Uma década após orquestrar o impeachment de Dilma Rousseff, Eduardo Cunha tenta regressar ao Congresso Nacional — desta vez como candidato a deputado federal por Minas Gerais. O gesto de Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência, ao gravar um vídeo de apoio explícito, revela que certas figuras políticas, mesmo após a cassação e o ostracismo, conservam peso simbólico nos arranjos da direita brasileira. O retorno de Cunha é, antes de tudo, uma pergunta dirigida ao tempo: o que uma sociedade faz com aqueles que moldaram sua história recente?
Flávio Bolsonaro apoia retorno de Eduardo Cunha à Câmara dos Deputados
Aquele que abriu os olhos e derrubou Dilma
Por que Flávio Bolsonaro gravaria um vídeo apoiando alguém que já foi cassado? Não é arriscado?
Para Flávio, Cunha representa um aliado histórico — aquele que derrubou Dilma. É um sinal de lealdade a um momento que a direita considera seu. E Cunha agora está em Minas Gerais, não no Rio, então não compete com a filha dele.
Mas precisamos ser claros: Cunha foi cassado por mentir sobre contas na Suíça. Isso não desaparece porque Flávio faz um vídeo. A pergunta real é se o eleitorado mineiro vai votar nele.
Exato. O apoio de Flávio é um sinal, mas não garante nada. Cunha precisa convencer os mineiros de que merece uma segunda chance.
E quanto ao Republicanos? O partido não disse que seria neutro no primeiro turno?
Isso é importante. Cunha está apoiando Flávio abertamente, mas a cúpula do partido decidiu ficar neutra. Então há uma tensão interna ali que não deve ser ignorada.
Cunha está seguindo seu próprio caminho, não o do partido. Isso mostra que ele ainda tem autonomia política, mesmo depois de tudo.
Qual é o maior risco para Cunha nessa candidatura?
A memória das pessoas. Ele foi cassado há apenas sete anos. Alguns eleitores podem não estar dispostos a esquecer.
Mas para outros, especialmente entre os que apoiaram o impeachment, ele é uma figura respeitada. Tudo depende de quem vai votar em Minas Gerais.
El Pulso
- Flávio Bolsonaro gravou vídeo declarando apoio público a Eduardo Cunha, aproximando sua candidatura presidencial de uma das figuras mais controversas da política brasileira.
- Cunha carrega o peso de um mandato cassado em 2019 por mentir sobre contas secretas na Suíça, tornando sua tentativa de retorno ao Congresso uma das apostas eleitorais mais arriscadas de outubro.
- A mudança de domicílio eleitoral do Rio de Janeiro para Minas Gerais revela estratégia calculada: evitar disputar votos com a própria filha, deputada Dani Cunha, e ampliar as chances de reeleição.
- Ao declarar apoio a Flávio para a presidência, Cunha contraria a neutralidade oficial do Republicanos no primeiro turno, criando tensão com a cúpula do seu próprio partido.
- As eleições de outubro funcionarão como um veredicto popular sobre se a narrativa de 2016 — e seus protagonistas — ainda mobiliza eleitores suficientes para restaurar Cunha ao Legislativo.
Uma década após orquestrar o impeachment de Dilma Rousseff, Eduardo Cunha tenta regressar ao Congresso Nacional — desta vez como candidato a deputado federal por Minas Gerais. O gesto de Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência, ao gravar um vídeo de apoio explícito, revela que certas figuras políticas, mesmo após a cassação e o ostracismo, conservam peso simbólico nos arranjos da direita brasileira. O retorno de Cunha é, antes de tudo, uma pergunta dirigida ao tempo: o que uma sociedade faz com aqueles que moldaram sua história recente?
Na quarta-feira, 26 de agosto, Flávio Bolsonaro gravou um vídeo declarando apoio a Eduardo Cunha, que concorre a uma vaga na Câmara dos Deputados pelo Republicanos em Minas Gerais. O senador e candidato à Presidência elogiou o papel histórico de Cunha no impeachment de Dilma Rousseff, descrevendo-o como aquele que "abriu os olhos da população brasileira" — e chamou Dilma de "talvez a pior presidente que esse país tenha tido na sua história".
Cunha presidiu a Câmara entre 2015 e 2016, período em que foi o principal articulador do afastamento de Dilma. Mas sua trajetória terminou de forma abrupta: em 2019, teve o mandato cassado por quebra de decoro parlamentar após mentir em uma CPI da Petrobras sobre contas secretas que mantinha na Suíça. Agora, aos 67 anos e com patrimônio declarado superior a R$ 14 milhões — grande parte depositada em conta judicial na Caixa Econômica Federal —, ele tenta a reabilitação política.
A escolha de Minas Gerais não foi aleatória. Cunha transferiu seu domicílio eleitoral do Rio de Janeiro para evitar competir diretamente com sua filha, a deputada Dani Cunha, que também disputa uma vaga pelo estado. O movimento revela o cálculo preciso de quem conhece os meandros do jogo eleitoral.
Em resposta ao vídeo de Flávio, Cunha declarou apoio à candidatura presidencial do senador e afirmou orgulho das posições que assumiu à frente da Câmara, descrevendo-as como exigindo "coragem necessária para conduzir momentos que entraram para a história do Brasil". O gesto, porém, coloca-o em rota de colisão com a estratégia do Republicanos, que decidiu manter neutralidade no primeiro turno presidencial.
O apoio de Flávio transforma a candidatura de Cunha em algo maior do que uma tentativa individual de retorno: ela se torna um símbolo da permanência de certas lideranças no imaginário da direita brasileira. Outubro dirá se o eleitorado mineiro está disposto a reescrever esse capítulo.
Flávio Bolsonaro, senador e candidato à Presidência da República pelo PL, gravou um vídeo na quarta-feira, 26 de agosto, declarando apoio explícito a Eduardo Cunha, que concorre a uma vaga na Câmara dos Deputados pelo Republicanos em Minas Gerais. O gesto representa um alinhamento público com uma figura central da política brasileira recente — aquele que orquestrou o impeachment de Dilma Rousseff uma década atrás.
Cunha ocupou a presidência da Câmara entre 2015 e 2016, período em que sua atuação foi decisiva para viabilizar o processo de afastamento de Dilma. No vídeo, Flávio elogiou justamente esse papel histórico, descrevendo Cunha como "aquele que abriu os olhos da população brasileira" e creditando a ele a queda da presidente. A frase de Flávio — que chamou Dilma de "talvez a pior presidente que esse país tenha tido na sua história" — reforça a narrativa que une os dois políticos em torno daquele momento de 2016.
O retorno de Cunha ao Congresso não é simples. Seu mandato foi cassado em 2019 por quebra de decoro parlamentar após ele ter mentido em uma CPI da Petrobras sobre a existência de contas secretas que mantinha na Suíça. A queda foi abruta: do auge do poder legislativo para fora do Congresso. Agora, aos 67 anos, ele tenta se reabilitar politicamente. Segundo a plataforma DivulgaCand do Tribunal Superior Eleitoral, Cunha declarou um patrimônio superior a R$ 14 milhões, sendo que pouco mais de R$ 12 milhões estão em um depósito em conta judicial na Caixa Econômica Federal.
A escolha de Minas Gerais como base eleitoral não é casual. Cunha transferiu seu domicílio eleitoral do Rio de Janeiro especificamente para evitar uma disputa direta por votos com sua filha, a deputada federal Dani Cunha, que também concorre pelo estado. A mudança revela cálculos políticos precisos: maximizar chances de retorno sem competir pela mesma base de apoio familiar.
Na resposta ao vídeo de Flávio, Cunha afirmou que segue agora em "outro propósito" após "enfrentar o PT". Ele declarou apoio a Flávio para a presidência e expressou orgulho "das posições que assumi quando estive à frente da Câmara", descrevendo-as como tendo exigido "coragem necessária para conduzir momentos que entraram para a história do Brasil". A postura de Cunha diverge, porém, da adoção de neutralidade no primeiro turno presidencial que a cúpula do Republicanos decidiu manter. Seu apoio explícito a Flávio coloca-o em desalinhamento com a estratégia oficial do partido.
O apoio de Flávio a Cunha sinaliza que a figura do ex-presidente da Câmara — apesar da cassação e dos anos de afastamento — permanece relevante para setores da direita brasileira. O vídeo transforma a candidatura de Cunha em mais do que uma tentativa individual de retorno: torna-a um símbolo de reabilitação de uma liderança que foi central na reconfiguração política de 2016. As eleições de outubro dirão se o eleitorado mineiro está disposto a restaurar Cunha ao Congresso.
Citas Notables
Foi aquele que abriu os olhos da população brasileira e derrubou a Dilma, talvez a pior presidente que esse país tenha tido na sua história— Flávio Bolsonaro, em vídeo de apoio a Eduardo Cunha
Tenho orgulho das posições que assumi quando estive à frente da Câmara, coragem necessária para conduzir momentos que entraram para a história do Brasil— Eduardo Cunha, em resposta ao apoio de Flávio