Flávio Bolsonaro já articula apoios internacionais para sua futura presidência, convidando formalmente o presidente colombiano para cerimônia em 6 de janeiro de 2027. Eduardo Bolsonaro atua como articulador diplomático e é cotado para comandar o Ministério das Relações Exteriores, gerando preocupações sobre viés ideológico na diplomacia brasileira.
Flávio Bolsonaro convida presidente da Colômbia para posse em 2027
Save the date, presidente — convite feito dias antes da vitória
Por que Flávio convida o presidente colombiano antes mesmo de vencer a eleição? Não é precipitado?
Não é precipitado se você já lidera as pesquisas. Flávio tinha 47% dos votos válidos no primeiro turno. É um sinal de confiança e também de que as alianças internacionais já estão sendo construídas em paralelo à campanha.
Mas o vídeo foi gravado dias antes do segundo turno, certo? Ninguém sabe ainda se ele vai ganhar. Isso é especulação sobre o futuro, não um fato consumado.
Verdade, mas o que importa é que ele já está se posicionando como presidente. Espriella responde como se Flávio já fosse presidente eleito.
E por que Espriella recusa? Parece estranho um aliado de direita não comparecer.
Ele fez um compromisso público de não sair da Colômbia durante seu mandato. É uma promessa que fez ao povo colombiano. Mas a recusa não é um afastamento — é um convite para Flávio ir até lá.
Espriella diz que tem problemas internos na Colômbia e precisa visitar 1.103 municípios. Isso é uma prioridade legítima, não necessariamente uma rejeição a Flávio.
E quanto a Eduardo Bolsonaro? Por que ele é tão importante nessas negociações?
Eduardo é o articulador diplomático da campanha. Ele já se encontrou com Espriella em maio. E há expectativa de que ele seja ministro das Relações Exteriores se Flávio vencer.
Mas há preocupação documentada sobre isso. Setores da campanha temem que Eduardo leve viés ideológico para a diplomacia. Ele teve embates com a China no governo anterior.
Então essa aproximação com a direita latino-americana e com Trump pode mudar a forma como o Brasil faz negócios internacionais?
Sim. Se o PL vencer, a diplomacia brasileira pode se reorientar significativamente. Mas ainda é condicional — Lula ainda está na disputa.
Il Polso
- Flávio Bolsonaro liderou com 47% dos votos válidos no primeiro turno contra 45% de Lula
- Convite formal para posse em 6 de janeiro de 2027, um dia antes da data oficial
- Eduardo Bolsonaro é cotado para comandar o Ministério das Relações Exteriores
- Abelardo de la Espriella é o segundo presidente de direita sul-americano a se envolver na campanha de oposição a Lula, após Javier Milei
Flávio Bolsonaro já articula apoios internacionais para sua futura presidência, convidando formalmente o presidente colombiano para cerimônia em 6 de janeiro de 2027. Eduardo Bolsonaro atua como articulador diplomático e é cotado para comandar o Ministério das Relações Exteriores, gerando preocupações sobre viés ideológico na diplomacia brasileira.
Flávio Bolsonaro convida o presidente da Colômbia, Abelardo de la Espriella, para sua posse presidencial em janeiro de 2027, reforçando alianças com líderes de direita latino-americana antes do segundo turno eleitoral.
Flávio Bolsonaro não esperou pela vitória. Dias antes do segundo turno das eleições presidenciais de 2026, o candidato do PL já gravava um vídeo dirigido ao presidente colombiano Abelardo de la Espriella com um convite formal: compareça à minha posse no Palácio do Planalto em 6 de janeiro de 2027. "Save the date", pediu Bolsonaro, marcando a cerimônia para um dia antes da data oficial prevista na legislação brasileira. O vídeo foi publicado em 7 de outubro, circulando pelos canais do YouTube de Eduardo Bolsonaro e da campanha.
A gravação, segundo integrantes da campanha, ocorreu no fim de semana anterior, possivelmente no sábado 3 de outubro, quando Flávio ainda liderava a votação do primeiro turno com 47% dos votos válidos contra 45% do presidente Lula. Naquele momento, Espriella já havia manifestado publicamente seu apoio ao candidato do PL. Os dois líderes de direita haviam se encontrado meses antes, em maio, durante a campanha eleitoral colombiana, quando Eduardo Bolsonaro atuava como articulador da aproximação.
O presidente colombiano respondeu ao convite com uma recusa educada, mas estratégica. Espriella explicou que havia feito um compromisso pessoal de não deixar a Colômbia durante seus quatro anos de mandato — ele acabava de derrotar a esquerda em seu país — e que pretendia visitar todos os 1.103 municípios colombianos. Expressou admiração pelos Bolsonaro e confessou sonhos de conhecer Salvador, Rio de Janeiro e São Paulo, de provar uma boa carne brasileira. Mas em vez de aceitar o convite para a posse, propôs que Flávio o visitasse na Colômbia para uma reunião bilateral dedicada ao combate ao narcotráfico e ao fortalecimento das relações entre os dois países.
A conversa revelou as prioridades compartilhadas entre os dois líderes. Ambos discutiram a designação de facções criminosas como organizações terroristas — uma decisão que os Estados Unidos já havia adotado independentemente do governo Lula — e a integração do Brasil ao Escudo das Américas, uma iniciativa da administração Trump que Espriella havia recém-adotado. Espriella também descreveu a disputa eleitoral brasileira como uma "guerra espiritual", enquanto Flávio afirmou esperar ser um "presidente cristão".
A aproximação entre Bolsonaro e Espriella integra um padrão mais amplo de alianças com a direita internacional. Javier Milei, presidente da Argentina, já havia participado pessoalmente da convenção nacional do PL. Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, e Binyamin Netanyahu, premiê de Israel, também celebraram publicamente a liderança de Flávio no primeiro turno. Espriella tornou-se o segundo presidente de direita da América do Sul a se envolver diretamente na campanha de oposição a Lula, após Milei.
Eduardo Bolsonaro, irmão do candidato, funciona como articulador central dessas alianças internacionais. Ele é cotado para comandar o Ministério das Relações Exteriores caso o PL vença a eleição. Essa perspectiva gera preocupação em setores da campanha e do governo Lula. Há temor de que sua influência ideológica sobre o Itamaraty prejudique negócios internacionais brasileiros, particularmente as relações com a China — país com o qual Eduardo teve embates públicos durante o governo de seu pai, Jair Bolsonaro.
O governo Lula desconfia da postura de Espriella, mas afirma que os demais líderes de Chile, Peru, Paraguai, Bolívia e Equador não devem atuar em prol de Flávio, apesar da afinidade ideológica que compartilham. A questão permanece aberta: se o PL vencer a disputa contra Lula, a diplomacia brasileira seguirá uma reorientação significativa em direção aos aliados de direita, com consequências ainda incertas para os negócios internacionais do país.
Citazioni salienti
Não vejo a hora de começar a trabalhar junto com senhor como presidente do Brasil e quero lhe convidar para minha posse como presidente, que vai ser no dia 6 de janeiro— Flávio Bolsonaro, em vídeo dirigido ao presidente colombiano
Eu iria feliz a sua posse. Você sabe do apreço que tenho pelos Bolsonaro. Mas eu prometi não sair da Colômbia em quatro anos, porque temos muitos problemas— Abelardo de la Espriella, respondendo ao convite