Antes mesmo de saber se vencerá o segundo turno, Flávio Bolsonaro já convida chefes de Estado estrangeiros para sua posse presidencial, marcada para 6 de janeiro de 2027. O gesto revela uma estratégia deliberada de construir legitimidade internacional enquanto a disputa doméstica ainda está em aberto — uma prática que diz muito sobre como o poder é negociado antes mesmo de ser conquistado. Na conversa com o presidente colombiano Abelardo de la Espriella, temas como narcotráfico, segurança e integração hemisférica já pautavam o que seria uma futura política externa, sinalizando que as alianças
Flávio Bolsonaro convida presidente da Colômbia para posse em 2027
Não vejo a hora de começar a trabalhar junto com o senhor como presidente
Por que Flávio faz esse convite agora, antes do segundo turno estar decidido? Não é arriscado?
Ele está sinalizando confiança e consolidando apoios. Se vencer, quer que esses líderes já se sintam investidos no seu projeto. Se perder, pelo menos demonstrou que tem trânsito internacional.
Mas precisamos ser claros: ele lidera por apenas dois pontos no primeiro turno. Chamar de "futura posse" quando o resultado ainda é incerto é uma aposta política, não uma certeza.
E quanto a Espriella? Por que ele não pode ir?
Ele acabou de vencer uma eleição na Colômbia e fez um compromisso público de visitar todos os 1.103 municípios do país nos próximos quatro anos. É uma questão de prioridades domésticas.
Embora seja interessante notar que Espriella encontrou uma forma elegante de recusar sem ofender — propôs uma reunião bilateral em Bogotá em vez disso.
Qual é o papel de Eduardo nessa história?
Eduardo é o articulador internacional da família. Ele quer voltar para o Brasil como ministro das Relações Exteriores, então está construindo essas pontes agora.
O que sabemos é que ele publicou o vídeo e que tem pretensões ao cargo. O que não sabemos é se Flávio já o prometeu formalmente ou se é apenas uma expectativa.
E esses temas que discutem — narcotráfico, terrorismo, Escudo das Américas — são prioridades reais ou apenas retórica?
Parecem ser prioridades genuínas para ambos os lados. Espriella acabou de derrotar a esquerda na Colômbia e está alinhado com essa agenda de segurança.
Verdade, mas o Escudo das Américas é uma iniciativa trumpista recém-adotada. Não temos ainda dados sobre sua efetividade ou como funcionará na prática.
Il Polso
- Com 47% dos votos no primeiro turno contra 45% de Lula, Bolsonaro age como se a vitória fosse certa — e o mundo está sendo convidado a acreditar nisso.
- O convite ao presidente colombiano, publicado em vídeo antes do segundo turno, provoca o debate sobre os limites entre campanha eleitoral e diplomacia de Estado.
- Uma rede de apoios internacionais — Milei, Trump, Netanyahu e agora Espriella — é mobilizada para reforçar a imagem de Bolsonaro como líder reconhecido globalmente.
- Espriella aceita o espírito do convite, mas recusa a viagem por compromisso com seu próprio povo, propondo que Bolsonaro o visite na Colômbia — um equilíbrio diplomático revelador.
- Eduardo Bolsonaro emerge como arquiteto da estratégia internacional, com ambições de comandar o Itamaraty e formalizar essas alianças em nível de governo.
Antes mesmo de saber se vencerá o segundo turno, Flávio Bolsonaro já convida chefes de Estado estrangeiros para sua posse presidencial, marcada para 6 de janeiro de 2027. O gesto revela uma estratégia deliberada de construir legitimidade internacional enquanto a disputa doméstica ainda está em aberto — uma prática que diz muito sobre como o poder é negociado antes mesmo de ser conquistado. Na conversa com o presidente colombiano Abelardo de la Espriella, temas como narcotráfico, segurança e integração hemisférica já pautavam o que seria uma futura política externa, sinalizando que as alianças de amanhã se tecem no presente.
Flávio Bolsonaro não esperou o segundo turno para começar a construir sua rede internacional. Em vídeo publicado em 7 de outubro, o senador e candidato à presidência pelo PL convidou o presidente da Colômbia, Abelardo de la Espriella, para sua posse — marcada para 6 de janeiro de 2027. "Não vejo a hora de começar a trabalhar junto com o senhor como presidente do Brasil", disse Bolsonaro, pedindo que o colega "salvasse a data".
O contexto é de disputa acirrada: Bolsonaro liderou o primeiro turno com 47% dos votos válidos contra 45% do presidente Lula. Ainda durante a apuração, Espriella já havia manifestado apoio publicamente — os dois se conheciam desde maio, quando Flávio e Eduardo se reuniram com o então candidato colombiano durante a campanha eleitoral daquele país.
O convite integra um movimento mais amplo de consolidação de apoios entre líderes de direita. Javier Milei celebrou a liderança de Bolsonaro no primeiro turno; Donald Trump e o premiê israelense Binyamin Netanyahu também manifestaram alinhamento. A conversa com Espriella foi publicada nos canais de YouTube de ambos os irmãos Bolsonaro, ampliando o alcance da mensagem.
Eduardo Bolsonaro é o articulador dessa estratégia e pretende comandar o Ministério das Relações Exteriores. Na conversa a três, os temas centrais foram o combate ao narcotráfico, a designação de facções criminosas como organizações terroristas e a integração do Brasil ao Escudo das Américas — iniciativa de Trump que Espriella também abraçou.
O presidente colombiano respondeu com afeto, mas com uma recusa gentil: havia feito um compromisso pessoal de não deixar a Colômbia durante seu mandato. Sugeriu que Bolsonaro o visitasse em Bogotá. "Eu iria feliz à sua posse. Você sabe do apreço que tenho pelos Bolsonaro", disse, propondo que estreitassem os laços bilaterais no combate ao crime. O episódio revela que, nas campanhas contemporâneas, as fronteiras nacionais já não limitam a construção do poder — a próxima administração começa a ser negociada antes mesmo do resultado final.
Flávio Bolsonaro não esperou o resultado do segundo turno para começar a tecer sua rede internacional. Em um vídeo publicado na quarta-feira, 7 de outubro, o candidato à presidência e senador pelo PL dirigiu-se diretamente ao presidente da Colômbia, Abelardo de la Espriella, com um convite para sua posse — marcada para 6 de janeiro de 2027, um dia antes da data oficial estabelecida pela nova legislação. "Não vejo a hora de começar a trabalhar junto com o senhor como presidente do Brasil", disse Bolsonaro no vídeo, pedindo ao colega que "salvasse a data".
O gesto é revelador do momento político em que se encontra. Bolsonaro liderou o primeiro turno com 47% dos votos válidos contra os 45% do presidente Lula — uma margem estreita que deixa tudo em aberto para o segundo turno. Ainda durante a apuração daquele domingo, Espriella já havia manifestado publicamente seu apoio. Os dois já se conheciam: em maio, durante a campanha eleitoral colombiana, Flávio e seu irmão Eduardo haviam se reunido com o então candidato.
O convite faz parte de um movimento mais amplo de Bolsonaro para consolidar apoios entre líderes de direita latino-americana. Javier Milei, presidente da Argentina, também celebrou sua liderança no primeiro turno. Fora da região, Donald Trump e Binyamin Netanyahu, premiê de Israel, também manifestaram alinhamento com o candidato do PL. A gravação da conversa com Espriella foi publicada tanto no canal de YouTube de Eduardo Bolsonaro quanto no canal TV Celular Flávio Bolsonaro, ampliando o alcance da mensagem.
Eduardo Bolsonaro funciona como articulador dessa estratégia internacional. Ele tem pretensões de retornar ao Brasil para comandar o Ministério das Relações Exteriores, posição que lhe permitiria formalizar essas alianças em nível de governo. Na conversa com Espriella, os três — Flávio, Eduardo e o presidente colombiano — discutiram principalmente o combate ao narcotráfico e a designação de facções criminosas como organizações terroristas, uma decisão que os Estados Unidos já adotaram independentemente da posição do governo Lula. Flávio também prometeu integrar o Brasil ao Escudo das Américas, uma iniciativa recém-adotada por Trump e que Espriella também abraçou.
O presidente colombiano respondeu ao convite com uma contraproposta. Explicou que havia feito um compromisso pessoal de não sair da Colômbia durante seus quatro anos de mandato — ele acabava de derrotar a esquerda em seu país e tinha prioridades domésticas. Sugeriu, então, que Flávio o visitasse na Colômbia para uma reunião bilateral. "Eu iria feliz a sua posse. Você sabe do apreço que tenho pelos Bolsonaro", disse Espriella, mencionando seu desejo de visitar Salvador, Rio de Janeiro e São Paulo, e de comer "uma boa carne". Mas o compromisso com seu povo o impedia de deixar o país. "Vou lhe acompanhar de coração", completou, propondo que os dois estreitassem os laços entre as nações no combate ao narcotráfico e à insegurança.
O episódio ilustra como campanhas presidenciais contemporâneas extrapolam as fronteiras nacionais. Bolsonaro está construindo sua legitimidade internacional antes mesmo de vencer a eleição, sinalizando aos seus apoiadores domésticos que possui o respeito de líderes globais alinhados com sua agenda. Ao mesmo tempo, revela as prioridades que orientarão sua política externa caso vença: segurança, combate ao crime organizado e alinhamento com a direita americana e latino-americana. O segundo turno ainda não ocorreu, mas a próxima administração já está sendo negociada nos bastidores.
Citazioni salienti
Não vejo a hora de começar a trabalhar junto com o senhor como presidente do Brasil e quero lhe convidar para minha posse— Flávio Bolsonaro
Eu iria feliz a sua posse. Você sabe do apreço que tenho pelos Bolsonaro. Sabe como amo o Brasil, sonho em ir a Salvador, ao Rio, a São Paulo, em comer uma boa carne— Abelardo de la Espriella