Flávio promete endurecimento contra crime organizado, redução da maioridade penal e construção de cinco novos presídios federais de segurança máxima. Candidato propõe mudanças estruturais no STF, incluindo fim da análise de casos criminais e limitação de decisões monocráticas de ministros.
Flávio Bolsonaro no segundo turno: conheça as principais propostas do candidato do PL
Promete cortes mas não diz quanto cada medida economizaria
Flávio chega ao segundo turno com um plano bastante ambicioso. Mas o que mais chama atenção é o quanto ele deixa em aberto. Como ele espera ganhar confiança dos eleitores sem detalhar como vai fazer essas coisas funcionar?
Ele está apostando em uma coisa: a rejeição ao governo Lula. Seus eleitores já sabem o que ele representa — continuidade da agenda bolsonarista, dureza contra o crime, confronto com o Judiciário. Os detalhes econômicos talvez importem menos nesse momento do que a sensação de que há uma alternativa clara.
Mas aí está o problema. Quando ele diz que vai cortar 1,5% do PIB, isso é uma estimativa de uma assessora dele, não um compromisso documentado. E quando promete "reduzir gradualmente o custo do trabalho" sem explicar como, o eleitor não sabe se está votando em algo viável ou em promessas que desaparecem depois da eleição.
É verdade. Mas olha só a segurança pública — ali ele é bem específico. Cinco presídios novos, inspirados em El Salvador, classificação de facções como narcoterroristas. Isso é concreto.
El Salvador é uma referência interessante. Mas o modelo deles é controverso — prisões superlotadas, violações de direitos. Flávio está propondo isso sabendo que é polêmico?
Ele está propondo porque sabe que sua base quer dureza. Mas a reportagem não diz se ele reconhece as críticas ao modelo salvadorenho ou se simplesmente o copia. Isso é um vazio importante.
E tem outra coisa: a proposta sobre o STF é claramente pessoal. Ele quer tirar o pai da prisão domiciliar. Quando propõe que parlamentares não sejam mais julgados pelo STF, está criando uma estrutura que o beneficiaria diretamente.
Então há um conflito de interesse óbvio ali.
Sim. E a reportagem deixa isso claro — Flávio é herdeiro político do pai e uma de suas principais propostas é anistiá-lo. Mas o plano de governo tenta enquadrar isso como uma questão de "altivez" dos parlamentares, como se fosse um princípio geral. Não é.
Mas politicamente, para quem vota nele, isso não é um problema. É exatamente o que querem.
E quanto às mulheres? "Brasil por Elas" soa bem, mas MarIA e Central da Mulher parecem plataformas sem orçamento, sem gestão clara.
Exatamente. Ele não diz quanto custa, quem administra, como funciona. São ideias, não políticas públicas. E o cashback "ganha, ganha" — condicionar benefícios a comportamentos específicos — é uma coisa bem diferente de garantir direitos.
Mas talvez seja assim que ele pense mesmo: menos estado provedor, mais incentivos para quem se comporta de certa forma. É uma filosofia, não um detalhe.
Filosofia que não está explícita no plano, então.
The Pulse
- Segundo turno em 25 de outubro contra Lula
- Promete construir cinco novos presídios federais de segurança máxima
- Propõe cortes equivalentes a 1,5% do PIB, segundo sua assessora econômica
- Defende redução da maioridade penal para 16 anos em crimes graves
- Quer transferir julgamento de parlamentares do STF para instâncias inferiores
Flávio promete endurecimento contra crime organizado, redução da maioridade penal e construção de cinco novos presídios federais de segurança máxima. Candidato propõe mudanças estruturais no STF, incluindo fim da análise de casos criminais e limitação de decisões monocráticas de ministros.
Flávio Bolsonaro (PL) disputa segundo turno das eleições de 2026 contra Lula, com propostas focadas em segurança pública, reforma administrativa e limitação do Judiciário.
O senador Flávio Bolsonaro (PL) chegou ao segundo turno das eleições de 2026 enfrentando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em votação marcada para 25 de outubro. Como herdeiro político de seu pai, Jair Bolsonaro, Flávio carrega consigo a agenda do bolsonarismo — e uma das suas propostas mais pessoais é anistiar o ex-presidente e retirá-lo da prisão domiciliar que cumpre pela tentativa de golpe de Estado.
A campanha de Flávio elegeu a segurança pública como um de seus principais temas, acompanhando a tendência das eleições de 2026. Seu plano prevê o endurecimento do combate ao crime organizado, com a classificação de facções como PCC e Comando Vermelho, além de milícias, como organizações "narcoterroristas". Ele propõe o bloqueio de ativos financeiros dessas organizações e o reforço das ações contra lavagem de dinheiro. Na política carcerária, promete construir cinco novos presídios federais de segurança máxima, inspirados no modelo de El Salvador, que se somariam aos cinco já existentes para formar um complexo chamado "TREVA", destinado a isolar líderes de facções criminosas. Flávio também defende a redução da maioridade penal para 16 anos, com possibilidade de punição de adolescentes a partir dos 14 anos em crimes graves. Para combater a violência contra a mulher, propõe endurecer a legislação e monitorar agressores com tornozeleiras eletrônicas — medida que, embora já prevista na Lei Maria da Penha, seria expandida.
O Supremo Tribunal Federal tornou-se outro foco central da campanha de Flávio. Ele propõe mudanças estruturais na Corte, incluindo o fim da análise de casos de esfera criminal pelo STF, transferindo o julgamento de parlamentares para instâncias inferiores como o Superior Tribunal de Justiça ou os Tribunais Regionais Federais. Defende também a limitação das decisões monocráticas de ministros, reduzindo as decisões provisórias de um único juiz antes de levar o caso ao plenário. Outras propostas incluem uma quarentena de um ano para que ministros de Estado possam ser indicados ao STF e o impedimento de parentes até terceiro grau de ministros atuarem com escritórios de advocacia em ações na Corte. Flávio fala ainda em promover o que chama de um "tesouraço na censura", prometendo acabar com estruturas estatais que, segundo ele, atuam para "vigiar, rotular ou punir o que as pessoas dizem".
No campo econômico, o plano de Flávio carece de detalhes concretos. Sua assessora econômica, Daniella Marques — ex-presidente da Caixa Econômica Federal e ex-assessora do Ministério da Economia durante a gestão Paulo Guedes — afirmou à GloboNews que Flávio cortaria gastos equivalentes a 1,5% do Produto Interno Bruto. Seu plano de governo menciona "continuidade" da reforma administrativa e corte de ministérios, mas não indica quanto seria economizado com cada medida nem quais custos permanentes seriam reduzidos. Flávio critica o fim do teto de gastos e o arcabouço fiscal sancionado por Lula em agosto de 2023, afirmando que o novo modelo "retirou as sanções e as travas e projetou regras frágeis". Promete uma reformulação das regras fiscais com foco na "estabilização e na redução da dívida pública", mas não especifica os termos dessa nova regra.
Sobre a jornada de trabalho, Flávio é crítico da proposta que encerra a escala 6x1 e institui duas folgas remuneradas. Defende uma "jornada flexível" na qual a carga horária e os dias de trabalho seriam combinados diretamente entre empregador e trabalhador, com possibilidade de redução salarial. Critica o que chama de "República Sindical" e a contribuição sindical, defendendo o "negociado sobre o legislado". Promete "reduzir gradualmente o custo do trabalho", com menção a um "menor custo na folha" para trabalhadores de 18 a 24 anos, mas não explica como implementaria essa redução. Ao mesmo tempo, diz que manteria os programas sociais existentes, com mudanças não especificadas, e promete retomar o Casa Verde e Amarela do governo Bolsonaro, que foi substituído pelo Minha Casa, Minha Vida no governo Lula.
Flávio apresentou também o documento "Brasil por Elas", com propostas voltadas ao público feminino. Entre elas estão a ampliação do acesso à internet para mulheres através da 'MarIA', descrita como uma "amiga virtual" de inteligência artificial, e a criação de uma plataforma chamada 'Central da Mulher' voltada ao "acolhimento da mulher" com possibilidade de resgate de auxílio para aluguel e creche — sem especificar valores ou órgãos responsáveis. O plano inclui também o "Saúde para Elas", projeto para unificar prontuários nas redes pública e privada de saúde, e um programa de cashback "ganha, ganha" que converteria ações em incentivo financeiro para famílias que vacinassem filhos, realizassem exames preventivos, concluíssem cursos de capacitação, mantivessem crianças na escola, poupassem e pagassem contas em dia.
Sobre as apostas online, Flávio criticou a proibição completa decretada por Lula e defendeu apenas a proibição de cassinos online, permitindo apostas esportivas. Seu plano de governo menciona apenas a proibição de apostas com dinheiro de programas sociais. Nas relações internacionais, embora seu plano não cite diretamente as sanções impostas pelos Estados Unidos ao Brasil através do aumento de tarifas, Flávio se envolveu nas negociações com os EUA, viajando ao país para tratar do assunto com o governo de Donald Trump. Critica o governo petista pela deterioração da relação com os norte-americanos e defende a retomada de relações amistosas, apostando que a vitória de seu grupo político possa influenciar uma mudança de comportamento dos EUA motivada pela maior proximidade ideológica entre Bolsonaro e Trump.
Notable Quotes
Defendemos o negociado sobre o legislado, ou seja, permitir que trabalhador e empresa combinem diretamente as condições de trabalho que funcionam para os dois, dentro da lei— Flávio Bolsonaro, em seu plano de governo
Não trataremos como adversários os nossos parceiros mais importantes e tradicionais— Flávio Bolsonaro, sobre relações com os Estados Unidos