Google torna gratuita participação de motores de pesquisa em Android a partir de setembro

Os motores de pesquisa deixam de pagar para estar no Android
A Google elimina o sistema de leilão que obrigava os concorrentes a investir para integrar o ecossistema do seu sistema operativo.
Mark

Porque é que a Google demorou tanto tempo a fazer isto? Parece óbvio que os utilizadores queriam mais escolhas.

Mimi

A Google não tinha incentivo para mudar enquanto conseguisse manter o controlo. O leilão garantia que o seu motor de pesquisa permanecia dominante, porque os concorrentes tinham custos elevados. Só quando a Comissão Europeia começou a aplicar multas é que a mudança se tornou inevitável.

Mark

Mas se agora é gratuito, não vai haver uma avalanche de motores de pesquisa mediocres a aparecer?

Mimi

Talvez, mas a Google mantém critérios. O motor tem de ter uma aplicação real, resultados abrangentes, suporte de línguas. Não é completamente aberto — há ainda guardrails.

Mark

E os utilizadores vão realmente usar algo que não seja o Google?

Mimi

Essa é a questão verdadeira. Ter a opção e usá-la são coisas diferentes. Mas em Portugal, por exemplo, agora podem escolher entre GMX, info.com, Yandex e Google. Antes, a escolha era muito mais limitada.

Mark

Isto muda alguma coisa para quem usa Android fora da Europa?

Mimi

Não. A mudança aplica-se apenas ao Espaço Económico Europeu e Reino Unido. É uma vitória regulatória europeia, não uma mudança global.

Mark

Então a Comissão Europeia conseguiu forçar a Google a fazer isto?

Mimi

Sim. Quatro mil milhões de euros em multas são um argumento convincente. A Google preferiu mudar as regras a continuar a pagar coimas.

  • A Google elimina o sistema de leilões pagos que durante anos determinou quais os motores de pesquisa visíveis nos smartphones Android europeus.
  • A pressão regulatória foi intensa: uma multa de 4,34 mil milhões de euros em 2018 e novas coimas em 2019 forçaram a empresa a repensar o seu modelo de controlo do ecossistema.
  • A partir de setembro, utilizadores no EEE e no Reino Unido poderão escolher entre até 12 motores de pesquisa, com os cinco mais populares por país a aparecerem em destaque.
  • A participação gratuita não é irrestrita — os candidatos devem oferecer resultados abrangentes, ter aplicação na Google Play Store e suportar as línguas dos mercados onde operam.
  • O que começou como uma resposta defensiva a sanções regulatórias pode transformar-se numa abertura real do mercado, com novos concorrentes a ganhar acesso a milhões de utilizadores europeus.

Durante décadas, o acesso ao utilizador foi uma mercadoria com preço — quem quisesse estar presente no ecrã de um smartphone Android tinha de pagar para competir. A Google anuncia agora que, a partir de setembro de 2021, essa barreira financeira desaparece no Espaço Económico Europeu e no Reino Unido, abrindo o ecossistema de pesquisa a qualquer motor que cumpra critérios de qualidade. A mudança, nascida sob a pressão de multas históricas da Comissão Europeia, levanta uma questão mais profunda: quando a regulação obriga à abertura, pode o mercado verdadeiramente tornar-se mais livre?

A Google anunciou que, a partir de setembro de 2021, qualquer empresa poderá integrar o ecossistema de pesquisa do Android sem custos. O modelo anterior funcionava através de leilões pagos, onde os motores de pesquisa alternativos competiam financeiramente para garantir visibilidade junto dos utilizadores — uma barreira que a gigante de Mountain View decidiu agora eliminar.

A mudança aplica-se a todos os smartphones Android vendidos no Espaço Económico Europeu e no Reino Unido. Os utilizadores passarão a ter acesso a até 12 opções de motores de pesquisa, apresentadas em duas camadas: os cinco mais populares em cada país — determinados com base em dados da StatCounter — surgem em primeiro lugar, seguidos pelos restantes sem ordem específica.

Apesar da abertura financeira, a Google mantém critérios de qualidade: os motores de pesquisa devem oferecer resultados abrangentes, disponibilizar uma aplicação gratuita na Google Play Store e suportar as línguas dos países onde pretendem operar.

A decisão não é espontânea. A Comissão Europeia multou a Google em 4,34 mil milhões de euros em julho de 2018, acusando-a de abuso de posição dominante por impor o seu motor de pesquisa como opção pré-definida nos dispositivos Android. Novas coimas em 2019 consolidaram a pressão regulatória. Em resposta, a empresa começou a introduzir alterações em 2020, com os primeiros smartphones a chegarem ao mercado europeu já com alternativas disponíveis — em Portugal, opções como GMX, info.com e Yandex integraram os leilões anteriores.

O que nasceu como uma concessão regulatória pode agora reconfigurar genuinamente o mercado, incentivando novos concorrentes e diversificando as ferramentas de pesquisa ao alcance dos utilizadores europeus.

A Google anunciou uma mudança significativa na forma como os motores de pesquisa chegam aos utilizadores de Android. A partir de setembro de 2021, qualquer empresa que deseje integrar o ecossistema de pesquisa do sistema operativo poderá fazê-lo sem custos — uma alteração radical face ao modelo anterior, onde os serviços de busca competiam em leilões pagos para garantir o seu lugar nos smartphones.

Durante anos, a Google controlou este processo através de um sistema de licitação. As empresas proprietárias de motores de pesquisa alternativos tinham de investir dinheiro para conseguir visibilidade junto dos utilizadores Android. Agora, a gigante de Mountain View elimina essa barreira financeira e promete expandir significativamente o número de escolhas disponíveis.

A mudança será implementada em todos os smartphones Android vendidos no Espaço Económico Europeu e no Reino Unido. Os utilizadores terão acesso a uma seleção que pode chegar às 12 opções diferentes. O sistema de apresentação será estruturado em duas camadas: os cinco motores de pesquisa mais populares em cada país — determinados com base em dados da plataforma StatCounter — aparecerão em primeiro lugar, seguidos pelos restantes serviços, sem qualquer ordem específica.

Apesar de a participação ser agora gratuita, a Google mantém critérios de qualidade para os candidatos. Os motores de pesquisa precisam de oferecer resultados abrangentes, não limitados a um único tema. Além disso, cada serviço deve ter uma aplicação gratuita disponível na Google Play Store e suportar as línguas dos países onde pretende operar. Estas exigências garantem que apenas plataformas genuinamente funcionais e acessíveis integram o ecossistema.

Esta decisão não surge do nada. A Google foi forçada a repensar a sua estratégia após uma série de multas aplicadas pela Comissão Europeia. A mais pesada, de 4,34 mil milhões de euros, foi imposta em julho de 2018, quando Bruxelas acusou a empresa de abuso de posição dominante no mercado. A acusação centrava-se no facto de a Google obrigar os fabricantes de smartphones a instalar o seu motor de pesquisa como opção pré-definida através do Android. Outras coimas seguiram-se, incluindo uma em março de 2019, consolidando a pressão regulatória sobre a empresa.

Em resposta, a Google começou a implementar mudanças em 2020. Os primeiros smartphones Android regulamentados pela Comissão Europeia chegaram ao mercado com motores de pesquisa alternativos já disponíveis. Para Portugal, as opções que surgiram nos leilões anteriores incluíam GMX, info.com e Yandex, além do motor de pesquisa da própria Google.

Com esta nova abordagem, a Google não apenas responde às exigências regulatórias, mas também reposiciona-se como uma plataforma mais aberta. A eliminação das barreiras financeiras pode incentivar novos entrantes no mercado de motores de pesquisa, potencialmente diversificando ainda mais as opções disponíveis aos utilizadores europeus. O que começou como uma batalha regulatória transforma-se agora numa oportunidade para repensar como os utilizadores escolhem as suas ferramentas de pesquisa.

Os motores de busca que desejem fazer parte do ecossistema de pesquisa em Android vão poder participar no processo de seleção gratuitamente a partir de setembro
— Google, comunicado oficial
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