Gordon Murray S1: o carro que parece um F1 sem ser McLaren

O mais próximo que alguém poderia chegar de desenhar novamente o F1
Gordon Murray criou um carro que homenageia o clássico dos anos 90 sem ser uma cópia.
Mark

Porque é que Murray não fez simplesmente outro T.50? Já tinha a fórmula.

Mimi

O T.50 era uma melhoria. O S1 é uma homenagem. São coisas diferentes. Uma coisa é dizer "vou fazer isto melhor", outra é dizer "vou desenhar isto novamente como se fosse hoje".

Mark

Mas visualmente é quase idêntico ao F1. Não é um pouco... seguro?

Mimi

Seguro é uma palavra interessante. Recriar o F1 sem parecer um pastiche é extraordinariamente difícil. As proporções têm de estar certas, as linhas têm de contar a mesma história. Murray conseguiu fazer isso mantendo-o completamente seu.

Mark

Os 64 exemplares — é realmente uma coincidência com o número de F1 originais?

Mimi

Não. Nada em Gordon Murray é coincidência. Ele pensa em tudo. Os 64 exemplares são uma declaração: isto é tão raro e tão pensado quanto aquilo foi.

Mark

E o motor? 690 cavalos num V12 atmosférico em 2026 parece anacrônico.

Mimi

É. Mas é também o ponto. Num mundo de turbo e híbridos, um V12 que respira ar é um acto de resistência. Murray está a dizer que algumas coisas não precisam de ser melhoradas, apenas preservadas.

Mark

Então isto é um carro para circuito?

Mimi

Não. É exatamente o oposto. É um carro para viajar, para desfrutar da estrada. Mas quando a estrada fica interessante, ele está lá. É um F1 que cresceu e aprendeu a viver.

  • O S1 chega com uma semelhança ao McLaren F1 tão pronunciada que desafia qualquer tentativa de o distinguir de um restomod do clássico dos anos 90.
  • Com 690 cv de um V12 Cosworth a 12 100 rpm e caixa manual de seis velocidades, o carro recusa a corrida ao eletrificação que domina o setor.
  • Murray redesenhou toda a aerodinâmica para a estrada: a grande asa traseira desapareceu, as saias suavizaram-se, e o conforto passou a ser uma prioridade tão séria quanto o desempenho.
  • A suspensão foi revista, a altura ao solo cresceu, os vidros descem normalmente — pormenores que revelam um carro pensado para percorrer 500 quilómetros sem esforço antes de ser especial.
  • Apenas 64 unidades serão construídas, espelhando o número exato de F1 de estrada originais, num detalhe que transforma a coincidência em declaração de intenções.

Há criadores que não repetem o passado — reinterpretam-no com a sabedoria do tempo vivido. Gordon Murray apresentou em Monterey o S1, um superdesportivo de três lugares com V12 atmosférico e caixa manual que, sem ser um McLaren F1, carrega a sua alma com uma fidelidade quase desconcertante. Limitado a 64 exemplares — o mesmo número do F1 de estrada original — o S1 levanta uma questão silenciosa sobre a diferença entre homenagem e obsessão.

Gordon Murray apresentou o S1 no The Quail, durante o Monterey Car Week, e a pergunta que o carro coloca é simples e perturbadora: e se o McLaren F1 pudesse ser redesenhado hoje, por quem o desenhou originalmente, mas sem ser um McLaren?

Ao contrário do T.50 — que reverenciava o F1 na filosofia mas não na forma —, o S1 é uma aproximação visual quase literal ao clássico dos anos 90. As proporções, as portas diédricas, a traseira abrupta, os faróis: tudo remete diretamente para o original. As jantes e os faróis auxiliares dianteiros citam o protótipo apresentado em Mónaco em 1992. É o mais próximo que alguém poderia chegar de redesenhar o F1 sem o estar realmente a fazer.

A base é a plataforma do S1 LM de competição, mas todos os painéis exteriores foram recriados de raiz para a estrada. A grande asa traseira desapareceu, o splitter agressivo também, e a aerodinâmica ativa foi integrada na carroçaria com o objetivo de tornar o carro viável no dia a dia. O motor é um V12 Cosworth de 4,2 litros com 690 cv a 12 100 rpm, ligado a uma caixa manual de seis velocidades com uma relação longa para viagens. Oitenta por cento do binário está disponível desde as 2500 rotações — o carro não exige ser levado ao limite para funcionar.

A suspensão foi revista, a altura ao solo cresceu 10 milímetros, há mais isolamento acústico e bancos mais confortáveis. Murray imaginou o S1 como um carro capaz de percorrer os mais de 500 quilómetros entre Los Angeles e Monterey com naturalidade, e ainda assim revelar-se extraordinário quando a estrada se torna interessante.

Serão produzidos 64 exemplares — o mesmo número de McLaren F1 de estrada originais. O preço não foi divulgado. Num projeto onde cada detalhe parece deliberado, é difícil acreditar que esse número seja apenas coincidência.

Gordon Murray voltou a fazer aquilo que faz melhor: desenhar um carro que parece vindo de outro tempo, mas construído com a tecnologia de hoje. O S1, apresentado no The Quail durante o Monterey Car Week, é a sua resposta a uma pergunta que talvez ninguém tenha feito: e se o McLaren F1 original pudesse ser redesenhado agora, sem ser um McLaren?

Quando Murray apresentou o T.50 em 2020, a reverência ao F1 estava em toda a parte — três lugares, motor V12 atmosférico, caixa manual, obsessão com o peso. Mas o T.50 nunca tentou parecer um F1. Era uma evolução, uma melhoria da fórmula com três décadas de conhecimento adicional, incluindo uma ventoinha traseira de 400 mm que se tornou a sua assinatura. O S1 segue um caminho radicalmente diferente. Se alguém dissesse que era um restomod do F1 original, seria fácil acreditar. As proporções da carroçaria, as portas diédricas, a traseira abrupta, o desenho dos faróis — tudo aponta diretamente para o clássico dos anos 90. As jantes e os faróis auxiliares dianteiros vão buscar inspiração ao protótipo que Murray apresentou em Mónaco em 1992. É talvez o mais próximo que alguém poderia chegar de desenhar novamente o F1 sem estar realmente a desenhar novamente o F1.

Por baixo desta carroçaria está a plataforma do S1 LM, o modelo de competição revelado em 2025, mas todos os painéis exteriores foram redesenhados do zero. A grande asa traseira fixa desapareceu. O splitter dianteiro agressivo também. As saias laterais foram suavizadas. No seu lugar, aerodinâmica ativa integrada na carroçaria, pensada não para maximizar força descendente, mas para tornar o carro viável na estrada.

O motor é um V12 atmosférico Cosworth de 4,2 litros, derivado da mesma linhagem do S1 LM, capaz de debitar 690 cavalos às 12 100 rotações por minuto e cerca de 500 newton-metros às 7000. Está associado exclusivamente a uma caixa manual de seis velocidades, com uma sexta relação mais longa para viagens de longa distância. Apesar do regime máximo estratosférico, 80% do binário está disponível logo a partir das 2500 rotações, o que significa que o carro não é um animal selvagem que só funciona no limite. A suspensão foi revista, a altura ao solo cresceu 10 milímetros, há mais isolamento acústico, bancos mais confortáveis e até vidros que descem normalmente — detalhes que parecem triviais até se perceber que estão ali porque Murray imaginou este carro como algo capaz de viajar confortavelmente os mais de 500 quilómetros entre Los Angeles e Monterey e continuar a ser especial quando a estrada começa a ficar interessante.

Serão produzidos apenas 64 exemplares do S1. O preço não foi revelado. Curiosamente, 64 foi também o número de McLaren F1 de estrada produzidos na configuração original nos anos 90. Coincidência? Talvez. Mas olhando para o S1, coincidências parecem ser precisamente aquilo que Gordon Murray menos deixou ao acaso.

Murray imaginou este carro como algo capaz de viajar confortavelmente os mais de 500 quilómetros entre Los Angeles e Monterey e continuar a ser especial quando a estrada começa a ficar interessante
— Gordon Murray, sobre a filosofia do S1
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