Governo adia novamente regra sobre trabalho no comércio em feriados

Trabalhadores do comércio podem ter direitos de negociação sobre condições de trabalho em feriados afetados pelo adiamento da norma.
Adiar é uma forma de ganhar tempo sem desagradar ninguém permanentemente
O governo federal recua novamente na implementação de regra que exige negociação sindical para trabalho em feriados no comércio.
Mark

Por que o governo adia tanto uma regra que já foi decidida?

Mimi

Porque há pressão real dos dois lados. Os sindicatos querem que funcione, o comércio quer que não funcione. Adiar é uma forma de ganhar tempo sem desagradar ninguém permanentemente.

Mark

Mas qual é o impacto real para um trabalhador que vende em uma loja?

Mimi

Sem a convenção coletiva, o patrão abre quando quer no feriado e o funcionário tem que ir — sem poder negociar se quer trabalhar, quanto ganha, ou se tem folga compensatória. Com a regra, pelo menos há uma conversa prévia.

Mark

E para o dono da loja?

Mimi

Ele perde flexibilidade. Feriados são dias de movimento. Ter que negociar com sindicato antes de abrir é burocracia e pode significar custos maiores — hora extra, folga dobrada, essas coisas.

Mark

Por que só as feiras livres ficam de fora?

Mimi

Provavelmente porque são estruturas diferentes — muitos vendedores independentes, não empregados formais. Seria mais difícil aplicar uma convenção coletiva ali.

Mark

Isso vai mudar em janeiro?

Mimi

Talvez. Mas se o governo já adiou várias vezes, é possível que adie de novo. Depende de quem conseguir pressionar mais até lá.

  • Uma regra que deveria entrar em vigor em 1º de agosto foi empurrada para janeiro de 2025, deixando trabalhadores do comércio sem a proteção de negociação sindical em feriados por mais cinco meses.
  • Sindicatos, que já viram esse direito ser suprimido em 2021, pressionam pela implementação imediata e alertam que cada adiamento é um recuo concreto na proteção dos trabalhadores.
  • Entidades comerciais comemoram a prorrogação, argumentando que a exigência de convenção coletiva para abrir em feriados representa uma barreira econômica em datas de alto faturamento.
  • Este não é o primeiro adiamento desde que a Portaria nº 3.665 foi editada em novembro de 2023, expondo a incapacidade do governo de arbitrar o conflito entre capital e trabalho.
  • A nova data cria uma janela de negociação nos bastidores — ou simplesmente adia o embate para um cenário político diferente, em pleno início de ano eleitoral municipal.

No intervalo entre o direito conquistado e a conveniência econômica, o governo federal voltou a recuar: a exigência de negociação sindical para o trabalho em feriados no comércio foi adiada para janeiro de 2025, evitando um confronto que deveria ter chegado em agosto. A decisão, publicada no Diário Oficial em 29 de julho, revela menos uma solução do que uma pausa — o Estado suspendendo o conflito sem resolvê-lo. Entre sindicatos que enxergam na norma a restauração de um direito essencial e um setor comercial que a lê como obstáculo econômico, o que se adia não é apenas uma data, mas uma escolha sobre quem, afinal, detém o poder de decidir as condições do trabalho.

O governo federal adiou mais uma vez a entrada em vigor da regra que obriga o comércio a firmar Convenção Coletiva de Trabalho antes de escalar funcionários para feriados. A portaria publicada no Diário Oficial em 29 de julho empurrou para 1º de janeiro de 2025 o que deveria ter começado em 1º de agosto — uma diferença de cinco dias que virou cinco meses.

A origem da disputa remonta a novembro de 2023, quando o ministro Luiz Marinho assinou a Portaria nº 3.665, exigindo acordo sindical prévio para qualquer abertura do comércio em feriados. A medida era uma resposta direta a uma decisão de 2021, quando o governo anterior havia liberado esse funcionamento sem consulta aos sindicatos — algo que as entidades de trabalhadores denunciaram como um esvaziamento de seus direitos de negociação.

O setor comercial, porém, recebeu a nova norma como um retrocesso. Para as entidades representativas do comércio, exigir convenção coletiva para operar em datas de alto movimento é criar uma barreira econômica desnecessária. Já os sindicatos veem na regra a restauração de um direito fundamental: o de negociar as condições — e a remuneração — de quem trabalha enquanto outros descansam.

Este adiamento não é inédito. Desde que a portaria foi editada, o governo já havia postergado sua vigência outras vezes, revelando a pressão cruzada que enfrenta. Ao empurrar a decisão para janeiro de 2025, o governo ganha tempo — mas deixa claro que, por ora, prefere adiar o conflito a resolvê-lo.

O governo federal recuou mais uma vez na implementação de uma regra que obrigaria o comércio a negociar com sindicatos antes de escalar funcionários para trabalhar em feriados. A decisão, publicada no Diário Oficial da União na segunda-feira 29 de julho, adia para 1º de janeiro de 2025 o que deveria ter começado apenas cinco dias depois, em 1º de agosto.

Tudo começou em novembro de 2023, quando o Ministério do Trabalho e Emprego editou a Portaria nº 3.665, assinada pelo ministro Luiz Marinho. O documento estabelecia que qualquer comerciante que quisesse abrir as portas em feriado precisaria ter um acordo prévio com o sindicato da categoria — uma Convenção Coletiva de Trabalho — que autorizasse o funcionamento e estabelecesse as condições para quem trabalharia nesses dias. A única exceção ficou para as feiras livres, que poderiam funcionar normalmente sem essa aprovação.

A medida representava uma reversão de política. Em 2021, o governo anterior havia permitido que o comércio abrisse em feriados sem precisar consultar os sindicatos. Aquela decisão gerou reclamações imediatas das entidades de trabalhadores, que argumentavam estar sendo desrespeitada uma legislação fundamental: o direito de negociar as condições de trabalho. Os sindicatos viam a abertura irrestrita como um esvaziamento de sua função e uma ameaça aos direitos conquistados.

Quando Marinho assumiu o ministério, a reversão dessa política tornou-se prioridade. A Portaria de 2023 buscava restaurar o poder de negociação dos trabalhadores, exigindo que qualquer funcionamento em feriado passasse pelo crivo de uma convenção coletiva. Mas o comércio não viu a mudança com bons olhos. Para as entidades representativas do setor, a norma era um retrocesso econômico — uma barreira que dificultaria a operação em datas que historicamente geram vendas significativas.

O adiamento agora publicado não é o primeiro. Desde que a portaria foi editada, o governo já havia prorrogado sua entrada em vigor outras vezes, sinalizando as pressões conflitantes que enfrenta. De um lado, os sindicatos pressionam pela implementação; do outro, o comércio busca manter a flexibilidade. A nova data — janeiro de 2025 — dá mais cinco meses de respiro para o setor se preparar ou para que novas negociações aconteçam nos bastidores.

O que está em jogo é simples em aparência, mas profundo em consequência: quem decide se uma loja abre no feriado, e sob que condições quem trabalha nesse dia será remunerado e tratado. Para os sindicatos, é uma questão de direito fundamental. Para o comércio, é uma questão de viabilidade econômica. O governo, ao adiar repetidamente, deixa claro que não consegue resolver essa tensão — apenas a adia.

A medida teve como objetivo derrubar uma portaria de 2021 que permitia o trabalho aos feriados sem necessidade de aprovação dos sindicatos
— Contexto da política do Ministério do Trabalho
Entidades sindicais reclamavam estar sendo desrespeitada a legislação que garantia o direito dos trabalhadores do comércio de negociar as condições de trabalho em feriados
— Posição dos sindicatos
Contact Us FAQ