A cada ano, a Forbes oferece ao Brasil um espelho de sua própria estrutura econômica: 255 nomes, R$ 1,86 trilhão acumulados, e no topo, pela quarta vez consecutiva, Eduardo Saverin — o paulistano radicado em Singapura que ajudou a fundar o Facebook nos corredores de Harvard. O ranking de 2026 não apenas registra fortunas, mas revela como tecnologia, finanças e heranças familiares continuam a moldar quem detém o poder econômico no país. Mais do que uma lista, é um retrato da desigualdade e das trajetórias que a tornam possível.
Forbes divulga ranking de bilionários brasileiros; Saverin lidera com R$ 162,9 bilhões
Saverin segue como acionista minoritário da Meta, atualmente atuante em venture capital
Por que Saverin permanece no topo enquanto outros bilionários oscilam?
Sua participação na Meta é estável e a empresa continua gerando valor. Além disso, ele diversificou em venture capital, o que oferece exposição a novos crescimentos.
Mas a Forbes estima patrimônio, não mede com precisão. A posição dele depende de como a Meta é avaliada em um dado momento. Se o preço da ação cair, ele pode cair também.
E quanto aos irmãos Moreira Salles? Por que estão tão próximos um do outro?
Eles compartilham a mesma base de riqueza — o Itaú e a CBMM — mas têm participações ligeiramente diferentes. Fernando tem 50% da EJ, que controla 33% do Itaú. Pedro tem participação direta e também na CBMM.
A questão é: essas estimativas refletem o controle real ou apenas o valor de mercado das ações? Se a família controla mais do que aparenta, a riqueza pode estar subestimada.
Qual é o padrão que emerge quando se olha para os dez primeiros?
Financeiro e investimentos dominam. Lemann, Sicupira, Telles — todos ligados à 3G Capital e à AB InBev. Safra vem do banco. Esteves do BTG. Saverin é a exceção, vindo da tecnologia.
Verdade, mas isso reflete o Brasil de 2026 ou reflete apenas onde a riqueza já estava concentrada? Os novos bilionários — os cinco que entraram este ano — vêm de setores diferentes?
A fortuna combinada de R$ 1,86 trilhão é grande?
Para contexto, é aproximadamente 20% do PIB brasileiro. Mostra concentração significativa.
Mas não sabemos se isso cresceu ou encolheu em relação ao ano anterior. A Forbes diz que 57% ampliaram fortuna, mas não diz se a riqueza total cresceu ou se apenas se redistribuiu entre eles.
O Pulso
- Eduardo Saverin lidera pelo quarto ano seguido com R$ 162,9 bilhões, uma fortuna impulsionada recentemente pelo primeiro programa de dividendos da Meta Platforms.
- A riqueza combinada dos 255 bilionários brasileiros chegou a R$ 1,86 trilhão — um número que cresce enquanto mais da metade deles ampliou o patrimônio no último ano.
- Cinco novos nomes entraram pela primeira vez na lista, sinalizando que o clube dos bilionários, embora seleto, ainda tem portas se abrindo.
- A concentração nos setores financeiro e tecnológico revela uma economia onde bancos como Itaú, Safra e BTG Pactual continuam sendo os grandes motores da acumulação privada.
A cada ano, a Forbes oferece ao Brasil um espelho de sua própria estrutura econômica: 255 nomes, R$ 1,86 trilhão acumulados, e no topo, pela quarta vez consecutiva, Eduardo Saverin — o paulistano radicado em Singapura que ajudou a fundar o Facebook nos corredores de Harvard. O ranking de 2026 não apenas registra fortunas, mas revela como tecnologia, finanças e heranças familiares continuam a moldar quem detém o poder econômico no país. Mais do que uma lista, é um retrato da desigualdade e das trajetórias que a tornam possível.
A Forbes lançou a 14ª edição de seu ranking anual de bilionários brasileiros, e o topo permanece familiar: Eduardo Saverin, cofundador do Facebook, é novamente o brasileiro mais rico, com R$ 162,9 bilhões. Nascido em São Paulo e hoje residente em Singapura, Saverin entrou para a história ao investir nos primórdios do Facebook ao lado de Mark Zuckerberg em Harvard. Quando a empresa abriu capital, sua participação o catapultou ao clube dos bilionários — e a valorização contínua da Meta só ampliou essa distância. A relação com Zuckerberg, porém, terminou em conflito judicial, episódio imortalizado no filme A Rede Social.
A segunda colocada é Vicky Safra, com R$ 130,6 bilhões. Nascida na Grécia e naturalizada brasileira, ela herdou o legado do marido Joseph Safra, banqueiro sírio que trouxe a família para o Brasil em 1953 e construiu um dos maiores impérios financeiros do mundo antes de morrer em 2020. Dois dos filhos do casal, Jacob e David, hoje conduzem os negócios da família.
Jorge Paulo Lemann fecha o pódio com R$ 103,5 bilhões. Carioca filho de suíços, formado em Harvard, ele construiu sua fortuna a partir de corretoras e bancos até se tornar um dos principais sócios da 3G Capital e acionista controlador da AB InBev — a maior cervejaria do mundo, que em 2016 absorveu a SABMiller por quase US$ 100 bilhões.
André Esteves, do BTG Pactual, ocupa o quarto lugar com R$ 66,1 bilhões. Começou como estagiário no Pactual, vendeu a instituição ao UBS em 2006 e a recuperou em 2009 sob a bandeira BTG. Os irmãos Fernando e Pedro Moreira Salles, filhos do fundador do Unibanco, aparecem em quinto e sexto lugares, com fortunas ligadas ao Itaú Unibanco e à produção mundial de nióbio pela CBMM.
Ao todo, 57,25% dos 255 bilionários identificados ampliaram seu patrimônio no último ano, enquanto cinco novos nomes entraram pela primeira vez na lista. A riqueza concentrada nos setores financeiro, tecnológico e de investimentos continua a definir quem são — e como crescem — os mais ricos do Brasil.
A Forbes lançou nesta semana a 14ª edição de seu ranking anual de bilionários brasileiros, e o resultado reafirma uma hierarquia que se mantém notavelmente estável no topo. Eduardo Saverin, cofundador do Facebook, segue como o brasileiro mais rico pela quarta vez consecutiva, com uma fortuna estimada em R$ 162,9 bilhões. Nascido em São Paulo em 1982 e atualmente residente em Singapura, Saverin é o rosto mais visível da riqueza tecnológica do país — uma posição que consolidou quando conheceu Mark Zuckerberg nos corredores de Harvard e ajudou a criar o Facebook em 2004.
A trajetória de Saverin é inseparável da história inicial do Facebook. Segundo relatos documentados, ele foi responsável pelo investimento inicial que permitiu à empresa começar suas operações. Quando o Facebook abriu capital em 2010, sua participação minoritária na companhia o catapultou para a lista de bilionários da Forbes em 2011. Nos anos seguintes, a valorização da Meta Platforms — holding que controla Facebook, Instagram e WhatsApp — ampliou ainda mais seu patrimônio. Em 2024, quando a Meta anunciou seu primeiro programa de distribuição de dividendos, Saverin viu sua riqueza ganhar novo impulso. Sua relação com Zuckerberg, porém, azedou com o tempo. Divergências sobre os rumos da empresa levaram a conflito judicial, episódio retratado no filme A Rede Social de 2010, no qual o ator Andrew Garfield interpretou Saverin.
Atrás dele, a segunda posição pertence a Vicky Safra, herdeira do Banco Safra, com R$ 130,6 bilhões. Nascida na Grécia e naturalizada brasileira, ela tem 73 anos e reside na Suíça. Sua fortuna está enraizada na história de uma família síria que operava como casa bancária desde 1800. O pai de seu falecido marido, Joseph Safra, trouxe a operação para o Brasil em 1953, e a Safra Financeira foi fundada em 1967. O Banco Safra se estabeleceu em 1972. Joseph Safra, que se tornou o banqueiro mais rico do mundo, morreu em 2020 aos 82 anos. Vicky e Joseph tiveram quatro filhos e 14 netos. Dois deles, Jacob e David, administram os negócios do Safra no Brasil e internacionalmente.
Em terceiro lugar está Jorge Paulo Lemann, com R$ 103,5 bilhões. Nascido no Rio de Janeiro em 26 de agosto de 1939, Lemann é um dos principais sócios da 3G Capital Partners e acionista controlador da AB InBev, a maior cervejaria do mundo. Filho de suíços que imigraram para o Brasil no início do século XX, ele se formou em economia em Harvard. Sua carreira começou em bancos e financeiras antes de migrar para o mercado de capitais. Em meados dos anos 1960, tornou-se sócio da Invesco, que quebrou em 1966. Depois trabalhou na corretora Libra e, em 1971, comprou título da Corretora Garantia, onde conheceu Marcel Herrmann Telles e Carlos Alberto Sicupira. O trio se tornou investidor em empresas como Ambev e Lojas Americanas, e posteriormente em 2016 a AB InBev comprou a cervejaria SABMiller por quase US$ 100 bilhões. Lemann e seus sócios também possuem participações na Restaurant Brands International, controladora do Burger King e da rede Tim Hortons.
André Esteves, fundador e controlador do BTG Pactual, ocupa a quarta posição com R$ 66,1 bilhões. Com 58 anos e residente no Brasil, Esteves começou como estagiário no banco de investimentos Pactual. Em 2006, vendeu a instituição ao banco suíço UBS por US$ 3,1 bilhões, formando a UBS Pactual. Em 2009, planejou a venda para a empresa de investimentos BTG, tornando-se presidente do conselho e CEO. Em 2011, comprou parte do Banco PanAmericano, que enfrentava dificuldades após descoberta de fraudes de R$ 4,2 bilhões. A aquisição foi acertada com Silvio Santos, fundador da instituição. Em 2021, o BTG Pactual se tornou o maior acionista do Banco Pan após adquirir a fatia da Caixa Econômica Federal.
Os irmãos Fernando Roberto Moreira Salles e Pedro Moreira Salles ocupam a quinta e sexta posições, com R$ 50,3 bilhões e R$ 46,6 bilhões respectivamente. Ambos são filhos de Walther Moreira Salles, banqueiro que fundou o Unibanco e foi embaixador do Brasil nos Estados Unidos. Fernando, com 80 anos, é acionista do Itaú Unibanco por meio da Companhia E. Johnston de Participações. Em 2022, durante reestruturação, adquiriu parte das cotas dos irmãos Walther Júnior e João, passando a deter 50% da EJ, que possui cerca de 33% das ações do Itaú. Pedro, com 65 anos, formado pela UCLA, também seguiu a trajetória familiar no setor financeiro e se tornou figura central do Itaú Unibanco. A fortuna de ambos está ligada principalmente ao Itaú e aos investimentos da família na Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM), líder mundial na produção de nióbio. Em 2008, o Unibanco se uniu ao Itaú, formando uma das maiores instituições financeiras da América Latina.
No conjunto, a Forbes identificou 255 brasileiros com patrimônio acima de R$ 1 bilhão na 14ª edição do ranking, com fortuna combinada de R$ 1,86 trilhão. Entre eles, 57,25% ampliaram suas fortunas no último ano, enquanto 30,2% registraram queda. Apenas um manteve o mesmo patrimônio. A edição também traz cinco novos integrantes que entraram pela primeira vez para o grupo de bilionários. A concentração de riqueza nos setores financeiro, tecnológico e de investimentos reflete a estrutura econômica do país e as oportunidades de crescimento que emergiram nas últimas décadas.
Citações Notáveis
Saverin foi responsável pelo investimento inicial que viabilizou o começo das operações da empresa— Ben Mezrich, livro Milionários Acidentais (2012)