Em meio à velocidade e abundância da fotografia digital contemporânea, o fotógrafo egípcio Fareed Kotb chegou à Copa do Mundo de 2026 carregando uma Zeiss Ikon Ideal fabricada em 1930 — o mesmo ano do primeiro Mundial. Encontrada em uma loja de antiguidades do Cairo, a câmera já havia testemunhado os Jogos Olímpicos de Berlim e a Copa de 1954, e agora era convocada novamente para estabelecer um diálogo silencioso entre gerações de fotógrafos esportivos. Com apenas vinte imagens produzidas em dois jogos no Canadá, Kotb nos lembra que a intenção e a deliberação podem ser, por si sós, uma forma d
Fotógrafo egípcio registra Copa do Mundo com câmera de 1930
Vinte fotos em dois jogos — cada uma era uma decisão deliberada
Por que escolher uma câmera de 1930 para cobrir um evento moderno? Não é mais difícil?
Muito mais difícil. Mas essa dificuldade era o ponto. Queria conectar o primeiro Mundial ao torneio de agora.
E como você aprendeu a usar uma máquina que ninguém mais usa?
Meses de prática. Manuais antigos, testes, ajustes. Precisava entender cada movimento antes de levar para o estádio.
Vinte fotos em dois jogos parece pouco. Você se sentia limitado?
Não era limitação, era intenção. Cada foto precisava contar algo. Sem a possibilidade de disparar centenas de vezes, você pensa diferente.
A câmera já havia coberto outras Copas?
Sim. Berlim em 1936, Suíça em 1954. Estava carregando décadas de história nos ombros.
O que você espera que as pessoas vejam nessas imagens?
Que a fotografia esportiva tem raízes, que há uma conversa entre o passado e o presente. Que tecnologia antiga ainda pode contar histórias verdadeiras.
The Pulse
- Uma câmera de quase cem anos foi levada a um dos maiores eventos esportivos do planeta — e funcionou.
- Kotb passou meses decifrando manuais antigos e fazendo testes antes de se sentir seguro o suficiente para entrar em um estádio lotado com o equipamento.
- Em dois jogos — Portugal contra Croácia em Toronto e Colômbia contra Suíça em Vancouver — ele disparou com extrema parcimônia, produzindo apenas vinte imagens intencionais.
- O projeto provoca uma tensão real com o ritmo da fotografia moderna, onde centenas de disparos por minuto são a norma e a escassez é quase um ato político.
- As imagens resultantes carregam uma história dupla: a dos atletas em campo e a da própria câmera, que segue vendo o mundo quase um século após sua fabricação.
Em meio à velocidade e abundância da fotografia digital contemporânea, o fotógrafo egípcio Fareed Kotb chegou à Copa do Mundo de 2026 carregando uma Zeiss Ikon Ideal fabricada em 1930 — o mesmo ano do primeiro Mundial. Encontrada em uma loja de antiguidades do Cairo, a câmera já havia testemunhado os Jogos Olímpicos de Berlim e a Copa de 1954, e agora era convocada novamente para estabelecer um diálogo silencioso entre gerações de fotógrafos esportivos. Com apenas vinte imagens produzidas em dois jogos no Canadá, Kotb nos lembra que a intenção e a deliberação podem ser, por si sós, uma forma de resistência ao efêmero.
Fareed Kotb chegou à Copa do Mundo com uma câmera que nasceu no mesmo ano que o torneio. A Zeiss Ikon Ideal de 1930 não era apenas um objeto antigo — era uma máquina com currículo: havia documentado os Jogos Olímpicos de Berlim em 1936 e a Copa do Mundo na Suíça em 1954, antes de desaparecer em uma loja de antiguidades do Cairo, onde o fotógrafo egípcio a encontrou.
Sua intenção não era nostálgica. Kotb queria traçar um fio invisível entre o primeiro Mundial e o torneio atual, reconhecendo que a fotografia esportiva tem uma linhagem — e que os fotógrafos que vieram antes dele enfrentaram desafios similares com tecnologia ainda mais primitiva. Para isso, passou meses estudando manuais antigos, praticando o foco e ajustando exposições até dominar o equipamento.
Quando chegou ao Canadá, fotografou apenas dois jogos. De tudo o que capturou, apenas vinte imagens saíram como pretendia — um número ínfimo para qualquer profissional acostumado a disparar centenas de vezes por minuto, mas que para Kotb representava decisões deliberadas e profundamente conscientes.
Em um momento em que a fotografia digital é instantânea e infinita, Kotb escolheu o caminho oposto: lento, escasso, finito. Suas imagens contam uma história dupla — a dos jogadores em campo e a da própria câmera, que continuava funcionando e registrando o mundo quase um século depois de ter sido fabricada.
Fareed Kotb chegou à Copa do Mundo com uma câmera que nasceu no mesmo ano que o torneio. A Zeiss Ikon Ideal, fabricada em 1930, pesava nos seus ombros não apenas pelo metal e vidro, mas pela história que carregava — uma máquina que havia documentado os Jogos Olímpicos de Berlim em 1936 e a Copa do Mundo na Suíça em 1954, antes de desaparecer em uma loja de antiguidades do Cairo, onde Kotb a encontrou.
O fotógrafo egípcio não estava ali para quebrar recordes de velocidade ou quantidade. Sua intenção era outra: estabelecer um fio invisível entre o primeiro Mundial, disputado em 1930, e o torneio que se desenrolava agora. Para isso, precisava dominar uma máquina que a maioria dos fotógrafos modernos nunca havia tocado. Passou meses aprendendo como a câmera funcionava, estudando manuais antigos, praticando o foco, ajustando a exposição, fazendo fotos de teste até que se sentisse seguro o suficiente para levar o equipamento para um estádio lotado.
Quando finalmente chegou ao Canadá, Kotb fotografou apenas dois jogos. O primeiro foi entre Portugal e Croácia, em Toronto. O segundo, Colômbia contra Suíça, em Vancouver. Do total de momentos que capturou nessas duas partidas, apenas vinte imagens saíram como pretendia. Vinte fotos em dois jogos — um número que parece minúsculo para qualquer fotógrafo contemporâneo, acostumado a disparar centenas de vezes por minuto. Mas para Kotb, cada uma delas era o resultado de uma decisão deliberada, de um entendimento profundo do que aquela câmera podia fazer e do que ele queria contar.
A escolha de usar um equipamento centenário em um evento global não era nostalgia vazia. Era uma forma de diálogo entre épocas, de reconhecer que a fotografia esportiva tem uma linhagem, que os fotógrafos que vieram antes dele enfrentaram desafios similares com tecnologia ainda mais primitiva. Aquela câmera havia visto Berlim em 1936, havia documentado a Copa de 1954 — momentos históricos capturados com a mesma engenhosidade que Kotb agora empregava.
O trabalho de Kotb ressurge agora não como uma curiosidade folclórica, mas como um projeto que resgata a história da fotografia esportiva. Suas imagens, compartilhadas com a revista Pequenas Empresas & Grandes Negócios, contam uma história dupla: a dos jogadores em campo e a da própria câmera, que continuava funcionando, continuava vendo, continuava registrando o mundo quase um século depois de sua fabricação. Em um momento em que a fotografia digital é instantânea e infinita, Kotb escolheu o caminho oposto — lento, deliberado, finito. Vinte fotos. Duas partidas. Uma câmera que não deveria estar ali, mas estava.
Notable Quotes
Kotb adquiriu a câmera em lojas de artigos antigos no Cairo e descobriu que ela havia sido usada por outro fotógrafo que cobriu eventos históricos— Relato à Business Insider