Há criadores que não repetem o passado — reinterpretam-no com a sabedoria do tempo vivido. Gordon Murray apresentou em Monterey o S1, um superdesportivo de três lugares com V12 atmosférico e caixa manual que, sem ser um McLaren F1, carrega a sua alma com uma fidelidade quase desconcertante. Limitado a 64 exemplares — o mesmo número do F1 de estrada original — o S1 levanta uma questão silenciosa sobre a diferença entre homenagem e obsessão.
Gordon Murray S1: o carro que parece um F1 sem ser McLaren
O mais próximo que alguém poderia chegar de desenhar novamente o F1
Porque é que Murray não fez simplesmente outro T.50? Já tinha a fórmula.
O T.50 era uma melhoria. O S1 é uma homenagem. São coisas diferentes. Uma coisa é dizer "vou fazer isto melhor", outra é dizer "vou desenhar isto novamente como se fosse hoje".
Mas visualmente é quase idêntico ao F1. Não é um pouco... seguro?
Seguro é uma palavra interessante. Recriar o F1 sem parecer um pastiche é extraordinariamente difícil. As proporções têm de estar certas, as linhas têm de contar a mesma história. Murray conseguiu fazer isso mantendo-o completamente seu.
Os 64 exemplares — é realmente uma coincidência com o número de F1 originais?
Não. Nada em Gordon Murray é coincidência. Ele pensa em tudo. Os 64 exemplares são uma declaração: isto é tão raro e tão pensado quanto aquilo foi.
E o motor? 690 cavalos num V12 atmosférico em 2026 parece anacrônico.
É. Mas é também o ponto. Num mundo de turbo e híbridos, um V12 que respira ar é um acto de resistência. Murray está a dizer que algumas coisas não precisam de ser melhoradas, apenas preservadas.
Então isto é um carro para circuito?
Não. É exatamente o oposto. É um carro para viajar, para desfrutar da estrada. Mas quando a estrada fica interessante, ele está lá. É um F1 que cresceu e aprendeu a viver.
El Pulso
- O S1 chega com uma semelhança ao McLaren F1 tão pronunciada que desafia qualquer tentativa de o distinguir de um restomod do clássico dos anos 90.
- Com 690 cv de um V12 Cosworth a 12 100 rpm e caixa manual de seis velocidades, o carro recusa a corrida ao eletrificação que domina o setor.
- Murray redesenhou toda a aerodinâmica para a estrada: a grande asa traseira desapareceu, as saias suavizaram-se, e o conforto passou a ser uma prioridade tão séria quanto o desempenho.
- A suspensão foi revista, a altura ao solo cresceu, os vidros descem normalmente — pormenores que revelam um carro pensado para percorrer 500 quilómetros sem esforço antes de ser especial.
- Apenas 64 unidades serão construídas, espelhando o número exato de F1 de estrada originais, num detalhe que transforma a coincidência em declaração de intenções.
Há criadores que não repetem o passado — reinterpretam-no com a sabedoria do tempo vivido. Gordon Murray apresentou em Monterey o S1, um superdesportivo de três lugares com V12 atmosférico e caixa manual que, sem ser um McLaren F1, carrega a sua alma com uma fidelidade quase desconcertante. Limitado a 64 exemplares — o mesmo número do F1 de estrada original — o S1 levanta uma questão silenciosa sobre a diferença entre homenagem e obsessão.
Gordon Murray apresentou o S1 no The Quail, durante o Monterey Car Week, e a pergunta que o carro coloca é simples e perturbadora: e se o McLaren F1 pudesse ser redesenhado hoje, por quem o desenhou originalmente, mas sem ser um McLaren?
Ao contrário do T.50 — que reverenciava o F1 na filosofia mas não na forma —, o S1 é uma aproximação visual quase literal ao clássico dos anos 90. As proporções, as portas diédricas, a traseira abrupta, os faróis: tudo remete diretamente para o original. As jantes e os faróis auxiliares dianteiros citam o protótipo apresentado em Mónaco em 1992. É o mais próximo que alguém poderia chegar de redesenhar o F1 sem o estar realmente a fazer.
A base é a plataforma do S1 LM de competição, mas todos os painéis exteriores foram recriados de raiz para a estrada. A grande asa traseira desapareceu, o splitter agressivo também, e a aerodinâmica ativa foi integrada na carroçaria com o objetivo de tornar o carro viável no dia a dia. O motor é um V12 Cosworth de 4,2 litros com 690 cv a 12 100 rpm, ligado a uma caixa manual de seis velocidades com uma relação longa para viagens. Oitenta por cento do binário está disponível desde as 2500 rotações — o carro não exige ser levado ao limite para funcionar.
A suspensão foi revista, a altura ao solo cresceu 10 milímetros, há mais isolamento acústico e bancos mais confortáveis. Murray imaginou o S1 como um carro capaz de percorrer os mais de 500 quilómetros entre Los Angeles e Monterey com naturalidade, e ainda assim revelar-se extraordinário quando a estrada se torna interessante.
Serão produzidos 64 exemplares — o mesmo número de McLaren F1 de estrada originais. O preço não foi divulgado. Num projeto onde cada detalhe parece deliberado, é difícil acreditar que esse número seja apenas coincidência.
Gordon Murray voltou a fazer aquilo que faz melhor: desenhar um carro que parece vindo de outro tempo, mas construído com a tecnologia de hoje. O S1, apresentado no The Quail durante o Monterey Car Week, é a sua resposta a uma pergunta que talvez ninguém tenha feito: e se o McLaren F1 original pudesse ser redesenhado agora, sem ser um McLaren?
Quando Murray apresentou o T.50 em 2020, a reverência ao F1 estava em toda a parte — três lugares, motor V12 atmosférico, caixa manual, obsessão com o peso. Mas o T.50 nunca tentou parecer um F1. Era uma evolução, uma melhoria da fórmula com três décadas de conhecimento adicional, incluindo uma ventoinha traseira de 400 mm que se tornou a sua assinatura. O S1 segue um caminho radicalmente diferente. Se alguém dissesse que era um restomod do F1 original, seria fácil acreditar. As proporções da carroçaria, as portas diédricas, a traseira abrupta, o desenho dos faróis — tudo aponta diretamente para o clássico dos anos 90. As jantes e os faróis auxiliares dianteiros vão buscar inspiração ao protótipo que Murray apresentou em Mónaco em 1992. É talvez o mais próximo que alguém poderia chegar de desenhar novamente o F1 sem estar realmente a desenhar novamente o F1.
Por baixo desta carroçaria está a plataforma do S1 LM, o modelo de competição revelado em 2025, mas todos os painéis exteriores foram redesenhados do zero. A grande asa traseira fixa desapareceu. O splitter dianteiro agressivo também. As saias laterais foram suavizadas. No seu lugar, aerodinâmica ativa integrada na carroçaria, pensada não para maximizar força descendente, mas para tornar o carro viável na estrada.
O motor é um V12 atmosférico Cosworth de 4,2 litros, derivado da mesma linhagem do S1 LM, capaz de debitar 690 cavalos às 12 100 rotações por minuto e cerca de 500 newton-metros às 7000. Está associado exclusivamente a uma caixa manual de seis velocidades, com uma sexta relação mais longa para viagens de longa distância. Apesar do regime máximo estratosférico, 80% do binário está disponível logo a partir das 2500 rotações, o que significa que o carro não é um animal selvagem que só funciona no limite. A suspensão foi revista, a altura ao solo cresceu 10 milímetros, há mais isolamento acústico, bancos mais confortáveis e até vidros que descem normalmente — detalhes que parecem triviais até se perceber que estão ali porque Murray imaginou este carro como algo capaz de viajar confortavelmente os mais de 500 quilómetros entre Los Angeles e Monterey e continuar a ser especial quando a estrada começa a ficar interessante.
Serão produzidos apenas 64 exemplares do S1. O preço não foi revelado. Curiosamente, 64 foi também o número de McLaren F1 de estrada produzidos na configuração original nos anos 90. Coincidência? Talvez. Mas olhando para o S1, coincidências parecem ser precisamente aquilo que Gordon Murray menos deixou ao acaso.
Citas Notables
Murray imaginou este carro como algo capaz de viajar confortavelmente os mais de 500 quilómetros entre Los Angeles e Monterey e continuar a ser especial quando a estrada começa a ficar interessante— Gordon Murray, sobre a filosofia do S1