Em um gesto que transforma o campo de futebol em arena política, o Flamengo entrou em jogo com a frase 'Proibir não é proteger' estampada no uniforme e nas placas do estádio, contestando a medida provisória assinada pelo presidente Lula que, desde 25 de setembro, proíbe apostas esportivas no Brasil. O que está em jogo vai além de um contrato: estimativas apontam perdas superiores a R$ 1 bilhão para os clubes da Série A, e o Flamengo, com um acordo de R$ 268,5 milhões anuais com a Betano, levou a disputa ao Supremo Tribunal Federal. É o momento em que o esporte e o Estado se olham nos olhos e d
Flamengo estampa protesto contra proibição de bets na camisa em jogo do Brasileirão
Proibir não é proteger — estampado na camisa
Por que o Flamengo decidiu colocar um protesto político na camisa? Isso não é incomum?
É incomum, sim. Mas a situação é extrema. O clube tem um contrato de R$ 268,5 milhões por ano com a Betano até 2028. A medida provisória ameaça anular essa receita de uma hora para a outra.
Espera — a MP já está em vigor ou ainda precisa ser aprovada?
Já está em vigor desde 25 de setembro. Mas precisa do Congresso para virar lei permanente. Enquanto isso, os clubes estão no limbo.
E quanto aos outros clubes? Só o Flamengo está protestando?
Não. A ANJL e o IBJR já colocaram mensagens em outros estádios. Mas o Flamengo foi mais longe — levou para a camisa e acionou o STF.
Qual é o argumento do Flamengo na Justiça? Que a medida é inconstitucional?
Não exatamente. O clube pediu para participar da ação que contesta a MP. Basicamente está dizendo: "Ouçam a gente, porque isso nos afeta diretamente".
E qual é o argumento de quem defende a proibição?
Que as apostas causam vício e problemas sociais. Mas a ANJL contra-argumenta que uma proibição só vai empurrar as pessoas para plataformas clandestinas.
Quanto os clubes podem perder no total?
Estimativas falam em mais de R$ 1 bilhão para toda a Série A. Mas isso é uma projeção — o número exato depende de quantos contratos serão realmente rescindidos.
O que acontece se o Congresso não aprovar a medida?
Aí ela cai e o mercado volta ao normal. Mas ninguém sabe quando o Congresso vai votar.
E se o STF der razão ao Flamengo?
Também é incerto. O STF pode suspender a MP, modificá-la ou deixá-la como está. Tudo depende de como o ministro Luiz Fux e os outros ministros interpretarem a questão.
Il Polso
- Uma medida provisória já em vigor ameaça varrer mais de R$ 1 bilhão em receitas dos clubes brasileiros de futebol, criando um vazio orçamentário imediato.
- O Flamengo transformou o uniforme e o estádio em manifesto político, exibindo 'Proibir não é proteger' durante partida oficial do Brasileirão.
- Por trás do protesto estão entidades do setor de apostas que argumentam que a proibição não elimina o problema — apenas empurra os apostadores para plataformas clandestinas.
- O clube acionou o STF para integrar ação que contesta a MP, citando contrato de R$ 268,5 milhões anuais com a Betano vigente até 2028.
- A batalha agora se divide em duas frentes: o Congresso Nacional, que precisa ratificar a medida, e o Supremo, onde a legalidade da proibição será examinada.
Em um gesto que transforma o campo de futebol em arena política, o Flamengo entrou em jogo com a frase 'Proibir não é proteger' estampada no uniforme e nas placas do estádio, contestando a medida provisória assinada pelo presidente Lula que, desde 25 de setembro, proíbe apostas esportivas no Brasil. O que está em jogo vai além de um contrato: estimativas apontam perdas superiores a R$ 1 bilhão para os clubes da Série A, e o Flamengo, com um acordo de R$ 268,5 milhões anuais com a Betano, levou a disputa ao Supremo Tribunal Federal. É o momento em que o esporte e o Estado se olham nos olhos e discutem os limites entre regulação e proibição.
Na noite de 8 de outubro, o Flamengo entrou em campo contra o Santos na Vila Belmiro carregando mais do que a esperança de uma vitória: estampado no uniforme e nas placas publicitárias do estádio, o slogan 'Proibir não é proteger' transformou o jogo em um ato de contestação política. O alvo era a medida provisória assinada pelo presidente Lula em 25 de setembro, que proíbe apostas de quota fixa no Brasil — incluindo apostas esportivas, jogos virtuais e qualquer forma de publicidade associada.
A MP já está em vigor, mas ainda depende do Congresso Nacional para se tornar lei permanente. Seus efeitos, porém, são imediatos: clubes da Série A já começaram a suspender contratos com casas de apostas, e as estimativas de perdas para o setor superam R$ 1 bilhão. A campanha que deu voz ao protesto do Flamengo é articulada pela ANJL e pelo IBJR, entidades que defendem a manutenção de um mercado regulado e alertam que a proibição pode simplesmente deslocar os apostadores para plataformas ilegais.
O Flamengo, no entanto, foi além do gesto simbólico. A diretoria comandada por Luiz Eduardo Baptista, o Bap, acionou o Supremo Tribunal Federal, pedindo ao ministro Luiz Fux para integrar a ação que contesta a medida. Na petição, o clube detalhou o impacto concreto: seu contrato de patrocínio máster com a Betano vale cerca de R$ 268,5 milhões por temporada e vai até o fim de 2028. Perder essa receita, argumentou o clube, comprometeria não apenas o futebol profissional, mas também as categorias de base e outras modalidades.
O que começou como uma frase numa camisa revela uma disputa mais profunda sobre os limites do Estado na regulação do mercado e sobre quem arca com os custos das escolhas de política pública. O desfecho — no Congresso ou no STF — definirá o futuro das apostas esportivas no Brasil e a saúde financeira de dezenas de clubes que construíram seus orçamentos sobre essa receita.
Na noite de quinta-feira, 8 de outubro, o Flamengo entrou em campo contra o Santos na Vila Belmiro com uma mensagem estampada no peito: "Proibir não é proteger". Não era apenas uma frase. Era um protesto direto contra a medida provisória assinada pelo presidente Lula que, desde 25 de setembro, proíbe as apostas de quota fixa no Brasil — uma categoria que engloba apostas esportivas e jogos virtuais, além de seus patrocínios associados. A mensagem também ocupou as placas publicitárias do estádio durante toda a partida pelo Brasileirão, transformando o uniforme e o espaço físico do jogo em um veículo de contestação política.
A medida provisória já está em vigor, embora ainda dependa da aprovação do Congresso Nacional para se tornar lei permanente. Sua abrangência é ampla: proíbe não apenas a exploração e a oferta de apostas, mas também a intermediação e qualquer forma de publicidade relacionada. Para os clubes de futebol, o impacto financeiro é potencialmente devastador. Estimativas indicam que as perdas para os times da Série A podem ultrapassar R$ 1 bilhão. Muitos clubes já começaram a suspender ou rescindir contratos com casas de apostas, enfrentando um vazio orçamentário que afeta desde as operações principais até categorias de base e modalidades paralelas.
O Flamengo não agiu isoladamente. A campanha "Proibir não é proteger" já havia ocupado espaços publicitários em outros jogos do Brasileirão, incluindo o clássico entre São Paulo e Santos em 2 de outubro. Por trás dessa mobilização estão a Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) e o Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR), entidades que cederam espaço para as mensagens. Seus argumentos são duplos: defendem a manutenção de um mercado regulado e alertam que a proibição pode favorecer plataformas clandestinas, deslocando o problema em vez de resolvê-lo.
Mas o Flamengo foi além do protesto simbólico. A diretoria, sob gestão de Luiz Eduardo Baptista, conhecido como Bap, acionou o Supremo Tribunal Federal. O clube pediu ao ministro Luiz Fux para participar da ação que contesta a medida provisória. Na petição, citou números concretos: o contrato de patrocínio máster com a Betano vale aproximadamente R$ 268,5 milhões por temporada e tem vigência até o fim de 2028. A perda dessa receita, argumentou o clube, comprometeria não apenas as operações principais, mas também diferentes modalidades e categorias — desde o futebol profissional até as categorias de base.
O que o Flamengo fez foi transformar uma questão de política pública em uma questão de sobrevivência institucional. O protesto na camisa e nas placas não era apenas retórica; era uma declaração de que a proibição das apostas representa uma ameaça financeira real e imediata. A movimentação na Justiça, por sua vez, sinalizava que o clube estava disposto a levar o conflito para além do campo, buscando reverter ou modificar uma decisão que afeta diretamente seu modelo de negócios. O resultado dessa disputa — tanto no Congresso quanto no STF — determinará não apenas o futuro das apostas esportivas no Brasil, mas também a saúde financeira de dezenas de clubes que dependem dessas receitas.
Citazioni salienti
A perda das receitas comprometeria diferentes modalidades e categorias do clube— Flamengo, em petição ao STF