Ele foi tocado e depois eles seguem para o outro lado do campo
Em Atlanta, numa noite de julho de 2026, a Argentina apurou-se para os quartos de final do Mundial com uma reviravolta sobre o Egito — mas o golo que selou a passagem, marcado por Enzo Fernández na compensação, ficou imediatamente envolto em dúvida. Uma possível falta sobre Mohamed Salah, ignorada pelo VAR, reabriu uma questão antiga: quando a tecnologia escolhe quando intervir, deixa de ser árbitro e passa a ser personagem. O debate que se seguiu não foi apenas sobre um golo — foi sobre quem as regras protegem quando o jogo está em causa.
- O golo decisivo de Enzo Fernández nasceu de uma jogada em que Salah foi derrubado sem que o VAR interviesse, gerando indignação imediata entre comentadores e adeptos.
- Ian Wright acusou o VAR de aplicar critérios diferentes consoante a equipa em causa, lembrando que a mesma tecnologia anulara um golo egípcio por falta no início da jogada.
- Roy Keane lançou a dúvida sobre se Salah exagerou a queda, mas admitiu que equipas maiores historicamente beneficiam destas decisões — uma tensão que ninguém resolveu.
- Gary Neville, questionado diretamente, respondeu com uma palavra — 'improvável' — quando perguntado se um golo argentino seria anulado nas mesmas circunstâncias.
- A Argentina esteve a perder 2-0 e conseguiu uma reviravolta real, mas a legitimidade dessa façanha ficou ensombrada pela inconsistência das decisões ao longo de todo o jogo.
A Argentina chegou aos quartos de final do Mundial 2026 da forma mais dramática possível: a perder por 2-0 com menos de doze minutos para o fim, conseguiu virar o resultado contra o Egito em Atlanta e vencer 3-2. O golo que selou a passagem foi de Enzo Fernández, na compensação. Mas em vez de celebração, o que se seguiu foi controvérsia.
Antes do golo, Mohamed Salah foi derrubado durante a construção da jogada. O egípcio protestou com veemência, convicto de que a falta era clara — talvez até grande penalidade. O VAR não interveio. O jogo continuou, a Argentina chegou ao outro lado do campo e marcou.
Ian Wright, na análise da ITV Sport, foi direto: o golo deveria ter sido anulado. O seu argumento assentava numa lógica de consistência — se o VAR tinha recuado para anular um golo egípcio na primeira parte por falta no início da jogada, tinha obrigação de fazer o mesmo aqui. «Ele foi tocado», disse Wright. «Pode ser mínimo, mas foi tocado e depois seguiram para o outro lado do campo.» Gary Neville, questionado se um golo argentino seria anulado em circunstâncias semelhantes, respondeu com uma palavra: «Improvável».
Roy Keane ofereceu uma leitura diferente, questionando por que razão as pernas de Salah cederam se o contacto tivesse sido tão ligeiro. Ainda assim, reconheceu que equipas maiores parecem beneficiar destas decisões ao longo da história do futebol — uma admissão que pesou mais do que qualquer defesa da arbitragem.
O jogo tinha sido repleto de momentos polémicos antes disso: uma grande penalidade concedida à Argentina por falta sobre Tagliafico, desperdiçada por Messi; um golo egípcio anulado pelo VAR pela mesma razão. Keane insistiu que o mérito da Argentina — a reviravolta real, conseguida quando tudo parecia perdido — não deveria ser completamente ignorado. Mas a pergunta ficou no ar: teria essa reviravolta sido possível se as decisões tivessem sido consistentes? O VAR prometeu clareza. Entregou apenas mais perguntas.
A Argentina avançou para os quartos de final do Mundial 2026 com uma reviravolta notável contra o Egito, vencendo 3-2 em Atlanta numa terça-feira que ficará marcada não pela qualidade do futebol, mas pelas decisões que o rodearam. O golo decisivo pertenceu a Enzo Fernández, o antigo jogador do Benfica que selou a passagem argentina na compensação. Mas aquele lance, que deveria ter sido celebrado sem reservas, tornou-se imediatamente objeto de escrutínio e desacordo.
O problema começou antes do golo: Mohamed Salah, o avançado egípcio, foi derrubado durante a construção da jogada que levaria ao tento de Fernández. Salah protestou furiosamente no momento, convencido de que tinha sido vítima de uma falta clara, possivelmente até passível de grande penalidade. O VAR, porém, decidiu não intervir. Deixou o jogo prosseguir. E assim a Argentina chegou ao outro lado do campo e marcou.
Ian Wright, comentador da ITV Sport, não aceitou a explicação. Na sua análise após o jogo, foi direto: o golo deveria ter sido anulado. Wright argumentou que se o VAR estava disposto a reverter lances para anular golos argentinos noutros momentos da partida — como tinha feito com um golo egípcio na primeira parte — então tinha obrigação de fazer o mesmo aqui. «Ele foi tocado», disse Wright. «Pode ser mínimo, mas ele foi tocado e depois eles seguem para o outro lado do campo.» A lógica era simples: ou o VAR intervém em todos os lances duvidosos, ou não intervém em nenhum. Escolher quando aplicar o critério é escolher um vencedor.
Roy Keane, colega de painel, ofereceu uma perspetiva diferente. Questionou por que razão as pernas de Salah cederam se tinha sido apenas tocado. A pergunta pairou no ar — era uma sugestão de que talvez Salah tivesse exagerado a queda, ou que o contacto não tivesse sido tão grave quanto parecia. Mas mesmo Keane reconheceu que as equipas maiores parecem beneficiar destas decisões ao longo da história do futebol.
O jogo tinha sido repleto de momentos controversos antes disso. Na primeira parte, a Argentina recebeu uma grande penalidade por falta sobre Tagliafico, que Lionel Messi desperdiçou. Pouco antes, o VAR tinha anulado um golo do Egito, também por falta sobre Tagliafico no início da jogada. Wright criticou essa decisão igualmente, sugerindo que o VAR estava a recuar demasiado tempo nas ações para encontrar infrações. Quando Gary Neville foi questionado se um golo da Argentina seria anulado em circunstâncias semelhantes, respondeu com uma palavra: «Improvável».
Mas havia nuance na conversa. Keane, apesar das críticas às decisões arbitrais, insistiu que o mérito da Argentina não deveria ser completamente descartado. A equipa estava a perder por 2-0 com dez ou onze minutos para o fim. Conseguiu uma reviravolta impressionante. Isso conta para algo. Ainda assim, a questão permanecia: será que a Argentina teria conseguido essa reviravolta se as decisões tivessem sido diferentes? Será que o Egito teria estado numa posição diferente se o VAR tivesse sido consistente? Estas são as perguntas que ficam quando a tecnologia promete clareza e entrega apenas mais confusão.
Citas Notables
Se vão reverter para a Argentina à entrada da área para anular um golo, têm de reverter neste lance com o Mohamed Salah. Ele foi tocado.— Ian Wright, comentador da ITV Sport
Ao longo da história do futebol, as equipas maiores parecem beneficiar destas decisões, mas isso não deve tirar o mérito ao que a Argentina também alcançou.— Roy Keane
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Por que é que este golo em particular gerou tanta controvérsia? Não é apenas um lance entre muitos?
Porque o VAR tinha intervindo noutros momentos do jogo — anulou um golo egípcio, concedeu uma grande penalidade à Argentina. Quando escolhe intervir seletivamente, começa a parecer que está a favorecer uma equipa.
Mas Ian Wright estava certo? Era realmente uma falta sobre Salah?
Provavelmente sim, segundo Wright e segundo o próprio Salah. O contacto existiu. A questão é se era suficiente para anular o golo. E se era, por que não foi?
Roy Keane sugeriu que Salah exagerou a queda. Isso não muda as coisas?
Muda a narrativa, talvez. Mas não muda o facto de que o VAR tinha critérios diferentes para lances diferentes. Se o contacto era mínimo, então por que anulou o golo egípcio por uma falta igualmente mínima?
A Argentina merecia avançar, apesar de tudo?
Keane disse que sim — estavam a perder 2-0 perto do fim e conseguiram uma reviravolta. Isso é mérito. Mas o mérito fica manchado quando as decisões que o permitiram parecem injustas.
Isto vai mudar algo no torneio?
Provavelmente não. Mas vai alimentar a sensação de que as equipas maiores têm uma vantagem invisível. E isso é corrosivo para a confiança no jogo.