Em julho de 2026, o governador de Santa Catarina Jorginho Mello recorreu à inteligência artificial para convocar os jovens brasileiros a um futuro profissional — emprestando, sem permissão explícita, a imagem sintética de Erling Haaland, o norueguês que havia acabado de eliminar o Brasil da Copa do Mundo. O gesto revela como o poder público começa a habitar o mesmo território das marcas comerciais, onde a viralidade vale mais do que a autenticidade. Nesse cruzamento entre educação, tecnologia e espetáculo, emerge uma pergunta que o Brasil ainda não sabe responder: quem regula o rosto digital d
Governador de SC usa Haaland gerado por IA para promover cursos técnicos
A imagem de Haaland não estava realmente ali
Por que um governador escolheria usar uma versão artificial de Haaland em vez de simplesmente fazer um anúncio direto sobre os cursos técnicos?
Porque Haaland era viral. Ele havia acabado de eliminar o Brasil na Copa do Mundo. Qualquer jovem no país reconheceria aquele rosto. Um anúncio comum desapareceria nas redes sociais em segundos.
Mas isso não é enganoso? As pessoas não pensariam que era o Haaland de verdade?
Provavelmente muitas pensariam, sim. O vídeo não deixava claro que era gerado por IA. Isso é o problema. A tecnologia é boa o suficiente agora para que a maioria das pessoas não perceba a diferença.
O governo tinha permissão para usar a imagem dele?
Não havia permissão. Haaland nunca concordou com isso. Mas também não havia lei clara proibindo. É um vazio legal.
E quanto aos 50 mil cursos? Isso é real?
Sim, as vagas existem. O governo de Santa Catarina realmente oferecia esses cursos técnicos gratuitos. A mensagem em si era verdadeira. Apenas o mensageiro era falso.
Então o problema não é a mentira sobre os cursos, mas sobre quem está falando?
Exatamente. É sobre autenticidade. Quando você vê um rosto na tela, assume que é uma pessoa real fazendo um anúncio. Aqui, não era. E ninguém foi avisado disso.
The Pulse
- O governador publicou um vídeo com uma versão de Haaland gerada por IA para promover 50 mil vagas em cursos técnicos gratuitos — aproveitando a febre do atacante após ele eliminar o Brasil na Copa do Mundo 2026.
- A imagem sintética do jogador aparecia com mochila e caderno, enquanto Mello falava diretamente aos estudantes do ensino médio sem deixar claro, de imediato, que se tratava de uma criação artificial.
- A estratégia expõe um vazio regulatório preocupante: autoridades públicas podem recriar digitalmente figuras conhecidas sem consentimento explícito, e a legislação brasileira ainda não deu resposta a esse cenário.
- O episódio já alimenta o debate sobre os limites éticos do uso de deepfakes na comunicação governamental — onde a fronteira entre campanha legítima e manipulação de imagem permanece perigosamente difusa.
Em julho de 2026, o governador de Santa Catarina Jorginho Mello recorreu à inteligência artificial para convocar os jovens brasileiros a um futuro profissional — emprestando, sem permissão explícita, a imagem sintética de Erling Haaland, o norueguês que havia acabado de eliminar o Brasil da Copa do Mundo. O gesto revela como o poder público começa a habitar o mesmo território das marcas comerciais, onde a viralidade vale mais do que a autenticidade. Nesse cruzamento entre educação, tecnologia e espetáculo, emerge uma pergunta que o Brasil ainda não sabe responder: quem regula o rosto digital de uma pessoa pública nas mãos do Estado?
No domingo de julho, o governador Jorginho Mello publicou um vídeo com uma presença inesperada: Erling Haaland, o atacante norueguês que havia eliminado o Brasil nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026. Havia, porém, um detalhe decisivo — Haaland não estava realmente ali. Sua imagem havia sido criada por inteligência artificial.
Na peça, a versão sintética do jogador aparecia com mochila e caderno enquanto Mello falava sobre as mais de 50 mil vagas em cursos técnicos gratuitos abertas pelo governo de Santa Catarina naquele ano. A mensagem era direcionada a estudantes do ensino médio ainda sem rumo profissional definido: procurem a direção da escola, qualifiquem-se, conquistem melhores salários.
A escolha de Haaland não era aleatória. Após eliminar a seleção brasileira com dois gols decisivos, o norueguês tornou-se figura viral no país — um nome que circulava intensamente nas redes e na mídia. Usar sua imagem gerada por IA permitia ao governo estadual capturar essa relevância sem negociar com o jogador ou sua assessoria.
O episódio, no entanto, vai além de uma campanha criativa. Ele ilumina uma tendência crescente de autoridades públicas recorrendo à síntese de imagem para amplificar mensagens, e ao mesmo tempo expõe um vazio regulatório ainda pouco explorado no Brasil: o que acontece quando o Estado recria digitalmente o rosto de uma figura pública sem seu consentimento explícito? A resposta legislativa, por ora, ainda não chegou.
No domingo de julho, o governador de Santa Catarina Jorginho Mello publicou um vídeo que trazia uma figura familiar aos brasileiros: o atacante norueguês Erling Haaland, aquele que havia eliminado a seleção do Brasil nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026 com dois gols decisivos. Havia um detalhe importante, porém. Haaland não estava realmente ali. A imagem havia sido criada por inteligência artificial.
No vídeo, a versão sintética do jogador aparecia com uma mochila nas costas e um caderno na mão, enquanto Mello falava diretamente para a câmera sobre as oportunidades educacionais que seu governo estava oferecendo. O governador explicava que Santa Catarina havia disponibilizado mais de 50 mil vagas em cursos técnicos gratuitos durante aquele ano, direcionando a mensagem especificamente para estudantes do ensino médio que ainda não tinham clareza sobre seus caminhos profissionais.
A estratégia de comunicação aproveitava a viralidade que Haaland havia conquistado no Brasil. Após eliminar a seleção brasileira na Copa do Mundo, o nome do atacante norueguês circulava amplamente nas redes sociais e na mídia, transformando-o em uma figura reconhecível e potencialmente atrativa para fins de marketing. Usar sua imagem gerada por IA permitia que o governo estadual aproveitasse essa relevância sem precisar negociar com o jogador ou sua assessoria.
No vídeo, Mello dirigia-se aos jovens com tom de incentivo, pedindo que procurassem a direção de suas escolas para se informarem sobre as vagas disponíveis. A mensagem final era clara: qualificação profissional levaria a melhores salários e a um futuro mais promissor. O uso da inteligência artificial para gerar a imagem de Haaland transformava uma campanha de educação técnica em algo visualmente diferente do que seria uma simples mensagem governamental tradicional.
O episódio ilustrava uma tendência crescente de autoridades públicas utilizarem tecnologia de síntese de imagem e vídeo para amplificar suas mensagens. Ao mesmo tempo, levantava questões sobre autenticidade e transparência na comunicação governamental. O fato de que a imagem de uma figura pública havia sido recriada digitalmente sem seu consentimento explícito apontava para um vazio regulatório em torno do uso de deepfakes por entidades oficiais, um território ainda pouco explorado legislativamente no Brasil.
Notable Quotes
Você ainda tá meio perdido sobre o seu futuro? Cursos técnicos gratuitos são oferecidos pelo governo de Santa Catarina para estudantes do ensino médio— Governador Jorginho Mello, no vídeo