Flávio Bolsonaro convida presidente da Colômbia para posse em 2027

Save the date, presidente — convite feito dias antes da vitória
Flávio Bolsonaro convida formalmente o presidente colombiano para sua posse em janeiro de 2027, antes mesmo do segundo turno eleitoral.
Mark

Por que Flávio convida o presidente colombiano antes mesmo de vencer a eleição? Não é precipitado?

Mimi

Não é precipitado se você já lidera as pesquisas. Flávio tinha 47% dos votos válidos no primeiro turno. É um sinal de confiança e também de que as alianças internacionais já estão sendo construídas em paralelo à campanha.

Luke

Mas o vídeo foi gravado dias antes do segundo turno, certo? Ninguém sabe ainda se ele vai ganhar. Isso é especulação sobre o futuro, não um fato consumado.

Mimi

Verdade, mas o que importa é que ele já está se posicionando como presidente. Espriella responde como se Flávio já fosse presidente eleito.

Mark

E por que Espriella recusa? Parece estranho um aliado de direita não comparecer.

Mimi

Ele fez um compromisso público de não sair da Colômbia durante seu mandato. É uma promessa que fez ao povo colombiano. Mas a recusa não é um afastamento — é um convite para Flávio ir até lá.

Luke

Espriella diz que tem problemas internos na Colômbia e precisa visitar 1.103 municípios. Isso é uma prioridade legítima, não necessariamente uma rejeição a Flávio.

Mark

E quanto a Eduardo Bolsonaro? Por que ele é tão importante nessas negociações?

Mimi

Eduardo é o articulador diplomático da campanha. Ele já se encontrou com Espriella em maio. E há expectativa de que ele seja ministro das Relações Exteriores se Flávio vencer.

Luke

Mas há preocupação documentada sobre isso. Setores da campanha temem que Eduardo leve viés ideológico para a diplomacia. Ele teve embates com a China no governo anterior.

Mark

Então essa aproximação com a direita latino-americana e com Trump pode mudar a forma como o Brasil faz negócios internacionais?

Mimi

Sim. Se o PL vencer, a diplomacia brasileira pode se reorientar significativamente. Mas ainda é condicional — Lula ainda está na disputa.

  • Flávio Bolsonaro liderou com 47% dos votos válidos no primeiro turno contra 45% de Lula
  • Convite formal para posse em 6 de janeiro de 2027, um dia antes da data oficial
  • Eduardo Bolsonaro é cotado para comandar o Ministério das Relações Exteriores
  • Abelardo de la Espriella é o segundo presidente de direita sul-americano a se envolver na campanha de oposição a Lula, após Javier Milei

Flávio Bolsonaro já articula apoios internacionais para sua futura presidência, convidando formalmente o presidente colombiano para cerimônia em 6 de janeiro de 2027. Eduardo Bolsonaro atua como articulador diplomático e é cotado para comandar o Ministério das Relações Exteriores, gerando preocupações sobre viés ideológico na diplomacia brasileira.

Flávio Bolsonaro convida o presidente da Colômbia, Abelardo de la Espriella, para sua posse presidencial em janeiro de 2027, reforçando alianças com líderes de direita latino-americana antes do segundo turno eleitoral.

Flávio Bolsonaro não esperou pela vitória. Dias antes do segundo turno das eleições presidenciais de 2026, o candidato do PL já gravava um vídeo dirigido ao presidente colombiano Abelardo de la Espriella com um convite formal: compareça à minha posse no Palácio do Planalto em 6 de janeiro de 2027. "Save the date", pediu Bolsonaro, marcando a cerimônia para um dia antes da data oficial prevista na legislação brasileira. O vídeo foi publicado em 7 de outubro, circulando pelos canais do YouTube de Eduardo Bolsonaro e da campanha.

A gravação, segundo integrantes da campanha, ocorreu no fim de semana anterior, possivelmente no sábado 3 de outubro, quando Flávio ainda liderava a votação do primeiro turno com 47% dos votos válidos contra 45% do presidente Lula. Naquele momento, Espriella já havia manifestado publicamente seu apoio ao candidato do PL. Os dois líderes de direita haviam se encontrado meses antes, em maio, durante a campanha eleitoral colombiana, quando Eduardo Bolsonaro atuava como articulador da aproximação.

O presidente colombiano respondeu ao convite com uma recusa educada, mas estratégica. Espriella explicou que havia feito um compromisso pessoal de não deixar a Colômbia durante seus quatro anos de mandato — ele acabava de derrotar a esquerda em seu país — e que pretendia visitar todos os 1.103 municípios colombianos. Expressou admiração pelos Bolsonaro e confessou sonhos de conhecer Salvador, Rio de Janeiro e São Paulo, de provar uma boa carne brasileira. Mas em vez de aceitar o convite para a posse, propôs que Flávio o visitasse na Colômbia para uma reunião bilateral dedicada ao combate ao narcotráfico e ao fortalecimento das relações entre os dois países.

A conversa revelou as prioridades compartilhadas entre os dois líderes. Ambos discutiram a designação de facções criminosas como organizações terroristas — uma decisão que os Estados Unidos já havia adotado independentemente do governo Lula — e a integração do Brasil ao Escudo das Américas, uma iniciativa da administração Trump que Espriella havia recém-adotado. Espriella também descreveu a disputa eleitoral brasileira como uma "guerra espiritual", enquanto Flávio afirmou esperar ser um "presidente cristão".

A aproximação entre Bolsonaro e Espriella integra um padrão mais amplo de alianças com a direita internacional. Javier Milei, presidente da Argentina, já havia participado pessoalmente da convenção nacional do PL. Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, e Binyamin Netanyahu, premiê de Israel, também celebraram publicamente a liderança de Flávio no primeiro turno. Espriella tornou-se o segundo presidente de direita da América do Sul a se envolver diretamente na campanha de oposição a Lula, após Milei.

Eduardo Bolsonaro, irmão do candidato, funciona como articulador central dessas alianças internacionais. Ele é cotado para comandar o Ministério das Relações Exteriores caso o PL vença a eleição. Essa perspectiva gera preocupação em setores da campanha e do governo Lula. Há temor de que sua influência ideológica sobre o Itamaraty prejudique negócios internacionais brasileiros, particularmente as relações com a China — país com o qual Eduardo teve embates públicos durante o governo de seu pai, Jair Bolsonaro.

O governo Lula desconfia da postura de Espriella, mas afirma que os demais líderes de Chile, Peru, Paraguai, Bolívia e Equador não devem atuar em prol de Flávio, apesar da afinidade ideológica que compartilham. A questão permanece aberta: se o PL vencer a disputa contra Lula, a diplomacia brasileira seguirá uma reorientação significativa em direção aos aliados de direita, com consequências ainda incertas para os negócios internacionais do país.

Não vejo a hora de começar a trabalhar junto com senhor como presidente do Brasil e quero lhe convidar para minha posse como presidente, que vai ser no dia 6 de janeiro
— Flávio Bolsonaro, em vídeo dirigido ao presidente colombiano
Eu iria feliz a sua posse. Você sabe do apreço que tenho pelos Bolsonaro. Mas eu prometi não sair da Colômbia em quatro anos, porque temos muitos problemas
— Abelardo de la Espriella, respondendo ao convite
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