Folha lança Match Eleitoral para orientar votação em SP

Uma bússola em um processo eleitoral confuso e crucial
Como o editor-executivo da Folha descreveu a ferramenta de matching entre eleitores e candidatos.
Mark

Por que a Folha decidiu criar isso agora, a poucos meses da eleição?

Mimi

O timing tem a ver com o tamanho da confusão. São centenas de candidatos em São Paulo, e a maioria dos eleitores não consegue acompanhar todos. Uma ferramenta que cruza posições de forma sistemática oferece clareza.

Luke

Mas quantos eleitores vão realmente usar isso? E quanto aos candidatos que não responderam — Marina Silva, Derrite — como a plataforma lida com ausências?

Mark

Boa pergunta. Então a ferramenta está incompleta desde o início?

Mimi

Está incompleta, mas aberta. Novos candidatos podem entrar até a eleição. É um processo vivo, não um snapshot.

Luke

Ainda assim, há um viés embutido. Candidatos com campanhas mais estruturadas, com tempo para responder questionários, vão estar melhor representados. Candidatos de menor visibilidade — que supostamente se beneficiam disso — podem ser justamente os que não têm recursos para participar.

Mark

E quanto à qualidade das respostas? Um candidato pode responder de forma estratégica, não sincera.

Mimi

Verdade. Mas o Datafolha entrevistou pessoalmente, então há algum controle. E os eleitores também respondem, então há uma comparação real.

Luke

Mas não sabemos como os candidatos foram selecionados para entrevista. Foram convidados aleatoriamente? Procuraram os mais conhecidos? Isso importa para a representatividade.

Mark

Qual é o objetivo final aqui — é jornalismo, é serviço público, é negócio?

Mimi

Provavelmente os três. A Folha oferece um serviço útil aos leitores, aumenta engajamento, e cria dados que podem informar cobertura futura.

Luke

E o Datafolha coleta informações sobre preferências de eleitores. Não é ruim, mas é importante nomear que há múltiplos interesses em jogo.

  • Com 568 candidatos já entrevistados e representantes de todos os 27 partidos presentes, a plataforma expõe a fragmentação do campo político paulista de forma inédita e comparável.
  • A ausência de nomes como Marina Silva e Guilherme Derrite revela que a transparência programática ainda é uma escolha — e não todos a fazem.
  • O formato inspirado em aplicativos de relacionamento transforma um processo árido em algo interativo: o eleitor responde, pondera importâncias e recebe um índice de afinidade com cada candidato.
  • Candidatos com menor visibilidade midiática ganham um canal direto para alcançar eleitores que jamais os encontrariam pela cobertura convencional.
  • A plataforma permanece aberta até o dia da eleição, tornando-se progressivamente mais densa — e mais útil — à medida que novos postulantes aderem.

Em um cenário eleitoral marcado pela dispersão de candidatos e pela dificuldade de orientação cívica, a Folha de S.Paulo e o Datafolha lançaram, em 23 de setembro de 2026, o Match Eleitoral — uma plataforma que aproxima eleitores paulistas de candidatos ao Legislativo federal por meio de afinidade programática. Como uma bússola em terreno nebuloso, a ferramenta converte posições políticas em pontos de encontro, devolvendo ao eleitor uma forma de agência informada diante da multiplicidade de escolhas.

A Folha de S.Paulo e o Datafolha ativaram nesta quarta-feira (23 de setembro) o Match Eleitoral 2026, uma ferramenta digital voltada a eleitores de São Paulo que desejam identificar candidatos à Câmara dos Deputados e ao Senado com posições alinhadas às suas. O funcionamento remete aos aplicativos de encontros: o eleitor responde um questionário e recebe um índice de afinidade com cada postulante.

O banco de dados foi construído pelo Datafolha a partir de entrevistas com 568 candidatos — cerca de metade dos inscritos no estado —, com representantes de todos os 27 partidos em disputa. A plataforma segue aberta para novos nomes até o dia da votação, mediante contato com o Datafolha por email.

O questionário apresenta 22 afirmações sobre temas políticos, econômicos e comportamentais — como a pena de morte para crimes graves —, pedindo posicionamento em escala de concordância. Os eleitores respondem às mesmas questões e indicam o peso de cada tema em sua decisão de voto. O cruzamento dessas respostas gera o índice de afinidade.

Vinicius Mota, editor-executivo da Folha, descreveu a ferramenta como uma bússola em um processo que considera simultaneamente confuso e decisivo para o futuro do Congresso. No Senado, 11 candidatos já participaram; Marina Silva recusou, Guilherme Derrite não respondeu, e Simone Tebet sinalizou intenção de aderir.

Luciana Chong, diretora do Datafolha, destacou o duplo benefício da iniciativa: candidatos menos visíveis ganham um canal de apresentação direta ao eleitorado, enquanto os eleitores descobrem postulantes que a cobertura tradicional raramente alcança.

A Folha e o Datafolha colocaram em funcionamento nesta quarta-feira (23 de setembro) uma ferramenta digital chamada Match Eleitoral 2026, desenhada para ajudar eleitores de São Paulo a identificar candidatos à Câmara dos Deputados e ao Senado que compartilhem suas convicções políticas, econômicas e comportamentais. O sistema funciona de maneira semelhante aos aplicativos de encontros: o eleitor responde um questionário, e a plataforma o conecta com postulantes cujas posições se alinham com as suas.

O banco de dados foi construído pelo Datafolha através de entrevistas com 568 candidatos — aproximadamente metade do total de inscritos no estado. Representantes de todos os 27 partidos que concorrem nas eleições estão presentes no módulo paulista. A estrutura permanece aberta, permitindo que novos nomes sejam incorporados até o dia da votação; candidatos interessados devem entrar em contato com o Datafolha por email para agendar sua participação.

O questionário apresenta aos candidatos 22 afirmações sobre temas variados, pedindo que se posicionem em uma escala que vai desde concordância total até discordância total. Um exemplo das questões é a afirmação sobre pena de morte como punição para crimes graves. Os eleitores, por sua vez, respondem às mesmas questões e indicam o grau de importância que cada tema tem para sua decisão de voto — se é muito importante, pouco importante ou nada importante. O sistema então cruza as respostas e apresenta um índice de afinidade entre o eleitor e cada candidato.

Vinicius Mota, editor-executivo da Folha, descreveu a ferramenta como uma bússola em um processo eleitoral que considera simultaneamente confuso e crucial para o futuro do Congresso Nacional. A ideia é oferecer aos votantes um caminho mais claro entre a multiplicidade de candidatos e propostas.

No que diz respeito à corrida ao Senado, até o momento 11 candidatos foram entrevistados. Marina Silva, da Rede, recusou participar. Guilherme Derrite, do Progressistas, não respondeu aos contatos. Simone Tebet, do PSB, sinalizou intenção de participar. Ricardo Salles, do Novo, e André do Prado, do PL, já completaram o questionário. A participação desigual entre os candidatos mais competitivos reflete tanto o interesse variável em transparência quanto a capacidade logística de diferentes campanhas em responder a iniciativas de terceiros.

Luciana Chong, diretora do Datafolha, apontou que a plataforma oferece uma oportunidade dupla: candidatos com menor visibilidade ganham um canal para se apresentarem diretamente aos eleitores, enquanto eleitores conseguem descobrir postulantes cujas posições talvez não conhecessem através da cobertura tradicional. À medida que a campanha avança e mais candidatos preenchem o questionário, o banco de dados se expande, tornando o Match uma ferramenta progressivamente mais completa para a navegação eleitoral.

Numa votação tão confusa e ao mesmo tempo tão importante para o Congresso Nacional, o Match oferece ao eleitor uma bússola para auxiliá-lo na escolha dos candidatos
— Vinicius Mota, editor-executivo da Folha
O Match Eleitoral é uma oportunidade para candidatos com menos visibilidade se apresentarem aos eleitores e também dos eleitores se conectarem a candidatos com opiniões parecidas com as suas
— Luciana Chong, diretora do Datafolha
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