Google aos 23 anos: 10 curiosidades que você provavelmente desconhecia

Um milhão de dólares rejeitado; um trilhão de dólares alcançado
A trajetória do Google desde a tentativa fracassada de venda em 1999 até seu valor de mercado em 2021.
Mark

Como uma empresa que começou com um erro de digitação se tornou tão dominante?

Mimi

O erro foi apenas o nome. O que importava era o algoritmo — a ideia de ranquear páginas pelos links que recebiam. Isso era genuinamente inovador em 1999. Mas depois veio a parte crucial: eles perceberam que podiam monetizar a busca através de anúncios. Isso transformou um serviço em uma máquina de fazer dinheiro.

Luke

Espera. Eles tentaram vender a empresa por um milhão de dólares e ninguém quis? Isso é real?

Mimi

Sim. Ninguém viu o potencial. Hoje a empresa vale um trilhão de dólares. É um dos maiores erros de avaliação da história dos negócios.

Mark

E quanto às aquisições? Uma companhia por semana desde 2010 — isso não é predatório?

Mimi

Depende de como você vê. O YouTube custou 1,65 bilhão em 2006 e agora fatura 20 bilhões por ano. Eles identificaram oportunidades e as compraram. Mas há quem diga que eles compravam para eliminar concorrência potencial.

Luke

Exatamente. E as autoridades estão investigando isso. O lema "Não seja mau" virou uma piada porque há acusações de monopólio, coleta abusiva de dados, tratamento desfavorável a concorrentes. Mas nenhuma dessas acusações foi provada em tribunal ainda.

Mark

Então o futuro é incerto?

Mimi

Muito. Pode haver divisão forçada de negócios. Leis antitruste estão sendo aplicadas em vários países. A hegemonia não é garantida.

Luke

E os bodes? Os 200 bodes que cortam grama no Googleplex — isso é real ou é marketing?

Mimi

É real. Mas é também um símbolo de como a empresa constrói sua narrativa. Eles falam sobre sustentabilidade enquanto enfrentam investigações por práticas monopolistas. A imagem pública e a realidade nem sempre coincidem.

  • Em apenas duas décadas, o Google passou de projeto universitário a segunda marca mais valiosa do mundo, avaliada em 207,5 bilhões de dólares, com seus fundadores entre as dez pessoas mais ricas do planeta.
  • A estratégia de aquisição é voraz: uma empresa comprada por semana desde 2010, incluindo o YouTube — adquirido por 1,65 bilhão de dólares em 2006 e hoje faturando 20 bilhões anuais — transformando ameaças potenciais em ativos do próprio império.
  • Autoridades na Europa, nos Estados Unidos e na China investigam práticas monopolistas, acusando a empresa de abuso de posição dominante, coleta excessiva de dados e sufocamento sistemático da concorrência.
  • A pressão regulatória cresce e há possibilidade real de que o Google seja obrigado a fragmentar seus negócios para cumprir leis antitruste internacionais, colocando em xeque o modelo que sustenta sua hegemonia.

Aos 23 anos, o Google deixou de ser um simples buscador para se tornar uma das forças mais determinantes da vida contemporânea — processando 63 mil perguntas por segundo, acumulando um valor de mercado superior a um trilhão de dólares e moldando silenciosamente os hábitos de bilhões de pessoas. O que nasceu de um erro ortográfico e de um servidor feito de Lego cresceu até concentrar 30% do mercado global de publicidade online, levantando questões profundas sobre poder, vigilância e os limites do que uma única empresa pode saber sobre a humanidade. A história do Google é, em muitos sentidos, a história da internet — com todas as suas promessas e contradições.

Em 2021, ao completar 23 anos, o Google processava mais de 63 mil buscas por segundo em mais de 150 idiomas — nove em cada dez pesquisas feitas na internet passavam por seus servidores. O que começou como projeto universitário havia se transformado no principal buscador do planeta e numa máquina que capturava cerca de 30% do mercado global de publicidade online.

O próprio nome nasceu de um erro: Larry Page e Sergey Brin queriam homenagear o termo matemático "googol", mas alguém soletrou errado e o equívoco se tornou permanente. Antes disso, o serviço se chamava Backrub — referência ao algoritmo que analisava os links entre páginas para determinar relevância. Com o crescimento, a empresa desenvolveu uma cultura própria, marcada por brincadeiras escondidas nas buscas e pelos famosos Doodles, que nasceram em 1998 como uma mensagem de ausência enquanto os fundadores estavam no festival Burning Man.

A expansão foi agressiva. Desde 2010, o Google adquiria em média uma empresa por semana. O YouTube, comprado por 1,65 bilhão de dólares em 2006, faturava 20 bilhões anuais duas décadas depois. Android, Waze e dezenas de outras aquisições compuseram um império avaliado em mais de um trilhão de dólares. Em 1999, Page e Brin haviam tentado vender o Google por apenas um milhão de dólares sem encontrar interessados.

Mas o crescimento trouxe escrutínio. O lema "Não seja mau" soava cada vez mais distante enquanto autoridades em todo o mundo investigavam práticas monopolistas — abuso de posição dominante, coleta excessiva de dados e aquisição sistemática de concorrentes em potencial. A possibilidade de que grandes empresas de tecnologia fossem obrigadas a dividir seus negócios tornou-se real.

Nos bastidores, a cultura interna revelava prioridades curiosas: nenhum escritório deveria ficar a mais de 60 metros de algum tipo de comida, cachorros eram bem-vindos no trabalho e cerca de 200 bodes aparavam os gramados do Googleplex em Mountain View. Tudo isso sustentado por números impressionantes — uma única pesquisa consumia a mesma capacidade de processamento usada para enviar os astronautas da Apollo 11 à Lua. E 15% das buscas diárias nunca haviam sido feitas antes, revelando tanto a imensidão da curiosidade humana quanto a profundidade da vigilância que o Google exercia sobre ela.

Em 2021, quando o Google completou duas décadas e três anos de existência, a empresa processava mais de 63 mil buscas por segundo em mais de 150 idiomas. Nove em cada dez buscas realizadas na internet passavam por seus servidores. O que começou como um projeto universitário se transformou em algo muito maior: não apenas o principal buscador do planeta, mas também um modelo de negócios que capturava cerca de 30% do mercado global de publicidade online. Cada vez que alguém digita uma pergunta na caixa de busca, o Google aprende um pouco mais sobre aquela pessoa — seus interesses, seus hábitos, suas dúvidas. Mas a história de como a empresa chegou até ali é repleta de detalhes que revelam tanto sobre a engenhosidade quanto sobre as contradições que a cercam.

O próprio nome da empresa nasceu de um erro. Os fundadores Larry Page e Sergey Brin queriam homenagear o termo matemático "googol" — o número 1 seguido de 100 zeros — mas alguém soletrou errado. Há histórias não confirmadas sobre qual engenheiro ou estudante cometeu o lapso nos primeiros dias, mas o equívoco pegou e se tornou permanente. Antes disso, porém, o serviço tinha outro nome: Backrub, uma referência ao sistema de ranqueamento que funcionava analisando os links que outras páginas faziam para um site específico. Era uma metáfora estranha, mas precisa — o algoritmo literalmente "massageava" a web para encontrar as páginas mais relevantes.

Conforme a empresa crescia, ela desenvolveu uma cultura peculiar. Os engenheiros e designers gostavam de inserir pequenas brincadeiras nas buscas: digitar a palavra "askew" (torto, inclinado) fazia a página inteira se inclinar; procurar por Pelé produzia um efeito visual inesperado nos resultados. Essas pegadinhas se tornaram parte da identidade do Google, assim como os Doodles — ilustrações especiais que substituem o logo em datas significativas. O primeiro Doodle foi criado em 30 de agosto de 1998 como uma mensagem de ausência automática: Page e Brin estavam no festival Burning Man, em Nevada, e queriam avisar aos usuários que não estariam disponíveis para resolver problemas técnicos. A imagem mostrava o símbolo do festival atrás do segundo "o" do logo. Desde então, os Doodles evoluíram para formas cada vez mais sofisticadas — alguns se tornaram jogos interativos — e passaram a celebrar descobertas científicas, aniversários de personalidades e eventos culturais de diversos países.

A estratégia de expansão do Google foi agressiva. Desde 2010, a empresa adquiria em média uma companhia por semana. O YouTube, comprado em 2006 por aproximadamente 1,65 bilhão de dólares, se tornou um dos maiores negócios do portfólio — a plataforma de vídeos faturava cerca de 20 bilhões de dólares anuais duas décadas depois. Android, Waze, AdSense e dezenas de outras empresas também passaram a fazer parte do império Google. Essa voracidade de aquisições refletia uma estratégia clara: absorver qualquer ameaça potencial antes que ela pudesse crescer. Em 1999, Page e Brin haviam tentado vender o Google por apenas um milhão de dólares, mas não encontraram compradores interessados. Duas décadas depois, a empresa que controlava o buscador ultrapassou a marca de um trilhão de dólares em valor de mercado. A marca Google sozinha valia 207,5 bilhões de dólares, tornando-se a segunda mais valiosa do mundo. Os dois fundadores estavam entre as dez pessoas mais ricas do planeta.

Mas o crescimento trouxe escrutínio. O lema original da empresa — "Não seja mau" — começou a parecer cada vez mais distante da realidade. Autoridades em todo o mundo, da Europa aos Estados Unidos e China, investigavam práticas monopolistas. As acusações incluíam abuso de posição dominante, tratamento desfavorável a concorrentes dentro de suas plataformas, coleta excessiva de dados de usuários e aquisição sistemática de pequenas empresas com potencial de ameaçar sua hegemonia. O Google negava as acusações, mas a pressão regulatória aumentava. Havia possibilidade real de que grandes empresas de tecnologia fossem obrigadas a dividir seus negócios para cumprir leis antitruste internacionais.

Enquanto isso, a cultura interna do Google refletia prioridades bem específicas. Sergey Brin havia decidido no início que nenhum escritório da empresa deveria ficar a mais de 60 metros de distância de algum tipo de comida. Nos primeiros dias, os funcionários comiam Swedish Fish — balas de goma em formato de peixe — como lanche favorito. Décadas depois, os "googlers" tinham acesso a refrigeradores e cozinhas gourmet com opções variadas. A empresa também permitia que funcionários levassem seus cachorros para o trabalho, desde que fossem treinados adequadamente. No complexo Googleplex, em Mountain View, na Califórnia, cerca de 200 bodes aparavam regularmente os gramados — uma iniciativa que a empresa considerava mais sustentável do que usar cortadores convencionais.

Os números que sustentavam tudo isso eram impressionantes. O índice de busca do Google era cerca de 100 vezes maior em 2021 do que havia sido em 1999, e era atualizado 10 mil vezes mais rápido. Uma única pesquisa utilizava a mesma capacidade de processamento que foi necessária para enviar os astronautas da Apollo 11 para a Lua. Quinze por cento das buscas realizadas diariamente nunca haviam sido feitas antes — uma métrica que capturava tanto o tamanho da curiosidade humana quanto a profundidade da vigilância que o Google exercia sobre ela. Tudo isso começou com um servidor feito de Lego, blocos de plástico que os fundadores adoravam, contendo dez drives que armazenavam o primeiro índice da web. Duas décadas depois, aquele experimento se havia transformado em uma das forças mais poderosas — e mais contestadas — do mundo digital.

Nenhum escritório do Google deveria ficar a mais de 60 metros de distância de algum tipo de comida
— Decisão de Sergey Brin nos primeiros dias da empresa
Não seja mau
— Lema original do Google, agora contestado por críticos e reguladores
Möchten Sie die ganze Geschichte? Das Original lesen bei Época NEGÓCIOS ↗
Kontakt FAQ