Fundação do Câncer lança campanha contra cigarros eletrônicos no Dia Nacional de Combate ao Fumo

Jovens sofrem com síndrome Evali (lesão pulmonar aguda), alguns necessitando transplante de pulmão, além de queimaduras graves por explosões dos dispositivos.
Parece inofensivo, mas produz uma série de doenças e agravos
Alerta do diretor executivo da Fundação do Câncer sobre os riscos reais do cigarro eletrônico.
Mark

Por que a Fundação do Câncer escolheu especificamente o cigarro eletrônico para a campanha deste ano?

Mimi

Porque está proibido desde 2009, mas circula livremente entre os jovens. É uma contradição que precisa ser enfrentada. O dispositivo se disfarça de inofensivo — vem em formatos de pen drive, com sabores atraentes — mas carrega nicotina sete vezes maior que o cigarro comum.

Mark

Um em cada cinco jovens usa. Isso é realmente alarmante?

Mimi

Sim. Quando você tem 20% de uma população inteira nessa faixa etária usando um produto proibido, você está vendo uma porta de entrada aberta para o vício. Esses jovens não estão fumando cigarro convencional; estão começando pelo eletrônico.

Mark

E os riscos à saúde são diferentes do cigarro normal?

Mimi

Não são apenas diferentes — são piores em alguns aspectos. Você tem os mesmos cânceres, as mesmas doenças cardiovasculares. Mas tem também a síndrome Evali, uma inflamação aguda dos pulmões que alguns jovens nos EUA precisaram de transplante para sobreviver.

Mark

Transplante de pulmão por causa de cigarro eletrônico?

Mimi

Exatamente. E explosões. As baterias e líquidos inflamáveis explodem na boca, nos dedos, causam queimaduras graves. Ninguém fala disso quando vê um jovem usando.

Mark

Por que as universidades estão envolvidas?

Mimi

Porque elas alcançam três milhões de jovens. Se você quer mudar comportamento nessa faixa etária, tem que estar onde eles estão — nas salas de aula, nos campi.

Mark

E quanto à venda ilegal? Como a campanha aborda isso?

Mimi

Estimulando denúncias. Quer seja em bancas de jornal, tabacarias ou pela internet, o produto é ilegal. A ideia é que as pessoas saibam disso e denunciem os pontos de venda.

  • Um em cada cinco jovens brasileiros entre 18 e 24 anos usa cigarro eletrônico — um produto proibido que circula livremente disfarçado em sabores e formatos sedutores.
  • Os dispositivos carregam até 7 gramas de nicotina por unidade, contra 1 grama do cigarro convencional, e estão associados a cânceres, infartos, enfisema e à síndrome Evali, que pode exigir transplante de pulmão.
  • Além dos danos internos, baterias instáveis causam explosões que destroem tecidos da boca e dos membros, e os resíduos plásticos e metálicos poluem rios e solo sem se decompor.
  • A campanha mobiliza 247 universidades particulares e 3 milhões de estudantes, disponibiliza material gratuito para download e convida a população a denunciar pontos de venda ilegais — físicos e online.
  • Parceiros como a concessionária Ecoponte ampliam o alcance da mensagem nos painéis de LED da Ponte Rio-Niterói, sinalizando que o combate ao problema exige presença em todos os espaços públicos.

No Dia Nacional de Combate ao Fumo, a Fundação do Câncer e a Associação Nacional das Universidades Particulares uniram forças para lembrar ao Brasil que nem tudo que parece vapor é inocente. O cigarro eletrônico, proibido no país desde 2009, seduz um em cada cinco jovens entre 18 e 24 anos com aromas e formatos disfarçados, enquanto carrega até sete vezes mais nicotina do que o cigarro convencional. A campanha é um convite à lucidez coletiva: reconhecer o perigo onde ele se esconde com mais elegância.

Na data em que o Brasil marca o Dia Nacional de Combate ao Fumo, a Fundação do Câncer e a Associação Nacional das Universidades Particulares (Anup) lançaram uma campanha com foco nos jovens: o cigarro eletrônico, apesar da aparência inofensiva, representa um risco grave e comprovado à saúde.

O cirurgião oncológico Luiz Augusto Maltoni, diretor executivo da Fundação do Câncer, explicou que o produto é proibido no Brasil desde 2009 pela Anvisa, mas circula amplamente entre adolescentes e adultos jovens, funcionando como porta de entrada para o vício. Pesquisa do Covitel revelou que 20% dos brasileiros entre 18 e 24 anos já usam esses dispositivos — que chegam a conter 7 gramas de nicotina, sete vezes mais do que o cigarro tradicional, escondidos sob aromas e sabores atraentes.

Os riscos vão além da dependência. Maltoni listou cânceres de pulmão, boca, esôfago, pâncreas e bexiga, além de doenças cardiovasculares e pulmonares. Nos Estados Unidos, o CDC identificou a síndrome Evali — inflamação aguda dos pulmões em jovens usuários que pode levar à UTI e, em casos extremos, ao transplante de pulmão. Há ainda o perigo das explosões causadas pelas baterias, que provocam queimaduras graves, e o impacto ambiental dos resíduos plásticos e metálicos que poluem cursos d'água.

A campanha convoca cidadãos a denunciarem pontos de venda ilegais e conta com o apoio de 247 universidades particulares, alcançando 3 milhões de estudantes. O material está disponível gratuitamente no site da Fundação do Câncer, e a Ecoponte divulgará a mensagem nos painéis da Ponte Rio-Niterói. Para Elizabeth Guedes, presidente da Anup, as universidades têm papel central na conscientização de uma geração que precisa reconhecer o perigo onde ele se apresenta com mais charme.

Nesta segunda-feira, 29 de agosto, enquanto o país marcava o Dia Nacional de Combate ao Fumo, a Fundação do Câncer e a Associação Nacional das Universidades Particulares lançaram uma campanha com mensagem direta: cigarro eletrônico parece inofensivo, mas não é. O alvo principal são os jovens, embora a iniciativa se dirija a toda a população.

O cirurgião oncológico Luiz Augusto Maltoni, diretor executivo da Fundação do Câncer, explicou por que o cigarro eletrônico mereceu ser tema da campanha deste ano. Apesar de sua venda e propaganda estarem proibidas no Brasil desde 2009 pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária, o produto circula amplamente entre os jovens e funciona como porta de entrada para o vício do tabaco. Os dispositivos vêm disfarçados em formatos variados, com aromas e sabores atraentes, mas carregam concentrações de nicotina muito superiores às do cigarro convencional. Enquanto um cigarro tradicional contém até um grama de nicotina, os eletrônicos chegam a sete gramas por unidade.

Os números revelam a dimensão do problema. Uma pesquisa recente do Covitel, realizada pela Vital Strategies e pela Universidade Federal de Pelotas, mostrou que um em cada cinco jovens brasileiros entre 18 e 24 anos usa cigarro eletrônico. Maltoni considera esse percentual alarmante. Dados do Ministério da Saúde indicam que mais de dois milhões de pessoas já experimentaram esses dispositivos eletrônicos, com maior prevalência justamente na faixa etária dos 18 aos 24 anos.

A campanha não apenas alerta sobre os riscos à saúde, mas também reforça que a venda desses produtos é ilegal no país e convida cidadãos a denunciarem pontos de venda, sejam lojas físicas como bancas de jornal e tabacarias, ou plataformas online. Elizabeth Guedes, presidente da Anup, destacou que as universidades têm papel social importante na sensibilização dos jovens. A associação reúne 247 instituições particulares de ensino superior, alcançando três milhões de estudantes. O material da campanha está disponível gratuitamente no site da Fundação do Câncer para download, impressão e compartilhamento em redes sociais. A concessionária Ecoponte também é parceira e divulgará a mensagem nos painéis de LED da Ponte Rio-Niterói.

Maltoni detalhou as doenças associadas ao cigarro eletrônico. O dispositivo produz grande volume de substâncias tóxicas e cancerígenas que causam cânceres de pulmão, esôfago, boca, pâncreas e bexiga, além de doenças cardiovasculares como infarto e derrame cerebral, e doenças pulmonares como enfisema. Mas há também riscos menos conhecidos. Nos Estados Unidos, antes da pandemia de covid-19, foi identificada a síndrome Evali pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças, uma inflamação aguda dos pulmões em jovens usuários que pode levar à internação em unidades de terapia intensiva, intubação e, em casos extremos, transplante de pulmão.

Além dos danos à saúde, Maltoni alertou para explosões causadas pelas baterias e líquidos inflamáveis dos dispositivos, que destroem vasos da boca e dedos, além de provocar queimaduras graves em braços e pernas. Há ainda a questão ambiental: os cigarros eletrônicos contêm metal, plástico, baterias e circuitos cujos resíduos não são biodegradáveis. Os cartuchos e dispositivos descartáveis se decompõem em microplásticos e produtos químicos que poluem cursos d'água.

A campanha representa uma tentativa coordenada de frear o avanço do cigarro eletrônico entre jovens brasileiros, mobilizando universidades, órgãos de saúde e parceiros privados para esclarecer que o produto, longe de ser inócuo, carrega uma série de consequências graves e comprovadas.

20% é muito alarmante
— Luiz Augusto Maltoni, diretor executivo da Fundação do Câncer
O cigarro eletrônico é uma enganação. Ele não é inócuo, mas produz uma série de doenças e agravos
— Luiz Augusto Maltoni
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