No cruzamento entre a guerra e o comércio, a Rússia estendeu o braço do Estado sobre os ativos de empresas europeias como a Auchan e a Nestlé, invocando a solidariedade militar dos seus países de origem com a Ucrânia. Putin assinou um decreto que entrega a gestão temporária dessas operações a uma empresa russa criada para o efeito, enquanto França e Suíça rejeitam a medida como desprovida de fundamento legal. É mais um capítulo na longa transformação da economia em campo de batalha.
França pede à Rússia que reverta controlo temporário da Auchan
Controlo temporário que pode durar indefinidamente
Porque é que a Rússia faz isto agora? Que muda com este decreto?
Moscovo está a tentar manter o controlo sobre empresas que não consegue forçar a ficar. Quando a Auchan ou a Nestlé não querem operar sob sanções, a Rússia toma os ativos em vez de os deixar ir.
Mas espera — o Kremlin diz que é "temporário". Temos alguma evidência de que isto é realmente reversível, ou é apenas linguagem?
Peskov foi claro: por enquanto, é só controlo. Não há decreto sobre venda ou transferência permanente. Mas a história desde 2022 sugere que "temporário" pode durar muito tempo.
E a L.E.V. Management — quem é? Uma empresa de verdade ou uma estrutura criada para isto?
Registada em outubro de 2024, dedicada a consultoria. Parece ter sido criada especificamente para este fim — gerir ativos confiscados.
Então não sabemos realmente se tem experiência em gerir redes de retalho como a Auchan. Isso é um risco operacional real para as lojas.
A França pode fazer algo? Tem ferramentas diplomáticas ou comerciais?
Protestou formalmente, mas sem sanções adicionais ou ação coordenada da UE, é principalmente uma declaração de posição.
E a Suíça? A Nestlé é suíça. Porque é que não ouvimos tanto sobre isso?
A Suíça tende a ser mais discreta diplomaticamente. Mas sim, a Nestlé é um ativo muito maior que a Auchan — isto afeta empresas de peso real.
Le Pouls
- Putin assinou um decreto que coloca sob controlo estatal temporário os ativos da Auchan e da Nestlé, escalando a pressão económica sobre países ocidentais que apoiam a Ucrânia.
- O Kremlin justifica a medida classificando França, Suíça e outros como nações 'inamistosas', acusando-as de participar em ataques a infraestruturas civis russas.
- Paris respondeu com protesto formal, com os ministérios da Economia e dos Negócios Estrangeiros a rejeitarem a decisão por ausência de qualquer base jurídica ou comercial válida.
- A empresa russa L.E.V. Management, registada em outubro de 2024, foi designada para administrar temporariamente as operações europeias afetadas, sem que esteja ainda decidido o destino final dos ativos.
- A medida insere-se numa estratégia crescente de Moscovo de nacionalização temporária de empresas estrangeiras desde a invasão da Ucrânia em 2022, mas representa uma escalada pela dimensão das empresas agora visadas.
No cruzamento entre a guerra e o comércio, a Rússia estendeu o braço do Estado sobre os ativos de empresas europeias como a Auchan e a Nestlé, invocando a solidariedade militar dos seus países de origem com a Ucrânia. Putin assinou um decreto que entrega a gestão temporária dessas operações a uma empresa russa criada para o efeito, enquanto França e Suíça rejeitam a medida como desprovida de fundamento legal. É mais um capítulo na longa transformação da economia em campo de batalha.
A França protestou esta sexta-feira contra a decisão de Moscovo de colocar sob administração estatal temporária os ativos de grandes empresas europeias, incluindo a rede de retalho Auchan. O Kremlin justifica a medida com o apoio militar que países como a França e a Suíça prestam à Ucrânia e com a sua alegada participação em operações contra infraestruturas russas.
Putin assinou um decreto que autoriza a empresa L.E.V. Management a assumir o controlo temporário dos ativos da Nestlé e da filial russa da Auchan, bem como das operações da cadeia Le Monlid, anteriormente conhecida como Leroy Merlin em território russo. Os ministérios franceses da Economia e dos Negócios Estrangeiros rejeitaram a decisão, considerando-a sem justificação legal ou comercial.
O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, sublinhou que a medida se limita, por agora, ao controlo temporário dos ativos, sem que esteja tomada qualquer decisão sobre transferência permanente ou venda. A L.E.V. Management, registada em Moscovo em outubro de 2024 como entidade de consultoria de gestão, ficará encarregada de administrar essas operações enquanto as relações entre a Rússia e o Ocidente permanecerem em suspenso.
Esta ação representa uma escalada num padrão já estabelecido desde a invasão da Ucrânia em fevereiro de 2022, durante o qual Moscovo tem determinado a gestão estatal de várias empresas estrangeiras que abandonaram o mercado russo ou cujos países impuseram sanções económicas à Rússia.
A França protestou esta sexta-feira contra uma decisão de Moscovo que coloca sob administração estatal temporária os ativos de grandes empresas europeias, incluindo a rede de retalho francesa Auchan. O Kremlin justifica a medida alegando que os países afetados — entre os quais a França, a Suíça e outros — prestam apoio militar à Ucrânia e estão envolvidos em operações contra infraestruturas civis russas.
Vladimir Putin assinou na quinta-feira um decreto que autoriza a empresa russa L.E.V. Management a assumir o controlo temporário dos ativos da Nestlé, sediada na Suíça, e da filial russa da Auchan. A mesma medida foi aplicada às operações da cadeia Le Monlid, que funcionava anteriormente em território russo sob a marca Leroy Merlin. Os ministérios franceses da Economia e dos Negócios Estrangeiros rejeitam a decisão, considerando-a sem justificação legal ou comercial válida.
O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, explicou que a ação visa empresas originárias de nações que Moscovo classifica como "inamistosas". Segundo o Kremlin, o critério inclui o apoio militar desses países à Ucrânia e a sua alegada participação em ataques a infraestruturas críticas russas. Peskov sublinhou que, nesta fase, a medida se limita ao "estabelecimento do controlo temporário" dos ativos, deixando em aberto qualquer decisão futura sobre a sua transferência permanente ou venda.
A L.E.V. Management, empresa encarregada de gerir estes ativos, foi registada em Moscovo em outubro de 2024 como entidade dedicada a consultoria comercial e de gestão. O seu papel é administrar temporariamente as operações das empresas europeias enquanto a situação política e comercial entre a Rússia e os países ocidentais permanecer em suspenso.
Esta ação insere-se num padrão mais amplo de medidas adotadas pela Rússia desde a invasão da Ucrânia, em 24 de fevereiro de 2022. Desde então, os dirigentes russos têm determinado a gestão estatal temporária de várias empresas estrangeiras que abandonaram o mercado russo ou cujos países de origem impuseram sanções económicas a Moscovo. A decisão de agora representa uma escalada nesta estratégia, afetando empresas de grande dimensão e presença comercial significativa no território russo.
Citations marquantes
Por enquanto, trata-se apenas do estabelecimento do controlo temporário dos ativos— Dmitri Peskov, porta-voz do Kremlin
Os ministérios franceses da Economia e Negócios Estrangeiros consideram injustificada a medida russa— Governo francês