No final de outubro de 2022, a agência Fitch elevou a notação da dívida soberana portuguesa de BBB para BBB+, tornando-se a terceira grande agência a melhorar a classificação do país num único ano. A decisão reflete o reconhecimento internacional de uma política orçamental disciplinada e de uma trajetória de redução da dívida pública que resistiu a choques externos consideráveis. Num momento em que a Europa navega entre a crise energética, a inflação persistente e o aperto monetário, Portugal emerge como um ponto de relativa estabilidade — embora os desafios dos anos seguintes permaneçam no ho
Fitch sobe rating de Portugal para BBB+, terceira agência a melhorar notação este ano
Um sinal de confiança internacional muito importante
Por que é que três agências de notação melhorarem a classificação de Portugal no mesmo ano é significativo?
Porque cada agência trabalha de forma independente e tem critérios próprios. Quando todas convergem na mesma direção, sinaliza que não é uma avaliação isolada — é um reconhecimento mais amplo de que algo mudou fundamentalmente na posição fiscal e económica do país.
Mas qual é o intervalo entre essas três subidas? A DBRS foi em agosto, a S&P duas semanas depois, e a Fitch em outubro. Isso é convergência ou é efeito de manada?
É uma boa pergunta. Provavelmente há um pouco de ambos. A primeira agência abre o caminho, mas as outras têm dados reais para justificar — a dívida estava efetivamente a cair, o défice estava controlado.
A Fitch diz que Portugal terá "um dos défices mais baixos da Zona Euro". Como é que isso se compara com o resto da Europa naquele momento?
A fonte não dá números comparativos, mas o ponto é que enquanto muitos países europeus lutavam com défices maiores — especialmente após a pandemia e a crise energética — Portugal estava a manter-se disciplinado.
E quanto aos riscos que a Fitch identifica? 90% das hipotecas em taxas variáveis é uma vulnerabilidade real, não é?
Absolutamente. A agência não está a ignorar isso. Está a dizer que o risco é moderado porque existem "fatores atenuantes", mas não especifica quais são esses fatores.
Exatamente. Isso é um gap na análise. Sabemos que existe risco, sabemos que há atenuantes, mas não sabemos o quê.
Medina fala em reduzir a dívida para menos de 100% do PIB até ao final da legislatura. Quanto tempo é isso?
A fonte não especifica a data exata do final da legislatura, mas a trajetória que a Fitch projeta — 115% em 2022, 108,3% em 2024 — sugere que é um objetivo ambicioso mas potencialmente alcançável se as condições se mantiverem.
Mas a Fitch também prevê desaceleração em 2023 e 2024. Se o crescimento cai para 1% e depois 2,2%, como é que a dívida continua a cair ao ritmo que a agência projeta?
Boa observação. A fonte não explica esse mecanismo. Pode ser através de superávites primários, ou pode ser que a agência esteja a contar com fatores que não estão explícitos no comunicado.
O Pulso
- Três grandes agências de rating melhoraram a notação de Portugal em 2022, sinalizando uma viragem histórica na perceção dos mercados sobre a solidez financeira do país.
- A dívida pública deverá cair 10,5 pontos percentuais num único ano, aproximando-se dos 115% do PIB — uma trajetória que a Fitch identificou como fator decisivo para a subida do rating.
- O crescimento de 6,4% projetado para 2022, sustentado pela recuperação do turismo, contrasta com a previsão de apenas 1% para 2023, expondo a fragilidade do modelo face à desaceleração europeia.
- O setor bancário português carrega um risco 'moderado': 90% das hipotecas estão indexadas a taxas variáveis, tornando as famílias vulneráveis à subida acelerada dos juros pelo BCE.
- O ministro Fernando Medina acolheu a notícia como validação da estratégia de 'contas certas', reafirmando a meta de reduzir a dívida abaixo dos 100% do PIB até ao final da legislatura.
No final de outubro de 2022, a agência Fitch elevou a notação da dívida soberana portuguesa de BBB para BBB+, tornando-se a terceira grande agência a melhorar a classificação do país num único ano. A decisão reflete o reconhecimento internacional de uma política orçamental disciplinada e de uma trajetória de redução da dívida pública que resistiu a choques externos consideráveis. Num momento em que a Europa navega entre a crise energética, a inflação persistente e o aperto monetário, Portugal emerge como um ponto de relativa estabilidade — embora os desafios dos anos seguintes permaneçam no horizonte.
A Fitch elevou a notação da dívida portuguesa de BBB para BBB+ em outubro de 2022, a primeira melhoria desde dezembro de 2017. A perspetiva mantém-se estável. Com esta decisão, Portugal completou um ciclo inédito: três revisões em alta num único ano, depois de a DBRS ter subido a notação para A em agosto e de a Standard & Poor's ter atribuído BBB+ duas semanas antes.
A agência destacou o 'forte compromisso' de Portugal com uma política orçamental prudente, mesmo perante choques externos significativos. A Fitch projetava um défice de 1,9% do PIB para o ano — um dos mais baixos da Zona Euro — e estimava uma queda de 10,5 pontos percentuais no rácio da dívida pública, que desceria para 115% do PIB em 2022 e para 108,3% em 2024. Esta trajetória de redução sustentada foi apresentada como o argumento central da decisão.
No plano do crescimento, a agência projetava 6,4% para 2022, impulsionado pela recuperação robusta do turismo, mas antecipava uma travagem acentuada para 1% em 2023 e 2,2% em 2024, pressionada pela crise energética europeia, pela inflação elevada e pelo aperto da política monetária. A Fitch era ainda mais pessimista que o Governo na inflação, projetando 7,8% contra os 7,4% estimados por Lisboa. O setor bancário foi identificado como um risco moderado, dado que 90% das hipotecas portuguesas estão indexadas a taxas variáveis.
O ministro das Finanças, Fernando Medina, saudou a notícia como um 'sinal de confiança internacional muito importante', sublinhando que a melhoria do rating beneficiaria as condições de financiamento do Estado, das famílias e das empresas. Medina reafirmou o compromisso com a redução da dívida para abaixo dos 100% do PIB até ao final da legislatura, apresentando essa meta como o principal escudo do país face à incerteza que se avizinha.
A Fitch elevou a notação da dívida portuguesa de BBB para BBB+ no final de outubro de 2022, marcando a primeira melhoria desde dezembro de 2017 e consolidando uma tendência de confiança renovada nos mercados financeiros. A perspetiva mantém-se estável. Com este movimento, Portugal tornou-se alvo de três revisões em alta consecutivas — a DBRS tinha subido a notação para A em agosto, seguida pela Standard & Poor's duas semanas depois com BBB+, e agora a Fitch completava o ciclo.
Na justificação da decisão, a agência norte-americana destacou o que chamou de "forte compromisso" português em manter uma política orçamental prudente apesar de "choques externos significativos". A Fitch projetava um défice de 1,9% do PIB para o ano — alinhado com as previsões do Governo — embora alertasse que os números mensais sugeriam melhoria no primeiro semestre, enquanto o segundo semestre deveria trazer deterioração. Mesmo assim, a agência assegurava que Portugal teria "um dos défices mais baixos da Zona Euro".
O ponto mais relevante da análise incidia sobre a trajetória da dívida pública. A Fitch estimava uma queda de 10,5 pontos percentuais em 2022, reduzindo o rácio para 115% do PIB, com nova descida para 108,3% em 2024. Esta "queda sustentada" era apresentada como um fator crítico na decisão de subir o rating. No plano do crescimento económico, a agência projetava 6,4% para o ano em curso, impulsionado pela "recuperação robusta do setor do turismo" — ligeiramente abaixo dos 6,5% antecipados pelo Governo. Contudo, a perspetiva para os anos seguintes era mais contida: 1% em 2023 e 2,2% em 2024.
A Fitch não ignorava os riscos. A agência alertava que a "crise energética europeia, a inflação elevada e uma política monetária mais apertada" provocariam "uma desaceleração económica", com impacto no poder de compra das famílias e moderação no investimento privado. Quanto à inflação, a Fitch era mais pessimista que o Governo, projetando 7,8% para 2022 contra os 7,4% estimados por Lisboa, descendo para 4,6% em 2023. A agência também identificava um risco "moderado" no setor bancário, dado que 90% das hipotecas estavam indexadas a taxas variáveis — um cenário vulnerável a aumentos repentinos e significativos das taxas de juro, embora existissem "alguns fatores atenuantes".
Fernando Medina, ministro das Finanças, recebeu a notícia como um "sinal de confiança internacional muito importante para Portugal", particularmente relevante num momento em que os bancos centrais aceleravam a subida das taxas de juro diretoras. Medina sublinhou que a nova notação beneficiaria as taxas de juro da dívida soberana, com reflexo nos juros pagos por famílias e empresas. O ministro reafirmou o compromisso com a "estratégia de contas certas" e a meta de reduzir a dívida para um nível inferior a 100% do PIB no final da legislatura — duas prioridades que, segundo ele, protegeriam "a economia nacional da incerteza" e posicionariam o país "em melhores condições para responder aos desafios" que enfrentava. Com três agências de notação a melhorarem a classificação de Portugal num único ano, o país consolidava uma posição de estabilidade relativa num contexto europeu marcado por turbulência económica e financeira.
Citações Notáveis
Forte compromisso de Portugal em manter uma política orçamental prudente apesar de choques externos significativos— Fitch, em comunicado
Um sinal de confiança internacional muito importante para Portugal, particularmente num momento em que os bancos centrais estão a subir muito rapidamente as taxas de juro diretoras— Fernando Medina, ministro das Finanças