O Brasil caminha para um segundo turno presidencial sem precedentes desde a redemocratização, com Flávio Bolsonaro e Lula separados por menos de dois pontos percentuais. O filho avançou onde o pai não havia chegado, conquistando 714 municípios que em 2022 escolheram o PT — um sinal de que o eleitorado não está fixo, mas em movimento. A disputa que se aproxima não é apenas entre dois nomes, mas entre duas visões de país que, por ora, dividem o Brasil quase ao meio.
Flávio Bolsonaro vira 714 cidades que votaram em Lula em 2022; vai ao segundo turno
A margem é tão fina que qualquer movimento significativo pode determinar o resultado
Como é possível que Flávio tenha conquistado 714 cidades que votaram em Lula, mas a diferença no primeiro turno seja tão pequena?
Porque as cidades que Lula mantém são geralmente maiores e mais populosas. Ele perdeu muitos municípios pequenos e médios, mas mantém as capitais e grandes centros urbanos. A matemática eleitoral funciona assim — quantidade de cidades não é a mesma coisa que quantidade de votos.
Mas isso levanta uma pergunta: em quantas dessas 714 cidades a virada foi realmente significativa? O texto diz que em 36 delas a margem foi menor que um ponto percentual. Quantas das outras 678 foram por diferenças maiores?
Boa observação. O texto não detalha isso. Sabemos que houve dois empates técnicos exatos, e 36 viradas por menos de um ponto, mas a distribuição das outras não está clara.
E quanto aos estados onde não houve nenhuma virada? Isso significa que Lula mantém força total nesses lugares?
Significa que em Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rondônia, Roraima, Sergipe e Distrito Federal, Flávio não conseguiu conquistar nem uma única cidade que Lula havia vencido. Mas não quer dizer que Lula venceu esses estados — apenas que onde ele ganhou em 2022, manteve em 2026.
Exatamente. E isso é importante porque mostra que o voto não é uniforme. Flávio avançou em algumas regiões mas não em outras. Isso sugere que o segundo turno pode ser decidido por dinâmicas regionais muito específicas.
São Paulo é a chave, então?
Provavelmente. Flávio reduziu a desvantagem de 9,55 para 4,45 pontos percentuais. Se conseguir fechar ainda mais essa diferença no segundo turno, pode ganhar a eleição.
Mas ele ainda está atrás em São Paulo. E nas capitais em geral, não houve nenhuma virada. Isso é um limite real para Flávio.
The Pulse
- Com apenas 1,87 ponto percentual separando os candidatos, o primeiro turno entregou o resultado mais apertado desde o fim da ditadura — qualquer deslize pode custar a eleição.
- Flávio Bolsonaro penetrou em territórios historicamente petistas: 714 cidades que votaram em Lula em 2022 viraram para o senador fluminense, enquanto Lula não reverteu nenhuma cidade que havia sido de Bolsonaro.
- Minas Gerais e Rio Grande do Sul concentraram as maiores migrações de voto, com 178 e 134 municípios mudando de campo — estados que historicamente definem presidências.
- Em São Paulo, Flávio reduziu a vantagem de Lula de 9,55 para 4,45 pontos percentuais, sinalizando erosão no principal reduto urbano do PT.
- O segundo turno dependerá da redistribuição dos votos dispersos em candidatos menores — uma variável que nenhum dos dois campos controla com segurança.
O Brasil caminha para um segundo turno presidencial sem precedentes desde a redemocratização, com Flávio Bolsonaro e Lula separados por menos de dois pontos percentuais. O filho avançou onde o pai não havia chegado, conquistando 714 municípios que em 2022 escolheram o PT — um sinal de que o eleitorado não está fixo, mas em movimento. A disputa que se aproxima não é apenas entre dois nomes, mas entre duas visões de país que, por ora, dividem o Brasil quase ao meio.
O Brasil vai ao segundo turno presidencial mais acirrado desde a redemocratização. Flávio Bolsonaro, do PL, terminou o primeiro turno com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula, do PT — uma diferença de apenas 1,87 ponto percentual que torna qualquer previsão arriscada.
O desempenho de Flávio superou o de seu pai em 2022. O senador conquistou 714 municípios que haviam dado maioria ao PT quatro anos atrás. Lula, por outro lado, não conseguiu reverter a maioria em nenhuma cidade que Bolsonaro havia vencido. O movimento do eleitorado é unidirecional: em direção a Flávio.
As transformações mais expressivas ocorreram em estados decisivos. Minas Gerais registrou 178 municípios migrando do PT para o PL; Rio Grande do Sul, 134; Paraná e São Paulo, 91 e 90, respectivamente. Em Goiás, 28% dos municípios fizeram essa transição — a maior proporção do país. Em alguns estados do Nordeste e no Distrito Federal, nenhuma cidade que havia votado em Lula mudou de lado.
Na capital paulista, Flávio reduziu a margem de Lula de 9,55 para 4,45 pontos percentuais — sem virar a cidade, mas sinalizando erosão em um eleitorado que o PT considerava sólido. Casos extremos de empate técnico foram registrados em dois pequenos municípios, e em 36 cidades Flávio venceu com margem inferior a um ponto percentual.
Lula ainda mantém maioria em 2.663 cidades, enquanto Flávio venceu em 2.191. O eleitorado está em movimento, mas fragmentado. O resultado final dependerá menos da mobilização das bases consolidadas e mais de como os votos dados a candidatos menores se redistribuirão entre os dois finalistas no segundo turno.
O Brasil segue para um segundo turno presidencial que será o mais disputado desde o retorno da democracia. Flávio Bolsonaro, do PL, e Lula, do PT, terminaram o primeiro turno separados por apenas 1,87 ponto percentual — 47,03% contra 45,16% dos votos válidos. A margem é tão fina que qualquer movimento significativo de eleitores indecisos ou votos em branco pode determinar o resultado.
O desempenho de Flávio no primeiro turno superou o de seu pai, Jair Bolsonaro, em 2022. O senador fluminense conseguiu conquistar 714 municípios que haviam dado maioria para o PT quatro anos atrás. Lula, por sua vez, não conseguiu reverter a maioria em nenhuma cidade que Bolsonaro havia vencido em 2022. A dinâmica é clara: o voto está se movimentando na direção de Flávio, não na de Lula.
Os estados onde essa transformação foi mais visível são aqueles que historicamente definem eleições presidenciais. Minas Gerais, o maior colégio eleitoral do país, viu 178 de seus municípios mudarem de Lula para Flávio. Rio Grande do Sul contribuiu com 134 cidades. Paraná e São Paulo adicionaram 91 e 90, respectivamente. Em alguns estados — Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rondônia, Roraima, Sergipe e Distrito Federal — nenhuma cidade que votou em Lula em 2022 virou para Flávio desta vez. Mas em Goiás, a penetração foi particularmente profunda: 69 dos 246 municípios do estado, ou 28%, mudaram de voto. Rio Grande do Sul ficou em segundo lugar nessa métrica, com 27% de suas cidades fazendo a mesma transição.
Em São Paulo, a maior metrópole do país, Flávio reduziu significativamente a vantagem de Lula. Em 2022, o petista havia vencido a capital com 47,5% contra 37,9% de Jair Bolsonaro — uma diferença de 9,55 pontos percentuais. Desta vez, Lula obteve 46,5% e Flávio 42,13%, reduzindo a margem para 4,45 pontos. Não houve virada em nenhuma capital estadual, mas o movimento em São Paulo é particularmente relevante porque a cidade concentra uma parcela significativa do eleitorado nacional.
Houve casos extremos de proximidade. Em dois pequenos municípios com menos de dois mil eleitores — Crixás do Tocantins e Trabiju, em São Paulo — os candidatos empataram com exatamente o mesmo percentual de votos. Em outras 36 cidades que Lula havia vencido em 2022, Flávio conquistou a maioria com margem inferior a um ponto percentual, indicando uma população profundamente dividida.
Os dois maiores municípios onde Flávio conquistou votos de Lula foram Osasco, em São Paulo, com mais de 583 mil eleitores, e Ananindeua, no Pará, com 358 mil. Em Osasco, Flávio venceu com 45,46% contra 43,34% de Lula — uma disputa acirrada em uma cidade que o petista havia conquistado com 45,74% em 2022. Em Ananindeua, Flávio obteve 46,17% enquanto Lula ficou com 44,98%, revertendo um resultado anterior de 45,34% para o PT. Ananindeua é a cidade natal de Dr. Daniel, que foi eleito governador do Pará no primeiro turno com 51,40% dos votos, superando a governadora em exercício.
Apesar das viradas, Lula mantém a maioria em 2.663 cidades. Flávio venceu em 2.191 municípios na comparação com o desempenho de seu pai em 2022. Os números refletem um eleitorado em movimento, mas ainda fragmentado. O segundo turno será decidido não apenas por quem conseguir mobilizar melhor seus eleitores, mas por como os votos que se dispersaram entre candidatos menores se redistribuirão entre os dois finalistas.
Notable Quotes
Flávio teve desempenho melhor no primeiro turno do que o pai, Jair Bolsonaro, em 2022— Análise da Folha de S.Paulo