Flávio Bolsonaro compareceu a apenas 3 das 11 sessões da Comissão de Segurança Pública que preside em 2026, faltando a 73% das reuniões. O senador utiliza a comissão como plataforma eleitoral, destacando propostas de segurança em propaganda de rádio e TV durante sua campanha presidencial.
Flávio Bolsonaro usa comissão como vitrine eleitoral, mas falta a 72% das sessões
Uma comissão usada como vitrine, mas frequentada raramente por quem a preside
Como é possível um senador presidir uma comissão e faltar a 73% das sessões? Isso não viola alguma regra do Senado?
Tecnicamente, não há uma regra que force presença obrigatória. O que há é uma expectativa institucional — quem preside uma comissão deveria estar lá. Mas durante campanha presidencial, as prioridades mudam.
Espera aí. Ele faltou a 73% das sessões, mas a assessoria diz que exerceu "trabalho focado" na comissão. Isso é contraditório. Qual é a base factual para essa afirmação?
Ele foi relator de alguns projetos que passaram, incluindo um sobre saídas de presos que virou lei. Mas a reportagem mostra que ele não tem projetos próprios transformados em lei no mandato todo.
E quanto à propaganda eleitoral? Ela fala de segurança pública como se fosse sua grande obra.
Exatamente. A propaganda destaca a comissão, mas omite que ele raramente estava lá. É uma dissonância clara entre a imagem que vende e a presença real.
A reportagem menciona que o Senado rejeitou a proposta de declarar facções como terroristas, e que Flávio nem votou a favor. Isso está confirmado?
Sim, a Folha já havia coberto essa votação. É um fato verificado.
Qual é o impacto prático disso tudo? Os projetos que ele relatou em agosto — eles avançaram?
Três dos quatro aprovados foram relatados por ele, mas ainda precisam passar por outras comissões e pelo plenário. O principal, sobre porte de arma para mulheres sob medida protetiva, foi adiado.
Ele disse que mulheres têm "faculdade" de usar arma, não obrigação. Mas a campanha dele está usando isso como promessa. Há diferença entre o que ele disse e como está sendo vendido?
Há. Ele enfatizou que é uma opção, não uma obrigação do Estado. Mas a propaganda foca na promessa de segurança, não na nuance.
E no primeiro semestre, ele deixou de votar em 43% das deliberações. Isso é normal?
Não. Mostra desengajamento geral do trabalho parlamentar, não apenas da comissão.
The Pulse
- Flávio Bolsonaro compareceu a apenas 3 de 11 sessões da Comissão de Segurança Pública em 2026
- Faltou a 73% das reuniões da comissão que preside
- Deixou de votar em 43% das deliberações nominais do Senado no primeiro semestre
- Não tem projetos próprios transformados em lei no mandato
Flávio Bolsonaro compareceu a apenas 3 das 11 sessões da Comissão de Segurança Pública que preside em 2026, faltando a 73% das reuniões. O senador utiliza a comissão como plataforma eleitoral, destacando propostas de segurança em propaganda de rádio e TV durante sua campanha presidencial.
Senador Flávio Bolsonaro usa Comissão de Segurança Pública como vitrine eleitoral em sua campanha presidencial, mas compareceu a apenas 3 de 11 sessões realizadas em 2026, faltando a 73% das reuniões.
Em agosto, o senador Flávio Bolsonaro compareceu a uma sessão da Comissão de Segurança Pública do Senado, que ele preside. Na pauta estavam projetos sobre endurecimento de crimes e proteção a mulheres — temas centrais em sua campanha presidencial, amplamente divulgados em sua propaganda de rádio e televisão. A cena, porém, era excepcional. Das onze sessões realizadas pela comissão ao longo de 2026, Bolsonaro esteve presente em apenas três, o que significa que faltou a 73% das reuniões da comissão pela qual é responsável.
Quando questionado pela reportagem sobre as ausências, a assessoria do senador respondeu que "o Parlamento tem limites de atuação diante da agenda de Flávio como candidato à Presidência da República". A nota acrescentou que na comissão ele exerceu trabalho focado no endurecimento de penas e atualização da legislação, e mencionou que recebeu o Prêmio de Excelência Parlamentar em 2023, 2024 e 2025, concedido pelo Ranking dos Políticos.
A propaganda eleitoral obrigatória de Bolsonaro enfatiza sua atuação na segurança pública. A peça menciona sua presidência da comissão e promessas como castração química de estupradores, além de propor que facções criminosas como o PCC e o Comando Vermelho sejam declaradas organizações terroristas, seguindo o modelo dos Estados Unidos. Contudo, a Folha de S.Paulo já havia revelado que o Senado rejeitou essa equiparação em votação realizada no ano anterior, na qual Flávio sequer registrou voto favorável. A propaganda também destaca que ele foi relator, em 2024, de proposta que eliminou saídas temporárias de presos para visitar familiares e participar de atividades de convívio social — medida que foi aprovada e transformada em lei.
Mas o histórico legislativo do senador apresenta lacunas significativas. Chegando ao último ano de mandato, Bolsonaro não tinha projetos próprios transformados em lei. Apenas duas propostas em que foi coautor entraram em vigor, ambas desvinculadas do tema segurança. No primeiro semestre de 2026, deixou de votar em 43% das deliberações nominais da Casa.
A sessão de agosto em que compareceu foi marcada por circunstâncias delicadas. No mesmo período, revelou-se que Daniel Vorcaro, do Banco Master, havia feito mais pagamentos ao filme "Dark Horse" do que o senador havia admitido até então. Também eclodiu escândalo envolvendo mensagens entre o ex-banqueiro e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Naquele dia, Flávio terceirizou explicações sobre o financiamento do filme à produtora e subiu à tribuna do Senado para cobrar o impeachment de Moraes. Segundo registros da Casa, utilizou os microfones em apenas outras três sessões durante todo o ano.
Na sessão de agosto, foram aprovados quatro projetos, sendo três relatados por Flávio. Um concede porte de arma a membros da Defensoria Pública, outro aumenta penas de homicídio quando as vítimas são autoridades no exercício da função. O principal, porém, foi o que autoriza porte de arma para mulheres sob medida protetiva — proposto pela ex-senadora Rosana Martinelli. Flávio defendeu a medida como forma de proteger mulheres quando "o Estado não é infalível", e aproveitou para fazer campanha, afirmando que seu governo seria "muito mais efetivo" que o atual. A votação foi adiada por pedido de vista coletivo das senadoras Lourdinha Pereira e Damares Alves.
Em resposta final à reportagem, a equipe do senador reafirmou que "a luta contra a violência e o crime é uma bandeira inegociável para Flávio Bolsonaro" e prometeu que "a partir de janeiro de 2027, ou os criminosos deixam o Brasil ou serão presos ou serão neutralizados". O contraste permanece: uma comissão usada como vitrine eleitoral, mas frequentada raramente por quem a preside.
Notable Quotes
O Parlamento tem limites de atuação diante da agenda de Flávio como candidato à Presidência da República— Assessoria de Flávio Bolsonaro
Essa é uma medida que pode, sim, salvar a vida de uma mulher, em especial quando a gente sabe que o Estado não é infalível— Flávio Bolsonaro, sobre porte de arma para mulheres sob medida protetiva