Com a entrada em vigor de uma alíquota única nacional de ICMS de R$ 1,22 por litro em junho de 2023, o preço da gasolina subiu imediatamente nos postos brasileiros — um reflexo de como decisões tributárias, tomadas em Brasília, chegam rapidamente ao cotidiano de quem abastece o carro. O alívio trazido pelo corte da Petrobras em maio durou pouco, e o horizonte de julho, com a retomada do PIS/Cofins, lembra que o preço dos combustíveis é sempre o resultado de múltiplas forças disputando o mesmo litro.
Gasolina sobe até R$ 0,33 por litro com novo ICMS; Pernambuco lidera alta
O ganho de maio desapareceu no mesmo dia que o novo imposto entrou em vigor
Por que o aumento foi tão desigual entre os estados? Alguns subiram R$ 0,33, outros quase nada.
Porque cada estado tinha uma alíquota diferente antes. O novo sistema criou uma alíquota única nacional, então quem cobrava menos viu o preço subir bastante, e quem cobrava mais viu descer um pouco.
Então Pernambuco cobrava muito pouco antes?
Exatamente. Pernambuco tinha uma das menores alíquotas do país. Quando a nova lei entrou em vigor, o salto foi o maior — R$ 0,33 por litro.
E a Petrobras? Ela cortou preço em maio, agora está subindo de novo?
Não é a Petrobras subindo. É o imposto. A Petrobras fez seu corte, mas os postos repassaram o aumento de ICMS no mesmo dia. O consumidor viu o ganho desaparecer.
Isso vai piorar?
Sim. Em julho o governo volta a cobrar PIS/Cofins integralmente. Mais uma rodada de aumentos à vista.
Então o consumidor está preso entre impostos federais e estaduais?
Está. E a Petrobras no meio, tentando manter sua política de preços enquanto os impostos sobem.
O Pulso
- A nova alíquota única de ICMS de R$ 1,22 por litro entrou em vigor no dia 1º de junho e os postos repassaram o aumento aos consumidores no mesmo dia, sem hesitação.
- Pernambuco foi o estado mais atingido, com alta de R$ 0,33 por litro, enquanto Amazonas e Piauí chegaram a registrar pequenas quedas, expondo a desigualdade regional do novo modelo.
- O corte de R$ 0,40 por litro promovido pela Petrobras em maio — marco de uma nova política comercial — foi parcialmente engolido pelo aumento tributário, frustrando consumidores que esperavam preços menores.
- Em julho, a retomada das alíquotas integrais de PIS/Cofins deve gerar nova pressão de alta, sinalizando que o ciclo de alívio nos combustíveis pode estar chegando ao fim.
Com a entrada em vigor de uma alíquota única nacional de ICMS de R$ 1,22 por litro em junho de 2023, o preço da gasolina subiu imediatamente nos postos brasileiros — um reflexo de como decisões tributárias, tomadas em Brasília, chegam rapidamente ao cotidiano de quem abastece o carro. O alívio trazido pelo corte da Petrobras em maio durou pouco, e o horizonte de julho, com a retomada do PIS/Cofins, lembra que o preço dos combustíveis é sempre o resultado de múltiplas forças disputando o mesmo litro.
Uma pesquisa do Panorama Veloe, que monitora 30 mil postos em 14 estados, confirmou o que muitos motoristas já sentiam na bomba: a gasolina ficou mais cara. Os aumentos, registrados entre quarta e quinta-feira de maio, chegaram a R$ 0,33 por litro e têm nome e sobrenome — o novo modelo de cobrança do ICMS, com alíquota única nacional de R$ 1,22 por litro, que entrou em vigor no dia 1º de junho.
O impacto variou conforme o estado. Pernambuco liderou as altas com R$ 0,33 por litro, seguido pelo Rio Grande do Sul com R$ 0,29 e Espírito Santo com R$ 0,18. São Paulo, Minas Gerais, Santa Catarina e Bahia tiveram reajustes mais modestos, de R$ 0,09. Já estados que antes praticavam alíquotas mais elevadas saíram ganhando: Amazonas registrou queda de R$ 0,06 e Piauí de R$ 0,03.
Segundo o consultor Dietmar Schupp, o novo valor representa R$ 0,20 a mais do que a média cobrada pelos estados na segunda quinzena de maio. A velocidade do repasse surpreendeu: os postos ajustaram os preços no mesmo dia em que a nova regra entrou em vigor.
O momento é delicado. O corte de R$ 0,40 por litro anunciado pela Petrobras em 17 de maio — símbolo de uma mudança na política comercial da estatal, que abandonou a paridade de importação — foi em grande parte neutralizado pelo aumento tributário. E o pior pode estar por vir: em julho, o governo federal deve retomar as alíquotas integrais de PIS/Cofins, adicionando nova pressão sobre o preço da gasolina. No meio do debate, o ministro Fernando Haddad sugeriu que a Petrobras havia reservado parte do corte de maio para absorver o aumento de impostos — acusação que a estatal negou.
A gasolina ficou mais cara nos postos brasileiros nesta semana. Uma pesquisa do Panorama Veloe, que acompanha 30 mil postos em 14 estados, registrou aumentos de até R$ 0,33 por litro entre quarta e quinta-feira de maio. A culpa é do novo modelo de cobrança do ICMS, que entrou em vigor no dia 1º de junho com uma alíquota única nacional de R$ 1,22 por litro.
O impacto não foi uniforme. Pernambuco liderou as altas, com o combustível subindo R$ 0,33 por litro. Rio Grande do Sul viu aumentos de R$ 0,29, Espírito Santo de R$ 0,18 e Roraima de R$ 0,15. Em São Paulo, Minas Gerais, Santa Catarina e Bahia, o reajuste foi mais modesto: R$ 0,09 por litro. Alguns estados que praticavam alíquotas mais altas experimentaram o oposto — Amazonas registrou queda de R$ 0,06 e Piauí de R$ 0,03. Tocantins, Alagoas e Rio Grande do Norte não apresentaram variações significativas.
O novo valor de R$ 1,22 por litro representa um aumento de R$ 0,20 sobre a média que os estados cobravam na segunda quinzena de maio, segundo Dietmar Schupp, consultor especializado em tributação de combustíveis. A mudança foi rápida: os postos repassaram o aumento aos consumidores no mesmo dia em que a nova alíquota entrou em vigor.
Este reajuste interrompe um período de alívio nos preços. No dia 17 de maio, a Petrobras havia cortado R$ 0,40 por litro nas refinarias, marcando o início de uma nova política comercial que abandona o conceito de paridade de importação. Agora, esse ganho foi parcialmente apagado pelo aumento de impostos.
O cenário deve piorar em julho. O governo federal planeja retomar as alíquotas integrais de PIS/Cofins, que haviam sido zeradas durante o governo Bolsonaro e retomadas apenas parcialmente por Lula em março. Quando isso acontecer, a gasolina sofrerá nova pressão de alta. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, havia sugerido que a Petrobras havia retido parte do corte de maio para compensar o aumento de impostos, mas a estatal negou a acusação.
Citações Notáveis
A alíquota única nacional de R$ 1,22 por litro representa R$ 0,20 acima da média praticada pelos estados na segunda quinzena de maio— Dietmar Schupp, consultor especializado em tributação de combustíveis