Em tempos eleitorais, a verdade frequentemente enfrenta adversários invisíveis — algoritmos e ferramentas de inteligência artificial capazes de fabricar realidades que nunca existiram. Uma fotografia falsa colocando Felipe Nunes, diretor da Quaest, ao lado do candidato Flávio Bolsonaro circulou nas redes sociais acompanhada de alegações igualmente inventadas sobre a propriedade do instituto de pesquisa. O episódio não é apenas uma mentira isolada, mas um sintoma de como a desinformação visual se tornou instrumento deliberado para corroer a confiança em instituições e em quem as dirige.
Foto de Felipe Nunes com Flávio Bolsonaro é criada por inteligência artificial
Foto falsa construída para levantar dúvida e afetar credibilidade
Como uma foto assim consegue viralizar tão rápido? As pessoas não desconfiam?
A imagem parecia convincente o suficiente para passar por real num primeiro olhar. Quando vem com legendas que parecem plausíveis — alegações sobre propriedade corporativa, conexões políticas — o contexto reforça a ilusão. Muitos usuários compartilham sem verificar.
Mas as ferramentas de detecção foram bem claras. 99,9% de probabilidade. Como isso não é detectado automaticamente pelas plataformas?
Essa é a questão real. As ferramentas existem, mas as redes sociais não as usam em tempo real para toda imagem postada. A detecção geralmente acontece depois, quando alguém denuncia ou quando um verificador de fatos investiga.
E quanto ao Nunes? Ele sofre dano real com isso, ou é mais uma alegação que desaparece?
Ele respondeu publicamente, o que é importante. Mas o dano à credibilidade pode ser duradouro. Mesmo depois da verificação, algumas pessoas continuam acreditando na versão falsa.
Precisamos ser claros: a Quaest realmente trabalha com o Banco Genial como cliente. Isso é fato. O que é falso é a alegação de propriedade. Há uma diferença importante.
Exatamente. A Quaest é um instituto independente que faz pesquisas para vários clientes. O Banco Genial é um deles, mas não é dono da empresa.
Isso muda alguma coisa sobre como as pesquisas são feitas? Há conflito de interesse real?
Não há evidência disso nos documentos. A Quaest trabalha com múltiplos clientes, o que é normal em consultoria. O conflito de interesse seria se o banco controlasse os resultados, e não há indicação de que isso aconteça.
O ponto é que a desinformação tenta criar uma suspeita onde não há base factual. A foto falsa foi a ferramenta para isso.
Então o que aprendemos? Que devemos desconfiar de fotos de políticos juntos?
Devemos desconfiar de fotos sem contexto verificável, especialmente em períodos eleitorais. Mas também não devemos ser paranóicos. A maioria das imagens ainda é real.
Der Puls
- Uma foto fabricada por inteligência artificial colocou o diretor da Quaest ao lado de um candidato presidencial, criando uma falsa associação política que se espalhou rapidamente pelas redes.
- Três ferramentas independentes de detecção apontaram entre 99% e 99,9% de probabilidade de que a imagem fosse gerada artificialmente — e ainda assim ela circulou como se fosse real.
- Além da foto falsa, os posts afirmavam que a Quaest pertence ao Banco Genial, tentando construir uma narrativa de conflito de interesses para desacreditar as pesquisas do instituto.
- Felipe Nunes confirmou a falsidade da imagem e esclareceu que o Banco Genial é apenas um cliente da Quaest, sem qualquer participação societária ou influência sobre suas operações.
- A viralização ocorreu antes que a verificação pudesse alcançar os mesmos usuários, evidenciando a velocidade com que desinformação eleitoral se propaga quando não há indicação de origem artificial.
Em tempos eleitorais, a verdade frequentemente enfrenta adversários invisíveis — algoritmos e ferramentas de inteligência artificial capazes de fabricar realidades que nunca existiram. Uma fotografia falsa colocando Felipe Nunes, diretor da Quaest, ao lado do candidato Flávio Bolsonaro circulou nas redes sociais acompanhada de alegações igualmente inventadas sobre a propriedade do instituto de pesquisa. O episódio não é apenas uma mentira isolada, mas um sintoma de como a desinformação visual se tornou instrumento deliberado para corroer a confiança em instituições e em quem as dirige.
Uma fotografia falsa começou a circular nas redes sociais mostrando Felipe Nunes, diretor da Quaest e professor da FGV, ao lado do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro. A imagem vinha acompanhada de duas alegações: a de que Nunes trabalha para o bolsonarismo e a de que a Quaest pertence ao Banco Genial, ligado ao empresário Rodolfo Riechert. Nenhuma das afirmações era verdadeira — e a foto havia sido inteiramente fabricada.
Três ferramentas independentes de detecção de imagens geradas por IA foram acionadas para verificar o conteúdo. A Verify Open AI confirmou o uso de inteligência artificial na criação da imagem. A Hive Moderation apontou 99,9% de probabilidade de fabricação artificial. A Sightengine indicou 99% de certeza, com alta probabilidade de uso de GPT. Os resultados foram unânimes.
Felipe Nunes respondeu diretamente: confirmou que a imagem era falsa e que havia sido criada com ferramentas de IA para levantar dúvidas sobre a credibilidade de seu trabalho. Sobre o Banco Genial, esclareceu que a instituição é simplesmente um dos vários clientes que contratam pesquisas da Quaest — sem qualquer relação societária ou influência sobre as operações do instituto.
O caso expõe um padrão que se repete em períodos eleitorais: imagens fabricadas, sem qualquer indicação de origem artificial, circulam como registros autênticos antes que a verificação possa alcançar quem já as viu. Ao unir a foto falsa à alegação sobre propriedade corporativa, os posts tentavam construir uma narrativa de conflito de interesses capaz de desacreditar as pesquisas da Quaest — uma estratégia que revela como a desinformação visual e textual pode ser combinada para amplificar seu impacto.
Uma fotografia começou a circular nas redes sociais na segunda-feira mostrando Felipe Nunes, diretor do instituto de pesquisa Quaest e professor da Fundação Getúlio Vargas, em pé ao lado de Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência da República. A imagem vinha acompanhada de alegações de que Nunes trabalha para o bolsonarismo e de que a Quaest é propriedade do Banco Genial, instituição financeira ligada ao empresário Rodolfo Riechert. Ambas as afirmações eram falsas — e a foto, inteiramente fabricada.
O conteúdo foi submetido a três ferramentas independentes de detecção de imagens geradas por inteligência artificial. A Verify Open AI, que identifica conteúdos criados com modelos da própria OpenAI, confirmou o uso de IA. A Hive Moderation apontou 99,9% de probabilidade de que a imagem tivesse sido gerada artificialmente. A Sightengine indicou 99% de certeza de fabricação por IA, com alta probabilidade de uso de GPT. Os resultados foram unânimes: a fotografia não era real.
Felipe Nunes respondeu diretamente à verificação. Ele confirmou que a imagem era falsa e explicou que havia sido construída com ferramentas de inteligência artificial especificamente para levantar dúvidas e prejudicar a credibilidade de seu trabalho. Quanto à alegação sobre propriedade, Nunes esclareceu que o Banco Genial é simplesmente um dos vários clientes que contratam pesquisas da Quaest sobre comportamento eleitoral da população brasileira. Não existe relação societária entre as duas instituições, nem o banco exerce qualquer influência sobre as operações do instituto de pesquisa.
O episódio ilustra um padrão crescente de desinformação durante períodos eleitorais: a fabricação de imagens falsas para minar a confiança em instituições e pessoas públicas. As legendas que acompanhavam a foto não mencionavam que se tratava de conteúdo gerado por IA, permitindo que circulasse como se fosse um registro autêntico. A viralização ocorreu rapidamente, atingindo muitos usuários antes que a verificação pudesse ser feita.
O caso também revela como alegações sobre propriedade corporativa podem ser anexadas a imagens falsas para amplificar o impacto da desinformação. Ao conectar a foto fabricada à afirmação sobre o Banco Genial, os posts buscavam criar uma narrativa de conflito de interesses que pudesse desacreditar as pesquisas da Quaest. A realidade é mais simples: a Quaest é um instituto de pesquisa que trabalha com múltiplos clientes, incluindo instituições financeiras, e seus diretores não têm ligações políticas que a imagem falsa tentava sugerir.
Bemerkenswerte Zitate
Essa foto é falsa, foi construída com ferramenta de inteligência artificial com o objetivo de levantar dúvida e afetar a credibilidade do meu trabalho— Felipe Nunes, diretor da Quaest
A Genial é apenas um dos vários clientes da Quaest que contratam pesquisas sobre o comportamento eleitoral da população brasileira. Não há nenhuma relação societária ou de influência do banco no trabalho feito pela Quaest— Felipe Nunes