No cruzamento entre a economia da atenção e os direitos autorais, a Folha de S.Paulo acionou a Justiça de São Paulo contra a Perplexity AI, acusando a empresa americana de extrair sistematicamente reportagens protegidas — inclusive conteúdo exclusivo para assinantes — para alimentar sua plataforma de inteligência artificial sem qualquer autorização ou remuneração. O caso não é apenas uma disputa comercial: é um teste sobre se o jornalismo de qualidade pode sobreviver num ecossistema digital onde algoritmos colhem o que humanos cultivam. A decisão que emergir deste processo poderá redefinir, no
Folha processa Perplexity AI por uso indevido de conteúdo e concorrência desleal
O esforço do bom jornalismo é prejudicado quando seu conteúdo é apropriado sem autorização
Por que a Folha decidiu processar agora, se a Perplexity já estava usando o conteúdo há tempo?
A empresa tentou resolver isso fora dos tribunais primeiro. Propôs um acordo de licenciamento, como tinha feito com OpenAI e Google. Quando foi ignorada, não teve outra escolha.
Centenas de milhares de acessos indevidos — como a Folha conseguiu quantificar isso?
O jornal tem sistemas de monitoramento. Consegue rastrear quando seu conteúdo é acessado através de plataformas não autorizadas. A Perplexity não conseguiu contornar completamente essas medidas técnicas.
A Perplexity vai argumentar que está apenas resumindo, não copiando. Qual é a diferença legal?
Não importa se é resumo ou cópia integral. O ponto é que o material foi usado para treinar um modelo de IA sem permissão e sem pagamento. É apropriação, independentemente do formato.
E se a Perplexity simplesmente deixar de usar conteúdo da Folha? O problema acaba?
Não completamente. A Folha quer que os modelos já treinados com seu conteúdo sejam destruídos. É uma tentativa de limpar o dano já causado, não apenas evitar danos futuros.
Isso pode afetar como outras empresas de IA operam?
Absolutamente. Se a Folha vencer, estabelece que conteúdo jornalístico é propriedade protegida e que usar sem pagar é concorrência desleal. Outras empresas de mídia vão usar essa decisão como base para suas próprias ações.
Por que a Folha aceitou acordo com OpenAI e Google mas não com Perplexity?
Porque OpenAI e Google negociaram de boa-fé. Ofereceram compensação financeira. A Perplexity foi abordada com a mesma proposta e simplesmente ignorou. Isso muda tudo.
Il Polso
- A Folha registrou centenas de milhares de acessos indevidos ao seu conteúdo pela plataforma da Perplexity, incluindo a quebra sistemática do paywall que sustenta seu modelo de negócio.
- A empresa ignorou uma proposta de acordo de licenciamento — o mesmo caminho que a OpenAI e o Google aceitaram percorrer — sinalizando, na visão do jornal, má-fé deliberada.
- O jornal exige não apenas a cessação imediata das práticas e indenização, mas também a destruição dos modelos de IA treinados com seu material protegido — uma medida de rara radicalidade jurídica.
- Um juiz determinou que a Perplexity apresente defesa em 72 horas, e a Folha pediu multa diária caso a ordem de bloqueio seja descumprida, elevando a pressão sobre a empresa.
- A Perplexity já enfrenta ações similares em outros países, e o desfecho brasileiro pode se tornar referência global para a proteção de conteúdo jornalístico frente à IA.
No cruzamento entre a economia da atenção e os direitos autorais, a Folha de S.Paulo acionou a Justiça de São Paulo contra a Perplexity AI, acusando a empresa americana de extrair sistematicamente reportagens protegidas — inclusive conteúdo exclusivo para assinantes — para alimentar sua plataforma de inteligência artificial sem qualquer autorização ou remuneração. O caso não é apenas uma disputa comercial: é um teste sobre se o jornalismo de qualidade pode sobreviver num ecossistema digital onde algoritmos colhem o que humanos cultivam. A decisão que emergir deste processo poderá redefinir, no Brasil e além, as regras do convívio entre a imprensa e a inteligência artificial.
A Folha de S.Paulo levou a Perplexity AI aos tribunais de São Paulo, exigindo que a empresa americana interrompa imediatamente a coleta e o uso de suas reportagens para alimentar sua plataforma de inteligência artificial. O jornal não recebe qualquer compensação pelo material utilizado — e o problema vai além da ausência de pagamento.
Segundo a ação, a Perplexity não apenas treina seus modelos com conteúdo protegido, mas entrega aos usuários resumos e cópias de matérias jornalísticas, incluindo textos exclusivos para assinantes pagantes. O jornal contabilizou centenas de milhares de acessos indevidos e alega que os mecanismos do chatbot conseguem contornar as barreiras técnicas instaladas para impedir esse tipo de coleta. A advogada Taís Gasparian resume a ação em três pilares: concorrência desleal, violação do paywall e violação de direitos autorais.
Além de exigir a cessação das práticas e indenização pelos danos, a Folha pede uma medida de rara radicalidade: a destruição dos modelos de IA treinados com seu conteúdo. O juiz responsável determinou que a Perplexity apresente defesa em 72 horas, e o jornal solicitou multa diária em caso de descumprimento.
Antes de recorrer à Justiça, a Folha tentou negociar um acordo de licenciamento — o mesmo modelo que resultou em parcerias financeiras com a OpenAI e o Google, ambas firmadas em 2025. A Perplexity ignorou a proposta, o que reforça, na visão do jornal, a má-fé da empresa. Com ações similares em curso em outros países, o caso brasileiro pode estabelecer um precedente relevante para o futuro do jornalismo diante da inteligência artificial.
A Folha de S.Paulo acionou a Justiça de São Paulo contra a Perplexity AI, uma empresa americana de tecnologia, exigindo que cesse imediatamente a coleta e o uso não autorizado de suas reportagens para alimentar sua plataforma de inteligência artificial. O jornal não recebe qualquer compensação financeira pelo material que a empresa utiliza, e essa é apenas uma das razões que levaram à ação judicial.
O processo vai além da simples apropriação de conteúdo. A Folha alega que a Perplexity não apenas treina seus modelos de IA com reportagens protegidas, mas também entrega aos usuários resumos e cópias de matérias jornalísticas — inclusive textos exclusivos destinados a assinantes pagantes — sem nenhuma autorização prévia. Trata-se, na visão do jornal, de uma quebra sistemática do paywall, o mecanismo que protege o acesso pago ao conteúdo. O jornal registrou centenas de milhares de acessos indevidos ao seu material através da plataforma de IA.
Além de exigir que a empresa cesse a prática, a Folha pede indenização pelos danos causados e, em medida ainda mais drástica, que a Perplexity destrua os modelos de inteligência artificial que foram treinados com seu conteúdo protegido. O juiz responsável pelo caso determinou que a empresa americana apresente sua defesa em até 72 horas. O jornal também solicitou à Justiça a imposição de multa diária caso a Perplexity desobedeça à ordem de bloqueio de acesso.
Segundo Taís Gasparian, advogada da Folha, a ação repousa em três pilares: concorrência desleal, violação do paywall e violação dos direitos autorais. Ela ressaltou que o esforço considerável que o jornalismo de qualidade demanda para se manter viável é prejudicado quando seu conteúdo é apropriado sem autorização, contornando as regras estabelecidas. A Folha implementou diversas medidas técnicas para impedir esse tipo de coleta, mas os mecanismos do chatbot de IA conseguem ignorá-las ou contorná-las.
Antes de recorrer aos tribunais, a Folha tentou negociar um acordo de licenciamento amigável com a Perplexity, seguindo o modelo das parcerias financeiras que já havia estabelecido com a OpenAI e o Google. A empresa, porém, ignorou a proposta. Essa tentativa de diálogo frustrado reforça a posição do jornal de que a Perplexity agiu de má-fé ao se recusar a negociar termos justos de uso de conteúdo.
A história da Folha com empresas de IA não é linear. Em 2025, o jornal processou a OpenAI, mas em maio deste ano anunciou um acordo inédito no Brasil com a startup, que incluiu compensação financeira pelo uso de seu conteúdo. Também em 2025, a Folha firmou parceria semelhante com o Google para aperfeiçoar o Gemini. Esses acordos estabelecem um padrão: empresas de IA podem usar conteúdo jornalístico, mas devem pagar por isso.
A Perplexity não está sozinha nessa encruzilhada legal. Em diferentes países, a empresa enfrenta ações judiciais de grupos de mídia que reclamam do uso indevido de seus conteúdos. A decisão que sair do caso da Folha pode estabelecer um precedente importante para a proteção do conteúdo jornalístico no Brasil e influenciar como empresas de inteligência artificial lidam com material protegido em outras jurisdições.
Citazioni salienti
A ação está fundada em três pontos: concorrência desleal, violação do paywall e violação dos direitos autorais— Taís Gasparian, advogada da Folha