Flávio promete 'tesouraço na censura' enquanto pede bloqueio de perfis de Lula

nenhum governo pode ser dono da verdade
Resposta da campanha de Flávio sobre sua defesa da liberdade de expressão contra o que chama de controle estatal de Lula.
Mark

Como é possível um candidato prometer cortar a censura enquanto sua campanha pede bloqueio de perfis de adversários?

Mimi

É uma contradição que está ali, documentada. Flávio promete desmontar os órgãos de combate à desinformação, mas sua campanha entrou com ação no TSE pedindo o bloqueio de 32 perfis ligados a Lula.

Luke

Mas espera — o bloqueio do canal "Exército do Lula" foi revertido. Então a ação dele não funcionou. Isso muda a narrativa?

Mimi

Muda, sim. Mostra que há resistência institucional. Mas o fato é que ele pediu. A intenção está lá.

Mark

E quanto aos órgãos que ele quer desmontar? Todos vão desaparecer?

Mimi

Segundo a reportagem, alguns podem sobreviver, mas com funções diferentes. Nenhum deles continuaria combatendo fake news.

Luke

A campanha dele diz que vai fazer isso "dentro da lei" e com "diálogo permanente com a sociedade e o Congresso". Isso é promessa ou é vago demais?

Mimi

É promessa, mas sem detalhes. Eles dizem que as medidas específicas serão definidas na transição. Não há um plano pronto.

Mark

E o PL das Fake News? Vai morrer?

Mimi

Segundo a reportagem, não deve prosperar em um eventual governo dele. Mas também não há certeza absoluta.

Luke

Então temos promessas, ações contraditórias, e um futuro incerto. O que sabemos com certeza é o que está no programa registrado no TSE e o que a campanha fez até agora.

Mark

Isso é suficiente para entender o que pode vir?

Mimi

É o que temos. O resto é transição e governo.

  • A campanha de Flávio Bolsonaro pediu ao TSE o bloqueio de 32 perfis alinhados a Lula e conseguiu, por horas, derrubar o canal 'Exército do Lula' no WhatsApp — decisão rapidamente revertida pelo corregedor do tribunal.
  • O programa de governo registrado no TSE promete extinguir a Procuradoria Nacional de Defesa da Democracia, a Secretaria de Políticas Digitais e outros órgãos criados por Lula para enfrentar fake news.
  • A tensão entre o discurso de liberdade de expressão e as ações jurídicas de censura a adversários expõe uma contradição que a campanha ainda não conseguiu explicar de forma coerente.
  • O PL das Fake News, parado no Congresso há seis anos, dificilmente avançaria sob um eventual governo Flávio, que enquadra qualquer regulação de plataformas como controle estatal sobre o debate público.
  • A campanha promete definir os detalhes das revogações apenas durante a transição de governo, deixando em aberto como a promessa de liberdade se traduzirá em política concreta.

Em plena campanha eleitoral, Flávio Bolsonaro apresenta ao TSE um programa que promete desmontar os mecanismos estatais de combate à desinformação, invocando a liberdade de expressão como valor inegociável. Ao mesmo tempo, sua própria campanha solicita o bloqueio de dezenas de perfis adversários e obtém — ainda que brevemente — a remoção de um canal ligado ao campo lulista. A contradição entre o discurso e a prática levanta uma questão antiga sobre o poder: a liberdade de expressão defendida é universal, ou apenas conveniente para quem a proclama?

O programa de governo de Flávio Bolsonaro, registrado no TSE, promete um 'tesouraço na censura' — a mesma expressão usada para cortes orçamentários — e o desmonte das estruturas criadas pelo governo Lula para combater a desinformação. Entre os alvos estão a Procuradoria Nacional de Defesa da Democracia, a Secretaria de Políticas Digitais e o Comitê de Enfrentamento à Desinformação, que Flávio compara a um 'Ministério da Verdade'.

Mas enquanto o discurso prega liberdade, as ações da campanha seguem outro caminho. No dia 11 de outubro, o presidente do TSE atendeu a um pedido de Flávio e mandou retirar do ar o canal de WhatsApp 'Exército do Lula', administrado pelo deputado André Janones. A decisão durou poucas horas: o corregedor-geral do tribunal a reverteu. Na semana anterior, a campanha já havia solicitado o bloqueio de 32 perfis alinhados a Lula, alegando disseminação de desinformação.

Em nota, a campanha afirma que Flávio defende a liberdade de expressão como direito fundamental e que, ao contrário do PT, nenhum governo deve controlar o debate público. Os detalhes das revogações prometidas serão definidos apenas na transição, segundo a campanha. O que permanece sem resposta é como essa visão de liberdade se concilia com os pedidos de remoção de conteúdo adversário — e se a contradição se dissolverá ou se aprofundará caso o poder mude de mãos.

O programa de governo que Flávio Bolsonaro registrou no Tribunal Superior Eleitoral promete um "tesouraço na censura" — usando a mesma expressão que emprega para falar em cortes orçamentários. Mas enquanto seu plano de campanha prega o desmonte de estruturas de combate à desinformação, as ações de sua campanha eleitoral têm feito exatamente o oposto: pedindo a remoção de conteúdo de adversários das redes sociais.

No domingo 11 de outubro, Kassio Nunes Marques, presidente do TSE, atendeu a um pedido de Flávio e mandou tirar do ar o canal de WhatsApp chamado "Exército do Lula", que era administrado pelo deputado federal André Janones, da Rede de Minas Gerais. A decisão não durou. Ricardo Villas Bôas Cueva, corregedor-geral do tribunal, reverteu a censura horas depois. Na semana anterior, a campanha de Flávio já havia entrado com uma ação no TSE solicitando o bloqueio de 32 perfis alinhados a Lula, alegando que espalhavam desinformação.

O contraste é evidente. No documento registrado no TSE, Flávio promete desmantelar uma série de órgãos e revogar decretos que o governo Lula criou para enfrentar a desinformação. Entre os alvos estão a Procuradoria Nacional da União de Defesa da Democracia, vinculada à Advocacia-Geral da União; a Secretaria de Políticas Digitais, da Secom; e a Secretaria Nacional de Direitos Digitais, do Ministério da Justiça. Alguns desses órgãos podem sobreviver, segundo apurou o Painel, mas com funções redefinidas que não incluam o combate às fake news.

Outras iniciativas criadas por Lula nessa área também correm risco: o Comitê de Enfrentamento à Desinformação, focado em boatos sobre saúde pública e imunização, e o canal "Brasil contra Fake". Para Flávio, essa rede de estruturas equivale a um "Ministério da Verdade". De forma mais ampla, medidas de regulação das grandes plataformas de tecnologia não devem prosperar em um eventual governo dele — como o chamado PL das Fake News, que tramita no Congresso há seis anos.

Em nota, a campanha de Flávio afirma que o candidato "defende a liberdade de expressão e de pensamento como direitos fundamentais e inegociáveis da democracia, assim como o combate aos crimes de fake news e desinformação, dentro da lei". A resposta toca em um ponto central: "Ao contrário do PT e de Lula, que defendem maior controle estatal sobre a imprensa, internet e plataformas digitais, nenhum governo pode ser dono da verdade, controlar o debate público ou punir quem pensa diferente."

A campanha diz que as medidas específicas para revogar os atos de Lula serão definidas durante o período de transição e ao longo do governo, a partir da estruturação das equipes técnicas e do diálogo permanente com a sociedade e o Congresso Nacional. O que fica em aberto é como essa promessa de liberdade de expressão convive com as ações de sua campanha pedindo bloqueios e remoções de conteúdo — e se essa tensão será resolvida quando o poder mudar de mãos.

Defende a liberdade de expressão e de pensamento como direitos fundamentais e inegociáveis da democracia, assim como o combate aos crimes de fake news e desinformação, dentro da lei
— Campanha de Flávio Bolsonaro
Ao contrário do PT e de Lula, que defendem maior controle estatal sobre a imprensa, internet e plataformas digitais, nenhum governo pode ser dono da verdade, controlar o debate público ou punir quem pensa diferente
— Campanha de Flávio Bolsonaro
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