Três depressões atmosféricas consecutivas — Kristin, Leonardo e Marta — deixaram o distrito de Coimbra numa condição de isolamento parcial, com 88 estradas cortadas em quinze concelhos e o rio Mondego transformado em fronteira intransponível. Dezasseis vidas foram perdidas em Portugal, e centenas de famílias viram as suas casas e rotinas desfeitas pela força das águas. O Estado respondeu com a extensão da calamidade e um envelope financeiro de até 2,5 mil milhões de euros, reconhecendo que a reconstrução será tão longa quanto a devastação foi súbita.
GNR contabiliza 88 estradas cortadas no distrito de Coimbra devido ao mau tempo
Dezasseis pessoas morreram, centenas ficaram feridas e desalojadas
Por que é que Coimbra sofreu tanto mais do que os outros concelhos?
O Mondego é a chave. A cidade fica no vale do rio, e quando há chuva intensa, as águas sobem rapidamente. As estradas principais acompanham o rio, então ficam submersas primeiro.
E os municípios que escaparam — Cantanhede e Vila Nova de Poiares — estão em que posição geográfica?
Não estão no leito de cheia. Ficam fora da zona de risco imediato do Mondego e das depressões que afetaram o interior e o litoral.
Dezasseis mortes é muito para um temporal. Como é que uma pessoa morre reparando um telhado?
Caiu no dia vinte e oito de janeiro, mas só morreu a dez de fevereiro. Provavelmente os ferimentos foram graves, infecção, complicações. Passou duas semanas internado.
Dois mil e quinhentos milhões de euros — é suficiente?
É uma quantia grande, mas olha para o que foi destruído: casas inteiras, empresas, infraestruturas de energia e água. Vai ser um processo longo de reconstrução.
As estradas vão reabrir em quanto tempo?
Depende. Algumas já podem estar abertas agora. Outras, onde houve danos estruturais, podem levar semanas. Enquanto o rio não baixar, as que estão no leito de cheia continuam fechadas.
El Pulso
- O Mondego transbordou e engoliu as principais artérias de Coimbra, Montemor-o-Velho e Soure, tornando intransitáveis autoestradas e estradas nacionais que ligam comunidades inteiras.
- Dezasseis pessoas morreram, centenas ficaram feridas ou desalojadas, e a destruição de casas, empresas e infraestruturas atingiu as regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo.
- No interior do distrito, Arganil ficou cortado do Piódão, enquanto na Figueira da Foz o litoral e o interior se viram igualmente bloqueados por sete vias encerradas.
- O Governo prolongou a situação de calamidade até 15 de fevereiro para 68 concelhos e anunciou apoios financeiros de até 2,5 mil milhões de euros para sustentar a recuperação.
- Apenas Cantanhede e Vila Nova de Poiares escaparam ao bloqueio viário, evidenciando a extensão quase total do impacto no distrito de Coimbra.
Três depressões atmosféricas consecutivas — Kristin, Leonardo e Marta — deixaram o distrito de Coimbra numa condição de isolamento parcial, com 88 estradas cortadas em quinze concelhos e o rio Mondego transformado em fronteira intransponível. Dezasseis vidas foram perdidas em Portugal, e centenas de famílias viram as suas casas e rotinas desfeitas pela força das águas. O Estado respondeu com a extensão da calamidade e um envelope financeiro de até 2,5 mil milhões de euros, reconhecendo que a reconstrução será tão longa quanto a devastação foi súbita.
Quase noventa estradas fechadas, quinze concelhos afetados e um rio que se tornou uma barreira: este é o retrato do distrito de Coimbra após a passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta. A GNR contabilizou 88 vias nacionais e municipais interrompidas, com Coimbra a liderar com vinte encerramentos — incluindo a A1, a A14 e várias estradas nacionais que acompanham o Mondego. Montemor-o-Velho, com nove vias cortadas, e Arganil, com oito, seguem entre os mais castigados.
O Mondego foi o principal agente de destruição, bloqueando as ligações ao longo do seu vale desde a Figueira da Foz até Soure e Coimbra. No interior serrano, as estradas que ligam sedes de concelho a aldeias remotas como o Piódão tornaram-se inacessíveis. Apenas Cantanhede e Vila Nova de Poiares escaparam ao cenário de bloqueio generalizado.
O custo humano pesa sobre tudo o resto. Dezasseis pessoas perderam a vida em Portugal, entre elas um homem de 72 anos que caiu ao reparar um telhado em Pombal e faleceu semanas depois nos Hospitais da Universidade de Coimbra. Centenas ficaram feridas ou desalojadas, e a destruição material estendeu-se a casas, empresas, escolas e redes de energia, água e comunicações.
Perante a magnitude do desastre, o Governo prolongou a situação de calamidade até 15 de fevereiro para 68 concelhos e comprometeu-se com medidas de apoio financeiro até 2,5 mil milhões de euros — uma resposta que, pela sua escala, traduz a profundidade das feridas deixadas pelas tempestades no território português.
Quase noventa estradas estão fechadas ao trânsito no distrito de Coimbra. A Guarda Nacional Republicana contabilizou 88 vias nacionais e municipais interrompidas, espalhadas por quinze concelhos diferentes, resultado direto das depressões atmosféricas que varreram o país nas últimas semanas. Apenas Cantanhede e Vila Nova de Poiares escaparam a este cenário de bloqueio viário.
Coimbra é o município mais afetado, com vinte estradas e ruas encerradas. A cidade enfrenta cheias no vale do Mondego que tornaram intransitáveis as principais artérias de circulação: a Autoestrada 1, a A 14, a Estrada Nacional 111-1 na ligação aos campos do Bolão e no acesso a Vil de Matos, além da EN 110 no trajeto para Penacova. O rio que atravessa a região transformou-se numa ameaça constante, bloqueando as vias que o acompanham.
Montemor-o-Velho segue logo atrás, também castigado pelas águas do Mondego, com nove vias encerradas. Entre elas estão a EN 111 em Tentúgal e a EN 341 em Pereira, bem como a ligação entre Granja do Ulmeiro e Formoselha. Mais para o litoral, a Figueira da Foz contabiliza sete estradas interrompidas, incluindo a EN 347 em Santana, a A14, e a EN 111 em Maiorca e entre Maiorca e Ferrestelo. Soure, também no leito de cheia do Mondego, tem sete vias encerradas, sendo as mais importantes a EN 342-1 em Vila Nova de Anços, a EN 347 em Alfarelos e entre Marachão-Painça, e a EN 342 em Vinha da Rainha.
No interior do distrito, Arganil lidera o ranking de municípios afetados com oito estradas e ruas cortadas. As principais são a EN 342 e a estrada municipal 1354, que liga a sede do concelho ao Piódão. A GNR contabilizou ainda seis vias condicionadas nos concelhos de Coimbra, Miranda do Corvo e Figueira da Foz. O impacto total afeta dezasseis municípios em diferentes graus de severidade.
O custo humano desta sequência de tempestades é significativo. Dezasseis pessoas morreram em Portugal na sequência das depressões Kristin, Leonardo e Marta. A décima sexta vítima foi um homem de setenta e dois anos que caiu no dia vinte e oito de janeiro quando reparava o telhado da casa de uma familiar no concelho de Pombal, vindo a falecer a dez de fevereiro nos Hospitais da Universidade de Coimbra. Centenas de pessoas ficaram feridas e desalojadas.
A destruição material é extensa. Casas e empresas foram total ou parcialmente destruídas. Árvores caíram sobre estradas e estruturas colapsaram. Escolas fecharam, serviços de transporte foram suspensos, e o fornecimento de energia, água e comunicações foi interrompido em múltiplas localidades. As inundações e cheias transformaram paisagens inteiras. As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo foram as mais afetadas pelo temporal.
O Governo respondeu prolongando a situação de calamidade até quinze de fevereiro para sessenta e oito concelhos em todo o país. Anunciou também medidas de apoio financeiro no valor de até dois mil e quinhentos milhões de euros para ajudar na recuperação e reconstrução das áreas afetadas. A escala da resposta governamental reflete a magnitude do desastre que varreu o território português.
Citas Notables
O concelho de Coimbra, a braços com cheias no vale do Mondego, contabiliza o maior número de estradas e ruas fechadas— Guarda Nacional Republicana