Flávio Bolsonaro apoia Eduardo Cunha em disputa por vaga na Câmara

O Brasil reagiu a tempo contra talvez a pior presidente
Flávio Bolsonaro, em vídeo de apoio a Cunha, resgata narrativa do impeachment de 2016.
Mark

Por que Flávio Bolsonaro está investindo tanto tempo e visibilidade em apoiar Eduardo Cunha especificamente? Cunha não é um nome que gera confiança imediata.

Mimi

Cunha tem um papel simbólico importante para esse segmento político. Ele foi quem conduziu o impeachment de Dilma em 2016, um momento que a direita vê como central. Para Flávio, associar-se a Cunha é resgatar aquele episódio e conectar sua candidatura a uma narrativa de vitória contra a esquerda.

Luke

Mas precisamos ser claros: Cunha está inelegível segundo o Ministério Público Eleitoral. A Justiça ainda não decidiu. Então quando Flávio grava esse vídeo, ele está apoiando alguém cuja candidatura pode ser barrada legalmente. Isso é um risco político real.

Mimi

Verdade. Mas Cunha também tem uma rádio em Minas Gerais, tem influência local, tem uma base. Para Flávio, o cálculo pode ser que vale a pena apoiá-lo mesmo com essa incerteza legal.

Mark

E quanto ao Republicanos? O partido está neutro na presidência, mas Cunha está apoiando Flávio abertamente. Isso não cria uma contradição?

Luke

Cria, mas é uma contradição que Cunha está resolvendo pessoalmente. Ele separou sua posição individual da posição do partido. O Republicanos segue apoiando Cleitinho Azevedo ao governo de Minas, que é rival do candidato do PL. Então há uma confusão de lealdades aqui.

Mimi

Cunha está tentando se reabilitar politicamente. Depois de dez anos fora, depois de prisão, depois de condenação por corrupção, ele precisa de aliados poderosos. Flávio oferece isso. É uma transação política clara.

Mark

Quanto à elegibilidade dele — qual é a chance real de a Justiça barrar sua candidatura?

Luke

Não sabemos. O Ministério Público tem um argumento legal sólido: condenação por improbidade administrativa. Mas decisões eleitorais são imprevisíveis. O que sabemos é que o caso ainda está pendente, então qualquer apoio a Cunha agora é um apoio a alguém cuja situação legal não está resolvida.

Mimi

E isso é importante para o leitor entender: Flávio está apostando em Cunha mesmo com essa nuvem sobre a cabeça dele. É um gesto de confiança, ou de necessidade política, ou de ambos.

  • Flávio Bolsonaro gravou vídeo declarando apoio explícito a Cunha, evocando o impeachment de Dilma Rousseff como credencial política do ex-deputado cassado.
  • Cunha carrega o peso de uma condenação a mais de 14 anos de prisão por corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas ligadas à Petrobras.
  • O Ministério Público Eleitoral questiona sua elegibilidade por improbidade administrativa, e a decisão judicial ainda pode barrar sua candidatura antes mesmo das urnas.
  • A aliança entre Flávio e Cunha tensiona o campo da direita mineira, onde PL e Republicanos disputam espaço com candidatos diferentes ao governo do estado.
  • Cunha e o senador Cleitinho Azevedo, apoiado pelo Republicanos, acumulam conflitos que já chegaram ao Supremo Tribunal Federal, tornando o cenário ainda mais fragmentado.

Dez anos após perder o mandato em meio a escândalos de corrupção, Eduardo Cunha tenta regressar ao Congresso Nacional por Minas Gerais, agora com o apoio público de Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência. O gesto revela como antigas fraturas e novas conveniências moldam as alianças da direita brasileira às vésperas de mais um ciclo eleitoral. O retorno, porém, permanece incerto: a Justiça Eleitoral ainda decide se Cunha tem o direito de disputar.

Flávio Bolsonaro divulgou na quarta-feira, 26 de agosto, um vídeo de apoio à candidatura de Eduardo Cunha a deputado federal por Minas Gerais. Na gravação, o candidato à Presidência destacou o papel de Cunha no impeachment de Dilma Rousseff em 2016 e convocou os eleitores mineiros a apoiá-lo. Cunha retribuiu declarando apoio à candidatura presidencial de Flávio, embora seu partido, o Republicanos, mantenha neutralidade na disputa nacional.

A tentativa de retorno de Cunha ao Congresso carrega o peso de uma trajetória marcada pela queda. Em 2016, ele perdeu o mandato após ser cassado por mentir à CPI da Petrobras sobre contas na Suíça. Foi condenado a mais de 14 anos de prisão por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e evasão de divisas, em caso que envolveu US$ 1,5 milhão recebidos em contrato de exploração de petróleo no Benin e prejuízo estimado de US$ 77,5 milhões à estatal. Após deixar a prisão em 2021, passou a atuar no setor de comunicação e se tornou proprietário de uma rádio em Minas Gerais.

A aproximação entre os dois políticos não começou com o vídeo de agosto. Em junho, gravaram juntos material para divulgar uma entrevista de Flávio na rádio de Cunha. No Dia dos Pais, apareceram lado a lado em um culto em São Paulo, acompanhados pela deputada Dani Cunha. Durante a cerimônia, Flávio pediu em oração sabedoria e coragem para o ano eleitoral e se emocionou ao falar sobre Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar desde março.

O cenário político mineiro adiciona complexidade à aliança. O Republicanos apoia Cleitinho Azevedo ao governo do estado, enquanto o PL lançou Flávio Roscoe. Cunha e Cleitinho têm divergências públicas que chegaram ao STF, após o ex-presidente da Câmara apresentar queixa-crime por ofensas do senador. O retorno de Cunha às urnas, no entanto, ainda depende de uma decisão da Justiça Eleitoral sobre sua elegibilidade, contestada pelo Ministério Público Eleitoral.

Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência da República, gravou um vídeo de apoio explícito à candidatura de Eduardo Cunha para deputado federal por Minas Gerais, divulgado na quarta-feira 26 de agosto. A gravação marca mais um passo visível na aproximação entre os dois políticos, que ao longo de 2026 já participaram de eventos conjuntos e publicações nas redes sociais. No vídeo, Flávio se dirigiu aos eleitores mineiros e destacou o papel de Cunha no impeachment de Dilma Rousseff em 2016, chamando a ex-presidente de "talvez a pior presidente que esse país tenha tido na sua história" e afirmando que "o Brasil reagiu a tempo". Cunha, por sua vez, recebeu o apoio com gratidão e declarou estar apoiando Flávio na corrida presidencial, ainda que seu partido, o Republicanos, tenha mantido posição de neutralidade na disputa nacional.

A trajetória de Cunha até este momento é marcada por uma queda e uma tentativa de retorno. Dez anos antes, em 2016, ele perdeu seu mandato de deputado federal após ser cassado por mentir à CPI da Petrobras sobre contas bancárias na Suíça. As investigações revelaram que havia recebido US$ 1,5 milhão — cerca de R$ 7,7 milhões na cotação atual — relacionado a um contrato de exploração de petróleo no Benin, na África. O campo de petróleo nunca produziu, e o prejuízo estimado à Petrobras foi de US$ 77,5 milhões, aproximadamente R$ 339,6 milhões. Cunha foi condenado a 15 anos de prisão por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e evasão de divisas; em segunda instância, a pena foi reduzida para 14 anos e seis meses.

Depois de deixar a prisão em 2021, Cunha retomou a atuação política e passou a trabalhar no setor de comunicação, tornando-se proprietário de uma rádio em Minas Gerais. Agora tenta voltar ao Congresso pelo estado, mas enfrenta um obstáculo legal significativo: o Ministério Público Eleitoral apresentou uma ação de impugnação argumentando que ele permanece inelegível por uma condenação anterior por improbidade administrativa. A Justiça Eleitoral ainda não decidiu sobre o caso.

A aproximação entre Flávio e Cunha não começou com o vídeo de apoio. Em junho, os dois gravaram outro vídeo para divulgar uma entrevista do candidato presidencial em uma rádio de Minas Gerais pertencente a Cunha. Na ocasião, Flávio defendeu a continuidade do legado político de seu pai, Jair Bolsonaro, e apresentou propostas como redução do número de ministérios, novas privatizações, diminuição de impostos, ampliação do financiamento e seguro rural para o agronegócio, e uma transição gradual para beneficiários do Bolsa Família que ingressarem no mercado formal. No Dia dos Pais, 9 de agosto, os dois voltaram a aparecer juntos em um culto em São Paulo, acompanhados pela deputada federal Dani Cunha, filha de Eduardo. Durante a cerimônia, Flávio fez uma oração pedindo "sabedoria, coragem, saúde e discernimento" para o ano eleitoral. Ao falar sobre Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar desde março, Flávio se emocionou e refletiu sobre a importância de valorizar a convivência com pais e avós.

No contexto político de Minas Gerais, a aliança entre Flávio e Cunha ocorre em meio a tensões entre os partidos. O Republicanos apoia a candidatura do senador Cleitinho Azevedo ao governo do estado, enquanto o PL lançou o empresário Flávio Roscoe para o cargo. Cunha e Cleitinho acumulam divergências públicas que chegaram ao Supremo Tribunal Federal: o ex-presidente da Câmara apresentou uma queixa-crime contra o senador por ter sido chamado de "vagabundo" e "canalha". Cunha, que foi deputado federal pelo Rio de Janeiro de 1998 a 2016, agora toma Minas Gerais como sua base eleitoral. Seu retorno à disputa eleitoral dependerá não apenas do apoio de Flávio, mas também da decisão da Justiça Eleitoral sobre sua elegibilidade.

Meus amigos de Minas Gerais, estou aqui com uma pessoa que tem um papel importante na história do nosso Brasil. Foi aquele que abriu os olhos da população brasileira e derrubou a Dilma.
— Flávio Bolsonaro, no vídeo de apoio a Cunha
A gente está nesse propósito, esse propósito que a gente já enfrentou o PT. Eu estou apoiando Flávio Bolsonaro, meu partido Republicanos está neutro, mas eu estou apoiando Flávio Bolsonaro em Minas Gerais e no Brasil.
— Eduardo Cunha, respondendo ao apoio de Flávio
Envie de l'histoire complète ? Lire l'original sur Correio Braziliense ↗
Nous contacter FAQ