Diante de uma Medida Provisória que proíbe a publicidade de apostas esportivas no Brasil, o Fluminense encontrou uma forma de preservar seu contrato de R$ 86 milhões anuais com a Superbet: exibir, no peito da camisa, não a marca da plataforma de apostas, mas a do Superscore, um site gratuito de estatísticas esportivas da mesma família corporativa. A mudança é formal, não financeira — o acordo segue intacto até 2029, e o dinheiro continua a fluir. É o momento em que a lei encontra a criatividade contratual, e a linha entre conformidade e contorno se torna matéria de interpretação regulatória.
Fluminense usa site de estatísticas como patrocínio master para contornar restrição a apostas
O dinheiro flui, a associação persiste, apenas o rótulo muda
Por que o Fluminense não simplesmente rescindiu o contrato com a Superbet quando a lei entrou em vigor?
Porque o contrato vale até 2029 e garante R$ 86 milhões anuais. Rescindir significaria perder receita massiva. A Superscore oferece uma saída legal.
Mas a Superscore é realmente independente, ou é só um rótulo da Superbet? A reportagem diz que é "parceira global", o que não é exatamente transparência.
A lei proíbe apostas de quota fixa. A Superscore não oferece apostas, certo?
Correto. É só estatísticas e inteligência esportiva em tempo real. Sem odds, sem sugestões de apostas.
Sem odds que a gente saiba. Mas se Superscore é do mesmo grupo, como sabemos que não há incentivos financeiros escondidos para direcionar tráfego de volta para apostas?
O São Paulo está fazendo a mesma coisa. Isso significa que é uma estratégia aprovada?
Provavelmente. Se dois grandes clubes estão fazendo, é porque seus departamentos jurídicos confirmaram que é legal.
Ou significa que ambos têm os mesmos advogados e ninguém testou isso em tribunal ainda. Há diferença.
Qual é o risco real aqui para o Fluminense?
Se a Receita Federal ou a Procuradoria-Geral da República decidir que isso é um contorno da lei, o clube poderia ser multado ou o contrato rescindido.
E qual é o risco para a Superbet? Porque eles têm mais a perder.
Verdade. Mas por enquanto, ambos estão apostando que a interpretação da lei permite isso.
Il Polso
- A Medida Provisória assinada por Lula em setembro entrou em vigor esta semana, tornando ilegais a oferta e a publicidade de apostas de quota fixa — e colocando em risco contratos milionários entre clubes e patrocinadores do setor.
- Fluminense e São Paulo, ambos patrocinados pela Superbet, precisavam agir antes do prazo: exibir a marca de apostas nas camisas passou a ser juridicamente inviável.
- A solução encontrada foi substituir o logotipo da Superbet pelo do Superscore, plataforma irmã dedicada a estatísticas esportivas sem odds ou sugestões de apostas — tecnicamente dentro da lei.
- Os valores do contrato permanecem inalterados: até R$ 86 milhões anuais, com vigência até 2029, preservando a receita do clube e a presença da marca no futebol brasileiro.
- A estratégia levanta uma questão que caberá aos reguladores responder: se o dinheiro e a associação corporativa persistem, apenas com outro rótulo, o espírito da restrição foi de fato respeitado?
Diante de uma Medida Provisória que proíbe a publicidade de apostas esportivas no Brasil, o Fluminense encontrou uma forma de preservar seu contrato de R$ 86 milhões anuais com a Superbet: exibir, no peito da camisa, não a marca da plataforma de apostas, mas a do Superscore, um site gratuito de estatísticas esportivas da mesma família corporativa. A mudança é formal, não financeira — o acordo segue intacto até 2029, e o dinheiro continua a fluir. É o momento em que a lei encontra a criatividade contratual, e a linha entre conformidade e contorno se torna matéria de interpretação regulatória.
O Fluminense chegou a esta semana com um problema concreto: uma Medida Provisória assinada pelo presidente Lula em 25 de setembro proibiu a publicidade de apostas de quota fixa no Brasil, e o clube tinha a marca de uma empresa do setor estampada no peito da camisa em um contrato que vale até R$ 86 milhões por ano.
A resposta foi pragmática. A partir do jogo contra o Coritiba, o tricolor passará a exibir o Superscore — plataforma gratuita de inteligência e estatísticas esportivas em tempo real, vinculada à Superbet, mas sem odds, publicidade ou qualquer sugestão de apostas. Segundo o clube, trata-se de uma adequação visual e operacional, não de uma ruptura contratual. O São Paulo, também patrocinado pela Superbet, adotará o mesmo caminho.
Os números do acordo permanecem intocados: R$ 53 milhões em pagamentos fixos, R$ 33 milhões em bônus, vigência até 2029. A Superbet mantém ainda os direitos sobre a parte superior traseira da camisa. O que muda é apenas o rótulo visível ao público — e, com ele, a questão de saber se a lei foi cumprida em espírito ou apenas em forma.
Do ponto de vista legal, Fluminense e Superbet estão em conformidade. Mas a solução expõe uma tensão que os reguladores terão de enfrentar nos próximos meses: quando uma empresa de apostas financia um clube, mantém sua presença visual e apenas troca de logotipo, o objetivo declarado da restrição — reduzir a associação entre apostas e esporte — foi de fato alcançado?
O Fluminense encontrou uma solução criativa para manter intacta uma das maiores parcerias financeiras do futebol brasileiro diante de uma restrição regulatória que entrou em vigor esta semana. A partir do jogo contra o Coritiba, o clube exibirá a marca Superscore no peito da camisa — não como substituto do patrocínio master, mas como a face pública de um acordo que permanece fundamentalmente inalterado nos bastidores.
A Medida Provisória assinada pelo presidente Lula em 25 de setembro proíbe a exploração, oferta, intermediação e publicidade de apostas de quota fixa no Brasil. A lei estabeleceu um período de transição para que plataformas encerrem operações e removam materiais publicitários. Desde terça-feira, sites e aplicativos dessas empresas devem estar indisponíveis ao público. É nesse contexto que o Fluminense e o São Paulo — ambos patrocinados pela Superbet — recorreram a uma estratégia de conformidade: exibir não a marca de apostas, mas a de uma plataforma irmã que opera dentro das regras.
Superscore é um site gratuito dedicado a inteligência e estatísticas esportivas em tempo real. Segundo o Fluminense, a plataforma, que funciona como parceira global da Superbet, não exibe odds, publicidade ou sugestões de apostas. Trata-se, portanto, de um produto legítimo que pode ser anunciado sem violar a nova legislação. O clube afirma que a mudança é apenas uma adequação visual e operacional, não uma alteração do contrato subjacente.
E de fato, os números permanecem os mesmos. O acordo entre Fluminense e Superbet, renovado em março deste ano, segue válido até o fim de 2029 com valor que pode chegar a R$ 86 milhões anuais — R$ 53 milhões em pagamentos fixos e outros R$ 33 milhões em bônus. A Superbet também mantém direitos sobre a parte superior traseira da camisa tricolor. A medida não altera os moldes do contrato, apenas a forma como a marca pode ser exibida publicamente.
Trata-se de uma solução que preserva os investimentos de ambos os lados. Para o Fluminense, significa manter uma receita substancial em um momento em que os clubes brasileiros enfrentam pressão financeira. Para a Superbet, significa continuar vinculada a um dos principais times do país sem violar a legislação. O São Paulo adotará o mesmo procedimento, sugerindo que essa pode ser a estratégia padrão para empresas de apostas que possuem contratos de longo prazo com clubes de futebol.
A solução levanta questões sobre a efetividade da Medida Provisória em alcançar seu objetivo declarado. Se uma empresa de apostas pode simplesmente exibir a marca de uma plataforma irmã sem odds ou publicidade de apostas, o espírito da restrição permanece parcialmente contornado — o dinheiro flui, a associação com o clube persiste, apenas o rótulo muda. Ainda assim, do ponto de vista legal e formal, o Fluminense e a Superbet estão em conformidade com a lei. O que acontece agora é uma questão de como os reguladores interpretarão essas adaptações nos meses vindouros.
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A plataforma, parceira global da Superbet, não exibe nenhum tipo de publicidade, odds ou sugestões de apostas— Fluminense