Geely aposta em humor e localização para conquistar mercado brasileiro

O Brasil é o país jabuticaba — complexo, único, regionalmente diferente
Milena Martins explica por que a Geely adaptou sua comunicação global para o mercado brasileiro.
Mark

A Geely já estava em 24 estados com 50 concessionários, mas quer chegar a 90% de cobertura até o fim do ano. Como uma empresa consegue expandir tão rápido sem comprometer a qualidade do atendimento?

Mimi

Eles construíram a infraestrutura antes de acelerar. Têm peças, distribuição, centros de assistência. Não é só abrir loja — é garantir que o cliente não fique sem suporte. Isso sempre foi uma premissa.

Luke

Mas "até o final do ano" — estamos em outubro. Isso significa passar de 50 para 90 concessionários em três meses? Preciso ver se esse número é confirmado ou é uma projeção.

Mark

Eles escolheram Fernanda Lima e Rodrigo Hilbert como embaixadores. Por que essa dupla especificamente?

Mimi

A estratégia é trazer humor e leveza. A Geely reconhece que o Brasil é uma cultura complexa, regionalmente diversa. Eles chamam de país "jabuticaba". Fernanda e Rodrigo entendem isso.

Luke

Mas qual é o alcance real dessa escolha? Eles têm dados de que essa dupla ressoa com quem compra carro? Ou é mais uma aposta criativa?

Mark

O mercado de carros chineses tinha preconceito. Como a Geely está mudando essa narrativa?

Mimi

Informação. Boa informação. Os veículos têm alta tecnologia, alta qualidade. Milhares de engenheiros trabalhando. Quando as pessoas entendem isso, o preconceito cai.

Luke

Isso é verdade, mas também é atribuído à Milena. Não sabemos se é realmente a informação que está mudando a percepção ou se é simplesmente o tempo e a familiaridade com a marca. A empresa tem pesquisa de mercado que comprove isso?

Mark

Eles vendem dentro do Salão do Automóvel e do Festival Interlagos. Isso é realmente inovador?

Mimi

Para o Brasil, sim. Mostra que a marca está disposta a experimentar, a estar onde o cliente está, não só na concessionária.

Luke

Mas quantos carros foram vendidos nesses eventos? É um número significativo ou mais um experimento de marketing? Sem dados, é difícil avaliar o impacto real.

  • O EX2 já ocupa o segundo lugar no varejo brasileiro, sinalizando que a desconfiança histórica em relação a carros chineses começa a ceder diante de tecnologia concreta e comunicação bem calibrada.
  • Com apenas 50 concessionários em 24 estados, a Geely ainda corre contra o tempo para fechar o ano com 90 unidades e 90% de cobertura territorial — uma promessa de presença que precisa se tornar realidade.
  • A escolha de Fernanda Lima e Rodrigo Hilbert como embaixadores revela uma aposta calculada: humor e leveza como antídoto ao estereótipo frio da tecnologia asiática.
  • Consumidores chegam às concessionárias mais informados do que nunca, muitas vezes sabendo mais sobre o veículo do que o próprio vendedor — e a Geely vê nisso uma oportunidade, não uma ameaça.
  • A eletrificação redefine a experiência de dirigir, e a marca assume papel educacional nesse processo, sabendo que quem experimenta um elétrico raramente volta ao ponto de partida.

Uma montadora chinesa de alcance global chega ao Brasil não apenas com veículos, mas com a disposição de aprender o idioma cultural de um mercado singular. A Geely, controladora da Volvo e sócia da Renault, aposta no modelo EX2 e numa rede crescente de concessionários para traduzir ambição em presença real. Por trás dos números está uma pergunta mais profunda que toda marca estrangeira enfrenta: é possível ser global e, ao mesmo tempo, genuinamente local?

A Geely desembarcou no Brasil carregando um portfólio impressionante — controla a Volvo, tem participações na Zeekr e na Mercedes-Benz, e agora detém 26,7% da Renault do Brasil. Mas o foco imediato é mais direto: o modelo EX2, que em pouco tempo de operação já conquistou a segunda posição no varejo nacional.

A expansão física acompanha esse ritmo. São 50 concessionários distribuídos por 24 estados, com meta de chegar a 90 unidades e cobrir 90% do território brasileiro até o fim do ano. Para a marca, isso não é apenas logística — é uma promessa de suporte real ao consumidor, com peças disponíveis e assistência técnica garantida. Sustentando tudo isso, há uma infraestrutura tecnológica pouco comum: 64 satélites próprios dedicados à conectividade dos veículos e o maior centro de segurança automotivo do mundo.

Milena Martins, head de marketing da Geely no Brasil, sabe que tecnologia não basta para conquistar um mercado tão particular. A empresa incentiva suas operações locais a 'tropicalizar' a comunicação — e o time brasileiro levou isso a sério. Fernanda Lima e Rodrigo Hilbert foram escolhidos como embaixadores justamente pela capacidade de trazer humor e proximidade a uma marca que ainda precisa construir afeto. O Brasil, como a própria empresa brinca, é um país 'jabuticaba': único, com regras próprias.

O setor automotivo brasileiro está mudando de forma acelerada. Consumidores chegam às concessionárias com pesquisa feita, prontos para questionar. A Geely experimentou formatos novos — vendas diretas no Salão do Automóvel e no Festival Interlagos — como resposta a esse novo perfil de comprador. A eletrificação é parte central dessa transformação, embora conviva ainda com motores a combustão.

A desconfiança inicial em relação aos carros chineses existiu, mas está se dissolvendo. O que acelerou essa mudança, segundo Martins, foi informação de qualidade — mostrar que por trás de cada veículo há o trabalho de milhares de engenheiros. A Geely também soube se adaptar sem perder identidade, como demonstrou sua participação no Big Brother Brasil. Essa flexibilidade pode ser o diferencial que transforma presença em relevância duradoura.

A Geely chegou ao Brasil com uma estratégia que mistura ambição global e sensibilidade local. A montadora chinesa, que controla a Volvo e possui participações em marcas como Zeekr, Link & Co e Mercedes-Benz, agora é sócia da Renault do Brasil com 26,7% de participação. Mas o foco imediato está no modelo EX2, que já alcançou a segunda posição no varejo brasileiro em pouco tempo de operação.

O crescimento não é apenas números. A Geely estruturou sua presença no país com 50 concessionários espalhados por 24 estados, com planos de chegar a 90% de cobertura territorial até o final do ano através de 90 unidades. Isso significa peças disponíveis, distribuição organizada e assistência técnica garantida — premissas que a marca considera não negociáveis. Por trás dessa infraestrutura está um ecossistema tecnológico robusto: a empresa mantém 64 satélites em órbita dedicados exclusivamente à conectividade de seus veículos e opera o maior centro de segurança automotivo do mundo.

Mas tecnologia sozinha não conquista mercado. Milena Martins, head de marketing e comunicação da Geely, reconhece que o Brasil exige uma abordagem diferente. A estratégia global da empresa estimula suas operações locais a "tropicalizar" a comunicação, e o time brasileiro abraçou essa orientação com criatividade. A marca escolheu Fernanda Lima e Rodrigo Hilbert como embaixadores, apostando em humor e leveza para se conectar com o consumidor. Essa escolha reflete uma compreensão de que o mercado brasileiro é complexo, com nuances culturais e regionais que não podem ser ignoradas — o que a empresa brinca de chamar de país "jabuticaba".

O mercado automotivo brasileiro está em transformação. Consumidores chegam às concessionárias mais preparados, frequentemente com conhecimento técnico que rivaliza com o dos vendedores. A Geely experimentou formatos inovadores, como vendas diretas no Salão do Automóvel e no Festival Interlagos, sinais de que o setor está repensando como se relaciona com o cliente. A eletrificação é parte central dessa mudança, embora não signifique o fim dos motores a combustão. Quem experimenta um veículo elétrico ou híbrido vivencia uma experiência de direção fundamentalmente diferente — e a marca vê seu papel como educacional nesse processo.

Houve uma onda inicial de desconfiança em relação aos carros chineses. Muitos consumidores hesitavam em comprar. Mas essa percepção está mudando, impulsionada por informação de qualidade. Os veículos da Geely carregam tecnologia embarcada sofisticada, resultado do trabalho de milhares de engenheiros. A boa informação, segundo Martins, foi o que dissolveu o preconceito antigo. A marca também demonstra flexibilidade: participou do Big Brother de forma intensa e construtiva, abraçando a experiência de maneira que respeitasse tanto o DNA global da empresa quanto as expectativas do mercado local. Essa capacidade de se adaptar sem perder a identidade pode ser a chave para consolidar a Geely como um player relevante no Brasil.

A Geely estimula os mercados onde tem operações locais a tropicalizar a comunicação, trazendo humor, leveza e uma comunicação agradável
— Milena Martins, head de marketing da Geely
Quem experimenta um carro elétrico ou híbrido tem uma experiência diferente ao dirigir — esse é um papel educacional da marca
— Milena Martins
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