Em um momento em que o entretenimento migra das salas de estar para as telas dos bolsos, a Globo anunciou que, a partir de 2027, produzirá novelas em formato vertical com o auxílio de inteligência artificial. O movimento revela que até as instituições mais enraizadas na tradição televisiva brasileira reconhecem que o tempo e a atenção humana mudaram de endereço. É uma aposta que carrega tanto a urgência de quem não quer ficar para trás quanto a ambição de quem ainda acredita que sabe contar histórias melhor do que qualquer algoritmo sozinho.
Globo planeja novelas verticais com IA a partir de 2027
A Globo quer competir onde o público está, não onde estava
Por que a Globo está fazendo isso agora? Parece uma mudança radical para uma emissora que construiu seu negócio em torno da televisão tradicional.
Porque o público não está mais lá. Ou melhor, está em vários lugares ao mesmo tempo. A Globo percebeu que precisa estar onde as pessoas estão consumindo conteúdo — e cada vez mais, isso é em smartphones, em formatos curtos.
Mas espera. O anúncio diz que vai começar em 2027. Isso é um plano, não é algo que está acontecendo agora. Quanto dessa estratégia já foi testada? Quanto é especulação?
Boa pergunta. O anúncio é do que a empresa pretende fazer. Provavelmente há pesquisa e testes em andamento, mas não sabemos os detalhes.
E a inteligência artificial nesse contexto — ela está escrevendo as novelas, gerando imagens, editando? Qual é exatamente o papel dela?
Isso não foi especificado no anúncio. A IA pode estar envolvida em múltiplas etapas do processo criativo. Pode ser desde a geração de roteiros até a criação de atores virtuais.
Então temos um anúncio de uma estratégia futura, com tecnologia que ainda está em desenvolvimento, e sem clareza sobre como será implementada. É justo dizer que sabemos o quê, mas não sabemos muito bem o como.
Exatamente. É um sinal de direção, não um plano detalhado.
Qual é o risco aqui para a Globo? Se isso não funcionar, o que ela perde?
Credibilidade, investimento, e a chance de liderar essa transformação. Se outras emissoras ou plataformas conseguirem fazer novelas verticais com IA melhor, a Globo fica para trás.
Mas também há um risco de reputação. Se o conteúdo for de baixa qualidade, ou se o público rejeitar a ideia de novelas feitas com IA, isso pode danificar a marca que a Globo construiu em décadas.
Verdade. É um aposto calculado, mas ainda é um aposto.
Der Puls
- O consumo de entretenimento migrou para o smartphone e para o formato vertical, e a Globo não pode mais ignorar que uma geração inteira assiste a narrativas em fragmentos, entre uma tarefa e outra.
- A emissora enfrenta a pressão de plataformas como TikTok e Instagram Reels, que dominam a atenção dos públicos mais jovens sem precisar de estúdios, elencos fixos ou grade de programação.
- A inteligência artificial entra como ferramenta central para viabilizar produção em escala, reduzir custos e permitir personalização — mas a Globo ainda não revelou em quais etapas criativas a IA será aplicada.
- O prazo de 2027 indica que a emissora já está em fase de pesquisa e desenvolvimento, apostando que o mercado de IA generativa e a aceitação do público estarão maduros o suficiente até lá.
- O sucesso ou fracasso da iniciativa definirá se grandes produtoras tradicionais conseguem levar sua expertise narrativa para territórios digitais — ou se perderão esse espaço para criadores independentes e plataformas nativas.
Em um momento em que o entretenimento migra das salas de estar para as telas dos bolsos, a Globo anunciou que, a partir de 2027, produzirá novelas em formato vertical com o auxílio de inteligência artificial. O movimento revela que até as instituições mais enraizadas na tradição televisiva brasileira reconhecem que o tempo e a atenção humana mudaram de endereço. É uma aposta que carrega tanto a urgência de quem não quer ficar para trás quanto a ambição de quem ainda acredita que sabe contar histórias melhor do que qualquer algoritmo sozinho.
A Globo anunciou que, a partir de 2027, começará a produzir novelas em formato vertical utilizando inteligência artificial como ferramenta central. O movimento posiciona a maior emissora do Brasil em um território até então distante de sua identidade: o das plataformas mobile-first, onde TikTok e Instagram Reels dominam o consumo de entretenimento entre os mais jovens.
A decisão reconhece uma mudança que a mídia tradicional não pode mais adiar. Enquanto a Globo construiu seu império nas telenovelas de horário nobre transmitidas em salas de estar, uma geração inteira passou a consumir narrativas em fragmentos verticais, no smartphone, durante os intervalos do dia. Aplicar a linguagem das novelas — arcos narrativos, personagens recorrentes, tensão emocional — a esse formato é um experimento que poucos produtores tradicionais tentaram em escala.
O papel da IA nesse processo ainda não foi detalhado publicamente. A tecnologia pode acelerar a produção, reduzir custos e permitir personalização impossível pelos métodos tradicionais, mas também levanta questões sobre autoria e qualidade. A emissora não esclareceu se a IA atuará na escrita, na geração de imagens, na edição ou em todas essas etapas ao mesmo tempo.
O prazo de 2027 sugere que a Globo já está em fase de pesquisa e desenvolvimento. Até lá, o mercado de IA generativa terá amadurecido, regulações podem ter evoluído e a aceitação do público por conteúdo mediado por máquinas estará mais clara — ou não.
O movimento é ao mesmo tempo defensivo e ofensivo. Defensivo porque reconhece a necessidade de acompanhar mudanças tecnológicas para não se tornar obsoleta. Ofensivo porque tenta levar sua expertise em narrativa ficcional para um território onde ainda não há padrão estabelecido de qualidade ou monetização. Para a Globo, sinônimo de telenovela no Brasil, essa transição é particularmente delicada: seus públicos esperam um certo nível. Levar isso para o vertical, com IA, é um teste de confiança tanto na tecnologia quanto na própria marca.
A Globo anunciou um movimento que marca uma inflexão clara na estratégia da maior emissora de televisão do Brasil: a partir de 2027, a empresa começará a produzir novelas em formato vertical, utilizando inteligência artificial como ferramenta central de criação. O anúncio posiciona a emissora em um território que até pouco tempo parecia distante de sua identidade — o das plataformas de conteúdo curto e mobile-first, onde aplicativos como TikTok e Instagram Reels dominam o consumo de entretenimento entre públicos mais jovens.
A decisão reflete uma realidade que a indústria de mídia tradicional não pode mais ignorar: o padrão de consumo mudou. Enquanto a Globo construiu seu império em telenovelas de horário nobre, transmitidas em telas de sala de estar, uma geração inteira agora consome narrativas em fragmentos verticais, durante intervalos do dia, em smartphones. As plataformas de vídeo curto cresceram exponencialmente, e o conteúdo gerado ou assistido por inteligência artificial deixou de ser ficção científica para se tornar realidade comercial.
O formato vertical não é novidade — é o padrão nativo de qualquer telefone moderno. Mas aplicar a linguagem das novelas, com seus arcos narrativos, personagens recorrentes e dinâmicas emocionais, a esse formato é um experimento que poucos produtores tradicionais tentaram em escala. A Globo, ao anunciar essa iniciativa, está sinalizando que não pretende ceder o território da narrativa ficcional a plataformas menores ou a criadores independentes. Quer competir diretamente onde o público está.
O papel da inteligência artificial nesse processo é central. A IA pode acelerar a produção, reduzir custos de criação e permitir uma personalização que seria impossível com métodos tradicionais. Também abre questões sobre autoria, qualidade e o que significa uma novela quando a máquina participa de sua concepção. A Globo não detalhou publicamente como a IA será integrada — se na escrita, na geração de imagens, na edição, ou em todas essas etapas simultaneamente.
O timing de 2027 é significativo. Não é amanhã, mas também não é tão distante que permita indefinição. Sugere que a emissora já está em fase de pesquisa e desenvolvimento, testando tecnologias, formatos e modelos de negócio. Até lá, o mercado de IA generativa terá amadurecido ainda mais, regulações podem ter evoluído, e a aceitação do público por conteúdo criado ou mediado por máquinas terá se consolidado ou recuado — ainda é incerto.
Para a Globo, o movimento é defensivo e ofensivo ao mesmo tempo. Defensivo porque reconhece que precisa acompanhar mudanças tecnológicas e de comportamento para não ficar obsoleta. Ofensivo porque tenta levar sua expertise em narrativa ficcional para um território novo, onde ainda não há um padrão estabelecido de qualidade ou de como monetizar. Se conseguir produzir novelas verticais com IA que mantenham a qualidade dramatúrgica que a marca carrega, pode redefinir o que é possível nesse formato. Se fracassar, terá investido recursos em um experimento que não se converteu em receita.
O anúncio também sinaliza algo mais amplo: grandes produtoras de conteúdo tradicional estão deixando de ver a IA como ameaça e começam a vê-la como ferramenta. A questão deixa de ser se vão usar IA, e passa a ser como vão usá-la sem comprometer a qualidade ou a identidade que construíram. Para a Globo, que é sinônimo de telenovela no Brasil, essa transição é particularmente delicada. Seus públicos esperam um certo padrão. Levar isso para o vertical, com IA, é um teste de confiança.
Bemerkenswerte Zitate
A Globo está se posicionando como concorrente de plataformas de conteúdo curto, levando sua expertise em narrativa ficcional para um novo formato— Análise da estratégia anunciada