GNR contabiliza 88 estradas cortadas no distrito de Coimbra devido ao mau tempo

16 pessoas morreram em Portugal na sequência das depressões Kristin, Leonardo e Marta, com centenas de feridos e desalojados.
Dezasseis pessoas morreram, centenas ficaram feridas e desalojadas
O custo humano das depressões Kristin, Leonardo e Marta que varreram Portugal em fevereiro.
Mark

Por que é que Coimbra sofreu tanto mais do que os outros concelhos?

Mimi

O Mondego é a chave. A cidade fica no vale do rio, e quando há chuva intensa, as águas sobem rapidamente. As estradas principais acompanham o rio, então ficam submersas primeiro.

Mark

E os municípios que escaparam — Cantanhede e Vila Nova de Poiares — estão em que posição geográfica?

Mimi

Não estão no leito de cheia. Ficam fora da zona de risco imediato do Mondego e das depressões que afetaram o interior e o litoral.

Mark

Dezasseis mortes é muito para um temporal. Como é que uma pessoa morre reparando um telhado?

Mimi

Caiu no dia vinte e oito de janeiro, mas só morreu a dez de fevereiro. Provavelmente os ferimentos foram graves, infecção, complicações. Passou duas semanas internado.

Mark

Dois mil e quinhentos milhões de euros — é suficiente?

Mimi

É uma quantia grande, mas olha para o que foi destruído: casas inteiras, empresas, infraestruturas de energia e água. Vai ser um processo longo de reconstrução.

Mark

As estradas vão reabrir em quanto tempo?

Mimi

Depende. Algumas já podem estar abertas agora. Outras, onde houve danos estruturais, podem levar semanas. Enquanto o rio não baixar, as que estão no leito de cheia continuam fechadas.

  • O Mondego transbordou e engoliu as principais artérias de Coimbra, Montemor-o-Velho e Soure, tornando intransitáveis autoestradas e estradas nacionais que ligam comunidades inteiras.
  • Dezasseis pessoas morreram, centenas ficaram feridas ou desalojadas, e a destruição de casas, empresas e infraestruturas atingiu as regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo.
  • No interior do distrito, Arganil ficou cortado do Piódão, enquanto na Figueira da Foz o litoral e o interior se viram igualmente bloqueados por sete vias encerradas.
  • O Governo prolongou a situação de calamidade até 15 de fevereiro para 68 concelhos e anunciou apoios financeiros de até 2,5 mil milhões de euros para sustentar a recuperação.
  • Apenas Cantanhede e Vila Nova de Poiares escaparam ao bloqueio viário, evidenciando a extensão quase total do impacto no distrito de Coimbra.

Três depressões atmosféricas consecutivas — Kristin, Leonardo e Marta — deixaram o distrito de Coimbra numa condição de isolamento parcial, com 88 estradas cortadas em quinze concelhos e o rio Mondego transformado em fronteira intransponível. Dezasseis vidas foram perdidas em Portugal, e centenas de famílias viram as suas casas e rotinas desfeitas pela força das águas. O Estado respondeu com a extensão da calamidade e um envelope financeiro de até 2,5 mil milhões de euros, reconhecendo que a reconstrução será tão longa quanto a devastação foi súbita.

Quase noventa estradas fechadas, quinze concelhos afetados e um rio que se tornou uma barreira: este é o retrato do distrito de Coimbra após a passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta. A GNR contabilizou 88 vias nacionais e municipais interrompidas, com Coimbra a liderar com vinte encerramentos — incluindo a A1, a A14 e várias estradas nacionais que acompanham o Mondego. Montemor-o-Velho, com nove vias cortadas, e Arganil, com oito, seguem entre os mais castigados.

O Mondego foi o principal agente de destruição, bloqueando as ligações ao longo do seu vale desde a Figueira da Foz até Soure e Coimbra. No interior serrano, as estradas que ligam sedes de concelho a aldeias remotas como o Piódão tornaram-se inacessíveis. Apenas Cantanhede e Vila Nova de Poiares escaparam ao cenário de bloqueio generalizado.

O custo humano pesa sobre tudo o resto. Dezasseis pessoas perderam a vida em Portugal, entre elas um homem de 72 anos que caiu ao reparar um telhado em Pombal e faleceu semanas depois nos Hospitais da Universidade de Coimbra. Centenas ficaram feridas ou desalojadas, e a destruição material estendeu-se a casas, empresas, escolas e redes de energia, água e comunicações.

Perante a magnitude do desastre, o Governo prolongou a situação de calamidade até 15 de fevereiro para 68 concelhos e comprometeu-se com medidas de apoio financeiro até 2,5 mil milhões de euros — uma resposta que, pela sua escala, traduz a profundidade das feridas deixadas pelas tempestades no território português.

Quase noventa estradas estão fechadas ao trânsito no distrito de Coimbra. A Guarda Nacional Republicana contabilizou 88 vias nacionais e municipais interrompidas, espalhadas por quinze concelhos diferentes, resultado direto das depressões atmosféricas que varreram o país nas últimas semanas. Apenas Cantanhede e Vila Nova de Poiares escaparam a este cenário de bloqueio viário.

Coimbra é o município mais afetado, com vinte estradas e ruas encerradas. A cidade enfrenta cheias no vale do Mondego que tornaram intransitáveis as principais artérias de circulação: a Autoestrada 1, a A 14, a Estrada Nacional 111-1 na ligação aos campos do Bolão e no acesso a Vil de Matos, além da EN 110 no trajeto para Penacova. O rio que atravessa a região transformou-se numa ameaça constante, bloqueando as vias que o acompanham.

Montemor-o-Velho segue logo atrás, também castigado pelas águas do Mondego, com nove vias encerradas. Entre elas estão a EN 111 em Tentúgal e a EN 341 em Pereira, bem como a ligação entre Granja do Ulmeiro e Formoselha. Mais para o litoral, a Figueira da Foz contabiliza sete estradas interrompidas, incluindo a EN 347 em Santana, a A14, e a EN 111 em Maiorca e entre Maiorca e Ferrestelo. Soure, também no leito de cheia do Mondego, tem sete vias encerradas, sendo as mais importantes a EN 342-1 em Vila Nova de Anços, a EN 347 em Alfarelos e entre Marachão-Painça, e a EN 342 em Vinha da Rainha.

No interior do distrito, Arganil lidera o ranking de municípios afetados com oito estradas e ruas cortadas. As principais são a EN 342 e a estrada municipal 1354, que liga a sede do concelho ao Piódão. A GNR contabilizou ainda seis vias condicionadas nos concelhos de Coimbra, Miranda do Corvo e Figueira da Foz. O impacto total afeta dezasseis municípios em diferentes graus de severidade.

O custo humano desta sequência de tempestades é significativo. Dezasseis pessoas morreram em Portugal na sequência das depressões Kristin, Leonardo e Marta. A décima sexta vítima foi um homem de setenta e dois anos que caiu no dia vinte e oito de janeiro quando reparava o telhado da casa de uma familiar no concelho de Pombal, vindo a falecer a dez de fevereiro nos Hospitais da Universidade de Coimbra. Centenas de pessoas ficaram feridas e desalojadas.

A destruição material é extensa. Casas e empresas foram total ou parcialmente destruídas. Árvores caíram sobre estradas e estruturas colapsaram. Escolas fecharam, serviços de transporte foram suspensos, e o fornecimento de energia, água e comunicações foi interrompido em múltiplas localidades. As inundações e cheias transformaram paisagens inteiras. As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo foram as mais afetadas pelo temporal.

O Governo respondeu prolongando a situação de calamidade até quinze de fevereiro para sessenta e oito concelhos em todo o país. Anunciou também medidas de apoio financeiro no valor de até dois mil e quinhentos milhões de euros para ajudar na recuperação e reconstrução das áreas afetadas. A escala da resposta governamental reflete a magnitude do desastre que varreu o território português.

O concelho de Coimbra, a braços com cheias no vale do Mondego, contabiliza o maior número de estradas e ruas fechadas
— Guarda Nacional Republicana
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