Flávio Bolsonaro escolheu Gaspar como vice menos de 24h antes do anúncio

Gaspar recuou para o fundo da sala, evitando chamar atenção
O deputado alagoano aguardava discretamente o anúncio que o transformaria em candidato a vice-presidente.
Mark

Por que a pressa? Se Gaspar era o nome certo há seis meses, por que a decisão só saiu 24 horas antes?

Mimi

Porque não era. A pressa revela a verdade: o partido estava procurando uma mulher, e quando viu que não conseguiria, precisou de um plano B rápido. Gaspar estava disponível e tinha o que precisavam.

Mark

E Priscila? Ela aceitou, depois foi rejeitada. Como se sente com isso?

Mimi

Ela fez o que lhe pediram. Conversou com a família, com Michelle, com a igreja. Respondeu sim. E na manhã seguinte descobriu que tudo tinha mudado. Ninguém lhe disse por quê.

Mark

Então a CPI do INSS foi decisiva?

Mimi

Foi o que justificou tudo depois. Gaspar atacou Lula e Lulinha por corrupção. Isso é ouro para uma campanha que quer falar de escândalos. Mas não era por isso que o escolheram — era porque ninguém mais estava disponível.

Mark

Michelle também foi sondada. Por que ela recusou?

Mimi

Ela tinha uma razão real: o marido em prisão domiciliar. Mas ninguém a informou sobre a decisão. Ela só soube quando Flávio subiu ao palco.

Mark

Isso não é estranho? Deixar as pessoas no escuro?

Mimi

É como funciona. Sigilo até o último segundo. Ninguém vaza, ninguém sabe, ninguém pode reclamar antes. Quando sai, está feito.

Mark

E agora? Gaspar traz o que Flávio precisa?

Mimi

Traz credibilidade e um inimigo comum: Lula. Mas começou como a terceira ou quarta opção. Isso pesa.

  • Alfredo Gaspar foi escolhido como vice menos de 24 horas antes do anúncio
  • Priscila Costa foi sondada na terça à tarde, aceitou, e foi informada na quarta que outro nome havia sido escolhido
  • Gaspar foi relator da CPI mista do INSS que investigou fraudes em aposentadorias e pensões ligadas ao governo Lula
  • O nome de Gaspar não foi testado em pesquisas internas do partido

A escolha de Gaspar ocorreu em força-tarefa restrita, com o nome ganhando força há duas semanas sob liderança do senador Rogério Marinho. Priscila Costa foi sondada por telefone na terça à tarde e aceitou o convite, mas foi informada na quarta que outro nome havia sido escolhido.

Flávio Bolsonaro definiu Alfredo Gaspar como candidato a vice menos de 24 horas antes do anúncio, após sondagens a outros nomes como a vereadora Priscila Costa e Michelle Bolsonaro.

A decisão que colocaria Alfredo Gaspar na chapa presidencial de Flávio Bolsonaro foi tomada em poucas horas. O deputado federal alagoano recebeu uma ligação na noite de terça-feira, dias depois de ter lançado sua pré-candidatura ao Senado em Maceió. Horas depois, ele estava em um avião para Brasília. Na manhã seguinte, sentado discretamente na primeira fileira de um auditório ao lado de poucos aliados, Gaspar aguardava o anúncio que o transformaria em candidato a vice-presidente. Quando Flávio subiu ao palco, Gaspar recuou para o fundo da sala, evitando chamar atenção antes do momento certo.

O processo que levou a esse resultado foi tudo menos linear. Menos de 24 horas antes do anúncio, a campanha ainda explorava outras possibilidades. A vereadora de Fortaleza Priscila Costa estava na lista, assim como Michelle Bolsonaro e o senador Rogério Marinho, coordenador político da campanha. Na tarde de terça, Marinho telefonou para Priscila perguntando se ela aceitaria o cargo caso fosse convidada. Ela pediu tempo, conversou com a família, com Michelle e com líderes de sua igreja. À noite, respondeu que toparia o convite. Na manhã seguinte, Marinho ligou novamente com uma mensagem diferente: a campanha havia escolhido outro nome, e ele não podia revelar qual era.

A articulação ocorreu dentro de um núcleo restrito da campanha, longe dos olhos públicos. O nome de Gaspar começou a ganhar força cerca de duas semanas antes, em um movimento liderado por Marinho. A intensificação da busca por opções dentro do próprio PL aconteceu depois que o partido percebeu que poderia perder o apoio do PP e do Republicanos, inviabilizando a indicação de Tereza Cristina ou de Daniella Marques para a vaga. Gaspar foi consultado dias antes sobre a possibilidade de ser vice. Segundo pessoas envolvidas nas negociações, ele respondeu que estava à disposição para ajudar a campanha, deixando a porta aberta para um convite formal. O ex-presidente Jair Bolsonaro também deu seu aval ao nome, mesmo sem ter acesso direto à casa do filho desde julho. A comunicação entre pai e filho ocorria por meio de advogados.

Michelle Bolsonaro foi sondada pelo presidente do PL, Valdemar Costa Neto, na última sexta-feira anterior ao anúncio. Ela explicou que precisava cuidar do marido, que estava em prisão domiciliar, e que não conseguiria conciliar as duas responsabilidades. Michelle só soube da decisão final durante o anúncio oficial. Flávio ligou para Tereza Cristina na noite de terça para contar que Gaspar seria seu vice e convidá-la para a cerimônia, pedindo sigilo sobre o nome. Quando o anúncio foi feito, Flávio estava ao lado de Tereza, surpreendendo até mesmo parlamentares que já estavam no palco.

Para compensar a escolha de um homem após meses procurando por uma mulher, Flávio cercou-se de aliadas no evento. Além de Tereza, estavam presentes a senadora Damares Alves e a deputada federal Bia Kicis, ambas cogitadas para a vaga. O nome de Gaspar não havia sido testado em pesquisas internas encomendadas pelo partido. O que pesou na decisão foi a percepção de que um dos principais pontos de desgaste para Lula será o escândalo de descontos ilegais em aposentadorias e pensões — exatamente o tema que projetou Gaspar nacionalmente.

Como relator da CPI mista do INSS, Gaspar vinculou as fraudes em aposentadorias e pensões ao governo Lula e a Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha. O Supremo Tribunal Federal autorizou a abertura de inquéritos contra Lulinha para apurar suspeitas de tráfico de influência. Também vieram à tona pagamentos da empresária Roberta Luchsinger ao ex-chefe de gabinete de Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola. Na avaliação de correligionários de Flávio, Gaspar pode melhorar o desempenho da chapa junto aos idosos pela sua atuação na CPI e reforçar a mensagem de combate à criminalidade, tema central na campanha do PL.

Houve também preocupação com a imagem de Priscila. O entorno de Flávio afirma que pesquisas internas mostravam que a vereadora de Fortaleza poderia passar a mensagem de inexperiência e imaturidade — exatamente os pontos que o próprio candidato do PL precisa afastar sobre si. Gaspar, por outro lado, traz senioridade e credibilidade. Tereza Cristina resumiu a lógica da escolha: o deputado defende duas pautas muito importantes, contra a corrupção e de defesa da segurança pública. Durante o evento, Valdemar tentou afastar a ideia de que Gaspar era a última opção, dizendo que o nome dele era mencionado por Flávio e Marinho há pelo menos seis meses. Mas os fatos contam outra história: uma decisão tomada em horas, não em meses, com outras portas ainda abertas até o último momento.

O Alfredo é uma pessoa que traz senioridade e credibilidade. Ele defende duas pautas muito importantes, contra a corrupção e de defesa da segurança pública
— Tereza Cristina (PP-MS)
Sempre foi o nome que eles falaram. Vamos levar isso até o final. Não tem um vice melhor para nós do que o Alfredo Gaspar
— Valdemar Costa Neto, presidente do PL
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