Fotojornalista iraniana condenada a 15 anos desafia regime e apela: 'Não se esqueçam de mim'

Yalda Moaiery enfrenta 15 anos de prisão em sistema carcerário notoriamente severo do Irã por seu trabalho jornalístico documentando a realidade do país.
Não se esqueçam de mim
O apelo final de Yalda Moaiery enquanto enfrenta 15 anos de prisão por documentar a verdade no Irã.
Mark

Por que ela continua falando, mesmo sabendo que cada palavra pode piorar sua situação?

Mimi

Porque para ela, o silêncio é uma morte em vida. Ela passou 25 anos documentando a verdade. Parar agora seria negar tudo pelo que trabalhou.

Mark

Mas 15 anos é uma sentença muito longa. Ela realmente acredita que falar com jornalistas internacionais vai ajudá-la?

Mimi

Ela viu isso funcionar com outros. Rezaian, Saberi, Namazi — todos saíram porque o mundo estava olhando. A atenção internacional é a única moeda que ela tem.

Mark

E quanto ao medo? Ela tem medo?

Mimi

Claro que tem. Ela disse isso claramente. Mas o medo não a paralisa. É o preço que ela aceitou pagar há muito tempo.

Mark

O que mudou entre fevereiro e agora? Por que a esperança desapareceu?

Mimi

A guerra não derrubou o regime. Em vez disso, fortaleceu-o. E enquanto isso, as pessoas estão morrendo de fome economicamente. A esperança não sobrevive à fome.

Mark

Ela acha que o regime vai cair?

Mimi

Ela não disse isso. O que ela disse é que viu a pior versão do regime que já conheceu. Mais raivosa, mais dura. Não há esperança de mudança rápida.

Mark

Então por que ela continua?

Mimi

Porque alguém precisa contar a história. E porque, mesmo que não mude nada, a verdade importa.

  • Um tribunal iraniano condenou Moaiery a 15 anos de prisão por documentar protestos e repressão, acusando-a de agir contra a segurança nacional em favor de interesses estrangeiros.
  • Horas antes de conceder uma entrevista recente, autoridades ameaçaram invadir sua casa e confiscar seus celulares caso ela voltasse a falar com a imprensa internacional.
  • A jornalista avalia que o regime saiu fortalecido da guerra com os EUA e Israel, enquanto a população iraniana afunda em crise econômica e perde a esperança que alimentou os protestos.
  • Mesmo diante da sentença, Moaiery recusa-se a recuar: 'Não vou desistir. Não me arrependo de nada', declarou, insistindo que a visibilidade internacional é sua única forma de defesa.
  • Ela aposta na estratégia que funcionou para outros presos do regime — Jason Rezaian, Roxana Saberi, Siamak Namazi — acreditando que a atenção da mídia global pode pressionar por sua libertação.
  • Seu apelo final condensa tudo: 'Não se esqueçam de mim' — uma frase que é, ao mesmo tempo, pedido de socorro e ato de resistência jornalística.

Em Teerã, a fotojornalista Yalda Moaiery foi condenada a 15 anos de prisão por fazer aquilo que jornalistas fazem: registrar a realidade. Sua sentença, proferida por um tribunal iraniano em agosto de 2026, é mais um capítulo na longa história dos regimes que confundem a câmera com uma arma. Diante da perspectiva de um encarceramento que consumiria mais de uma década de sua vida, ela escolheu não silenciar — apostando que a luz pública pode ser, para ela, o que a verdade sempre foi para seu trabalho: a única proteção possível.

Yalda Moaiery tem 44 anos e passou mais de duas décadas fotografando a vida sob o regime iraniano. Seus registros — dos protestos, da repressão, dos conflitos — circularam pelo mundo. Em agosto de 2026, um tribunal iraniano a condenou a 15 anos de prisão sob a acusação de agir contra a segurança nacional. Na prática, ela tirou fotografias e contou o que viu.

Em fevereiro, quando protestos antigovernamentais tomaram mais de cem cidades, Moaiery descreveu à CNN multidões que nunca havia visto em 25 anos de trabalho — famílias inteiras, crianças, idosos nas ruas. Mas conforme o governo reprimia as manifestações e matava milhares, ela viu a esperança desaparecer. 'Um dos momentos mais tristes da nossa história', disse ela na época.

Quando a guerra entre Irã, EUA e Israel começou, muitos iranianos esperavam que o conflito derrubasse o regime. Seis meses depois, com o conflito sem fim à vista e a economia em colapso, essa esperança havia evaporado. Mais grave ainda: Moaiery acredita que a guerra fortaleceu o regime. 'Estamos diante da pior versão da República Islâmica que já vi', afirmou. 'Muito mais raivosa, muito mais dura.'

Horas antes de uma entrevista recente, autoridades a ameaçaram de invasão domiciliar e confisco de celulares caso falasse novamente com a imprensa internacional. Ela falou assim mesmo. 'Quinze anos são uma vida inteira, mas esse é o risco que aceitei correr para dizer a verdade', declarou. 'Não vou desistir. Não me arrependo de nada.'

Sua estratégia tem precedente: outros presos do regime iraniano, como Jason Rezaian e Roxana Saberi, atribuíram sua libertação, em parte, à pressão gerada pela atenção pública internacional. É nisso que Moaiery deposita sua esperança agora. 'Como jornalista independente, não temos nenhuma arma', disse ela. 'Temos apenas a mídia e a verdade.' E então acrescentou as palavras que resumem seu apelo ao mundo: 'Não se esqueçam de mim.'

Yalda Moaiery tem 44 anos e passou mais de duas décadas com uma câmera nas mãos, documentando a vida sob o governo iraniano. Seus trabalhos circularam por publicações em todo o mundo — fotografias dos protestos de janeiro, da repressão sangrenta que se seguiu, do conflito com os Estados Unidos, das campanhas de controle que continuam. No início de agosto, um tribunal iraniano a condenou a 15 anos de prisão. A acusação: realizar atividades em prol dos interesses do regime sionista contra a segurança nacional. O que isso significa, na prática, é que ela tirou fotografias. Ela conversou com jornalistas. Ela contou o que viu.

Em fevereiro, quando os protestos antigovernamentais explodiram em mais de cem cidades, Moaiery conseguiu falar com a CNN por uma conexão de internet instável enquanto o regime tentava bloquear as comunicações com o mundo exterior. Ela descreveu multidões que nunca havia visto em 25 anos de trabalho — centenas de milhares de pessoas nas ruas, famílias inteiras, crianças, idosos, todos juntos. Mas conforme o governo reprimia as manifestações e matava milhares, segundo estimativas de grupos de direitos humanos, ela viu a esperança desaparecer. "Terrível, um dos momentos mais tristes da nossa história", disse ela na época. "Tenho 44 anos. Nunca vivenciei um sentimento assim em toda a minha vida."

Quando os Estados Unidos e Israel iniciaram uma guerra contra o Irã em fevereiro, muitos iranianos com quem Moaiery conversou esperavam que o conflito pudesse derrubar o regime. "As pessoas apoiam a guerra", relatou ela. "Tenho de ser sincera... as pessoas querem que a guerra continue porque tentaram muitas vias pacíficas para mudar este regime." Mas seis meses depois, com a guerra prolongando-se sem fim à vista e a pressão econômica intensificando-se, aquela esperança inicial havia evaporado. "Não, de jeito nenhum", disse ela quando perguntada se a esperança permanecia. As pessoas agora pensam na situação econômica — não conseguem arcar com as necessidades mais básicas. A verdadeira guerra, segundo ela, é a economia.

Mais preocupante ainda é sua avaliação do regime em si. Moaiery acredita que a guerra o fortaleceu. "Mais forte, infelizmente", disse ela. "Estamos diante... da pior versão da República Islâmica que já vi... Sou filha da República Islâmica. Nasci alguns anos depois de o regime assumir o poder, mas nunca vi nada parecido em toda a minha vida. Essa versão mais recente é muito mais raivosa, muito mais dura." Ela estava enfrentando essa pressão justamente enquanto falava com a CNN. Horas antes de uma entrevista recente, as autoridades iranianas a ameaçaram, dizendo que invadiriam sua casa novamente se ela voltasse a falar com a imprensa internacional. Eles ameaçaram levar seus celulares.

Mas Moaiery recusou-se a silenciar. "Não me importo", disse ela. "Quer dizer, é claro que tenho medo do que vai acontecer. Quinze anos são uma vida inteira, mas... esse é o risco que aceitei correr durante toda a minha vida para dizer a verdade, para mostrar a verdade, para ser uma jornalista e fotojornalista independente. Não vou desistir. Não me arrependo de nada." Quando perguntada se estava preocupada que falar com a CNN pudesse piorar sua situação, ela respondeu que acreditava que isso "definitivamente ajudaria". Ela insistiu: "Precisamos fazer esta entrevista".

Sua estratégia não é incomum. Outros prisioneiros do regime iraniano — o jornalista Jason Rezaian, a jornalista Roxana Saberi, o empresário Siamak Namazi — afirmaram que a atenção pública sobre seus casos, incluindo cobertura na mídia internacional, ajudou a exercer pressão que eventualmente levou à sua libertação. Essa é a esperança de Moaiery agora. "Como jornalista — como jornalista independente —, não temos nenhum tipo de arma", disse ela. "Temos apenas a mídia e a verdade; é isso que sempre procuro preservar quando informo as pessoas sobre o que está acontecendo no meu país, ou sobre o que acontece comigo ou com o meu caso. Isso ajudará outros jornalistas ao redor do mundo que vivem sob regimes autoritários." E então ela acrescentou as palavras que resumem seu apelo: "Não se esqueçam de mim."

Nunca vi uma multidão assim nesses 25 anos em que trabalho como fotojornalista. Foi incrível. Um número enorme de pessoas — centenas de milhares — estava nas ruas.
— Yalda Moaiery, descrevendo os protestos de janeiro
Estamos diante... da pior versão da República Islâmica que já vi... Essa versão mais recente é muito mais raivosa, muito mais dura.
— Yalda Moaiery, sobre o regime atual
Como jornalista independente, não temos nenhum tipo de arma. Temos apenas a mídia e a verdade.
— Yalda Moaiery
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