Flávio promete cooperação com Colômbia e outros países para combater facções narcoterroristas através do Escudo das Américas. A adesão já seria 'acertada' com governo americano segundo aliados, e Brasil ficou de fora durante gestão Lula.
Flávio promete incluir Brasil no Escudo das Américas de Trump
Vou implementar um regime muito duro aqui no Brasil
Por que Flávio está tão interessado em trazer o Brasil para esse escudo agora, justamente durante a campanha?
A segurança pública é o tema central da eleição. Flávio vê a participação como uma plataforma para coordenar ações contra o crime organizado nas fronteiras, especialmente contra o PCC e o Comando Vermelho.
Mas espera — a conversa foi publicada três dias após o segundo turno. Flávio fala sobre "maioria no Congresso", o que sugere que ele gravou isso antes de saber o resultado. Como sabemos que essa conversa não foi feita semanas antes?
Ótima observação. O timing é confuso. Mas o que importa é que aliados dele já tratam a adesão como certa, e dizem que está "acertada" com Washington.
"Acertada" — com quem exatamente? O Departamento de Estado não respondeu. Isso é atribuído a aliados, não confirmado.
E quanto aos outros países? Eles realmente querem o Brasil lá?
A fonte diz que outros participantes teriam expressado desejo de ter o Brasil no grupo, mas novamente, isso vem de aliados de Flávio, não dos próprios países.
Exato. E há um detalhe importante: o Brasil foi "pego de surpresa" pela nota conjunta da ONU em setembro. Isso não soa como alguém que estava negociando nos bastidores.
Então a promessa de Flávio é real ou é campanha?
Provavelmente ambas. Ele claramente quer fazer parte. Mas se vai conseguir depende de vencer a eleição e depois negociar com Trump e os outros países.
E Trump já apoiou candidatos em outros países e venceu. Ele deixou claro em Nova York que espera reciprocidade dos seus aliados.
O Pulso
- Flávio Bolsonaro promete incluir Brasil no Escudo das Américas, iniciativa de Trump
- 14 países já integram o grupo: Argentina, Bolívia, Colômbia, Chile, Costa Rica, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guiana, Honduras, Panamá, Paraguai, Peru e Trinidad e Tobago
- Brasil ficou de fora durante governo Lula; foi pego de surpresa por nota conjunta em setembro na ONU
- Flávio esteve em Washington em maio e defendeu classificação de PCC e CV como terroristas; EUA anunciou designação dias depois
Flávio promete cooperação com Colômbia e outros países para combater facções narcoterroristas através do Escudo das Américas. A adesão já seria 'acertada' com governo americano segundo aliados, e Brasil ficou de fora durante gestão Lula.
O senador Flávio Bolsonaro afirma que incluirá o Brasil no Escudo das Américas, iniciativa de segurança liderada por Trump, em conversa com presidente colombiano publicada nesta quarta.
O senador Flávio Bolsonaro afirmou em conversa com o presidente colombiano Abelardo de la Espriella que fará o Brasil integrar o Escudo das Américas, a iniciativa de cooperação em segurança liderada por Donald Trump entre aliados latino-americanos. O diálogo foi divulgado na quarta-feira pelo perfil do ex-deputado Eduardo Bolsonaro, três dias após Flávio avançar ao segundo turno eleitoral à frente de Lula. Em um momento da conversa, o senador menciona que "se Deus quiser, teremos maioria no Congresso brasileiro", indicativo de que o encontro ocorreu antes da votação.
"Eu vou com muita vontade e muita honra querer fazer parte também do Escudo das Américas, para fazer uma cooperação com a Colômbia e com os demais países que queiram se unir para combater essas facções narcoterroristas", declarou Flávio. Ele prosseguiu afirmando que implementaria um regime rigoroso no Brasil e que buscaria intercâmbio de informações com a Colômbia, oferecendo-se para prender criminosos colombianos em território brasileiro e entregá-los ao governo colombiano, com a expectativa de reciprocidade para bandidos brasileiros.
Aliados próximos de Flávio, incluindo seu irmão Eduardo e o comentarista político Paulo Figueiredo, já tratam a adesão como certa. Figueiredo afirma que em uma eventual vitória de Flávio, o país integraria o grupo e que a adesão estaria já "acertada" com o governo americano. Outros participantes da iniciativa também teriam manifestado interesse em ter o Brasil no grupo. O Departamento de Estado americano não respondeu a pedido de comentário sobre o possível ingresso brasileiro. A campanha de Flávio confirmou a intenção de integrar a iniciativa, que foi lançada pela administração Trump e da qual o Brasil ficou excluído durante o governo Lula.
Para os aliados do candidato, a participação seria estratégica no enfrentamento ao crime organizado. Flávio pretende declarar guerra ao Comando Vermelho e ao PCC caso chegue à Presidência, avaliando que o Brasil precisaria ampliar a cooperação regional, especialmente em ações coordenadas nas fronteiras. O Escudo das Américas funcionaria como plataforma de colaboração entre governos no combate às facções criminosas. A segurança pública tornou-se um dos principais temas da corrida eleitoral, com diferenças estratégicas entre os candidatos.
Em maio, Flávio esteve em Washington, onde se reuniu com Trump e integrantes de sua administração, defendendo que o PCC e o Comando Vermelho fossem classificados pelos Estados Unidos como organizações terroristas. O senador teve acesso à cúpula do governo ao lado de Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo, que nos últimos anos atuaram junto a autoridades americanas em defesa de sanções contra integrantes do governo Lula e do Judiciário brasileiro. Poucos dias após a passagem de Flávio pelos EUA, o governo americano anunciou a designação das duas facções como terroristas.
Às margens da Assembleia Geral da ONU em setembro, o grupo de países do Escudo das Américas se reuniu com Trump em Nova York e assinou nota conjunta comprometendo-se a declarar grupos criminosos, incluindo o PCC e o Comando Vermelho, como terroristas. Os signatários são Argentina, Bolívia, Colômbia, Chile, Costa Rica, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guiana, Honduras, Panamá, Paraguai, Peru e Trinidad e Tobago. O Brasil foi pego de surpresa pelo comunicado.
No discurso durante a reunião em Nova York, Trump fez menção clara ao fato de que os participantes do Escudo das Américas são seus aliados e se beneficiaram eleitoralmente de seu apoio. "Apoiei alguns de vocês, e conquistamos grandes vitórias eleitorais", disse ele. "Acho que meu placar é de nove vitórias em nove disputas: todos que apoiei venceram. Estamos vencendo muito. Estou com vocês até o fim e farei tudo o que estiver ao meu alcance." Na conversa com Espriella, Flávio também reforçou que declarará as facções criminosas brasileiras como grupos terroristas, alinhando-se com a posição já adotada pelo governo Trump.
Citações Notáveis
Eu vou com muita vontade e muita honra querer fazer parte também do Escudo das Américas, para fazer uma cooperação com a Colômbia e com os demais países que queiram se unir para combater essas facções narcoterroristas— Flávio Bolsonaro, em conversa com presidente colombiano
Apoiei alguns de vocês, e conquistamos grandes vitórias eleitorais. Acho que meu placar é de nove vitórias em nove disputas: todos que apoiei venceram— Donald Trump, em reunião do Escudo das Américas na ONU em setembro