Flávio Bolsonaro apoia retorno de Eduardo Cunha à Câmara dos Deputados

Aquele que abriu os olhos e derrubou Dilma
Flávio Bolsonaro descreveu Eduardo Cunha no vídeo de apoio, relembrando seu papel no impeachment de 2016.
Mark

Por que Flávio Bolsonaro gravaria um vídeo apoiando alguém que já foi cassado? Não é arriscado?

Mimi

Para Flávio, Cunha representa um aliado histórico — aquele que derrubou Dilma. É um sinal de lealdade a um momento que a direita considera seu. E Cunha agora está em Minas Gerais, não no Rio, então não compete com a filha dele.

Luke

Mas precisamos ser claros: Cunha foi cassado por mentir sobre contas na Suíça. Isso não desaparece porque Flávio faz um vídeo. A pergunta real é se o eleitorado mineiro vai votar nele.

Mimi

Exato. O apoio de Flávio é um sinal, mas não garante nada. Cunha precisa convencer os mineiros de que merece uma segunda chance.

Mark

E quanto ao Republicanos? O partido não disse que seria neutro no primeiro turno?

Luke

Isso é importante. Cunha está apoiando Flávio abertamente, mas a cúpula do partido decidiu ficar neutra. Então há uma tensão interna ali que não deve ser ignorada.

Mimi

Cunha está seguindo seu próprio caminho, não o do partido. Isso mostra que ele ainda tem autonomia política, mesmo depois de tudo.

Mark

Qual é o maior risco para Cunha nessa candidatura?

Luke

A memória das pessoas. Ele foi cassado há apenas sete anos. Alguns eleitores podem não estar dispostos a esquecer.

Mimi

Mas para outros, especialmente entre os que apoiaram o impeachment, ele é uma figura respeitada. Tudo depende de quem vai votar em Minas Gerais.

  • Flávio Bolsonaro gravou vídeo declarando apoio público a Eduardo Cunha, aproximando sua candidatura presidencial de uma das figuras mais controversas da política brasileira.
  • Cunha carrega o peso de um mandato cassado em 2019 por mentir sobre contas secretas na Suíça, tornando sua tentativa de retorno ao Congresso uma das apostas eleitorais mais arriscadas de outubro.
  • A mudança de domicílio eleitoral do Rio de Janeiro para Minas Gerais revela estratégia calculada: evitar disputar votos com a própria filha, deputada Dani Cunha, e ampliar as chances de reeleição.
  • Ao declarar apoio a Flávio para a presidência, Cunha contraria a neutralidade oficial do Republicanos no primeiro turno, criando tensão com a cúpula do seu próprio partido.
  • As eleições de outubro funcionarão como um veredicto popular sobre se a narrativa de 2016 — e seus protagonistas — ainda mobiliza eleitores suficientes para restaurar Cunha ao Legislativo.

Uma década após orquestrar o impeachment de Dilma Rousseff, Eduardo Cunha tenta regressar ao Congresso Nacional — desta vez como candidato a deputado federal por Minas Gerais. O gesto de Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência, ao gravar um vídeo de apoio explícito, revela que certas figuras políticas, mesmo após a cassação e o ostracismo, conservam peso simbólico nos arranjos da direita brasileira. O retorno de Cunha é, antes de tudo, uma pergunta dirigida ao tempo: o que uma sociedade faz com aqueles que moldaram sua história recente?

Na quarta-feira, 26 de agosto, Flávio Bolsonaro gravou um vídeo declarando apoio a Eduardo Cunha, que concorre a uma vaga na Câmara dos Deputados pelo Republicanos em Minas Gerais. O senador e candidato à Presidência elogiou o papel histórico de Cunha no impeachment de Dilma Rousseff, descrevendo-o como aquele que "abriu os olhos da população brasileira" — e chamou Dilma de "talvez a pior presidente que esse país tenha tido na sua história".

Cunha presidiu a Câmara entre 2015 e 2016, período em que foi o principal articulador do afastamento de Dilma. Mas sua trajetória terminou de forma abrupta: em 2019, teve o mandato cassado por quebra de decoro parlamentar após mentir em uma CPI da Petrobras sobre contas secretas que mantinha na Suíça. Agora, aos 67 anos e com patrimônio declarado superior a R$ 14 milhões — grande parte depositada em conta judicial na Caixa Econômica Federal —, ele tenta a reabilitação política.

A escolha de Minas Gerais não foi aleatória. Cunha transferiu seu domicílio eleitoral do Rio de Janeiro para evitar competir diretamente com sua filha, a deputada Dani Cunha, que também disputa uma vaga pelo estado. O movimento revela o cálculo preciso de quem conhece os meandros do jogo eleitoral.

Em resposta ao vídeo de Flávio, Cunha declarou apoio à candidatura presidencial do senador e afirmou orgulho das posições que assumiu à frente da Câmara, descrevendo-as como exigindo "coragem necessária para conduzir momentos que entraram para a história do Brasil". O gesto, porém, coloca-o em rota de colisão com a estratégia do Republicanos, que decidiu manter neutralidade no primeiro turno presidencial.

O apoio de Flávio transforma a candidatura de Cunha em algo maior do que uma tentativa individual de retorno: ela se torna um símbolo da permanência de certas lideranças no imaginário da direita brasileira. Outubro dirá se o eleitorado mineiro está disposto a reescrever esse capítulo.

Flávio Bolsonaro, senador e candidato à Presidência da República pelo PL, gravou um vídeo na quarta-feira, 26 de agosto, declarando apoio explícito a Eduardo Cunha, que concorre a uma vaga na Câmara dos Deputados pelo Republicanos em Minas Gerais. O gesto representa um alinhamento público com uma figura central da política brasileira recente — aquele que orquestrou o impeachment de Dilma Rousseff uma década atrás.

Cunha ocupou a presidência da Câmara entre 2015 e 2016, período em que sua atuação foi decisiva para viabilizar o processo de afastamento de Dilma. No vídeo, Flávio elogiou justamente esse papel histórico, descrevendo Cunha como "aquele que abriu os olhos da população brasileira" e creditando a ele a queda da presidente. A frase de Flávio — que chamou Dilma de "talvez a pior presidente que esse país tenha tido na sua história" — reforça a narrativa que une os dois políticos em torno daquele momento de 2016.

O retorno de Cunha ao Congresso não é simples. Seu mandato foi cassado em 2019 por quebra de decoro parlamentar após ele ter mentido em uma CPI da Petrobras sobre a existência de contas secretas que mantinha na Suíça. A queda foi abruta: do auge do poder legislativo para fora do Congresso. Agora, aos 67 anos, ele tenta se reabilitar politicamente. Segundo a plataforma DivulgaCand do Tribunal Superior Eleitoral, Cunha declarou um patrimônio superior a R$ 14 milhões, sendo que pouco mais de R$ 12 milhões estão em um depósito em conta judicial na Caixa Econômica Federal.

A escolha de Minas Gerais como base eleitoral não é casual. Cunha transferiu seu domicílio eleitoral do Rio de Janeiro especificamente para evitar uma disputa direta por votos com sua filha, a deputada federal Dani Cunha, que também concorre pelo estado. A mudança revela cálculos políticos precisos: maximizar chances de retorno sem competir pela mesma base de apoio familiar.

Na resposta ao vídeo de Flávio, Cunha afirmou que segue agora em "outro propósito" após "enfrentar o PT". Ele declarou apoio a Flávio para a presidência e expressou orgulho "das posições que assumi quando estive à frente da Câmara", descrevendo-as como tendo exigido "coragem necessária para conduzir momentos que entraram para a história do Brasil". A postura de Cunha diverge, porém, da adoção de neutralidade no primeiro turno presidencial que a cúpula do Republicanos decidiu manter. Seu apoio explícito a Flávio coloca-o em desalinhamento com a estratégia oficial do partido.

O apoio de Flávio a Cunha sinaliza que a figura do ex-presidente da Câmara — apesar da cassação e dos anos de afastamento — permanece relevante para setores da direita brasileira. O vídeo transforma a candidatura de Cunha em mais do que uma tentativa individual de retorno: torna-a um símbolo de reabilitação de uma liderança que foi central na reconfiguração política de 2016. As eleições de outubro dirão se o eleitorado mineiro está disposto a restaurar Cunha ao Congresso.

Foi aquele que abriu os olhos da população brasileira e derrubou a Dilma, talvez a pior presidente que esse país tenha tido na sua história
— Flávio Bolsonaro, em vídeo de apoio a Eduardo Cunha
Tenho orgulho das posições que assumi quando estive à frente da Câmara, coragem necessária para conduzir momentos que entraram para a história do Brasil
— Eduardo Cunha, em resposta ao apoio de Flávio
Vuoi la storia completa? Leggi l'originale su A Tarde ↗
Contattaci Domande frequenti