Antes mesmo de disputar o segundo turno, Flávio Bolsonaro já esboçava os contornos de uma presidência: em vídeo divulgado em 7 de outubro, convidou o presidente colombiano Abelardo de la Espriella para sua posse em 6 de janeiro de 2027, sinalizando que a política externa de uma eventual administração sua seria construída sobre afinidades ideológicas e alianças regionais de direita. O gesto, mais do que protocolar, revelava a pressa de quem lidera as urnas com 47% dos votos e já age como se o futuro fosse uma questão de tempo — e não de resultado.
Flávio Bolsonaro convida presidente da Colômbia para posse em 2027
Save the date, presidente — convite feito antes da vitória
Por que Flávio Bolsonaro fez esse convite tão cedo, ainda durante a campanha?
Ele estava sinalizando que já tinha apoio internacional confirmado e que sua vitória era iminente. Era um gesto de confiança política.
Mas ele ainda não tinha vencido o segundo turno. Isso não é um risco? Convidar um presidente estrangeiro para uma posse que ainda não era certa?
Sim, é ousado. Mas ele liderava as pesquisas e tinha 47% dos votos válidos. Provavelmente calculava que a margem era suficiente.
E por que Espriella não aceitou o convite?
Ele havia prometido publicamente não sair da Colômbia durante seus quatro anos de mandato. Era um compromisso que havia feito com seu eleitorado.
Mas isso é uma desculpa conveniente, não é? Presidentes quebram compromissos assim o tempo todo quando há razões diplomáticas.
Verdade. Mas Espriella ofereceu uma alternativa — convidou Flávio para visitá-lo na Colômbia. Manteve a porta aberta.
Qual é a importância real dessa conversa para a política externa brasileira?
Mostra que Flávio estava planejando um realinhamento significativo — combate ao narcotráfico, designação de facções como terroristas, integração ao Escudo das Américas. Tudo isso representa uma mudança em relação à postura do governo Lula.
Mas essas são promessas de campanha. Não sabemos se seriam implementadas ou como.
Certo. Mas o fato de estar conversando com Espriella, de ter Eduardo como articulador internacional, de estar cultivando esses alinhamentos — tudo isso sugere uma estratégia deliberada.
E quanto aos outros líderes sul-americanos? Por que o governo Lula acha que eles não vão se envolver?
Porque não há confirmação de que vão. O governo está apenas afirmando isso. A realidade pode ser diferente.
Le Pouls
- Flávio Bolsonaro saiu à frente no primeiro turno com 47% contra 45% de Lula, e o convite antecipado à posse reforça a narrativa de inevitabilidade que sua campanha busca consolidar.
- Espriella, recém-eleito presidente de direita na Colômbia, declarou apoio público a Flávio durante a própria apuração brasileira, aprofundando o envolvimento estrangeiro na disputa eleitoral.
- Eduardo Bolsonaro opera como arquiteto da estratégia internacional do irmão e mira o Ministério das Relações Exteriores, sinalizando uma reorientação profunda da política externa brasileira em temas como narcotráfico e terrorismo.
- Espriella recusou o convite com elegância — prometeu visitar todos os 1.103 municípios colombianos sem sair do país — mas convidou Flávio a visitá-lo, mantendo o vínculo sem romper seu compromisso público.
- O vídeo posiciona Flávio ao lado de Milei e Espriella num bloco regional de direita que o governo Lula observa com crescente desconfiança, enquanto o segundo turno ainda não foi disputado.
Antes mesmo de disputar o segundo turno, Flávio Bolsonaro já esboçava os contornos de uma presidência: em vídeo divulgado em 7 de outubro, convidou o presidente colombiano Abelardo de la Espriella para sua posse em 6 de janeiro de 2027, sinalizando que a política externa de uma eventual administração sua seria construída sobre afinidades ideológicas e alianças regionais de direita. O gesto, mais do que protocolar, revelava a pressa de quem lidera as urnas com 47% dos votos e já age como se o futuro fosse uma questão de tempo — e não de resultado.
Brasília — Flávio Bolsonaro não esperou o segundo turno para começar a agir como presidente. Em vídeo divulgado em 7 de outubro, o candidato do PL convidou diretamente o presidente colombiano Abelardo de la Espriella para sua posse, marcada para 6 de janeiro de 2027 no Palácio do Planalto — um dia antes da data prevista em lei. O recado era simples e calculado: "Save the date".
O convite não era fortuito. Flávio havia saído na frente do primeiro turno com 47% dos votos válidos contra 45% de Lula, e durante a apuração recebeu apoio público de Espriella, com quem já havia se reunido em maio, ao lado do irmão Eduardo, durante a campanha eleitoral colombiana. A conversa registrada em vídeo mostrava uma articulação internacional já em andamento, com Eduardo Bolsonaro como principal arquiteto — ele pretendia comandar o Ministério das Relações Exteriores e atuava como intermediário de apoios regionais.
Os temas centrais da conversa revelavam o alinhamento ideológico entre os dois: combate ao narcotráfico, designação de facções criminosas como organizações terroristas e a possível adesão do Brasil ao Escudo das Américas, iniciativa que Espriella havia recém-adotado. Flávio sinalizou a intenção de integrar o Brasil a esse bloco regional de segurança.
Espriella recusou o convite com cortesia. Havia prometido publicamente não deixar a Colômbia durante seu mandato, comprometendo-se a visitar todos os 1.103 municípios do país. Mas deixou a porta aberta: convidou Flávio a visitá-lo para uma reunião bilateral. "Vou lhe acompanhar de coração, mas como você não prometeu que não vai sair do País, você pode sair e eu te espero aqui", disse o presidente colombiano, após declarar seu apreço pela família Bolsonaro e pelo Brasil.
A conversa também revelou enquadramentos que iam além da política convencional. Espriella descreveu Jair Bolsonaro como uma "inspiração" e caracterizou a disputa eleitoral brasileira como uma "guerra espiritual". Flávio, por sua vez, afirmou esperar ser um "presidente cristão". Com Milei já tendo participado da convenção do PL, Espriella tornava-se o segundo chefe de Estado de direita da América do Sul a se envolver ativamente na campanha — um movimento que o governo Lula acompanhava com desconfiança crescente.
Brasília — Faltando ainda a disputa do segundo turno, Flávio Bolsonaro já estava convidando chefes de Estado para sua posse. Em um vídeo divulgado na quarta-feira, 7 de outubro, o candidato presidencial do PL dirigiu-se diretamente ao presidente da Colômbia, Abelardo de la Espriella, pedindo sua presença na cerimônia de inauguração marcada para 6 de janeiro de 2027 no Palácio do Planalto. O convite era direto: "Save the date", pediu Bolsonaro, fixando a data com uma semana de antecedência em relação ao que a legislação brasileira estabelecia como data oficial de posse.
O gesto não era casual. Flávio havia saído na frente da votação do primeiro turno com 47% dos votos válidos contra 45% do presidente Lula, e durante a própria apuração recebeu uma manifestação pública de apoio de Espriella. Os dois já se conheciam — o presidente colombiano havia se reunido com Flávio e seu irmão Eduardo em maio, durante a campanha eleitoral na Colômbia. Agora, com o pleito brasileiro ainda em andamento, a conversa registrada em vídeo mostrava uma articulação internacional já em marcha.
Eduardo Bolsonaro funcionava como o arquiteto dessa estratégia externa. Ele havia retornado ao Brasil com a intenção de comandar o Ministério das Relações Exteriores em uma eventual administração do irmão, e o vídeo revelava seu papel como intermediário de apoios internacionais. Os temas da conversa giravam em torno de prioridades compartilhadas: o combate ao narcotráfico e a designação de facções criminosas como organizações terroristas — uma posição que os Estados Unidos já havia adotado independentemente do governo Lula. Flávio também sinalizava a intenção de integrar o Brasil ao Escudo das Américas, uma iniciativa de alinhamento regional que Espriella havia recém-adotado.
O presidente colombiano respondeu ao convite com uma recusa elegante. Havia feito um compromisso público de não deixar a Colômbia durante seus quatro anos de mandato — ele havia acabado de derrotar a esquerda nas urnas — e pretendia cumpri-lo visitando todos os 1.103 municípios do país. Mas ofereceu uma alternativa: que Flávio o visitasse na Colômbia para uma reunião bilateral. "Eu iria feliz a sua posse. Você sabe do apreço que tenho pelos Bolsonaro. Sabe como amo o Brasil, sonho em ir a Salvador, ao Rio, a São Paulo, em comer uma boa carne", disse Espriella, antes de explicar sua indisponibilidade. "Vou lhe acompanhar de coração, mas como você não prometeu que não vai sair do País, você pode sair e eu te espero aqui."
A conversa revelava mais do que um simples convite. Espriella descreveu o ex-presidente Jair Bolsonaro como uma "inspiração" e caracterizou a disputa eleitoral brasileira não apenas como uma batalha política, mas como uma "guerra espiritual". Flávio, por sua vez, afirmou esperar ser um "presidente cristão". Esses enquadramentos ideológicos sinalizavam um alinhamento que ia além de questões de política externa convencional.
O envolvimento direto de Espriella na campanha de Flávio o colocava em companhia selecionada. Javier Milei, presidente da Argentina, havia sido o primeiro chefe de Estado de direita da América do Sul a participar ativamente da oposição a Lula, comparecendo pessoalmente à convenção nacional do PL. Agora Espriella era o segundo. O governo Lula observava essa movimentação com desconfiança, embora afirmasse que outros líderes da região — de Chile, Peru, Paraguai, Bolívia e Equador — não deveriam atuar em favor de Flávio, apesar da afinidade ideológica que compartilhavam.
O vídeo, publicado em plena campanha, funcionava simultaneamente como convite diplomático e sinal de força política. Mostrava um candidato que, mesmo antes de vencer o segundo turno, já estava estruturando sua política externa e cultivando alianças regionais. A data de 6 de janeiro de 2027 — um dia antes da data legal — permanecia marcada no calendário.
Citations marquantes
Não vejo a hora de começar a trabalhar junto com senhor como presidente do Brasil e quero lhe convidar para minha posse como presidente, que vai ser no dia 6 de janeiro— Flávio Bolsonaro, em vídeo de convite ao presidente colombiano
Eu iria feliz a sua posse. Você sabe do apreço que tenho pelos Bolsonaro. Mas eu prometi não sair da Colômbia em quatro anos— Abelardo de la Espriella, presidente da Colômbia, respondendo ao convite