espeleológico e abertura de acessos permanentes. E é categórico: a dispensa cobre apenas a pesquisa. Para extrair e comercializar o minério, a empresa precisará de licenciamento ambiental completo.

O Ministério de Minas e Energia afirmou que a padronização pode reduzir o tempo de tramitação de processos e ampliar a identificação de novas áreas com potencial mineral. O Ministério do Meio Ambiente confirmou participação na elaboração da proposta e destacou que a dispensa não exime o empreendedor de outras autorizações previstas em lei. O Ibama informou que já adotava enquadramento semelhante desde junho de 2025 para atividades de impacto insignificante. A Agência Nacional de Mineração, que declarou não ter tido acesso à proposta, avaliou em termos gerais que a definição de parâmetros claros pode ampliar a segurança jurídica — mas ressalvou que não é possível garantir, sem análise do texto, que a medida acelerará projetos específicos.

A resolução se encaixa em um movimento mais amplo: em 2 de setembro, o Senado aprovou o marco legal para exploração de minerais críticos e terras raras, com R$ 5 bilhões em incentivos fiscais e a criação de um conselho governamental com poder de veto a parcerias internacionais. A nova regra funciona como um complemento regulatório a esse marco, removendo uma barreira administrativa logo na largada da pesquisa mineral.

O governo Lula está finalizando uma resolução nacional que permitirá empresas de mineração conduzir pesquisas iniciais sem precisar obter licença ambiental prévia. A mudança busca acelerar a busca por minerais críticos e estratégicos — terras raras, níquel, nióbio, potássio e fosfato — que o país considera essenciais para sua transição energética e segurança alimentar.

Atualmente, as exigências ambientais para pesquisar uma jazida variam drasticamente de estado para estado. Entre os 26 estados e o Distrito Federal, 18 não possuem sequer uma classificação de risco específica para autorizar pesquisas na fase inicial, quando as empresas ainda estão investigando o subsolo através de levantamentos, sondagens e perfurações. Em alguns estados, o licenciamento é obrigatório antes mesmo dessas atividades começarem. Em outros, não existe critério claro algum. O Conselho Nacional de Política Mineral, vinculado ao Ministério de Minas e Energia, identificou essa falta de uniformidade como um problema que cria insegurança jurídica e deixa as empresas sujeitas a exigências diferentes conforme o local onde trabalhem.

A minuta da resolução, que já passou por análise jurídica e está em fase final de aprovação, estabelece um padrão nacional para essa dispensa. A pesquisa mineral — que inclui prospecção de campo, sondagem, perfuração e análise de depósitos — será classificada como atividade de risco nível 1, a categoria mais baixa prevista na Lei da Liberdade Econômica. O texto deixa claro que essa liberação não é irrestrita. A pesquisa não pode resultar em desmate de Mata Atlântica em estágio médio ou avançado de regeneração, não pode impactar patrimônio espeleológico como cavernas, e não pode incluir abertura de acessos permanentes na área. Mais importante: a autorização cobre apenas a pesquisa. Não há permissão para lavra, retirada ou beneficiamento do minério. Quando a empresa quiser de fato extrair e comercializar o que encontrou, precisará de licenciamento ambiental completo.

O Ministério de Minas e Energia confirmou à Folha que a padronização tem potencial de reduzir o tempo de tramitação de processos, estimular a pesquisa mineral no país e ampliar a identificação de novas áreas com potencial para atividade. A iniciativa, segundo o ministério, visa favorecer sobretudo a pesquisa de minerais críticos e estratégicos relevantes para a transição energética, segurança alimentar e desenvolvimento econômico. O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima afirmou que participou da elaboração da proposta e que o objetivo é ter uniformidade regulatória quando não há comercialização do produto extraído na fase de pesquisa. A pasta também ressaltou que a eventual dispensa de licenciamento ambiental não exime o empreendedor da necessidade de obter outras autorizações, licenças ou anuências previstas em lei.

O cenário atual, segundo o MMA, cria subjetividade administrativa, exigência de requisitos distintos, decisões assimétricas e insegurança jurídica. O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis informou que já vinha adotando desde junho de 2025 o mesmo enquadramento para liberação sem licenciamento ambiental para atividades de impacto insignificante. A Agência Nacional de Mineração declarou que não teve acesso à proposta e, portanto, não poderia avaliar seus dispositivos. Em caráter geral, a agência considerou que a definição de parâmetros claros para atividades de pesquisa mineral de baixo impacto pode ampliar a segurança jurídica e reduzir diferenças de tratamento entre entes federativos, desde que sejam preservadas as competências dos órgãos ambientais e observadas todas as salvaguardas previstas na legislação. Porém, a agência ressalvou que não é possível afirmar, sem análise da proposta, que a medida acelerará projetos específicos de terras raras, níquel, nióbio, potássio ou fosfato.

Esta resolução se insere em um contexto maior de esforço governamental para fortalecer o setor mineral brasileiro. Em 2 de setembro, o Senado aprovou o marco legal para exploração de minerais críticos e terras raras, que prevê R$ 5 bilhões em incentivos fiscais, um novo fundo garantidor e a criação de um conselho do governo para regular o setor, com poder de veto a parcerias internacionais. A resolução que está prestes a ser finalizada funciona como um complemento regulatório a esse marco, removendo uma barreira administrativa na fase inicial da pesquisa mineral.

A uniformização da classificação da pesquisa mineral como atividade de baixo risco tem potencial de reduzir o tempo de tramitação de processos, estimular a pesquisa mineral no país e ampliar a identificação de novas áreas com potencial para a atividade
— Ministério de Minas e Energia
A eventual dispensa de licenciamento ambiental não exime o empreendedor da necessidade de obter outras autorizações, licenças ou anuências previstas na legislação
— Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima
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